O que é o momento neoessencialista e como lidar com ele?

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A entrada de mais um ano em quarentena nos faz refletir sobre o que é, de fato, essencial para a nossa vida

Considerando a filosofia historicamente, o essencialismo aparece pela primeira vez com as ideias do filósofo grego Aristóteles. Nessa perspectiva, ele defendia que existem algumas características intrínsecas a um ser, humano ou não, que são essenciais a sua existência em qualquer cenário.

Muito aceita na época, essa perspectiva vem sendo bastante questionada ao longo da história, especialmente com o avanço das discussões em torno dos direitos sociais. De toda forma, de maneira repaginada, as ideias do essencialismo dizem muito sobre o momento em que vivemos atualmente, em que repensamos coletivamente o que é, de fato, essencial para nossa vida.

Prova disso é que o minimalismo, filosofia estética e ética que aposta no conceito “menos é mais”, vem sendo utilizado largamente como forma de se engajar com problemas contemporâneos de escala global. Um exemplo que vale ser citado é a maneira como tecnologia têxtil e design minimalista estão se aproximando na busca de soluções mais sustentáveis.

Como o foco em ações sustentáveis tem muito a ver com as ideias tanto do minimalismo como do essencialismo contemporâneo, a moda tem se apropriado deste pensamento para encontrar soluções que combinam tecnologia e respeito ao meio ambiente. Essas ideias, entretanto, têm sido discutidas em vários outros setores da sociedade.

O neoessencialismo dos dias atuais

O essencialismo contemporâneo por si só já vai de encontro às ideias trazidas por Aristóteles. Se naquele momento o pensador se referia ao que era intrínseco à essencial de uma pessoa, animal, ou objeto, hoje fala-se, com o essencialismo, do que é vital para as atividades do dia a dia e quais princípios formam essas decisões.

Ou seja, enquanto o essencialismo histórico se baseava em leis universais que deveriam ser aplicadas a todos os seres de uma determinada categoria, o essencialismo como é visto hoje dá abertura para as particularidades de cada indivíduo. Em outras palavras, o que é essencial para uma pessoa não é necessariamente essencial para outra.

O termo ficou particularmente conhecido depois que o livro “Essencialismo: a disciplinada busca por menos”, do autor inglês Greg McKeown, se popularizou por todo o mundo, disseminando a possibilidade de um minimalismo que considera a subjetividade do sujeito.

O neoessencialismo, nesse sentido, dá um passo à frente e nos faz pensar sobre o que é essencial para o planeta e para a sociedade sem deixar de lado a individualidade de cada um que está pensando no movimento.

Permanecendo com o problema

Uma vez vista como algo distante da realidade e utópica, a sustentabilidade se tornou uma luz no fim do túnel em uma época em que não somente a pandemia, mas o aquecimento global, a poluição dos oceanos e as grandes queimadas são problemas atuais e urgentes.

Hoje em dia, é inegável o fato de que as atividades humanas têm impacto direto na saúde do meio ambiente, com alguns cenários inclusive irreversíveis. Considerando essa irreversibilidade, o neoessencialismo, mais do que uma solução imediata, propõe alternativas para reduzir o nosso impacto de nossa rotina no planeta.

Essas ideias, vale ressaltar, não estão mais restritas a um grupo de pequenos pensadores e ativistas. O Observatório de Sinais, empresa de pesquisa de tendências, já indicou que o momento neossencialista está impulsionando diversas decisões que influenciam os variados setores da vida humana.

Tecidos antivirais, canudos de metal ou papel, sacolas não-descartáveis, redução do consumo de produtos de origem animal e upcycling, somente para citar alguns, são bons exemplos de como esses ideais têm se materializado atualmente.

No livro “Staying with the Trouble”, Ficando com o Problema, em tradução livre, lançado em 2016, a filósofa e bióloga californiana Donna Haraway aponta que mais importante do que tentar reverter o cenário atual, especialmente considerando a irreversibilidade de alguns aspectos dele, é olharmos para frente e especular futuros possíveis.

Haraway defende que, para isso, é preciso que exista uma organização comunitária e internacional. Só assim, juntos, assimilamos as possíveis estratégias de resistirmos à atual crise global.

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