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Quer saber quanto você vale para os fãs? Veja no “TastemakerX”

Microphone - flickr - ernestduffoo - 5741454316 - CC BY 2-0

A ideia de gameficação está cada vez mais presente no mundo da música, principalmente nas novas tecnologias digitais. São diversos os exemplos de artistas e plataformas que usam mecânicas dos games para conquistar fãs e oferecer uma nova maneira de consumir música.

Nessa direção, o TastemakerX é um jogo social para dispositivos móveis que, de uma maneira bem particular, simula uma bolsa de valores para artistas tendo os fãs como investidores. O objetivo é oferecer uma amostra dos gostos musicais dos usuários e quais bandas estão ficando mais populares em tempo real, medindo a influência e o “valor” dos artistas. Os fãs ganham mais pontos quando descobrem e investem nas bandas e os artistas se tornam mais valorizados quando mais usuários investem nele. Nesse ciclo, o fã ganha mais pontos à medida que o artista é valorizado, podendo investir em novos músicos ou trocar suas “ações” por outras. O valor das bandas é calculado através de um algoritmo que captura dados sobre elas, como os likes, o número de fãs, execuções de músicas e álbuns.

No ecosistema digital, a gameficação da cultura é uma estratégia extremamente válida para oferecer a todos os agentes da cadeia produtiva da música meios inovadores de navegar pelo cenário atual. Por enquanto, o aplicativo TastemakerX possui “somente” poucos milhares usuários e está disponível apenas na Apple Store dos Estados Unidos, mas vem se destacando no mundo das startups.

Outra discussão importante que o aplicativo traz é a valorização de novas moedas. O fã sempre foi um influenciador importante e, nas redes sociais, suas preferências musicais são publicizadas o tempo todo. O TastemakerX entendeu isso e criou uma ferramenta para “monetizar” o seu gosto, ainda que na forma de um jogo. Caso o app vingue, pode se tornar uma das muitas ferramentas de análise e visualização da popularidade de determinadas bandas, influenciando até decisões empresariais, como escolher a melhor data para lançar um disco, ou mesmo quais são as cidades e casas mais apropriadas para fazer shows.

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Foto: Microphone, por ernestduffoo, CC BY 2.0

No Correio Braziliense: “Composição globalizada”

All be tuned

A brasiliense Taynah Reis venceu uma seleção acirrada para participar de uma das mais tradicionais feiras de música internacional com o projeto de um aplicativo para que artistas componham, on-line, mesmo que de lados opostos do mundo

Por Gláucia Chaves e Nana Queiroz

Taynah Reis, 24 anos, não é exatamente o que as pessoas visualizam quando imaginam uma nerd da informática. De salto alto, jaqueta de couro branca e um sorriso pra lá de charmoso, ela embala o intelecto de uma autodidata em programação. Aos 14 anos, ensinou a si mesma a linguagem dos computadores. De lá pra cá, tentou balancear a rotina entre essa habilidade e outra paixão: a música. Formou-se em balé, passou a cantar. “Hoje, levo uma vida tripla. De dia, ganho o sustento em uma ONG, como programadora e estudo economia na Universidade de Brasília (UnB). À noite e aos fins de semana, sustento a alma fazendo shows como cantora de música eletrônica”, conta.

Levar uma rotina de três eixos é um trabalho duro – duro demais. Por isso, há dois anos, Taynah passou a buscar maneiras de juntar todas essas aptidões em uma coisa só. Começou a nascer, então, o All be tuned (algo como “todos sintonizados”), um aplicativo que pretende dar a músicos a oportunidade de compor juntos, mesmo que a partir de lados opostos do mundo. “Essa vida de artista em Brasília é complicada. As gravadoras, os estúdios e o pessoal de produção ficam quase todos em São Paulo, e a viagem pra lá é cara. Comecei a observar, então, que havia a demanda por um meio de fazer tudo isso on-line, de maneira interativa”, relata ela.

