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O uso criativo do Bluetooth na distribuição de música: casos Tocaê e cumbia villera

Em poucas palavras, o Bluetooth é uma forma de conexão sem fio entre aparelhos. Essa tecnologia permite, por exemplo, que um documento seja impresso sem a necessidade de conexão do cabo USB, que um arquivo seja transferido para o telefone celular, e o emparelhamento de celulares – permitindo a troca de arquivos entre os aparelhos conectados via Bluetooth. Entre muitos outros usos, ele também pode ser usado criativamente como um canal de distribuição para a música, viabilizando negócios que dialogam com a tecnologia.

Ronaldo Lemos comenta sobre o caso do cumbia villera, gênero musical muito popular nos demais países da América Latina que se desenvolveu nas periferias a partir da cumbia e estabelece bastante diálogo com as novas tecnologias. Nos shows e nas ruas, o uso do Bluetooth é fundamental para realizar a circulação das músicas:

Um dos principais músicos da cena, conhecido como El Cave (abreviação de El Cavernícola, homem das cavernas em bom português), disse em uma entrevista que seu objetivo “é gritar nos bailes: liga aí o celular! E todos com os celulares ligados, ao menos mil com Bluetooth, e então soltar o sinal e mandar todas as nossas músicas para a galera”.

Outro uso interessante do Bluetooth para distribuir música é feito pela iniciativa tocaê, desenvolvido no Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife (C.E.S.A.R.), de Silvio Meira. Ele funciona da seguinte maneira: o tocaê instala pontos de conexão em determinados estabelecimentos e, com o Bluetooth do aparelho ligado, o consumidor baixa o aplicativo, instala no celular e insere créditos pré-pagos para comprar músicas do catálogo.

Ainda que pouco explorada, é cada vez mais comum essa opção de conectividade em telefones celulares, fazendo das duas experiências comentadas acima bons exemplos de como o Bluetooth pode se tornar, efetivamente, um novo canal de distribuição que valoriza a experiência presencial. Tanto o uso do ponto de conexão em quiosques quanto a distribuição “ao vivo” feita pelo El Cave apontam maneiras como a tecnologia pode reconfigurar os canais mais tradicionais de acesso à música.

Participe desse debate e comente abaixo: você conhece mais algum caso que utiliza o Bluetooth como um canal de distribuição musical?

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Música e tecnologia: quando o consumo é social

Já faz alguns anos que música e tecnologia estão irreversivelmente conectadas. E as inovações nos processos de gravação e reprodução alteraram profundamente a forma de fazer negócios na área. Por um lado, obrigou os grandes agentes a se reconfigurarem; por outro, vem criando oportunidades para os pequenos e médios. As mudanças são tão grandes que mudou inclusive a forma como os músicos e demais membros da cadeia produtiva da música concebem a sua carreira, seja no âmbito da produção, seja no da distribuição.

São diversos os casos de artistas que iniciam a sua carreira em estúdios caseiros – e, mesmo que nem tudo possa ser feito dentro de casa, o acesso a estúdios, equipamentos e profissionais de qualidade, ainda que caro, é mais acessível do que era há uma década atrás. No que diz respeito a circulação, sites de redes sociais e a computação na “nuvem” permitem que os artistas e lojas online construam uma outra relação com sua audiência – é verdade que pode ser difícil reverter essa relação em dinheiro; no entanto, o que está em jogo aqui é o crescimento do valor do interesse, da reação e do próprio relacionamento. Por isso, a ideia de valor é que precisa ser colocada em perspectiva – o que não quer dizer que músicos não devem receber pelo seu trabalho, mas que precisamos pensar em maneiras efetivas e sustentáveis de fazer isso acontecer no contexto atual.

Essas questões já vêm sendo debatidas por mais de uma década e ainda há muito o que ser resolvido. Nos últimos anos, o que tem chamado mais a atenção é a maneira como música e tecnologias digitais estão interligadas, quase não sendo possível imaginar uma descolada da outra. Atualmente, é fato que desenvolvedores e programadores estão se tornando os próximos gatekeepers da música. Isso sem falar nos blogueiros e demais usuários de redes sociais que também produzem informação e compartilham música, além de ajudar a povoar novos canais de distribuição.

