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Inovação no negócio da música: fruto de trabalho e informação

Die Felsen im Studio - flickr - scytale - 5349316885 - CC BY 2-0

Negócios inovadores não caem do céu. A celebração de novos modelos de negócio e canais de distribuição para a música podem levar a crer que “basta uma boa ideia”. As boas ideias são o ponto de partida principal, mas não se deve parar por aí. Até tirar o projeto do papel, o empreendedor deve passar por uma série de etapas, como: registrar a ideia, planejar seu percurso, montar um plano de negócios e se aliar com as pessoas certas – afinal, mesmo na internet, duas ou mais cabeças continuam pensando melhor do que uma.

As novas tecnologias digitais são um amplo campo de oportunidades ainda por explorar. No caso da música, seja através das redes sociais ou dos aplicativos móveis, empreendedores investem tempo e dinheiro na criação de seus negócios próprios. Muitas das soluções ainda não são a solução final para o “problema” enfrentado pela música ao longo dos últimos dez anos, mas são fagulhas de inspiração prontas para serem aproveitadas por outras pessoas. Assim, o ciclo de inovação não se completa nunca, com muitas boas ideias surgindo o tempo todo.

Na internet, futuros empreendedores encontram um banco enorme – e alimentado continuamente – de informações sobre etapas que precisam ser percorridas e até mesmo experiências de outros profissionais. Outra fonte de informação importante é o próprio SEBRAE/RJ, que presta assessoriasobre maneiras de formalizar o seu negócio, impostos que deverão ser recolhidos e como montar o plano de negócios.

Uma boa ideia, seja para o mercado da música ou qualquer outro, só nasce depois de muita informação e trabalho. Dê o primeiro passo!

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Dica de leitura: Um raio-X do empreendedor digital brasileiro

Foto: Die Felsen im Studio, por scytale, CC BY 2.0

No Overmundo: “O que significa a originalidade no mundo de hoje?”

Rádio

Por Ronaldo Lemos

O texto abaixo é resultado de uma conversa com o jornalista Bruno Yutaka Saito. Ele trata da questão da “originalidade” e de como ela acontece hoje, em um mundo transformado o tempo todo pela tecnologia. É claro que é um começo de uma conversa que não tem fim, mas ei-lo aqui.

Bruno: É importante ser original na música hoje em dia? A originalidade é superestimada?

Ronaldo Lemos: Vivemos em um momento em que há um culto enorme à originalidade e à inovação. Isso acontece não só na cultura, mas também na ciência, na economia e na sociedade em geral. A ideia de “originalidade” ou “novidade” tem uma função muito peculiar nos nossos tempos: estimular o consumo. O culto à originalidade leva a uma busca cada vez mais acelerada pelo novo. É só pensar em como a moda cresceu em importância global nos últimos 15 anos: os ciclos da moda estão cada vez mais rápidos. A função da moda não é gerar novidades, mas sim fazer com que o novo se torne obsoleto o mais rápido possível. E isso estimula o consumo de forma permanente. Dá para ver isso na música e na cultura de modo geral. A todo momento surgem estilos ou cenas novas, que se tornam populares do dia para noite, e depois ficam fora de moda. É como o consumo cultural tivesse se aproximado da dinâmica da moda.

Bruno: Você acredita que a banda larga/mp3/ipod ao mesmo tempo em que tornaram a música um bem muito mais acessível, ao mesmo tempo transformou-a numa coisa inofensiva, apenas um som ambiente enquanto fazemos tarefas diárias?

RL: A internet e a cultura digital aumentaram enormemente a produção e o acesso à música. O problema não é que a música se tornou inofensiva, ao contrário. Olhando com cuidado, mesmo no pop há músicas mais “perigosas” do que jamais foram feitas. O atirador da Noruega, por exemplo, fez uma “playlist” com artistas segregacionista para estimular outros insanos. No entanto, nossa atenção hoje é difusa demais para prestar atenção em cada detalhe. Mas nem por isso a música deixou de ter impacto social: ela continua essencial na construção de identidades coletivas e também como expressão de contextos e ideias políticas (como a música “gay” que nunca parou de crescer, tem a ver com liberdade e afirmação, e se materializa em festivais e baladas próprias).

Bruno: Em uma entrevista neste ano ao Guardian, Godard disse: “Film is over. It’s sad nobody is really exploring it. But what to do? And anyway, with mobile phones and everything, everyone is now an auteur”. Essa ideia pode ser aplicada à música? A atual cultura do remix (não só na música eletrônica, mas de uma forma geral) e o enorme manancial de arquivos digitais mudaram para melhor a música, democratizando-a?

