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Toque no Brasil: geração de oportunidades para a circulação de música

Na atual configuração do mercado, onde a experiência do ao vivo é produto cada vez mais valorizado, é fundamental desenvolver negócios que viabilizem a circulação da música. Unindo interação e profissionalização, o Toque no Brasil (TNB) é um site de oportunidades para o mercado musical. Desde o seu início, em outubro do ano passado, ele vem experimentando um crescimento considerável. Começou com uma versão beta, limitada, que procurava explorar os principais pontos do projeto: agenciamento de shows — e oportunidades semelhantes — para artistas. No mês passado, o TNB inaugurou sua versão 2.0. Agora, é uma rede social, dando mais liberdade aos usuários através de um perfil customizável, interação com outros membros, compartilhamento de músicas, fotos, vídeos, sempre pensando na circulação da música e melhor aproveitamento das oportunidades, que podem ser desde apresentações ao vivo a participação em campanhas publicitárias e concursos.

Alguns parceiros importantes como Circuito Fora do Eixo, ABRAFIN, Casas Associadas e BM&A (Brazil Music Exchange) já se juntaram ao empreendimento e a plataforma segue crescendo. Até hoje, mais de 6.000 usuários se cadastraram em mais de 220 oportunidades abertas na rede. No total, mais de 2.500 bandas foram convocadas para oportunidades de trabalho.

Um dos idealizadoras, Caio Tendolini, afirma que o próximo passo é manter a evolução do site e fechar mais parcerias, agregando mais serviços aos usuários, buscando aproximação com plataformas de crowdfunding, lojas virtuais, venda de ingressos online, entre outros. Estão nos planos uma consolidação em território nacional e expansão para a América Latina.

Caio considera que o TNB é consequência natural da evolução do mercado da música no Brasil e no mundo. Em diálogo com as mudanças no mercado de música e com as oportunidades surgidas com o desenvolvimento tecnológico, o que está em jogo é o acesso a investimentos diretos e criação de redes que podem ser aproveitadas por qualquer artista: “A sustentabilidade desse mercado começa a depender cada vez mais de oportunidades de trabalho, em detrimento da venda de produtos. Ao mesmo tempo, a noção de estrela se enfraquece e o artista valorizado é aquele que entende e inova no uso da internet para se conectar com seu público. O TNB vem, então, para sanar alguns gargalos desse mercado musical reformulado”, diz Tendolini.

Nem sempre é fácil conduzir um projeto desse porte. Caio aponta os desafios de apresentar aos usuários a inovação do TNB e a gama de possibilidades oferecidas: “Dentro dessa dificuldade estão inseridas outras, como o acesso ainda restrito à internet no Brasil, e a consequente falta de prática de uso, mas estatísticas mostram que temos um grande potencial que já está se desenvolvendo.” Uma das soluções apontadas pelo empreendedor é a capacitação dos usuários para usar a internet como ferramenta de trabalho e geração de negócios.

“Estamos na era digital, onde não apenas podemos nos aproveitar da internet, como vemos que quem não o faz, fica para trás. Com a internet conseguimos romper a lógica industrial de competição e abrir a cabeça para a colaboração. Saímos do ‘do it yourself’ para o ‘do it together’: existe possibilidade de ganho para todos, de maneira colaborativa, mas para isso precisamos rever nossa mentalidade. Aí está o conceito do TNB, que é como aproveitar-se do ‘livre acesso’ à internet para potencializar sua carreira na música, a partir de cenários de colaboração e compartilhamento de práticas.”

Você conhece ou é usuário do TNB? Conte a sua experiência aqui nos comentários.

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Novos modelos de negócio: como funciona o show via streaming

Hoje em dia, a venda do fonograma já não parece ser o item principal de comercialização escolhido pelos artistas. Diante dessa realidade, muitos têm se articulado para fazer mais shows, pois além de trazer renda direta com venda dos ingressos, eles são ótimos eventos para comercializar itens de merchandising, testar músicas novas, resgatar clássicos e entrar em contato com o público.

Explorando as possibilidades das tecnologias digitais, começam a surgir iniciativas que oferecem a experiência do show através do streaming. Em menos de um ano, a produtora espanhola eMe desenvolveu um modelo de negócios inspirador para realizar os seus “concertos digitais”. A empresa está em atividade há menos de 8 meses e, para 2011, já possui mais de 30 artistas e bandas confirmados.

Nos shows produzidos pela eMe, os músicos se apresentam em um estúdio e, entre uma música e outra, interagem com o público que os acompanha pela internet, respondendo a perguntas e conversando, o que configura um clima intimista à experiência – mesmo ela sendo mediada tecnologicamente. Nesse sistema, milhares de pessoas podem assistir à apresentação no conforto de suas casas, enquanto usam as redes sociais para compartilhar suas impressões.

O concerto é gratuito: então, existe alguma vantagem econômica? No caso da eMe, cada show é financiado por um patrocinador que arca com todos os gastos (incluindo o cachê do artista) em troca da exibição de sua marca durante a apresentação. Ao longo da exibição, também são vendidos produtos com a marca do artista. Em ambos os casos, a produtora eMe leva uma porcentagem. É um sistema onde todos os envolvidos saem ganhando.

