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Lessig e Gil comandam debate sobre música, internet e políticas públicas

O debate “Música: a fronteira do futuro – criatividade, tecnologia e políticas públicas” reuniu um time de peso no último dia 24, no Auditório Ibirapuera, para discutir cultura, tecnologia e política. Em tempos de polêmica no ECAD, no Ministério da Cultura e a necessidade de atualização da legislação de direitos autorais, uma conversa como essa faz-se fundamental, pois não somente expõe problemas, como aponta caminhos possíveis para a cadeia produtiva da música e da cultura como um todo. O evento foi realizado pelo Centro de Estudos do Auditório Ibirapuera em parceria com a Casa da Cultura Digital, o Centro de Tecnologia e Sociedade da Fundação Getúlio Vargas (CTS-FGV), co-gestor do Estrombo e o Instituto Overmundo, parceiro do Estrombo.

Depois da abertura com o vídeo Remixofagia, o professor de direito em Harvard e criador do Creative Commons, Lawrence Lessig, discursou sobre direito autoral e democracia baseada na abertura e no compartilhamento. Colocando o Brasil como um expoente importante no cenário mundial, principalmente com os avanços na gestão do Ministro da Cultura Gilberto Gil à frente do MinC, Lessig fez um apelo: “vocês no Brasil precisam pegar e nos mostrar o que pode ser feito dessa revolução. Vamos deixar o Brasil liderar essa luta novamente.”

Adiante, os participantes da mesa expuseram à plateia seus argumentos sobre as liberdades e cerceamentos que vêm ocorrendo na internet. Essa discussão cresceu bastante nos últimos meses e, atualmente, estamos em um momento crítico para debatermos essas questões, levantadas pelos palestrantes Sergio Amadeu, Ivana Bentes, Gilberto Gil, Danilo Miranda, Claudio Prado e a deputada Manuela D’Ávila.

Ronaldo Lemos, diretor do Creative Commons Brasil e coordenador do Estrombo no CTS-FGV, ponderou que “os princípios da internet como descentralização, transparência, inovação e acesso sem barreiras tem o potencial de influenciar as instituições: a política, o estado e a criação de leis”. É essa a luta que vemos tomar força nos últimos anos.

A indústria da música está diretamente relacionada aos pontos debatidos, justamente porque foi a primeira que sentiu grandes abalos com o compartilhamento de arquivos e novas formas de acesso, produção e distribuição que dispensam as vias tradicionais e legitimadas pelo mercado. Numa tentativa de frear uma situação inevitável, empresas moveram ações judiciais contra consumidores e desenvolvedores de softwares ao invés de reverem seu modelo de negócios, inoperante no momento atual. Por isso, o debate se faz necessário para encontrarmos o meio do caminho: como levar a música para esse novo cenário, sem abrir mão das nossas liberdades?

Assista o vídeo do evento aqui.

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* Com informações de Aline Carvalho.

Banda Kaiser Chiefs permite ao fã montar seu álbum e compartilha lucro

Na semana passada, a banda inglesa Kaiser Chiefs lançou o seu último álbum “The future is medieval” através da ação “crie o seu álbum”, permitindo que os fãs adquiram versões personalizadas do novo trabalho. A dinâmica funciona da seguinte maneira: acessando o site da banda, pode-se escolher 10 entre as 20 faixas disponíveis para compor o álbum. Depois, é só fazer o desenho da capa e pagar £7,50 (em torno de R$ 20,00) para fazer o download de “The future is medieval”. Além disso, cada versão ganha a sua própria página e o criador ganha £1 para cada vez que o álbum montado por ele é vendido para outra pessoa.

Hoje, um dos grandes desafios para a indústria fonográfica é como gerar renda com a venda de música – afinal, na internet, é cada vez mais fácil adquirir músicas de forma gratuita, seja legal ou ilegalmente. Isso traz algumas consequências. Uma delas, por exemplo, é o deslocamento do valor do fonograma para outros elementos, como o relacionamento com os fãs e os shows ao vivo. Outra, é que surge a necessidade de se explorar novas formas de fazer negócio com música que dialoguem com a realidade atual do mercado fonográfico.

