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Inovações na produção e realização de shows na cultura digital

Uma das mudanças na cultura da música aponta para um deslocamento de investimentos dos formatos físicos para a experiência ao vivo. Em outras palavras, já que a compra de canções não é mais hábito do público (nem a principal maneira de se consumir música, como era no passado), os shows ampliaram sua importância na geração de renda. Já não é raro artistas distribuindo músicas gratuitamente, sabendo que isso desperta o interesse do público e cativa novos ouvintes, aumentando o público pagante em shows. Nesse cenário, surgem iniciativas que dialogam criativamente com as novas tecnologias digitais.

Crowdfunding

O crowdfunding é um recurso usado de muitas maneiras na realização de shows. No Rio de Janeiro, um dos projetos mais bem-sucedidos é o Queremos, que trouxe mais de 20 bandas internacionais para tocar na cidade. Neste modelo, a produção seleciona o artista, o local, a data e o montante que precisa ser arrecadado. Os investidores precisam comprar cotas durante um período até atingir o total pedido para garantir a realização do evento. Depois de confirmado, os ingressos são colocados à venda. Em muitos casos, o valor das cotas compradas no primeiro momento são devolvidas integralmente aos investidores iniciais, dependendo de quantos ingressos são vendidos na bilheteria.

Aproveitando também as facilidades da cultura digital, Kim Boekbinder fechou uma turnê inteira usando o Kickstarter.com, uma das primeiras e mais populares plataformas de crowdfunding do mundo. No site, a artista fez a pré-venda dos ingressos, garantindo que os shows realizados cobririam todos custos mínimos da turnê, evitando prejuízos – sempre um risco para músicos independentes.

Interação com os fãs

Já que na internet as interações entre bandas e fãs é mais direta, por que não recorrer ao público para decidir, por exemplo, as músicas do show? A banda The Rapture tem escolhido que canções executar no bis através das preferências dos fãs. No Brasil, a dupla Zezé Di Camargo e Luciano também teve a mesma ideia e escolhe as últimas músicas dos shows através de votações na internet.

Streaming

Outra oportunidade trazida pelas novas tecnologias é a transmissão dos shows via streaming, uma forma de levar a experiência “local” dos eventos para um público maior. Ontem, dia 11, o Twitter realizou o streaming do primeiro show através da plataforma. A apresentação do DJ Tiësto, promovida pela HP e pela Intel, ocorreu no Consumer Electronics Shows 2012. Além do próprio streaming de shows ser uma inovação em si, a natureza das redes sociais aumenta a visibilidade do evento, com o público compartilhando links e comentários entre seus contatos.

Você conhece outras inovações no mercado da música ao vivo? Compartilhe com a gente nos comentários.

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Crowdfunding: participação dos fãs na realização de projetos musicais

Todos que se envolvem com produção cultural sabem que conseguir verba para realizar determinado projeto é bastante difícil. O crowdfunding tem aparecido com certa frequência na mídia como uma forma eficiente de financiar projetos de forma coletiva. Ao invés de participar de editais, contar com grandes patrocinadores ou fazer contrato com empresas, realizadores tentam buscar investidores para seus projetos se articulando em redes sociais, recebendo micro-patrocínios.

Essa forma de financiamento também pode gerar bons negócios para a música

Através do movere.me, plataforma brasileira de crowdfunding, o grupo de samba “Sururu na Roda” busca investidores até o dia 25 de maio para a produção de seu novo álbum. Os fãs podem investir quantias pré-determinadas, recebendo uma espécie de recompensa que varia de acordo com o valor depositado. Por exemplo, as pessoas que investirem R$ 5, ganharão um agradecimento no site. Aqueles que contribuírem com R$ 10, receberão uma faixa do álbum por e-mail antes do lançamento oficial. Quem investir R$ 80 nesse projeto do “Sururu na Roda” ganha um encontro com o grupo para tomar um chope em um bar no Rio de Janeiro. Outras recompensas, ainda mais exclusivas, são: assistir a uma sessão de gravação do álbum novo (R$ 200,00), participar de um jantar com o grupo (R$ 400) e até mesmo ganhar um show acústico do “Sururu na Roda” (R$ 5.000,00 ou mais) para 50 convidados. Há também a possibilidade de investir sem receber as recompensas – somente pelo prazer de ver o projeto “sair do papel”.