Empreendedores são os novos rockstars

South by Southwest (SXSW) é um evento que acontece anualmente na cidade de Austin, capital do Texas, e se divide em festivais e conferências de música, filme e interatividade. O SXSW Interactive tem ganhado destaque nos últimos anos se tornando um lugar-chave para apontar tendências, principalmente em projetos voltados para mobile e sociabilidade online, onde muitas startups conseguem fazer negócios e ganhar notoriedade para suas criações. Em 2007, foi lá que o Twitter ganhou destaque; dois anos depois foi vez do Foursquare aparecer por lá para ser popularizado em seguida. Entre as tendências mais presentes esse ano, estão os serviços de música digital onde as faixas são armazenadas na “nuvem” ao invés de se usar telefone ou o computador para isso.

O objetivo do Estrombo é pensar e ajudar a desenvolver novos modelos de negócio que passem por canais como as redes sociais, celulares e games. Acompanhe-nos também nas nossas redes: Twitter, Facebook, YouTube e Flickr.

Aplicativos mobile: bandas brasileiras que investem na tecnologia

Já comentamos algumas vezes aqui no Estrombo como o consumo musical via aplicativos móveis vem crescendo no últimos meses. Este novo canal de distribuição já vem sendo usado por bandas brasileiras para fazer a música circular.

Neste post, para analisar a realidade dos apps hoje, apresentamos casos independentes e ligados à indústria fonográfica: Projeto Axial, Móveis Coloniais de Acaju, Ultraje a Rigor e Restart.

Projeto Axial

Desde o lançamento do primeiro álbum, o Axial dialoga com as novas tecnologias fazendo o licenciamento via Creative Commons e liberando o download das músicas gratuitamente. O segundo trabalho da banda, Senóide (2007), também pode ser adquirido gratuitamente. O lançamento do álbum seguinte, Simbiose, veio em forma de aplicativo. O Bagagem pode ser baixado neste link e compila os três lançamentos do Axial. Vale a pena baixar o aplicativo – é gratuito – para ver como as músicas são apresentadas. É um forma muito interessante de agregar elementos gráficos à música digital.

Móveis Coloniais de Acaju

A banda de Brasília que, além de ter construído nos últimos anos um papel importante no cenário independente, também marca presença forte na web. Eles lançaram o último álbum C_MPL_TE também em forma de aplicativo, que pode ser acessado pela iTunes Store e instalado no iPhone e iPod Touch. O app contem todas as músicas do disco, cifras, vídeos, além de ser integrado com Twitter e agenda de shows.

Ultraje a Rigor

A veterana Ultraje a rigor também entrou no mercado dos aplicativos. Depois do app ser instalado no seu aparelho, é possível acessar a discografia inteira da banda em streaming, seguir no Twitter o Roger, vocalista do Ultraje, assistir a vídeos exclusivos da banda, navegar pelas galerias de fotos e sincronizar a agenda da banda com o seu calendário. Além disso, também possui integração com o Facebook e o site oficial da banda.

Restart

Outra banda que também possui o seu próprio aplicativo é a Restart. Depois de instalado no seu iPhone ou iPod Touch, é possível acessar as músicas da banda, ver os vídeos, acompanhar galerias de fotos e outros extras.

Os aplicativos são interessantes pois incorporam outros elementos à música digital a um preço mais acessível que o álbum. Assim como os quatro exemplos comentados, muitos deles são gratuitos. Por outro lado, a desvantagem não está necessariamente no aplicativo, mas no suporte. Enquanto o do Projeto Axial pode ser baixado em computadores, a maioria deles são acessíveis somente nos aparelhos da Apple iPod Touch e iPhone que, por causa da carga tributária aplicada a esse tipo de produto no Brasil, ainda são caros para o padrão brasileiro.

De toda forma, como vínhamos discutindo, os apps, se não apresentam a solução, apontam um caminho interessante para trabalhar a música gravada. Apesar de não gerar renda diretamente – já que a maioria é gratuita ou vendida a preços relativamente baixos – eles dialogam com os interesses do público e incorporam à cadeira produtiva da música desenvolvedores de software, programadores e também os consumidores que compartilham e ouvem música em suportes digitais.

Veja aqui nesse link, outros exemplos de aplicativos, dessa vez usados por artistas internacionais.

Leitura Recomendada: The álbum is dead, long live the app (Wired)

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Consumo musical em aplicativos móveis: celulares e aplicativos

Um dos objetivos do projeto Estrombo é desenvolver ações de capacitação em novos modelos de negócio e canais de distribuição para diversos agentes da cadeia produtiva da música. E uma discussão que tem ganhado fôlego nos últimos meses coloca o aparelho celular como um recurso importante para a música, principalmente a partir dos aplicativos – os tão falados apps.

