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Archive for março, 2012

Novos métodos de ensino musical: webcam e aplicativos

Quando se fala das novas tecnologias digitais favorecendo o surgimento de novos negócios com música, pensa-se logo nas esferas da produção, da distribuição e do consumo. Ou seja, facilitações que criam outras dinâmicas de se criar música e levá-la ao público. De fato, pouco se fala de outros campos profissionais na cultura da música. Um deles, o ensino de música, também tem sido turbinado com as possibilidades das novas mídias.

Uma matéria do New York Times reproduzida pela Folha de São Paulo mostra como tem aumentado nos Estados Unidos a popularidade de aulas de música realizadas pela internet. Através do Skype e outros softwares de chat com webcam, professores e alunos encurtam distâncias e se encontram virtualmente para trocar conhecimentos. Pela webcam, eles conseguem marcar aulas com mais flexibilidade e se dedicar aos estudos em janelas de horários que seriam ocupadas por tempo perdido no trânsito, por exemplo. E, quando se trata de instrumentos pouco comuns, como a gaita de foles, o meio também facilita que alunos mantenham contato com professores em bairros distantes, ou mesmo outras cidades, estados e países.

Aulas por Webcam

Outro meio de ensino musical que também tem ganhado destaque é o uso dos aplicativos móveis. Eles tornam o processo mais lúdico, muitas vezes associando o aprendizado a uma dinâmica de game. O aplicativo WildChords vai além: é um game que requer o uso de um violão de verdade para ser jogado. Em outra direção, enquanto alguns aplicativos simulam instrumentos, outros oferecem também uma simulação de estúdio ou mesa de som, fazendo com que os interessados possam experimentar outras etapas da criação musical.

O que você acha dessas iniciativas? Compartilhe nos comentários outras que você conheça.

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O modelo de negócios “marketing direto pro fã”

Marketing Direto Para o Fã

A internet mudou definitivamente a forma de se fazer negócios com música. Um modelo bastante utilizado atualmente por artistas e gravadoras é o marketing – ou venda – direto para o fã, sem intermediários. É como se esse modelo reproduzisse a prática, ainda corrente, das bandas montarem banquinhas de CDs, camisetas e demais mercadorias no local do show. A principal diferença é que, na internet, o fã pode acessar os produtos em qualquer hora, de qualquer lugar.

Ferramentas e serviços

A CASH Music se define como uma organização sem fins lucrativos que constrói ferramentas digitais de código aberto para artistas e selos. Por enquanto, somente algumas funções estão disponíveis: coleta de e-mails para mailing list, integração de redes sociais e gerenciamento de datas de shows nos próprios sites dos músicos. Artistas como Iron & Wine, Amanda Palmer, Urge Overkill e Zola Jesus são alguns que usam a plataforma. Através de uma arrecadação bem-sucedida no Kickstarter – uma das primeiras e mais populares ferramentas de crowdfunding do mundo –, o CASH Music vai investir na usabilidade, adicionar ferramentas para o streaming de música e desenvolver a funcionalidade de e-commerce.

Diferente da ferramenta acima, o Bandcamp cobra uma taxa de 15% para cada venda realizada através dela, mas está mais desenvolvida e tem estrutura mais amigável. Ela permite que o artista utilize diversos formatos de áudio, defina as formas de venda – grátis, preço pré-determinado ou escolhido pelo fã –, faça integração com o Facebook, entre outras funcionalidades. Veja aqui exemplos de páginas criadas por artistas no Bandcamp.

A plataforma brasileira Zamus também é outro exemplo de modelo de negócio do tipo “marketing direto para o fã”. Ela usa a integração com o Facebook para os músicos subirem seus álbuns e os compartilharem em suas páginas na rede social e no site da plataforma. O processo é simples e há mais informações no blog do Zamus.

* * *

O momento atual é de experimentações, de utilizar as ferramentas disponíveis para recriar o mercado de música, abalado por modelos de negócios que se mostraram ineficientes no ambiente digital. O marketing direto para o fã pode não ser o ideal para todos os artistas, mas é uma forma de deixar os músicos e selos no controle de seus produtos, definindo qual a melhor maneira de lidar com a sua produção e que preço cobrar por ela.

Remuneração de autores: analisando novos modelos – Parte 3

Discos

A série de posts sobre o livro “Promises to keep – Technology, law and the future of entertainment” do professor William Fisher, da Universidade de Harvard, apresenta o modelo alternativo de remuneração de autores proposto por ele com base na realidade do mercado de música e novos hábitos de consumo.

Na primeira parte, Fisher fala sobre o problema dos bens públicos, que são não-competitivos (o usufruto de uma pessoa não impede que outros os aproveitem) e também não-excludentes (quando alguém tem acesso a eles, é quase impossível negar o acesso também a outras pessoas). Entram na categoria: estradas, invenções e produtos da indústria do entretenimento no ambiente digital. Por isso, a produção dos bens públicos deve ser custeada pelo governo; e isso pode acontecer de diversas maneiras. No caso dos bens culturais, por causa dos novos hábitos de consumo, Fisher sugere uma substituição dos modelos de copyright e encriptação por um sistema de “recompensa” administrado pelo governo.

Esse sistema demandaria o registro de obras no “Copyright Office”, no Brasil vinculado ao Ministério da Cultura. Esse registro daria um nome único para o arquivo, cujas execuções seriam rastreadas através dos metadados. Uma agência seria responsável por coletar impostos embutidos em aparelhos eletrônicos e serviços de internet para repassar aos criadores dos bens culturais.

Na terceira e última parte do post, abordamos pontualmente as vantagens e desvantagens do sistema de recompensa proposto por William Fisher.

Vantagens:

  • Para consumidores: economia, acesso mais conveniente a produtos sem propaganda, liberdade da imposição de preços e maiores oportunidades de participação no processo criativo;
  • Para os artistas: uma fonte confiável de renda, mais liberdade na seleção de intermediários para distribuição do produto e mais oportunidades para usar obras derivadas;
  • Para a sociedade como um todo: redução nos custos de transação associados à aplicação da lei de direitos autorais nos usos e reusos, e a superação da ideia de contravenção existente hoje.

As desvantagens:

  • Diminuição da capacidade dos artistas de controlar as apresentações públicas de seus trabalhos (a não ser que o sistema contenha uma segunda forma de rastreamento para artistas contrários à recriação de suas obras);
  • O desafio do repasse de impostos coletados fora do país de origem da música: a princípio, os impostos coletados na França, por exemplo, não teriam como ser repassados para um artista americano.

O modelo proposto em “Promises to keep” é focado no contexto do Estados Unidos. Ele foi pensado a partir de escritórios e órgãos governamentais locais, sendo bem particulares a cada país o método de coleta de impostos, registro de obras e redistribuição de receita. Para que o modelo seja global, ele precisaria ser repensado criteriosamente, levando em consideração o contexto do país que o receberá.

Você conhece outros modelos alternativos para remuneração de autores? Compartilhe conosco.

Farol Digital

 

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