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Archive for novembro, 2011

Música como negócio de sucesso e reconhecimento

Jovem do Rio de Janeiro enxergou na vocação a chance de montar uma empresa

Por Regina Mamede

Rio de Janeiro – Tempo para refletir. Esse foi o propósito do músico e empresário, Rafael Vieira, ao se inscrever no programa Shell Iniciativa Jovem, incubadora que tem parceria com o Sebrae no Rio de Janeiro. À frente do escritório Dona Lolla há quatro anos, ele queria repensar o modelo do negócio. A pausa estratégica rendeu. Em cerimônia no dia 8, ele conquistou o 2º lugar entre 24 concorrentes.

“A música é minha vocação, mas com o crescimento da banda Donna Lolla, surgiu a necessidade de Nota Fiscal e, por isso, criamos uma produtora. Uma coisa levou a outra e assim comecei a ver oportunidades, mas ainda me faltava conhecimento”, admite Rafael, que hoje tem um escritório em São Gonçalo, região metropolitana do Rio de Janeiro.

Na incubadora, ele cita como ganho o privilégio de olhar o negócio em perspectiva, “meus colegas de turma só tinham uma ideia, eu me reconhecia neste processo”. Rafael conseguiu, pela primeira vez, visualizar a empresa quando começou a fazer o plano de negócios. Ao colocar no papel, aprendeu a definir demandas, traçar estratégias, planejar o andamento dos negócios e se capacitar. A educação ganhou tanta importância na sua vida que parte dos R$ 6 mil que recebeu como prêmio deve ser aplicado em cursos de aprimoramento profissional, como marketing.

O escritório tem cerca de 30 clientes e uma grande variedade de produtos e serviços, que incluem formatação da negociação de shows, recuperação de créditos retidos por direitos autorais e execução pública, e sincronização. “Nosso serviço é voltado para artistas de pequeno porte que não sabem como ou não têm tempo para ir atrás dos seus direitos”. Ele também decidiu investir na carreira de quatro artistas promissores, um do Brasil e os demais do Canadá, país com o qual estreitou os contatos depois de participar de festivais.

Curioso pelos cursos oferecidos pelo Sebrae no Rio de Janeiro, o empresário acabou conhecendo o projeto Estrombo, parceria da instituição com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), que desenvolve e estimula a indústria da música no estado, com novos modelos de negócios. “Se eu tivesse que agradecer a todos do Sebrae que me ajudaram a abrir caminho aqui e lá fora, a lista seria imensa”, brinca.

Fonte: Agência Sebrae

Serviço
Sebrae no Rio de Janeiro: (21) 2212-7971
Agência Sebrae de Notícias: (61) 3243-7852/ 2107- 9104/ 3243-7851/ 9977-9529
Central de Relacionamento Sebrae: 0800 570 0800
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Produção musical no celular com GarageBand

Nesta semana, a Apple lançou uma versão de seu popular programa de produção musical GarageBand para iPhone e iPod Touch – o app já estava disponível para iPad.

Já comentamos algumas vezes no blog do Estrombo como o celular se tornou um importante canal de distribuição para a música. Aos poucos, vemos que ele é usado também como um instrumento de criação, através de aplicativos que vêm sendo desenvolvidos a todo instante. O lançamento do GarageBand para iPhone reforça ainda mais esse uso do celular. O programa permite criar de várias maneiras, com manipulação de faixas pré-gravadas ou mesmo com a composição de novos sons através dos instrumentos sintetizados no app. Também é possível fazer registros sonoros com o microfone embutido no próprio celular ou por acoplagem de um captador externo. Outra característica importante é a capacidade de exportar os arquivos sem compressão, que podem ser retrabalhados em outros softwares.

Essa inovação aponta para duas provocações. A primeira trata-se da abertura da esfera de produção para o público médio e não-especializado. É claro que nem todos possuem condição financeira de pagar por um iPhone, ainda caro para os padrões brasileiros, mas o app em si custa US$ 5. Para aqueles que já compraram a versão do iPad, o GarageBand do iPhone é grátis. Além do preço, a usabilidade do próprio programa é relativamente fácil, principalmente para músicos mais experientes. Mesmo aqueles consumidores que não possuem um treinamento profissional em produção, podem explorar as diversas funcionalidades e se aventurar na criação de suas próprias faixas utilizando os diversos recursos do programa.

