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Por que criar novos modelos de negócio para a música

O avanço das tecnologias digitais influenciou definitivamente as formas de produção, circulação e consumo de música. Apesar dos desafios da geração de renda, nunca se produziu e se consumiu tanta música quanto hoje – e são vários os canais por onde podemos acessá-la. No entanto, é importante perceber também que as mudanças trazidas com a tecnologia não se operam somente do lado do consumo; os meios de gravação têm ficado cada vez mais acessíveis e baratos, mudando a forma como se produz música.

Muitos músicos hoje conseguem montar seus estúdios, inclusive, dentro da própria casa. O que está em jogo aqui é capacitar tecnologicamente um espaço, concentrando em um computador softwares de produção e edição musical. É claro que ainda é preciso fazer um investimento, mas o acesso aos meios de produção é mais democrático do que há alguns anos. Além disso, a produção de cópias em CD também é mais fácil e, caso o artista abra mão dessa materialidade, pode escoar sua produção direto pela internet, em redes sociais e sites de compartilhamento.

E é aqui que surgem outros desafios. Uma vez que a música está pronta, como levá-la para os consumidores? Já comentamos aqui sobre o problema da escassez das casas de shows. E, no plano da internet, fica a pergunta: como fazer a música circular pela rede e chegar ao seu público? Existem várias formas de fazer isso; não há uma cartilha a ser seguida. Aqui no blog do Estrombo, temos apresentado e discutido modelos de negócio, novos canais de distribuição, empreendimentos e iniciativas criativas, como a do crowdfunding, que se sobressaem no cenário atual ao propor soluções viáveis e sustentáveis para a geração de renda com a música. Vale dar uma navegada nas tags aqui à direita que reúnem os temas sobre os quais falamos nos posts.

Parte do desafio em desenvolver novos negócios está em conhecer como é e quem faz parte do mercado fonográfico atual. Para isso, é importante o mapeamento da cadeia produtiva da música e, também, que os profissionais da área estejam articulados e atentos para as possibilidades de geração de negócios. E há cada vez mais possibilidades a serem exploradas.

Crowdfunding: participação dos fãs na realização de projetos musicais

Todos que se envolvem com produção cultural sabem que conseguir verba para realizar determinado projeto é bastante difícil. O crowdfunding tem aparecido com certa frequência na mídia como uma forma eficiente de financiar projetos de forma coletiva. Ao invés de participar de editais, contar com grandes patrocinadores ou fazer contrato com empresas, realizadores tentam buscar investidores para seus projetos se articulando em redes sociais, recebendo micro-patrocínios.

Essa forma de financiamento também pode gerar bons negócios para a música

Através do movere.me, plataforma brasileira de crowdfunding, o grupo de samba “Sururu na Roda” busca investidores até o dia 25 de maio para a produção de seu novo álbum. Os fãs podem investir quantias pré-determinadas, recebendo uma espécie de recompensa que varia de acordo com o valor depositado. Por exemplo, as pessoas que investirem R$ 5, ganharão um agradecimento no site. Aqueles que contribuírem com R$ 10, receberão uma faixa do álbum por e-mail antes do lançamento oficial. Quem investir R$ 80 nesse projeto do “Sururu na Roda” ganha um encontro com o grupo para tomar um chope em um bar no Rio de Janeiro. Outras recompensas, ainda mais exclusivas, são: assistir a uma sessão de gravação do álbum novo (R$ 200,00), participar de um jantar com o grupo (R$ 400) e até mesmo ganhar um show acústico do “Sururu na Roda” (R$ 5.000,00 ou mais) para 50 convidados. Há também a possibilidade de investir sem receber as recompensas – somente pelo prazer de ver o projeto “sair do papel”.

Um outro caso que vem ganhando notoriedade nos últimos meses é o Queremos. A ideia dessa iniciativa é, através do crowdfunding, financiar a vinda de bandas ao Rio de Janeiro. Ao invés de esperar o investimento financeiro e a boa vontade de grandes produtores, os próprios fãs se articulam para comprar cotas que bancam os custos mínimos, tornando possível a realização do show. Nesse momento, começa a venda de ingressos para o público. Caso a venda de ingressos ultrapasse a quantia total necessária para a realização do evento, esse dinheiro que sobrou retorna para os investidores iniciais que, muitas vezes, acabam assistindo ao show de graça. No caso do Queremos, empresas também podem compram cotas, mas elas não recebem o dinheiro de volta. Até hoje, a iniciativa trouce grupos como The National, LCD Soundsystem, Miami Horror e Miike Snow.

Nos dois casos apresentados, se a quantia pedida não for atingida em prazo mínimo para a realização do projeto, o dinheiro volta para os investidores. Isso quer dizer que você só paga por algo que, de fato, vai acontecer.

