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Archive for outubro, 2011

Na Isto É: “A reinvenção do mercado da música”

Mais de uma década depois do furacão Napster, o site que quase aniquilou a indústria fonográfica mundial, músicos como Chico Buarque e a cantora islandesa Björk descobrem saídas para a crise do setor

Sentados em banquinhos e acompanhados de um violão, o compositor Chico Buarque de Hollanda e o violonista mineiro João Bosco tocam Sinhá, a nova música da dupla. Estamos na tarde do dia 20 de julho, no Rio de Janeiro. Assim que os ecos da última nota da canção se perdem no ar, deixando o ambiente em silêncio, Chico sorri e faz tchauzinho para a câmera. Bosco faz o mesmo em seguida. Os dois estão meio sem jeito, sem saber se já podem falar ou não. Por isso olham para o homem que está atrás da câmera, em busca de uma orientação. Depois de uns segundos de pausa, Bosco quebra o gelo: “Foi muito bom, adorei essa”. Chico responde: “Foi bom, né?” Aos poucos o papo engrena, como se eles estivessem numa mesa de bar. De repente, Bruno Natal, documentarista que trabalha com o autor de “Vai Passar” e da “Ópera do Malandro”, o homem que estava por trás da câmera, pede para o cantor repetir para os internautas as explicações, dadas minutos antes, sobre o projeto que eles estão executando na internet para divulgar Chico, o novo CD do artista. É que todo esse bate-papo está sendo exibido ao vivo, em vídeo, pelo site www.chicobastidores, criado para a promoção do álbum.

A intervenção de Natal se faz necessária porque a transmissão havia caído, em razão do alto número de acessos simultâneos – houve picos de 15 mil pessoas. “Eles ouviram você falar que a rede caiu ou vão pensar que estou maluco, repetindo as falas?”, diz Chico. “Eles vão falar que o ‘véio’ aqui tá começando a repetir tudo?”, pergunta o compositor, às gargalhadas. Chico então olha para a câmera e diz que, entre 20 de junho e 20 de julho, os internautas acompanharam, por meio do site do projeto, vídeos, entrevistas e até mesmo um documentário sobre os bastidores da produção de seu novo CD. E em seguida se vira para João Bosco e comenta que aprecia essa tendência atual, propiciada pela internet, de lançamento de “gota-em-gota” das canções, uma por vez, como ele próprio fez com “Sinhá”. “Isso é moderno, mas é ao mesmo tempo uma retomada do que havia antigamente”, diz Chico. Ele se refere aos programas de TV, especialmente na década de 1960, nos quais os artistas apresentavam suas canções antes mesmo do lançamento em LPs. “Você chegava lá e cantava músicas inéditas”, afirma. “Quando saía o disco, boa parte delas já era conhecida.” Algo parecido acontece agora, no mundo virtual. “Pouco a pouco, as pessoas que foram visitando o site foram conhecendo, e isso favorece o entendimento das canções”, diz Chico.

Se o site possibilita uma melhor compreensão da obra, também incentiva a venda de CDs. Pelo projeto executado, apenas uma parte do conteúdo do site Chico Bastidores era de livre acesso. Para ver alguns vídeos e um documentário na íntegra sobre a produção do álbum de Chico Buarque, era preciso comprar antecipadamente o disco, por R$ 29,90, pela internet. Assim, na primeira semana depois que o CD foi para as lojas, cerca de 40 mil unidades haviam sido vendidas. Hoje, o número supera os 55 mil, uma quantidade nada desprezível para tempos em que é cada vez mais difícil vender disco. A jornada digital de Chico Buarque, idealizada por Bruno Natal, para lançar seu CD ilustra bem os novos rumos da indústria da música no século XXI. Depois de mais de uma década da passagem do furacão Napster, o site americano de compartilhamento de músicas que deflagrou a derrocada do setor fonográfico mundial, hoje empresas e profissionais ligados ao cenário musical parecem ter encontrado, se não a salvação, pelo menos diferentes alternativas para promover obras dos artistas na era digital. E gerar dinheiro novo.

