A música brasileira tem uma qualidade indiscutível e uma característica que aumenta muito o seu valor: a diversidade. A avaliação foi um consenso, bem como a dificuldade de aumentar a presença deste conteúdo nas diferentes plataformas. Este foi o ponto de partida entre os especialistas que participaram do “Sincronização em Ficção”, debate do Seminário ABMI Digital & SYNC, que aconteceu no Rio de Janeiro entre 18 e 20 de abril.
A transformação do audiovisual em uma indústria sustentável depende da superação de uma corrida de obstáculos. Da adaptação do mercado à nova legislação à dificuldade de encontrar profissionais especializados em segmentos específicos, como games, à falta de uma tabela média de preços.

“A música costuma ser um dos últimos itens do orçamento de uma produção e os valores não tem qualquer lógica. Muitas vezes, a variação de preço chega a 500%. Mas estou otimista, porque acho que o mercado está mudando e se profissionalizando”, avaliou o diretor da Associação Brasileira dos Produtores Independentes (ABPI), Leonardo Dourado.
O gerente executivo da Abragames, Gerson de Souza, também se queixou da variação de preços, sobretudo, no caso dos jogos eletrônicos em que não é possível q”uantificar o tempo em que a peça será executada devido à própria dinâmica da atividade. “Já existe um padrão de valores no exterior que pode ser aproveitado como ponto de partida e para diferentes trabalhos”, sugeriu.
A criação de uma plataforma específica que promova uma maior interação entre as pontas deste mercado, facilitando a troca de informações; um banco de dados com conteúdo disponível e direitos autorais já garantidos; além de preços adequados à realidade nacional foram outras propostas colocadas pelos debatedores.
“A música não deve ser vista como ilustração de uma cena, mas como um conteúdo cultural pleno e é assim que ela deve ser tratada”, acentuou o diretor da TV Brasil, Ricardo Vilas.
Criar um espaço nobre e exclusivo para a música brasileira, com uma programação enriquecida com entrevistas e documentários são as propostas do Music Box Brazil, primeiro canal dedicado exclusivamente à música brasileira criado no Tecnopuc (RS), e criado já com foco na distribuição de conteúdo para diferentes plataformas como tablets, telefones e TV.
“Nós temos a melhor música do mundo e é uma conquista enorme participar da abertura de um canal que abrigue de artistas consagrados aos independentes e ainda dar oportunidade aos talentos regionais, fora do eixo mais tradicional de produção”, reforçou Márcio Mazeron, da Musica In Box Brazil.