Ideia no papel, Taynah inscreveu o projeto na Midem – Connected by Music, uma das mais tradicionais feiras do mercado musical internacional. “Neste ano, fizemos um chamado por ideias tecnológicas. Queríamos dar a artistas, gravadoras e produtores a oportunidade de expor seus projetos em Cannes, na França”, explica Olivia Hervy, uma das organizadoras do evento. O plano de Taynah agradou tanto que ela venceu uma seleção para apresentar-se, no início deste ano, diante de uma plateia das mais qualificadas, com rerpesentantes de mais de 90 países. Além disso, uma equipe de 30 programadores de sucesso trablhou por 24 horas no desenvolvimento de sugestões para o All be tuned. “O evento me abriu grandes oportunidades de parcerias e patrocínios. Agora, resta botar a mão na massa”, diz Taynah. “Em um mês e meio, espero estar pronta para apresentá-lo ao mundo.”

O projeto

O conceito do All be tuned está baseado em uma convicção que data da época da criação da rede social MySpace: em tempos de internet, o caminho para os artistas não passa mais, necessariamente, pelas gravadoras. Segundo Taynah, hoje, é possível fazer música de qualidade em estúdios caseiros e, às vezes, com bem poucas ferramentas à mão. “Esses dias gravei uma canção usando apenas um iPhone. Disponibilizei-a na internet e, apenas um dia depois, ela já tinha alcançado 2 mil acessos”, exemplifica a brasiliense. Sites como YouTube, MySpace e demais redes sociais já substituíram, inclusive, o trabalho dos publicitários, criando espaços para que músicos possam se autopromover. Recentemente, o SoundCloud (considerado por muitos a melhor e mais atual encarnação do MySpace) permitiu até mesmo que artistas criem, gravem e editem on-line.

Taynah quer dar o próximo passo. Ela pretende “interativisar” o processo de composição musical. “Se, durante a criação de uma música, eu puder contar com uma ajudinha de outro lado do mundo, por que recusá-la? E se, no processo, eu puder agregar, ainda, valores de outras culturas à minha produção?”, provoca. O All be tuned terá vários formatos. Será uma rede social na internet e um aplicativo em smartphones e tablets. Em todas as plataformas, porém, seu funcionamento será o mesmo.

Tudo começa com o artista e sua ideia. Ele adiciona no All be tuned um áudio ou vídeo com uma prévia de sua música e expressa seus desejos quanto a ela – por exemplo, especificando que instrumentos devem executá-la e se a voz para cantá-la deve ser feminina ou masculina, grave ou aguda. Depois, estabelece quanto pode pagar por cada um desses componentes. Nessa etapa, os valores podem ser módicos, como R$ 1 ou R$ 2, já que, no futuro, cada um dos participantes terá sua fatia do lucro obtido na venda. Os interessados enviam, para o dono do projeto, arquivos – também em som ou vídeo – com amostras de seu trabalho. O artista decide, então, quem “contratará”, compra o arquivo produzido por cada um deles e monta a composição.

Começa a venda. O autor da música diz o seu preçø e o lucro é repartido entre todos os envolvidos, com a maior porcentagem ficando para o dono da ideia. Caso o projeto vire hit, gravadoras podem participar de um leilão para comercializar aquela canção, ou o músico pode optar por vendê-la a uma gravadora parceira do site. “Essa é uma maneira de centralizar o lucro nos artistas e não em quem está comercializando o que eles produzem”, defende Taynah.

David Haynes, diretor do SoundCloud, que esteve presente na apresentação de Taynah, diz que o All be tuned virá em boa hora para o mundo da música. “É uma ótima ideia. Estamos todos muito ansiosos para ver a web facilitando a criatividade e novas formas de colaboração on-line. Na Midem, conhecemos várias pessoas que trabalham em aplicativos nesse sentido.”

Para materializar o All be tuned, a programadora diz estar, agora, em contato com possíveis parceiros e patrocinadores. Ela acredita que seus contatos com a Petrobras, o Ministério da Cultura e o Sebrae estão entre os mais promissores. Os próximos passos contam ainda com escalas em feiras de tecnologia e música na Grécia, Reino Unido e Estados Unidos.

Fonte: Correio Braziliense

Por que é importante para os artistas estarem nas redes sociais?