Esses financiamentos coletivos na música não são exatamente uma novidade. O Sellaband é um empreendimento europeu, com escritórios em Munique e Amsterdã, que funciona desde 2006. Até hoje, o Sellaband já viabilizou sessões de gravação para 42 artistas, usando o investimento de fãs. Através do site, mas de U$ 3.000.000 já foram revertidos para bandas independentes. Essa mecânica permite que os artistas retenham a posse de seus trabalhos e tenham a liberdade de determinar quais incentivos eles oferecerão aos fãs que investem em sua carreira.

O financiamento coletivo permite que o público se envolva diretamente na produção da música. Cada vez mais os artistas sem o suporte de uma gravadora têm a possibilidade de conseguir incentivos para realizar seus projetos de forma autônoma, colaborativa e sustentável.

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Economia Criativa: saindo do século XIX e entrando no século XXI

Por Lala Deheinzelin

Eis aqui uma notícia que deveria estar em manchete nos jornais, trazida por Wang Xingquan, da Shanghai Academy of Social Sciences: neste ano, e como conseqüência da crise financeira, a Economia Criativa passou a ser a estratégia número 1 de desenvolvimento da China! Sábia decisão: por se tratar de economia baseada em recursos que não apenas não se esgotam, mas se renovam e multiplicam com o uso, a Economia Criativa é uma das únicas soluções possíveis para um futuro sustentável. Afinal, os recursos naturais são finitos, mas cultura, conhecimento e criatividade são recursos infinitos (ainda mais se aliados aos infinitos bits das novas tecnologias).

Enquanto isso, por aqui, nota-se que a Economia Criativa começa a estar na pauta de candidatos e governos, o que me deixa feliz, já que sou pioneira do tema no Brasil. Pena que avance tão pouco e que ainda seguimos modelos importados que não se aplicam ao nosso cenário. Seguem algumas sugestões de estratégias na esfera pública para que a Economia Criativa cumpra seu papel como motor de desenvolvimento sustentável.

Convergência: Planejamento e gestão devem ser feitos de forma integrada, unindo várias pastas, como Planejamento, Ciência e Tecnologia, Relações Interiores, Cultura e outros. Para isso são necessários instrumentos de governança, instâncias de tomada de decisão e gestão como Agência de Desenvolvimento, ou Agência de Sustentabilidade que “orquestram” a ação integrada (e tem um plano de longo prazo e técnico, que não pode ser mudado com novos governos).

Para nos orientarmos necessitamos duas coordenadas que se cruzam e nos localizam. Seguem alguns pares interessantes.

Visão sistêmica: hardware + software: Considerar não apenas a parte “hardware” (estrutural, recursos materiais, tangível, ecossistema ambiental) mas principalmente a parte “software” (processos, recursos humanos, intangível, ecossistema sócio cultural). Exemplo: os processos de restauro e revitalização geralmente contemplam apenas o estrutural, as obras arquitetônicas. E tendem a fracassar pois não tem o “software”: a parte humana, os processos ligados à educação, geração de conteúdo e de renda, mudança de mentalidade. Neste sentido, são assustadoras as perspectivas em relação ao que está sendo pensado para Copa do Mundo e Olimpíadas – “hardwares” caríssimos que tendem a deixar pouco além de enormes dívidas.

Setorial + territorial: tradicionalmente a Economia Criativa é organizada e fomentada em setores (audiovisual, moda, artes plásticas etc). Problema 1: está cada vez mais claro que a chave está no local, no território, é aí onde o desenvolvimento pode acontecer. Problema 2: o futuro está na economia de nicho, onde muitos e diversos produzem para muitos e diversos. Ocorre que o “blend” que diferencia e gera valor de cada criativo, coletivo, empresa ou município é uma mistura de setores. Problema 3: o futuro não é setorial, pois os limites entre as linguagens e área serão cada vez mais difusos. Problema 4: metade dos municípios do Brasil tem até 10.000 habitantes, fica difícil pensar em estratégias setoriais quando a escala é pequena.

Produção + circulação/promoção: as políticas geralmente dão apoio a produtos (e não a processos) ou seja à produção. Mas o maior investimento deveria ser feito nos pontos de gargalo de todas as áreas da Economia Criativa: circulação (ser distribuído) e promoção (ser visível e desejado). Garantir a circulação e visibilidade resulta em produção (vide o caso do Circuito Fora do Eixo).

Transdisciplinar, multifuncional: Esse é o conceito que deveria orientar tanto a formação de novos profissionais pois precisaremos muito de profissionais “modem” que dominem várias disciplinas, conectando linguagens e áreas diferentes, quanto a criação de espaços públicos, que devem ser pequenos, adaptáveis, multifuncionais o que permite otimizar recursos, espaço e tempo.

Formular política que atenda a estes quesitos é possível e já foi feito. Por exemplo aquela criada por Célio Turino: os Pontos de Cultura/Programa Cultura Viva, um dos conceitos mais em sintonia com o futuro que conheço e que espero que tenha continuidade.

Agora resta aos nossos líderes não perder o bonde da história, o que acontecerá se continuarmos com políticas e economia ainda com cara de “milagre brasileiro”, anos 70, indústria de commodities…

Vamos avançar para o século XXI?