De certa maneira, a ação comandada pelo Kaiser Chiefs articulou essas duas tendências ao relacionar a venda da música com o engajamento dos fãs – e diz muito sobre o atual mercado de música. Destacamos dois pontos: o primeiro aponta diretamente para a importância do fã no cenário fonográfico atual. No “create your album”, eles têm exercem o poder de manipular e criar suas próprias versões de “The future is medieval”. Eles fazem isso colocando as músicas que querem na ordem que desejam, reconfigurando, inclusive, a noção mais tradicional de álbum que foi construída ao longo das últimas décadas. Ou seja, aqui, o álbum não é uma obra fechada, uma vez que elementos centrais como a arte da capa, a ordem das faixas e o próprio conteúdo são “a gosto do freguês”. Outro ponto importante, que deve ser observado mais atentamente, é que nessa ação, os compradores não estão pagando somente pelas músicas. O que parece ser mais interessante aqui é participar da experiência de co-criação e sentir-se parte do processo de produção do álbum. E isso vai repercutir também na própria distribuição, pois os fãs-criadores vão querer que sua versão do trabalho novo do Kaiser Chiefs circule, principalmente porque há a comissão de £1 por cópia vendida.

Apesar das dificuldades enfrentadas pela indústria fonográfica, o caso de “The future is medieval” mostra que ainda há margem para pensarmos em formas inovadoras de vender música e a necessidade de articular a questão comercial com um contexto maior, por exemplo, a importância de reconhecer o potencial criativo dos fãs.

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Novos canais de distribuição: o caso do Bagagem

Hoje, um dos maiores problemas enfrentados pelos músicos é como fazer circular sua produção. Explorando possibilidades trazidas com a tecnologia digital e indo além dos sites de redes sociais mais populares, o Projeto Axial desenvolveu seu próprio canal de distribuição: o aplicativo Bagagem.

O Axial é formado pelo trio Felipe Julián, Sandra Ximenes e Leonardo Muniz e, musicalmente, explora sonoridades variadas a partir de elementos eletrônicos. Defensores da cultura livre, suas músicas são licenciadas em Creative Commons, e já tocaram em palcos importantes no Brasil e fora do país.

O terceiro álbum, “SiMBiOSE” (2010), foi lançado pelo aplicativo Bagagem em vez de um CD convencional. Desenvolvido em parceria com um amigo programador, o software pode ser facilmente instalado em qualquer computador. O aplicativo devolve à música digital a visualidade do álbum “físico”, com imagens escolhidas pelos próprios artistas para acompanhar a execução das faixas, e traz informações relevantes, como a ficha técnica, o encarte, além de estar integrado com redes sociais como Twitter e Facebook. Os outros dois discos – “Axial” (2004) e “Senóide” (2007) – também podem ser acessados pelo canal.

A versão beta do Bagagem foi lançada em novembro de 2010 e baixada mais de mil vezes em menos de um mês. Hoje, o aplicativo já está na sua versão 2.0 e disponibiliza também álbuns de outros artistas que aderiram à ideia, como Chico Correa com o álbum “Chico Correa & the Electronic Band” e o Jampa Sessions, uma jam session gravada para Dada Radio por Chico Correa em parceria com os músicos Fernando TRZ (Cérebro Eletrônico) Gil Duarte (Asimov) e Felipe Julián (Projeto Axial), entre outros. Também faz parte do Bagagem o álbum “Metá Metá”, da dupla Kiko Dinucci e Juçara Marçal, e o projeto de vídeo remixes “Caixa Prego”, produzido pelo coletivo audiovisual Embolex.

Refletindo o engajamento necessário nesse momento de profundas transformações no mercado musical, o Axial organizou o “Bagagem Ao Vivo” que levou para o SESC Pinheiros, entre os dias 18 e 21 de maio, painéis de debate em torno dos temas: circulação de produtos culturais, liberdade intelectual, liberdade de apropriação, redes colaborativas, novas tecnologias, autogestão de carreira e direito autoral. O “Bagagem Ao Vivo” encerrou-se no dia 22 com um show, onde o coletivo Bagagem foi oficialmente lançado.

Sobre esse evento, em entrevista para o Link, Felipe Julián diz: “o que eu gostaria com esse encontro é que a classe musical se politizasse e se animasse a criar novos modelos de distribuição de música menos dependentes de intermediários”.

Um dos objetivos do Estrombo é capacitar agentes da cadeia produtiva para desenvolver e explorar novos canais de distribuição através de redes sociais, celulares e games musicais. Acompanhe-nos também nas nossas redes: Twitter, Facebook, YouTube, Flickr.

Games e Economia Criativa: debate no File Games Rio 2011

Nesta quarta-feira, 13 de abril, o Oi Futuro do Flamengo sediará, dentro do File Games Rio 2011, a mesa redonda “Economia Criativa: um ‘software’ para os ‘hardwares’ do desenvolvimento”, onde profissionais de destaque debaterão a Economia Criativa como o motor de novas oportunidades e desenvolvimento sustentável no século XXI.