Artistas e Redes Sociais

O uso das redes sociais deve ser entendido como uma estratégia de marketing com impacto direto na exposição da música no ambiente virtual. Ao criar um perfil no Facebook, no Twitter ou mesmo um blog no Tumblr, o artista cria mais canais de exposição e melhora o seu ranking nos resultados em ferramentas de busca como o Google. Assim, quando procuramos pelo nome da banda, da música, ou mesmo por tags relacionadas, a chance de chegarmos à rede social ou website de determinado artista é maior. Esse tipo de ferramenta também se configura como uma oportunidade para que os artistas interajam com seus fãs e aumentem a chance de vender seus produtos sem as limitações das prateleiras das lojas físicas.

Dentre os principais sites sociais, alguns vêm se destacando como fundamentais para bandas. São eles: Facebook, YouTube, Soundcloud e Twitter. Outros, como Tumblr e Foursquare, também têm sido apropriados por músicos. A questão é que existem várias opções de ferramentas disponíveis online. Sua banda pode criar perfis em quantos quiser, nem que seja para deixar registrado o nome, um link direto para o site e garantir os nomes de usuário. No entanto, é fundamental manter viva a experiência e o relacionamento com o usuário nos principais canais frequentados pelo público.

Blogs

Como já falamos em outro post, esses veículos são cruciais na cultura digital para fazer a mediação de novas músicas e artistas com o público. Por isso, é importante contar com eles para fazer a divulgação, criticar o seu trabalho ou fazer concursos através do fornecimento de material exclusivo. Para chegar aos blogueiros, não é aconselhável fazer spam. Ao contrário, pesquise para saber o gosto musical daqueles que você lê. Assim, você já estará mirando na direção certa. E caso distribuir músicas gratuitamente seja parte da sua estratégia de marketing, não faça ofertas “exclusivas” para mais de um blog.

Por fim, é importante ressaltar que criar perfis em redes sociais não vende música diretamente, mas pode aumentar a exposição do produto e oportunidade de negócios, além de chamar atenção do público – e na sociedade da informação, essas moedas podem ser ainda mais valiosas.

No próximo post, músicos vão falar de suas experiências nas redes sociais.

Post inspirado na entrevista de Ariel Hyatt com Corey Denis no Music Think Tank

Veja o que já falamos sobre redes sociais aqui e acompanhe o Estrombo também no Twitter, no Facebook e no YouTube.

Para onde vai a música no século XXI?

A cultura digital é o campo onde fazemos uso das novas tecnologias para produzir e disseminar bens culturais. Na música, vemos a lógica do online reconfigurar formas de se fazer negócio, demandar maneiras alternativas de lidar com a propriedade intelectual, criar novos hábitos de consumo no público – e finalmente transformá-lo em agente participativo fundamental.

Ao longo de 2011, o crowdfunding se firmou como uma opção viável para tirar do papel projetos musicais. O modelo de negócio com base na ideia da “vaquinha” usa a internet como fonte principal para arrecadação de fundos. Novos canais de distribuição, como aplicativos para web e celular, também criam novas oportunidades para comercializar a música, ainda que, em determinados casos, a moeda usada nas transações seja a atenção e não o dinheiro propriamente dito. Licenças alternativas, como o Creative Commons, permitem ao artista determinar como suas obras devem ser usadas, inclusive em âmbitos comerciais.

A experiência de ouvir música também tem se desenvolvido nos meandros das redes digitais. Serviços de streaming, lojas virtuais, sistemas de recomendação e filtros (nas redes) sociais são algumas das ferramentas que propiciam diferentes tipos de consumo para ouvintes mais exigentes. Até mesmo a cultura do disco foi revitalizada, com lojas e sebos online onde o colecionador pode retomar essa prática, visto que ainda é relativamente difícil encontrar o formato à venda fora dos centros urbanos brasileiros.

Exercendo papéis cada vez mais ativos, o público exerce papel fundamental na cultura digital da música (ou cultura da música digital?). Através do método do crowdsourcing, músicos contam com seus fãs para criar conteúdo na produção de faixas, videoclipes ou setlists de shows. Em redes sociais, artistas e público estão em contato direto, criando uma experiência única através dessa aproximação permitida nas mídias digitais. Já nos métodos de gamificação, os ouvintes são transformados em jogadores que precisam se aventurar pelos desafios propostos pelos artistas para “conquistar” faixas, álbuns ou vídeos exclusivos.

