Tags

Archive for janeiro, 2012

Inovações na produção e realização de shows na cultura digital

Uma das mudanças na cultura da música aponta para um deslocamento de investimentos dos formatos físicos para a experiência ao vivo. Em outras palavras, já que a compra de canções não é mais hábito do público (nem a principal maneira de se consumir música, como era no passado), os shows ampliaram sua importância na geração de renda. Já não é raro artistas distribuindo músicas gratuitamente, sabendo que isso desperta o interesse do público e cativa novos ouvintes, aumentando o público pagante em shows. Nesse cenário, surgem iniciativas que dialogam criativamente com as novas tecnologias digitais.

Crowdfunding

O crowdfunding é um recurso usado de muitas maneiras na realização de shows. No Rio de Janeiro, um dos projetos mais bem-sucedidos é o Queremos, que trouxe mais de 20 bandas internacionais para tocar na cidade. Neste modelo, a produção seleciona o artista, o local, a data e o montante que precisa ser arrecadado. Os investidores precisam comprar cotas durante um período até atingir o total pedido para garantir a realização do evento. Depois de confirmado, os ingressos são colocados à venda. Em muitos casos, o valor das cotas compradas no primeiro momento são devolvidas integralmente aos investidores iniciais, dependendo de quantos ingressos são vendidos na bilheteria.

Aproveitando também as facilidades da cultura digital, Kim Boekbinder fechou uma turnê inteira usando o Kickstarter.com, uma das primeiras e mais populares plataformas de crowdfunding do mundo. No site, a artista fez a pré-venda dos ingressos, garantindo que os shows realizados cobririam todos custos mínimos da turnê, evitando prejuízos – sempre um risco para músicos independentes.

Interação com os fãs

Já que na internet as interações entre bandas e fãs é mais direta, por que não recorrer ao público para decidir, por exemplo, as músicas do show? A banda The Rapture tem escolhido que canções executar no bis através das preferências dos fãs. No Brasil, a dupla Zezé Di Camargo e Luciano também teve a mesma ideia e escolhe as últimas músicas dos shows através de votações na internet.

Streaming

Outra oportunidade trazida pelas novas tecnologias é a transmissão dos shows via streaming, uma forma de levar a experiência “local” dos eventos para um público maior. Ontem, dia 11, o Twitter realizou o streaming do primeiro show através da plataforma. A apresentação do DJ Tiësto, promovida pela HP e pela Intel, ocorreu no Consumer Electronics Shows 2012. Além do próprio streaming de shows ser uma inovação em si, a natureza das redes sociais aumenta a visibilidade do evento, com o público compartilhando links e comentários entre seus contatos.

Você conhece outras inovações no mercado da música ao vivo? Compartilhe com a gente nos comentários.

Acompanhe o Estrombo nas nossas redes: Twitter, Facebook e YouTube.

MinC abre inscrição para dois editais de economia criativa em fevereiro

O Ministério da Cultura, por meio da Secretaria da Economia Criativa (em estruturação), publicou dois editais do Prêmio Brasil Criativo na última sexta-feira, 30 de dezembro, no Diário oficial da União (Seção 3, páginas 29 a 31). As inscrições para os dois editais, que distribuirão R$ 4,1 milhões em prêmios, poderão ser feitas de 13 de fevereiro a 30 de março.

O Edital de Fomento a Iniciativas Empreendedoras e Inovadoras irá identificar, reconhecer, fomentar e difundir as iniciativas empreendedoras e inovadoras da sociedade civil atuantes nos setores criativos. Serão premiadas 150 iniciativas selecionadas nas seguintes categorias: Novos Modelos de Gestão de Empreendimentos e Negócios Criativos e Formação para Competências Criativas. A premiação será de R$ 3,6 milhões.

Já o Edital de Apoio à Pesquisa em Economia Criativa selecionará estudos e pesquisas acerca de temas da economia criativa nos contextos macroeconômico e legal-institucional brasileiros. Serão agraciadas 22 pesquisas. O apoio destina-se a pesquisadores da área acadêmica com atuação na área da pesquisa. A premiação será de R$ 810 mil reais divididos em três categorias: Teses – Doutorado; Dissertações – Mestrado e Produção em grupo.

(Texto: Sheila Rezende, Ascom/SID/MinC)

Fonte: MinC

Para onde vai a música no século XXI?

A cultura digital é o campo onde fazemos uso das novas tecnologias para produzir e disseminar bens culturais. Na música, vemos a lógica do online reconfigurar formas de se fazer negócio, demandar maneiras alternativas de lidar com a propriedade intelectual, criar novos hábitos de consumo no público – e finalmente transformá-lo em agente participativo fundamental.

Ao longo de 2011, o crowdfunding se firmou como uma opção viável para tirar do papel projetos musicais. O modelo de negócio com base na ideia da “vaquinha” usa a internet como fonte principal para arrecadação de fundos. Novos canais de distribuição, como aplicativos para web e celular, também criam novas oportunidades para comercializar a música, ainda que, em determinados casos, a moeda usada nas transações seja a atenção e não o dinheiro propriamente dito. Licenças alternativas, como o Creative Commons, permitem ao artista determinar como suas obras devem ser usadas, inclusive em âmbitos comerciais.

A experiência de ouvir música também tem se desenvolvido nos meandros das redes digitais. Serviços de streaming, lojas virtuais, sistemas de recomendação e filtros (nas redes) sociais são algumas das ferramentas que propiciam diferentes tipos de consumo para ouvintes mais exigentes. Até mesmo a cultura do disco foi revitalizada, com lojas e sebos online onde o colecionador pode retomar essa prática, visto que ainda é relativamente difícil encontrar o formato à venda fora dos centros urbanos brasileiros.

Exercendo papéis cada vez mais ativos, o público exerce papel fundamental na cultura digital da música (ou cultura da música digital?). Através do método do crowdsourcing, músicos contam com seus fãs para criar conteúdo na produção de faixas, videoclipes ou setlists de shows. Em redes sociais, artistas e público estão em contato direto, criando uma experiência única através dessa aproximação permitida nas mídias digitais. Já nos métodos de gamificação, os ouvintes são transformados em jogadores que precisam se aventurar pelos desafios propostos pelos artistas para “conquistar” faixas, álbuns ou vídeos exclusivos.

As novas tecnologias digitais mudam a própria cultura musical, seja no polo da produção, do consumo ou da distribuição. E a própria cultura musical influencia a inovação e a criatividade no campo das tecnologias digitais. Assim, fica a pergunta: para onde vai a música no século XXI?

Farol Digital

 

Siga o @estrombo

Facebook