RL: Essa ideia expressa pelo Godard de que o cinema morreu diz respeito a uma ideia específica de cinema. E mesmo esse cinema não morreu. Ele continua fazendo muito sentido, produzindo obras incríveis. A questão é que ele compete hoje com muitas outras práticas de expressão audiovisual. O que ele vê como “morte” é apenas um deslocamento: o “cânone” ocupa mais um lugar central, ele muda de posição, passa a conviver com outras formas, fica descentralizado. Mas mesmo assim, dentro dessa nova posição, não significa que tenha perdido vigor. Nunca se produziu tantos filmes ou tanta música. Esse momento atual representa também uma explosão de criatividade.

Bruno: Você costuma escrever que a música vibrante atualmente é produzida nas periferias do mundo. Por que isso acontece? Mas, mesmo o tecnobrega: ele realmente é “novo”, uma vez que remete aos anos 80?

RL: A inovação vem cada vez mais das pontas, das margens. Com a música não é diferente. Quanto mais próximo você está do centro mais próximo está também de linguagens, estilos e práticas consolidadas. Claro que dá para ser criativo, mas em geral isso acontece dentro de modelos já conhecidos. Já a música periférica não tem essa preocupação. São cenas vivas e mutantes, que produzem muito e onde há um espaço enorme para o acidente, a precariedade e o acaso. Não precisam “passar recibo” para nenhuma estética mais estabelecida. Quando isso é conjugado com a internet e a tecnologia digital, há uma explosão global. Cenas se fortalecem e outras aparecem em todo lugar, como a champeta na Colômbia, a cumbia villera na Argentina, o bubllin na Holanda e no Suriname, o kuduro em Angola, o shaghaan electro na Africa do Sul e assim por diante. No Brasil, há o tecnobrega, o funk, a pisadinha, o lambadão cuiabano,o forró eletrônico só para dar alguns exemplos. São músicas superpopulares, que falam para milhões de pessoas e dialogam entre si sem passar pelo “centro”, que torce o nariz para o fato de serem abusadas e nada respeitosas com o “cânone” do bom gostousual. De tempos em tempos, períodos de reinvenção macontece também no centro, como nos anos do pós-punk e 79 a 81, ou na primeira geração das raves de 89 a 92. Só que nas pontas esse processo é permanente.

Fonte: Overmundo

Economia criativa criou quase 1 milhão de empregos no Rio

Economia criativa criou quase 1 milhão de empregos no Rio

Rio de Janeiro – Estudo da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) mostra que a cadeia criativa fluminense, envolvendo as atividades da indústria, comércio e serviços, registrou, em 2010, 974 mil trabalhadores, o que significou 24% do total de empregos com carteira assinada do estado.

“Quase um quarto dos trabalhadores formais do estado”, destacou o presidente em exercício da Firjan, Carlos Mariani, durante a abertura oficial do salão de negócios de moda e design Rio-à-Porter e da feira Fashion Rio,ontem, na Casa Firjan da Indústria Criativa. Os dois eventos integram o calendário oficial da moda nacional e vão até o próximo dia 13.

A Organização das Nações Unidas (ONU) define a economia criativa como todos os ciclos de criação, produção e distribuição de bens e serviços baseados na criatividade e no conhecimento.

De acordo com o estudo, as áreas de arquitetura, moda e design empregavam em conjunto, em 2010, cerca de 800 mil trabalhadores formais no Rio de Janeiro. Juntos, esses setores detinham 20% da mão de obra total e 84% da cadeia criativa fluminense.

Os dados mostram que o número de carteiras assinadas nessas três áreas da economia criativa subiu 26% no período de 2006 e 2010, e a renda dos trabalhadores aumentou 76%. Já o aumento observado no total de empregados no estado foi 21% e o da massa salarial atingiu 67%. O Estado do Rio apresenta, ainda, a maior remuneração média do País paga a profissionais da economia criativa: R$ 3.014. Esse valor supera em 64% o salário das demais categorias de trabalhadores do estado, diz a pesquisa.

Considerando somente as atividades do núcleo criativo do setor de serviços, o estudo revela que essa economia representou 2,5% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2010 ou o equivalente a R$ 92,9 bilhões, respondendo pela geração de quase 800 mil empregos formais no país (1,7% do total). No Rio de Janeiro, a participação do núcleo criativo no PIB foi ainda maior, 3,5%. O segmento totalizou 2,2% dos empregos com carteira assinada. Espera-se que o setor de serviços seja o que mais cresça dentro da economia brasileira este ano.