As novas tecnologias digitais mudam a própria cultura musical, seja no polo da produção, do consumo ou da distribuição. E a própria cultura musical influencia a inovação e a criatividade no campo das tecnologias digitais. Assim, fica a pergunta: para onde vai a música no século XXI?

iTunes no Brasil: Música digital para quem?

Há duas semanas, a iTunes Store começou a operar no Brasil comercializando músicas e vídeos digitais. Essa notícia foi bem recebida por empreendedores da música que, agora, possuem espaço na mais popular loja de bens digitais do mundo. Além da iTunes Store, o Rdio chegou também ao país, trazido pela operadora Oi. O serviço de streaming possui diversos planos de assinatura e pode ser utilizado no computador e no celular. Apesar desses dois produtos terem chegado somente no fim de 2011 às conexões nacionais, produtos como o Sonora, a UOL Megastore e o iMusica já vinham se consolidando há algum tempo nos lares e gadgets brasileiros.

De fato, o Brasil está vendo um aumento nas possibilidades do comércio de música digital, principalmente na categoria “streaming”, que se configurou como uma tendência importante ao longo do ano, desenvolvendo novos hábitos de consumo. Com planos de assinatura relativamente baratos para a quantidade de faixas oferecidas, esses serviços nos permitem acessar, na nuvem, bibliotecas musicais através de nossos computadores ou celulares.

Os serviços são bastante tentadores, mas quais os custos atrelados a essas novidades?

No caso do streaming, para ele ser bem aproveitado no computador, é necessário uma conexão de banda larga; no celular, é preciso contratar um plano de internet ou ter acesso constante a uma conexão via wi-fi. Apesar da banda larga ter ficado mais acessível nos últimos anos, a internet pelo celular continua cara e, normalmente, é feita mediante planos de fidelização de 1 ano mínimo de duração. E os bons smartphones que permitem a contratação desses planos também são caros para os padrões brasileiros.

Sobre a iTunes Store, o caso é ainda mais complexo. Por ser da Apple, todas as operações feitas pela loja virtual são voltados prioritariamente para usufruto em gadgets da mesma empresa, ou seja, iPods, iPhones, iPads etc. No site da Apple, o preço do último modelo de smartphone da empresa vendido no país – o iPhone 4S – varia de R$ 2,6 mil a R$ 3,4 mil. É possível comprá-lo pagando um pouco menos, desde que seja realizado contrato de fidelidade com uma das operadoras que vendem o aparelho. Além do mais, por enquanto, as músicas vendidas pela loja têm seu preço em dólar e precisam ser compradas com cartão de crédito internacional. No fim das contas, eventualmente pode sair mais barato comprar um CD e ripar as músicas para o computador – que, por incrível que pareça, ainda é prática ilegal – do que comprar em moeda estrangeira, pagar IOF, a anuidade do cartão de crédito e torcer para que o dólar não tenha uma alta repentina.

Em entrevista ao jornal O Globo, Felippe Llerena, diretor do iMusica, prevê que “num primeiro momento, o usuário da iTunes Store deve vir mais das classes A e B, proprietárias de iPhones. Mas hoje o consumo digital é basicamente feito pelas classes C e D, pelas compras através dos serviços de operadoras de celulares. Com a iTunes Store, o leque de ofertas será aberto a diferentes camadas da população. O consumo vai aumentar, solidificando a indústria.”

A venda de fonogramas através de plataformas digitais tem seu valor principalmente atrelado à sua conveniência e praticidade. Mesmo sendo um serviço para poucos, e tendo chegado ao Brasil com muitos anos de atraso devido à dificuldade de negociação com as majors – perdendo, assim, a oportunidade de criar hábitos de consumo legal de música em toda uma geração de consumidores – o iTunes pode ser percebido como mais uma boa ferramenta para distribuição de música online.

Você já utilizou os servicos de venda de música online? Como foi sua experiência?

Farol Digital

 

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