Dessa forma, instaurou-se uma nova dinâmica de negócios no setor. Agora, é cada vez mais comum ver artistas fazendo um uso inteligente da internet para divulgar ou comercializar seus trabalhos. Nesse contexto, as redes sociais são o palco principal para um diálogo direto entre artistas e fãs, que assim tomam conhecimento das músicas antes do lançamento comercial do CD. Outra tendência é a utilização da rede como canal de comércio eletrônico para expor artigos como camisetas, ingressos para shows e, claro, os discos. Há espaço também para a combinação de ações digitais com as velhas ferramentas do show business, como programas de TV e rádio, merchandising e licenciamento de produtos. Isso sem falar naquela que é uma das principais inovações do momento e que é utilizada principalmente pelas bandas independentes: o crowd funding, modelo pelo qual os artistas recorrem aos fãs, via internet, para arrecadar recursos para gravar CDs ou DVDs. Isso virou uma febre e está permitindo a vários grupos nacionais fortalecer suas carreiras e sonhar com voos mais altos.

O resumo da ópera de todo esse movimento é que o poder não está mais com o velho sistema, baseado no barulho que as gravadoras multinacionais – as majors – tinham para, em parceria com as redes de tevê e rádio e as lojas de discos, promover artistas de seu casting. Hoje, as relações de mercado são mais pulverizadas e guiadas por uma nova integração de forças, com um papel mais ativo dos músicos no comando de suas carreiras e negócios, maior espaço para os selos independentes e empresas criadas de acordo com as novas regras do jogo. Na esteira desse movimento, muitos pequenos empreendedores começam a vender para artistas e gravadoras uma série de serviços digitais, como criação de sites, web TV e gerenciamento de atuação em redes sociais. “A indústria da música está saindo da apatia e se redesenhando”, afirma José Celso Guida, diretor-executivo da Biscoito Fino, o selo responsável pelos CDs de Chico Buarque. No que se refere aos planos digitais, a intenção da Biscoito Fino é fazer mais projetos semelhantes ao de Chico Buarque, com outros artistas de seu casting. “A ação funcionou muito bem”, diz Guida. “As pessoas se entusiasmam porque conhecem as músicas do artista antes do lançamento.”

A investida digital do autor de “Geni” já inspirou outro nome importante da MPB. A cantora Marisa Monte, que lança seus CDs pela EMI, criou um site recentemente para mostrar aos internautas o passo a passo da produção de seu novo disco, que será lançado até o final do ano. O músico recifense Lenine, por sua vez, tem um site caprichado no qual posta vídeos curtos com dicas de como tocar suas músicas. Além disso, ele mantém canal no YouTube, perfil no Twitter e Facebook, atualizados com a ajuda da Predileta Produções, uma agência carioca especializada, entre outras atividades, em conteúdo para mídias digitais. “Antes, os fãs iam aos sites atrás dos artistas”, diz Adriana Penna, sócia da Predileta ao lado de Jô Hallack. “Agora, os artistas vão aonde estão os fãs, como é o caso das redes sociais.” A agência gerencia a presença digital de artistas como Vanessa da Mata e Zeca Pagodinho. No que se refere à repercussão na rede, um canal tem se mostrado imbatível: o YouTube, do Google. O portal de vídeos, que até pouco tempo atrás era visto como um vilão pela indústria fonográfica, a cada dia atrai mais os músicos – e também as gravadoras. Não é para menos: ele tem 3 bilhões de vídeos vistos por dia no mundo. Embora muitos clipes cuja veiculação não é autorizada continuem a ser retirados do portal, a pedido das gravadoras, as parcerias começam a surgir.

O caso mais notório foi o da transmissão, ao vivo, do show Skol Apresenta: YouTube Sertanejo Live, no dia 30 de novembro do ano passado,em São Paulo. Foi a primeira transmissão em tempo real do YouTube, na América Latina. Com patrocínio da marca de cerveja e parceria com a Sony Music, o evento reuniu grandes nomes do mundo sertanejo, como Bruno & Marrone, Victor & Leo e Luan Santana. O show foi acompanhado por mais de um milhão de internautas. “Música e vídeo são duas categorias muito buscadas na internet”, diz Flávia Verginelli, diretora de publicidade do Google para a América Latina. O Google também tem procurado parcerias para o Orkut, a sua rede social. Os cantores brasileiros Pitty e Seu Jorge, por exemplo, já participaram do Orkut ao Vivo, um programa transmitido em tempo real. O YouTube também é um aliado poderoso para bandas independentes, como a Autoramas, do Rio de Janeiro. Foi por intermédio de um vídeo postado originalmente no portal que o grupo pediu aos internautas que ajudassem a banda a financiar o seu sexto álbum, o Música Crocante. Ancorada no Embolacha, um site criado para viabilizar esse tipo de financiamento coletivo via internet, a estratégia rendeu R$ 14.562,03, acima da meta de R$ 14 mil, necessária para finalizar o CD.

