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Capacidade de transformar obstáculo em oportunidade no mercado musical

Para compreender a trajetória dos empreendedores musicais no contexto atual, marcado pela revolução digital, o Instituto Millenium conversou com diretora executiva da ABMI, Luciana Pegorer. Confira a entrevista → http://bit.ly/12d5zj4

Björk e o app Biophilia: para vender música, vale a criatividade

Você já parou para pensar por que, apesar da facilidade em adquirir música gratuitamente na rede, muitas pessoas ainda pagam por elas?

É verdade que ainda existe uma série de modelos de negócio que usam métodos mais tradicionais na hora de vender seu produto – e, uma vez que dê resultados, não há nada de errado com isso. Por outro lado, diversos artistas exploram formas cada vez mais criativas de comercializar sua produção.

A cantora Björk, por exemplo, lançou um “álbum-aplicativo” no fim do ano passado para que os seus fãs pudessem expandir a experiência musical e “jogar” as canções de seu disco “Biophilia” enquanto as ouvem. O aplicativo sem as músicas é gratuito nos dispositivos da Apple, como iPhones e iPads. Para usufruir de toda a funcionalidade do programa, o usuário precisa pagar US$ 1,99 pelas faixas individuais ou comprar todas de uma vez por US$ 9,99.

Björk - Biophilia - Virus

A música-aplicativo "Virus", do disco Biophilia

Independentes entre si, todos os aplicativos tentam traduzir o conceito do álbum: a relação entre natureza e tecnologia. Acessando cada um dos apps, o usuário pode ouvir a música com o acompanhamento da letra ou partir para o conteúdo interativo, onde é possível manipular os elementos sonoros de determinadas faixas enquanto passa os dedos pela tela. O software é tão sedutor que, muitas vezes, o fã acaba comprando faixas por impulso com o objetivo de explorar ainda mais as possibilidades de interação de “Biophilia”.

Palestra com o criador do aplicativo

No início de maio, Scott Snibbe, o artista e pesquisador responsável pelo desenvolvimento de “Biophilia”, vem ao Brasil para uma palestra sobre “Tecnologia aplicada à produção musical”. O workshop é parte da programação do Festival Sónar – Festival Internacional de Música Avançada e New Media Art – que acontece em São Paulo nos dias 11 e 12 de maio. E no dia 11, às 23h, a própria Björk traz o seu show para o público brasileiro.

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Google Music: há vantagens no fim dos intermediários?

O Google lançou oficialmente semana passada o Google Music, serviço de distribuição de música. Esse novo produto compete diretamente com as grandes lojas de música digital como a iTunes e a Amazon na oferta de downloads pagos e, por enquanto, está disponível somente nos Estados Unidos, sem previsão de expansão para outras praças. No início do ano, o Google já navegava pelo mercado de música digital com a versão beta, onde os usuários faziam o upload das músicas e as armazenavam na “nuvem”, podendo ouvir no computador ou em aparelhos móveis, funcionalidade que continua ativa na versão atual do produto.

A principal diferença do Google Music para a concorrência é o chamado Artist Hub, que permite aos músicos fazer diretamente o upload de suas faixas para a plataforma e comercializá-las, retendo 70% das vendas, sem passar por filtros burocráticos como o TuneCore e CD Baby – que regulam a entrada de músicas de determinados artistas no iTunes. Essa relação é bastante vantajosa para os músicos independentes que, sem selo ou gravadora, precisam explorar demasiadamente os novos canais de distribuição oferecendo ao público o máximo de portas abertas para que sua música seja encontrada.

Os novos filtros

Aqui aparece um outro problema. Devido aos desenvolvimentos tecnológicos, a produção de bens culturais vem num crescente nos últimos anos. Com as plataformas de armazenamento de conteúdo, músicas, filmes e textos podem ser publicados a custo praticamente zero. No caso da música, para que elas cheguem aos consumidores, são necessários filtros de diversas naturezas: a crítica musical, as redes sociais, as ferramentas de recomendação, entre outros. Um dos filtros são os aspectos técnicos, que determinariam a “qualidade” técnica da música.

Assim, vale refletir sobre o papel dos intermediários, e se é de fato vantajoso para todos os artistas independentes abrir mão deles e comercializar diretamente para o público. Essa relação pode não só colocar esse grupo de artista em competição desigual com outros produtos mais bem acabados e agenciados, como aumentar a quantidade do chamado “lixo” na rede – aquele material que é armazenado mas que é pouco acessado, ou mesmo descartado. Qual é a sua opinião?

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Direitos autorais na música: buscando o equilíbrio entre a lei e a prática social

Apesar de ter ganho espaço nas conversas ultimamente, o debate sobre a revisão da legislação de diretos autorais frente às novas práticas de consumo no meio digital ainda precisa caminhar um longo percurso. A questão principal é que as regras que dominaram ao longo do século XX não atendem às demandas da realidade atual. No caso da música, se antes as gravadoras e editoras controlavam as etapas de produção, distribuição e venda de fonogramas, hoje esse processo é mais aberto e, de certa maneira, fora de seu controle – e, em muitos casos, totalmente controlado pelo artista. E aí começam os desafios para a indústria tradicional.

