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Banda Kaiser Chiefs permite ao fã montar seu álbum e compartilha lucro

Na semana passada, a banda inglesa Kaiser Chiefs lançou o seu último álbum “The future is medieval” através da ação “crie o seu álbum”, permitindo que os fãs adquiram versões personalizadas do novo trabalho. A dinâmica funciona da seguinte maneira: acessando o site da banda, pode-se escolher 10 entre as 20 faixas disponíveis para compor o álbum. Depois, é só fazer o desenho da capa e pagar £7,50 (em torno de R$ 20,00) para fazer o download de “The future is medieval”. Além disso, cada versão ganha a sua própria página e o criador ganha £1 para cada vez que o álbum montado por ele é vendido para outra pessoa.

Hoje, um dos grandes desafios para a indústria fonográfica é como gerar renda com a venda de música – afinal, na internet, é cada vez mais fácil adquirir músicas de forma gratuita, seja legal ou ilegalmente. Isso traz algumas consequências. Uma delas, por exemplo, é o deslocamento do valor do fonograma para outros elementos, como o relacionamento com os fãs e os shows ao vivo. Outra, é que surge a necessidade de se explorar novas formas de fazer negócio com música que dialoguem com a realidade atual do mercado fonográfico.

De certa maneira, a ação comandada pelo Kaiser Chiefs articulou essas duas tendências ao relacionar a venda da música com o engajamento dos fãs – e diz muito sobre o atual mercado de música. Destacamos dois pontos: o primeiro aponta diretamente para a importância do fã no cenário fonográfico atual. No “create your album”, eles têm exercem o poder de manipular e criar suas próprias versões de “The future is medieval”. Eles fazem isso colocando as músicas que querem na ordem que desejam, reconfigurando, inclusive, a noção mais tradicional de álbum que foi construída ao longo das últimas décadas. Ou seja, aqui, o álbum não é uma obra fechada, uma vez que elementos centrais como a arte da capa, a ordem das faixas e o próprio conteúdo são “a gosto do freguês”. Outro ponto importante, que deve ser observado mais atentamente, é que nessa ação, os compradores não estão pagando somente pelas músicas. O que parece ser mais interessante aqui é participar da experiência de co-criação e sentir-se parte do processo de produção do álbum. E isso vai repercutir também na própria distribuição, pois os fãs-criadores vão querer que sua versão do trabalho novo do Kaiser Chiefs circule, principalmente porque há a comissão de £1 por cópia vendida.

Apesar das dificuldades enfrentadas pela indústria fonográfica, o caso de “The future is medieval” mostra que ainda há margem para pensarmos em formas inovadoras de vender música e a necessidade de articular a questão comercial com um contexto maior, por exemplo, a importância de reconhecer o potencial criativo dos fãs.

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Novos modelos de negócio para a música, na prática: envolvendo o público

Quando falamos de música, mais propriamente do mercado musical, estamos envolvendo muitas pessoas – seja pessoal ou profissionalmente. São focos diferentes, mas a essência é a mesma: todos unidos pela música.

Artistas e fãs acabam ocupando papéis antes inimagináveis. Hoje em dia, um músico já não é mais só um músico. Ele também atua como produtor, divulgador, distribuidor, e com isso acaba se aproximando dos seus fãs e transformando-os em possíveis investidores – além de se tornar, ele próprio, um investimento atraente para marcas e empresas dispostas a atingir seus fãs.

Um bom exemplo de financiamento coletivo, ou crowdfunding, é o Sellaband, site pioneiro onde os artistas são financiados pelos seus fãs. Essa plataforma foi uma das primeiras, seguida por outros no mesmo formato e similares, como o Artist Share, por exemplo.

Aqui no Brasil também já vemos como essa conexão fã-artista já rende frutos aos mais atentos, como no caso da ação de crowdfunding Queremos, criada pelos cariocas Bruno Natal, Felipe Continentino, Lucas Bori, Pedro Seiler e Tiago Lins. Os cinco se uniram para levantar dinheiro via internet para trazer a banda Miike Snow e, recentemente, o Belle and Sebastian, para tocar no Rio de Janeiro.

Estas são formas não só de aproximar o fã do artista, mas também de abrir um novo campo de possibilidade de negócios e oportunidades de lucrar. O mercado começa a perceber o fã, além de público-alvo, como um empreendedor em potencial.

São novas maneiras de expandir o campo de ação, não mais ficando preso na espera por uma gravadora ou patrocínio. Como no caso do Teatro Mágico, grupo de São Paulo que disponibiliza todo seu conteúdo, músicas, vídeos e fotos, gratuitamente em seu site, atraindo assim mais pessoas para suas apresentações ao vivo. Sem ajuda de uma gravadora eles conseguiram alcançar 1 milhão de downloads e 190 mil cópias de cds vendidos. Ou o caso da cantora Jill Sobule do Colorado, que com um anúncio em seu site conseguiu arrecadar com os fãs US$75 mil para gravar seu cd.

O mercado está ávido por empresas que apresentem soluções inovadoras juntando artistas e fãs em uma receita de sucesso. Artistas que funcionem como marcas e mobilizadores de pessoas, seus fãs, que não procurem patrocínios, algo que já está muito escasso no mercado atual.

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