Um outro caso que vem ganhando notoriedade nos últimos meses é o Queremos. A ideia dessa iniciativa é, através do crowdfunding, financiar a vinda de bandas ao Rio de Janeiro. Ao invés de esperar o investimento financeiro e a boa vontade de grandes produtores, os próprios fãs se articulam para comprar cotas que bancam os custos mínimos, tornando possível a realização do show. Nesse momento, começa a venda de ingressos para o público. Caso a venda de ingressos ultrapasse a quantia total necessária para a realização do evento, esse dinheiro que sobrou retorna para os investidores iniciais que, muitas vezes, acabam assistindo ao show de graça. No caso do Queremos, empresas também podem compram cotas, mas elas não recebem o dinheiro de volta. Até hoje, a iniciativa trouce grupos como The National, LCD Soundsystem, Miami Horror e Miike Snow.

Nos dois casos apresentados, se a quantia pedida não for atingida em prazo mínimo para a realização do projeto, o dinheiro volta para os investidores. Isso quer dizer que você só paga por algo que, de fato, vai acontecer.

Esses financiamentos coletivos na música não são exatamente uma novidade. O Sellaband é um empreendimento europeu, com escritórios em Munique e Amsterdã, que funciona desde 2006. Até hoje, o Sellaband já viabilizou sessões de gravação para 42 artistas, usando o investimento de fãs. Através do site, mas de U$ 3.000.000 já foram revertidos para bandas independentes. Essa mecânica permite que os artistas retenham a posse de seus trabalhos e tenham a liberdade de determinar quais incentivos eles oferecerão aos fãs que investem em sua carreira.

O financiamento coletivo permite que o público se envolva diretamente na produção da música. Cada vez mais os artistas sem o suporte de uma gravadora têm a possibilidade de conseguir incentivos para realizar seus projetos de forma autônoma, colaborativa e sustentável.

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Novos modelos de negócio para a música, na prática: envolvendo o público

Quando falamos de música, mais propriamente do mercado musical, estamos envolvendo muitas pessoas – seja pessoal ou profissionalmente. São focos diferentes, mas a essência é a mesma: todos unidos pela música.

Artistas e fãs acabam ocupando papéis antes inimagináveis. Hoje em dia, um músico já não é mais só um músico. Ele também atua como produtor, divulgador, distribuidor, e com isso acaba se aproximando dos seus fãs e transformando-os em possíveis investidores – além de se tornar, ele próprio, um investimento atraente para marcas e empresas dispostas a atingir seus fãs.

Um bom exemplo de financiamento coletivo, ou crowdfunding, é o Sellaband, site pioneiro onde os artistas são financiados pelos seus fãs. Essa plataforma foi uma das primeiras, seguida por outros no mesmo formato e similares, como o Artist Share, por exemplo.

Aqui no Brasil também já vemos como essa conexão fã-artista já rende frutos aos mais atentos, como no caso da ação de crowdfunding Queremos, criada pelos cariocas Bruno Natal, Felipe Continentino, Lucas Bori, Pedro Seiler e Tiago Lins. Os cinco se uniram para levantar dinheiro via internet para trazer a banda Miike Snow e, recentemente, o Belle and Sebastian, para tocar no Rio de Janeiro.

Estas são formas não só de aproximar o fã do artista, mas também de abrir um novo campo de possibilidade de negócios e oportunidades de lucrar. O mercado começa a perceber o fã, além de público-alvo, como um empreendedor em potencial.

São novas maneiras de expandir o campo de ação, não mais ficando preso na espera por uma gravadora ou patrocínio. Como no caso do Teatro Mágico, grupo de São Paulo que disponibiliza todo seu conteúdo, músicas, vídeos e fotos, gratuitamente em seu site, atraindo assim mais pessoas para suas apresentações ao vivo. Sem ajuda de uma gravadora eles conseguiram alcançar 1 milhão de downloads e 190 mil cópias de cds vendidos. Ou o caso da cantora Jill Sobule do Colorado, que com um anúncio em seu site conseguiu arrecadar com os fãs US$75 mil para gravar seu cd.

O mercado está ávido por empresas que apresentem soluções inovadoras juntando artistas e fãs em uma receita de sucesso. Artistas que funcionem como marcas e mobilizadores de pessoas, seus fãs, que não procurem patrocínios, algo que já está muito escasso no mercado atual.

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