Um dos principais é o uso considerado “indevido”, por parte dos consumidores, como o uso de músicas sem autorização em materiais diversos – de remixes e mash-ups a trilhas sonoras de vídeos – e o compartilhamento por redes peer-to-peer. Com o crescimento dessa atividade nos últimos anos, afinal nunca se reusou tanto as obras alheias como recurso criativo, a única resposta possível para a indústria tradicional (desde o episódio do Napster, uma década atrás), parecia ser a da coerção: interrompam o funcionamento dos softwares! processem criminalmente usuários e desenvolvedores!

Se, por um lado, paira no ar o sentimento de que “não há mais jeito”, pois os consumidores continuarão compartilhando música e usando-a da maneira que lhes convier, por outro, os detentores dos direitos sobre as composições e os fonogramas precisam recuperar pelo menos parte do rendimento investido na produção das músicas. Afinal, esse dinheiro pagaria os custos de manufatura, hospedagem, gravação e os próprios funcionários envolvidos na criação e na distribuição do material.

Ainda não há uma resposta consolidada. O que há são novos (e criativos) modelos de negócio surgindo a cada dia, explorando a rede e as novas tecnologias digitais, como celulares e jogos eletrônicos, para gerar receita. Algumas empresas, ainda insistindo na tentativa de reaver os lucros de outrora, preferem partir para a repressão a dar o braço a torcer e tentar descobrir como fazer novos negócios com música. Outras, vão justamente testar modelos diferentes e buscar a inovação, investindo em tecnologia e parcerias com outros agentes, como as comunidades de fãs, blogueiros e provedores de internet.

Sobre o assunto – e novas formas criativas de lidar com os negócios na música -, vale assistir ao programa Mod MTV sobre pirataria, apresentado por Ronaldo Lemos, coordenador do Estrombo na FGV. Nele há uma entrevista com a banda Metric, com o pesquisador Joe Karaganis (coordenador da pesquisa internacional sobre pirataria do SSRC), Amanda Palmer (artista sobre a qual também já falamos aqui no blog do Estrombo) e mais.

Enquanto não alcançamos modelos ideais de negócio, o que precisa mudar no direito autoral para beneficiar tanto gravadoras, quanto artistas, distribuidores e consumidores?

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Dica: Ouça o podcast #05 do Bagagem com Sérgio Branco, do CTS-FGV, sobre direito autoral.

Estrombo e Overmundo mapeiam o mercado de música do Estado do Rio

Base das ações do projeto Estrombo, a pesquisa “Análise de modelos de negócios praticados no mercado da música no estado do Rio de Janeiro”, desenvolvida pelo Instituto Overmundo como parte deste projeto, acaba de ganhar um hotsite para que o público possa acompanhar o andamento da pesquisa.

Esse estudo pretende identificar e analisar diversos tipos de modelos de negócio, formais e informais, em diferentes cenas musicais no âmbito da cadeia produtiva da música do estado. Segundo Oona Castro, diretora executiva do Instituto Overmundo, “nós só temos condições de pensar políticas a partir de diagnósticos. Nossa pesquisa pretende colocar holofotes sobre as transformações no mercado de música do Rio de Janeiro, principalmente as causadas pelas tecnologias digitais, e compreender que estratégias comerciais têm beneficiado mais a cadeia produtiva como um todo, do compositor ao público”.

Assim, a pesquisa vai de encontro aos objetivos principais do Estrombo, como o fomento de novos negócios a partir da identificação de gargalos e desafios enfrentados na cadeia produtiva da música do estado do Rio de Janeiro.

Olívia Bandeira, coordenadora da pesquisa no Instituto Overmundo, pondera que “o desafio maior deste tipo de pesquisa é identificar os atores que fazem parte de determinadas cenas ou circuitos musicais presentes no estado, pois são, em grande parte, mercados com grande nível de informalidade e para os quais não existem estatísticas oficiais. Por isso, a primeira fase da pesquisa, que teve início em julho de 2011, é qualitativa. Através da observação participante e de entrevistas em profundidade com agentes de algumas cenas e circuitos musicais, procuramos construir um mapa de parte da produção musical do estado e das diversas estratégias de negócios utilizadas por eles”.

Sobre considerar também o mercado informal, Oona argumenta que “a cultura é um setor caracterizado por uma grande informalidade nas relações contratuais. Não podemos abrir mão de estudar as atividades e os agentes informais se quisermos de fato dimensionar a cultura produzida no Brasil. Aqui, o negócio da música não é sinônimo apenas de indústria. Existem muitas pessoas que vivem do trabalho com música mas não aparecem na maior parte dos levantamentos, por não constarem nos dados oficiais”.

Sendo a inovação parte fundamental do projeto Estrombo, o estudo também voltará seu olhar também para as novas tecnologias de comunicação, como as redes sociais, para entender como os diversos agentes se utilizam dessas ferramentas para desenvolver relações de produção, circulação e consumo de música.

Atualmente, o hotsite hospeda um questionário voltado para gravadoras, para se aprofundar no funcionamento do setor e nas mudanças que vêm ocorrendo no mercado com o desenvolvimento das novas tecnologias digitais.

Confira as novidades da pesquisa “Análise de modelos de negócios praticados no mercado da música no estado do Rio de Janeiro” no hotsite e acompanhe o Estrombo nas nossas redes: Twitter, Facebook e YouTube.

Farol Digital

 

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