[Fonte: Mercado Ético. Publicado em 19/01/2011]

Novos modelos de negócio: como funciona o show via streaming

Hoje em dia, a venda do fonograma já não parece ser o item principal de comercialização escolhido pelos artistas. Diante dessa realidade, muitos têm se articulado para fazer mais shows, pois além de trazer renda direta com venda dos ingressos, eles são ótimos eventos para comercializar itens de merchandising, testar músicas novas, resgatar clássicos e entrar em contato com o público.

Explorando as possibilidades das tecnologias digitais, começam a surgir iniciativas que oferecem a experiência do show através do streaming. Em menos de um ano, a produtora espanhola eMe desenvolveu um modelo de negócios inspirador para realizar os seus “concertos digitais”. A empresa está em atividade há menos de 8 meses e, para 2011, já possui mais de 30 artistas e bandas confirmados.

Nos shows produzidos pela eMe, os músicos se apresentam em um estúdio e, entre uma música e outra, interagem com o público que os acompanha pela internet, respondendo a perguntas e conversando, o que configura um clima intimista à experiência – mesmo ela sendo mediada tecnologicamente. Nesse sistema, milhares de pessoas podem assistir à apresentação no conforto de suas casas, enquanto usam as redes sociais para compartilhar suas impressões.

O concerto é gratuito: então, existe alguma vantagem econômica? No caso da eMe, cada show é financiado por um patrocinador que arca com todos os gastos (incluindo o cachê do artista) em troca da exibição de sua marca durante a apresentação. Ao longo da exibição, também são vendidos produtos com a marca do artista. Em ambos os casos, a produtora eMe leva uma porcentagem. É um sistema onde todos os envolvidos saem ganhando.

É fato que não importa quão interessante e economicamente viável seja, esta opção nunca substituirá a experiência de assistir um show ao vivo, em proximidade física com o artista e a audiência. De toda forma, é uma maneira criativa de usar a tecnologia digital e gerar negócios para a música.

Você conhece alguma empresa ou banda brasileira que possui uma iniciativa parecida?

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Música e tecnologia: quando o consumo é social

Já faz alguns anos que música e tecnologia estão irreversivelmente conectadas. E as inovações nos processos de gravação e reprodução alteraram profundamente a forma de fazer negócios na área. Por um lado, obrigou os grandes agentes a se reconfigurarem; por outro, vem criando oportunidades para os pequenos e médios. As mudanças são tão grandes que mudou inclusive a forma como os músicos e demais membros da cadeia produtiva da música concebem a sua carreira, seja no âmbito da produção, seja no da distribuição.

São diversos os casos de artistas que iniciam a sua carreira em estúdios caseiros – e, mesmo que nem tudo possa ser feito dentro de casa, o acesso a estúdios, equipamentos e profissionais de qualidade, ainda que caro, é mais acessível do que era há uma década atrás. No que diz respeito a circulação, sites de redes sociais e a computação na “nuvem” permitem que os artistas e lojas online construam uma outra relação com sua audiência – é verdade que pode ser difícil reverter essa relação em dinheiro; no entanto, o que está em jogo aqui é o crescimento do valor do interesse, da reação e do próprio relacionamento. Por isso, a ideia de valor é que precisa ser colocada em perspectiva – o que não quer dizer que músicos não devem receber pelo seu trabalho, mas que precisamos pensar em maneiras efetivas e sustentáveis de fazer isso acontecer no contexto atual.

Essas questões já vêm sendo debatidas por mais de uma década e ainda há muito o que ser resolvido. Nos últimos anos, o que tem chamado mais a atenção é a maneira como música e tecnologias digitais estão interligadas, quase não sendo possível imaginar uma descolada da outra. Atualmente, é fato que desenvolvedores e programadores estão se tornando os próximos gatekeepers da música. Isso sem falar nos blogueiros e demais usuários de redes sociais que também produzem informação e compartilham música, além de ajudar a povoar novos canais de distribuição.

Empreendedores são os novos rockstars

South by Southwest (SXSW) é um evento que acontece anualmente na cidade de Austin, capital do Texas, e se divide em festivais e conferências de música, filme e interatividade. O SXSW Interactive tem ganhado destaque nos últimos anos se tornando um lugar-chave para apontar tendências, principalmente em projetos voltados para mobile e sociabilidade online, onde muitas startups conseguem fazer negócios e ganhar notoriedade para suas criações. Em 2007, foi lá que o Twitter ganhou destaque; dois anos depois foi vez do Foursquare aparecer por lá para ser popularizado em seguida. Entre as tendências mais presentes esse ano, estão os serviços de música digital onde as faixas são armazenadas na “nuvem” ao invés de se usar telefone ou o computador para isso.

O objetivo do Estrombo é pensar e ajudar a desenvolver novos modelos de negócio que passem por canais como as redes sociais, celulares e games. Acompanhe-nos também nas nossas redes: Twitter, Facebook, YouTube e Flickr.

Farol Digital

 

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