É fato que não importa quão interessante e economicamente viável seja, esta opção nunca substituirá a experiência de assistir um show ao vivo, em proximidade física com o artista e a audiência. De toda forma, é uma maneira criativa de usar a tecnologia digital e gerar negócios para a música.

Você conhece alguma empresa ou banda brasileira que possui uma iniciativa parecida?

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O coletivo Araribóia Rock movimenta a cena de rock em Niterói e São Gonçalo

O Araribóia Rock é um coletivo cultural e social que atua principalmente em Niterói e São Gonçalo. Criado em 2004 por Pedro de Luna junto com Marcelo “Blau Blau” Holanda e outros músicos, o AR promove a união das bandas de rock autoral dessas cidades em torno de uma causa: buscar mais espaço e apoio para a realização de eventos, que acontecem também em outros municípios do estado do Rio de Janeiro e na própria capital.

Banda "Seu Miranda" no evento Dia Mundial do Rock em 2010. Foto: Paulo Feldens

Ao longo dos anos, foram desenvolvidas atividades em parceria com instituições como a Secretaria Municipal de Cultura de Niterói, o SEBRAE-RJ, a Universidade Federal Fluminense e o Circuito Fora do Eixo. Além da música, o coletivo também se envolve em causas da cultura local, como a preservação do Cinema Icaraí e a reabertura da Estação Cantareira.

Evolução e detecção de problemas

Além das bandas que fazem parte do coletivo, alguns locais entraram no circuito viabilizando a realização de shows. Neste ano, além de buscar uma nova logomarca para o coletivo, os principais articuladores realizam uma pesquisa de mapeamento da cena rock nas cidades de Niterói e São Gonçalo.

Na internet, o coletivo tem se articulado em todas as principais redes sociais, porém, segundo o fundador Pedro de Luna, não da forma ideal. A explicação dele é que os músicos dedicam mais tempo às suas próprias redes do que à do conjunto. O Araribóia Rock já teve experiência com blog, fotolog e Orkut. Há também o site institucional, que é mantido há anos, com as notícias e informações relevantes como histórico e bandas participantes – o festival anual Arariboia Rock 2010, realizado em dezembro último, foi o primeiro a ter um hotsite. Em entrevista ao site do Estrombo, Luna manifesta ainda sua vontade de hospedar músicas e vídeos das bandas do coletivo no site do AR.

Em reunião recente do grupo, foram diagnosticados alguns problemas que podem ajudá-los a dar prosseguimento à pesquisa de mapeamento. Questões como os horários ruins destinados aos shows em casas noturnas, a divulgação fraca, a baixa frequência dos eventos e a falta de relacionamento com o público são alguns dos entraves apontados.

Nesse mesmo encontro, foi comentado projeto de realização do evento Araribóia Rock Apresenta, além de terem discutido a proposta de transformar o Araribóia Rock em uma associação cultural para que o coletivo tenha uma sede para apresentações, cursos e local de trabalho.

O caso do Araribóia Rock mostra como é importante que a cadeia produtiva da música se articule em torno de questões que representem todos os profissionais envolvidos no processos de produzir, distribuir, circular e consumir música. Ao manter o foco na cena local de rock, é possível promover ações específicas que movimentam a economia desse lugar e do próprio gênero, explorando a capacidade criativa de músicos, técnicos e produtores culturais e os recursos econômicos (e também criativos) de selos, lojas e casas noturnas.

Para saber mais sobre o Araribóia Rock – inclusive como fazer parte dele – acesse o site.

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A escassez de casas de shows: quem sabe quer fazer ao vivo

A grande quantidade de novos artistas que diariamente divulgam suas músicas pela internet é um dos resultados da ampliação do acesso às tecnologias de gravação e distribuição de música. Mas, depois da obra gravada, o que mais o artista quer é poder demonstrar o seu trabalho ao vivo.

Entretanto, é grande o número de reclamações de artistas sobre as casas de shows. Na cidade do Rio de Janeiro, por exemplo, são poucas as que combinam boa qualidade de som e luz a preços acessíveis. Casas de pequeno e médio porte, ideais para apresentações intimistas e de artistas iniciantes, são escassas.

O Estrombo enxerga a circulação como um dos principais vetores da cadeia produtiva da música e visa estimular o investimento não só em quantidade, mas principalmente em diversidade e qualidade para todo o estado do Rio de Janeiro. É fundamental encontrar novas soluções: espaços acessíveis para variados estilos e públicos. Espaços que valorizem a experiência do “ao vivo”, mobilizando pessoas em torno da música de forma inovadora.

No Rio de Janeiro, a falta de apoio às casas é visível e ainda faltam investidores que despontem nesse sentido, estimulando a economia do entretenimento como forma de negócio.

Assista abaixo a entrevista feita com o diretor do Grupo Matriz, Leo Feijó, no dia do evento de lançamento do projeto Estrombo:

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