Uma segunda provocação está na “mobilidade musical” atual, que não se manifesta mais somente na esfera da reprodução. O próprio celular passa a ser também um aparelho de produção móvel, pois torna possível levar um estúdio de gravação dentro do bolso. Obviamente, não se trata de competição com os estúdios físicos, nem com os produtores que se especializaram ao longo dos anos para assumir seus cargos. Esses aparelhos vêm para somar ao invés de tirar lugares, pois aponta para a complexidade com que os desenvolvimentos tecnológicos alteram a cultura musical, da criação ao consumo. Afinal, as esferas que eram bem determinadas, possuem fronteiras mais fluidas, onde o ouvinte pode se tornar também produtor usando seu próprio celular.

Onde isso vai dar exatamente não é possível saber. Por enquanto, o Estrombo continua trazendo novidades do mercado, mapeando-o e inspirando novos negócios em música.

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Direitos autorais na música: buscando o equilíbrio entre a lei e a prática social

Apesar de ter ganho espaço nas conversas ultimamente, o debate sobre a revisão da legislação de diretos autorais frente às novas práticas de consumo no meio digital ainda precisa caminhar um longo percurso. A questão principal é que as regras que dominaram ao longo do século XX não atendem às demandas da realidade atual. No caso da música, se antes as gravadoras e editoras controlavam as etapas de produção, distribuição e venda de fonogramas, hoje esse processo é mais aberto e, de certa maneira, fora de seu controle – e, em muitos casos, totalmente controlado pelo artista. E aí começam os desafios para a indústria tradicional.

Um dos principais é o uso considerado “indevido”, por parte dos consumidores, como o uso de músicas sem autorização em materiais diversos – de remixes e mash-ups a trilhas sonoras de vídeos – e o compartilhamento por redes peer-to-peer. Com o crescimento dessa atividade nos últimos anos, afinal nunca se reusou tanto as obras alheias como recurso criativo, a única resposta possível para a indústria tradicional (desde o episódio do Napster, uma década atrás), parecia ser a da coerção: interrompam o funcionamento dos softwares! processem criminalmente usuários e desenvolvedores!

Se, por um lado, paira no ar o sentimento de que “não há mais jeito”, pois os consumidores continuarão compartilhando música e usando-a da maneira que lhes convier, por outro, os detentores dos direitos sobre as composições e os fonogramas precisam recuperar pelo menos parte do rendimento investido na produção das músicas. Afinal, esse dinheiro pagaria os custos de manufatura, hospedagem, gravação e os próprios funcionários envolvidos na criação e na distribuição do material.

Ainda não há uma resposta consolidada. O que há são novos (e criativos) modelos de negócio surgindo a cada dia, explorando a rede e as novas tecnologias digitais, como celulares e jogos eletrônicos, para gerar receita. Algumas empresas, ainda insistindo na tentativa de reaver os lucros de outrora, preferem partir para a repressão a dar o braço a torcer e tentar descobrir como fazer novos negócios com música. Outras, vão justamente testar modelos diferentes e buscar a inovação, investindo em tecnologia e parcerias com outros agentes, como as comunidades de fãs, blogueiros e provedores de internet.

Sobre o assunto – e novas formas criativas de lidar com os negócios na música -, vale assistir ao programa Mod MTV sobre pirataria, apresentado por Ronaldo Lemos, coordenador do Estrombo na FGV. Nele há uma entrevista com a banda Metric, com o pesquisador Joe Karaganis (coordenador da pesquisa internacional sobre pirataria do SSRC), Amanda Palmer (artista sobre a qual também já falamos aqui no blog do Estrombo) e mais.

Enquanto não alcançamos modelos ideais de negócio, o que precisa mudar no direito autoral para beneficiar tanto gravadoras, quanto artistas, distribuidores e consumidores?

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Dica: Ouça o podcast #05 do Bagagem com Sérgio Branco, do CTS-FGV, sobre direito autoral.

Farol Digital

 

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