Indústrias que têm como elementos chaves os bens culturais, o conhecimento e a criatividade são as que mais crescem nos últimos anos. A pergunta que dará o tom à discussão é: “como avançar no design de processos, instrumentos e formas de governança que de fato tenham esses recursos intangíveis como elemento central?”

Heliana Marinho, coordenadora do projeto Estrombo (Sebrae/RJ), participará da mesa redonda ao lado de outros gestores de cultura: Claudia Leitão (Ministério da Cultura), Edgar Andrade (Federação Nacional da Economia Criativa), Marcos André Carvalho (Secretaria de Cultura do Estado do Rio de Janeiro), Maria Arlete Gonçalves (Oi Futuro), Mario Borghini (Instituto Pereira Passos e Prefeitura Municipal do Rio de Janeiro). A coordenação do simpósio será feita por Lala Deheinzelin (Enthusiasmo Cultural).

File Games Rio 2011

Entre os dias 12 de abril e 8 de maio acontece a segunda edição do File Games Rio. O Oi Futuro do Flamengo receberá jogos e obras de arte que remetem aos jogos eletrônicos através de instalações, performances, animações, além dos próprios games, desenvolvidos para diversas plataformas e suportes.

Serviço:
Mesa redonda Economia Criativa
13 de abril de 2011 – 17h – 19h
Endereço: Oi Futuro – Rua 2 de dezembro, Flamengo
Vagas limitadas. Inscrição gratuita no link

Algumas dicas para criar relacionamento com os fãs através das redes sociais

As redes sociais já se mostraram ferramentas importantes para que os artistas construam e mantenham relacionamento com a sua audiência. No entanto, enquanto alguns possuem certa facilidade de trânsito nesses meios, outros ainda podem achar difícil dar conta diariamente das constantes atualizações nas várias plataformas e preferir não se envolver com esse tipo de comunicação.

Este post é voltado para quem quer usar as redes sociais a seu favor, mas ainda não sabe direito como navegar em cada plataforma. Por isso, elaboramos algumas dicas.

- Use somente o que você tem condições (e interesse) de manter

É importante que você não se sinta pressionado a usar todas as ferramentas de redes sociais à sua disposição. É muito melhor usar somente uma ou outra e se aprofundar nas possibilidades oferecidas por ela do que usar várias de forma rasa e inconstante. Pesquise quais delas são mais adequadas à sua disponibilidade e aos seus interesses.

- Deixe a sua audiência sempre atualizada

Uma vez que você oferece aos seus fãs um meio para se conectarem com você, é seu dever fornecer informações relevantes – e constantes – para eles. Não importa muito se elas vêm diretamente de você ou de um membro da sua equipe, principalmente quando se tratam de informações mais impessoais, como novos lançamentos de música, calendário de shows e demais eventos. Por outro lado, informações e outras interações de caráter mais pessoal fazem mais sentido se vierem de você; nesse caso, deixe claro para os seus fãs que é você quem está falando.

- Incentive a criação de conteúdo

Encoraje e reconheça a criatividade do seu público. Você pode fazer isso pedindo que eles gravem e compartilhem vídeos e fotos de seus shows ou até mesmo promovendo concursos culturais como a criação de imagens para estampar as capas de seus singles ou álbuns, remixes ou covers das suas músicas etc. Os fãs valorizam essas iniciativas, pois é mais uma forma de buscar a aproximação com o músico.

- Conte sua história através das redes sociais e deixe que o fã também conte a história dele

As redes sociais podem ser uma forma de estender a sua história para além da música. É claro que o público está interessado no seu som, mas eles também se importam com o contexto daquelas canções que gostam. O que está em jogo aqui é a possibilidade de criar formas de participação. É claro que isso varia de artista para artista, mas quanto mais convidativa forem as suas interações, mais o seu fã vai responder e estabelecer diálogo com você. Por isso, estabeleça conversas, trocas e demonstre interesse pelo seu público. Quanto mais bem trabalhadas forem essas interações, mais os fãs se motivarão a distribuir e compartilhar informação sobre você.

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É claro que as redes sociais não devem virar uma obrigação para os artistas, mas os seus fãs já estão nesses lugares – e falando sobre você –, então por que não dedicar algum tempo para criar um outro relacionamento com esse público?

Caso você já desenvolva uma experiência parecida, conte para o Estrombo aqui nos comentários.

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Algumas dessas dicas foram inspiradas por esse post no Hypebot.

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