Fonte: DCI

MinC abre inscrição para dois editais de economia criativa em fevereiro

O Ministério da Cultura, por meio da Secretaria da Economia Criativa (em estruturação), publicou dois editais do Prêmio Brasil Criativo na última sexta-feira, 30 de dezembro, no Diário oficial da União (Seção 3, páginas 29 a 31). As inscrições para os dois editais, que distribuirão R$ 4,1 milhões em prêmios, poderão ser feitas de 13 de fevereiro a 30 de março.

O Edital de Fomento a Iniciativas Empreendedoras e Inovadoras irá identificar, reconhecer, fomentar e difundir as iniciativas empreendedoras e inovadoras da sociedade civil atuantes nos setores criativos. Serão premiadas 150 iniciativas selecionadas nas seguintes categorias: Novos Modelos de Gestão de Empreendimentos e Negócios Criativos e Formação para Competências Criativas. A premiação será de R$ 3,6 milhões.

Já o Edital de Apoio à Pesquisa em Economia Criativa selecionará estudos e pesquisas acerca de temas da economia criativa nos contextos macroeconômico e legal-institucional brasileiros. Serão agraciadas 22 pesquisas. O apoio destina-se a pesquisadores da área acadêmica com atuação na área da pesquisa. A premiação será de R$ 810 mil reais divididos em três categorias: Teses – Doutorado; Dissertações – Mestrado e Produção em grupo.

(Texto: Sheila Rezende, Ascom/SID/MinC)

Fonte: MinC

Estrombo e Overmundo mapeiam o mercado de música do Estado do Rio

Base das ações do projeto Estrombo, a pesquisa “Análise de modelos de negócios praticados no mercado da música no estado do Rio de Janeiro”, desenvolvida pelo Instituto Overmundo como parte deste projeto, acaba de ganhar um hotsite para que o público possa acompanhar o andamento da pesquisa.

Esse estudo pretende identificar e analisar diversos tipos de modelos de negócio, formais e informais, em diferentes cenas musicais no âmbito da cadeia produtiva da música do estado. Segundo Oona Castro, diretora executiva do Instituto Overmundo, “nós só temos condições de pensar políticas a partir de diagnósticos. Nossa pesquisa pretende colocar holofotes sobre as transformações no mercado de música do Rio de Janeiro, principalmente as causadas pelas tecnologias digitais, e compreender que estratégias comerciais têm beneficiado mais a cadeia produtiva como um todo, do compositor ao público”.

Assim, a pesquisa vai de encontro aos objetivos principais do Estrombo, como o fomento de novos negócios a partir da identificação de gargalos e desafios enfrentados na cadeia produtiva da música do estado do Rio de Janeiro.

Olívia Bandeira, coordenadora da pesquisa no Instituto Overmundo, pondera que “o desafio maior deste tipo de pesquisa é identificar os atores que fazem parte de determinadas cenas ou circuitos musicais presentes no estado, pois são, em grande parte, mercados com grande nível de informalidade e para os quais não existem estatísticas oficiais. Por isso, a primeira fase da pesquisa, que teve início em julho de 2011, é qualitativa. Através da observação participante e de entrevistas em profundidade com agentes de algumas cenas e circuitos musicais, procuramos construir um mapa de parte da produção musical do estado e das diversas estratégias de negócios utilizadas por eles”.

Sobre considerar também o mercado informal, Oona argumenta que “a cultura é um setor caracterizado por uma grande informalidade nas relações contratuais. Não podemos abrir mão de estudar as atividades e os agentes informais se quisermos de fato dimensionar a cultura produzida no Brasil. Aqui, o negócio da música não é sinônimo apenas de indústria. Existem muitas pessoas que vivem do trabalho com música mas não aparecem na maior parte dos levantamentos, por não constarem nos dados oficiais”.

Sendo a inovação parte fundamental do projeto Estrombo, o estudo também voltará seu olhar também para as novas tecnologias de comunicação, como as redes sociais, para entender como os diversos agentes se utilizam dessas ferramentas para desenvolver relações de produção, circulação e consumo de música.

Atualmente, o hotsite hospeda um questionário voltado para gravadoras, para se aprofundar no funcionamento do setor e nas mudanças que vêm ocorrendo no mercado com o desenvolvimento das novas tecnologias digitais.

Confira as novidades da pesquisa “Análise de modelos de negócios praticados no mercado da música no estado do Rio de Janeiro” no hotsite e acompanhe o Estrombo nas nossas redes: Twitter, Facebook e YouTube.

Farol Digital

 

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