Dados recentes coletados pela empresa de pesquisa e consultoria Gartner mostraram que os aplicativos para telefones celulares arrecadaram mais do que música digital em 2010. Durante o ano passado, 8,2 bilhões de aplicativos (dentre esses, há gratuitos e pagos) foram adquiridos em aparelhos de diversas marcas. Estima-se um faturamento de US$ 5,2 bilhões. Por outro lado, a indústria fonográfica arrecadou US$ 4,6 bilhões vendendo músicas digitais. Essa pesquisa prevê que a arrecadação vinda de aplicativos irá aumentar ainda mais em 2011.

Nessa direção, uma das previsões para a indústria da música atualmente é a maior popularização de aplicativos móveis musicais, principalmente aqueles que oferecem a escuta por streaming mediante diferentes planos de assinatura. Esse modelo de negócio tem se mostrado bastante vantajoso, já que a renda revertida com a música é gerada a partir de propagandas e do valor da assinatura do serviço.

Esses smartphones ainda são caros para o padrão brasileiro, mas talvez não demore muito para que os aparelhos que permitem esse tipo de serviço sejam mais acessíveis aqui. Apostando nessa realidade, a Som Livre lançou o site Escute. Ele oferece aos assinantes acesso a um catálogo com mais de 3 milhões de músicas, além de permitir escuta no celular – a princípio, somente para clientes TIM. No Brasil, outros serviços parecidos já estão em atividade: o Sonora, do portal Terra, e o Power Music Club, do GVT.

Ainda é cedo para fazer previsões, mas o sistema de assinaturas vem se mostrando uma alternativa possível para a rentabilização da música, por conjugar um enorme acervo, a conveniência e um valor relativamente baixo a ser pago pelo usuário. No entanto, esse tipo de oferta só valerá realmente a pena no Brasil quando o acesso à banda larga, aos celulares e smartphones multifuncionais e aos pacotes de dados ilimitados não for artigo de luxo.

É fundamental pensar-se também como os artistas que não têm contratos com gravadoras ou selos poderão aproveitar essa oportunidade. Há espaço para os músicos independentes se beneficiarem também desses canais?

Em um próximo post falaremos sobre as plataformas que atualmente permitem aos artistas independentes criarem seus próprios aplicativos.

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Como os gadgets estão influenciando a maneira como é feita a música


Um dos objetivos do projeto Estrombo é fortalecer o mercado para que este forneça soluções competitivas e inovadoras para integrar a música a novos canais de distribuição. Esses canais podem ser, dentre outros, os aplicativos para as redes sociais, os games e os aplicativos móveis para celulares e tablets.

Até pouco tempo atrás não se imaginava como a música estaria integrada ao celular senão pelo ringtone. Com o lançamento do iPhone, em 2007, logo começaram a surgir milhares de aplicativos disponíveis na Apple Store voltados para a música. Desde um simples afinador até emuladores de instrumentos musicais. E foi a partir disso que começaram aparecer novas formas para o uso do celular.

Um caso interessante é o da banda Atomic Tom: os integrantes tiveram seus instrumentos roubados e deram a volta por cima gravando, com a ajuda de iPhones ligados a um amplificador, um clipe no metrô de Nova York.

Outro exemplo de repercussão mundial devido aos aplicativos musicais é o da banda virtual Gorillaz, a primeira a gravar um álbum inteiro, intitulado “The Fall”, utilizando somente o iPad. O grupo disponibilizou para download o álbum gratuitamente no dia 25 de dezembro de 2010, como presente de natal aos fãs. A repercussão talvez não tivesse sido a mesma, caso a banda tive optado por gravar e distribuir o álbum de forma convencional.

E a inovação não para por aí. Três estudantes austríacos criaram o que eles denominaram de iBand. Com ajuda de iPhone e iPod, o trio cria músicas utilizando somente os aplicativos, sem ajuda dos tradicionais instrumentos musicais. O sucesso foi tanto que depois do lançamento do primeiro vídeo eles receberam diversos pedidos de entrevista, de cópias das músicas em mp3 e de informações sobre o software e equipamento utilizado.

Utilizar um iPhone como instrumento musical não significa criar uma música perfeita tecnicamente –é um método inovador mas ainda limitado. É difícil imaginar um músico deixando de lado sua bateria para dar lugar ao iPad, mas, se você também quer arriscar a produzir músicas com a ajuda desses tão cobiçados aparelhos, fica a dica: 100 aplicativos para você começar a montar a sua iBand.

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(foto de lounge77 CC-by-2.0)

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