Por meio de cotas que iam de R$ 20 a cerca de R$ 10 mil, os internautas contribuíam e recebiam recompensas conforme o valor investido. “Foi uma mobilização digital para lançar o CD”, diz Gabriel Thomaz, vocalista do Autoramas. O empresário Marcos Maynard, sócio da paulistana Maynard Music, aprendeu perfeitamente a lógica de funcionamento do universo digital, na qual bandas como a Autoramas se formaram. Mas, em seu caso, a fórmula do sucesso é mesclar os elementos da cultura da internet com os do show business. Sua empresa gerencia a carreira da banda brasileira Restart. Os garotos do grupo são um sucesso na internet, com vídeos campeões de audiência no YouTube – mais de 56 milhões de vídeos vistos. Além disso, eles são um estouro de licenciamentos. São mais de 800 itens comercializados, entre roupas e até edredon. “Vi que o Restart tinha um grande público na web e que eles ditam tendências”, diz Maynard. Casos como o da empresa de Maynard, mais os exemplos de utilização da internet pelos artistas, indicam que o novo ambiente dos negócios da música é diversificado e vai se moldando a partir da combinação das ferramentas da mídia tradicional com as descobertas do novo mundo digital.

Nesse caldeirão de experimentações, há espaço até para “CD-aplicativo”, se é que se pode chamar assim o novo álbum que a cantora islandesa Björk está preparando. O próximo trabalho da artista será lançado aos poucos, por meio de um aplicativo para o iPad, da Apple. O programa será gratuito, mas as músicas serão vendidas. A inovação é que, para cada faixa, o aplicativo terá imagens específicas, que buscam aumentar as experiências sensoriais dos internautas. Permitirá até que o usuário recrie as canções de Björk. Por aqui, outro que quer aproveitar o potencial do mundo mágico dos programinhas para smartphones e tablets é o cantor maranhense Zeca Baleiro. “Estou bem interessado em aplicativos para iPad”, disse o músico à DINHEIRO. “Quero fazer algo nessa seara.” Por enquanto, trata-se apenas de uma ideia. Um projeto que está mais próximo é a utilização da web para transmitir show ao vivo. “A tecnologia modificou nosso modo de viver – para o bem e para o mal. Temos é que fazer um uso realmente inteligente disso”, diz Zeca Baleiro, referindo-se a ferramentas como o Twitter. “É melhor fazer transmissões de shows do que posts como ‘escovei os dentes’ ou ‘comi uma moqueca fantástica’.”

(Fonte: Isto É)

Corte Suprema dos EUA: download de música não constitui execução pública

A Corte Suprema dos Estados Unidos manteve nesta segunda-feira a decisão de que um download tradicional de arquivo sonoro na internet não constitui execução pública de um trabalho musical gravado, nos termos das leis americanas de direitos autorais.
Os juízes se recusaram a revisar a decisão de um tribunal federal de recursos em Nova York no sentido de que o download de uma obra musical não se enquadra à definição da lei para execução pública de um trabalho gravado.

A American Society of Composers, Authors and Publishers (Ascap), organização sem fins lucrativos de arrecadação de direitos autorais, recorreu à Corte Suprema, alegando que a decisão da instância inferior tinha profundas implicações para o setor de música, custando dezenas de milhões de dólares em possíveis receitas de direitos autorais a cada ano.

A Ascap alega que mais de 390 mil compositores, letristas e editores de música nos EUA licenciam suas obras exclusivamente por intermédio da organização. Ela responde por cerca de metade das obras musicais executadas online, de acordo com documentos admitidos como parte do processo.

O governo federal contestou o recurso. O procurador-geral americano Donald Verrilli alegou que a decisão do tribunal de recursos era correta e se enquadrava ao senso comum e à política mais sensata quanto aos direitos autorais.

A Ascap argumentou que downloads digitais também representavam execuções públicas de obras, pelas quais os detentores de direitos autorais deviam ser remunerados. Mas um juiz federal de primeira instância e o tribunal de recursos rejeitaram o argumento.
O que estava em debate era uma seção da lei de direitos autorais sob a qual a “execução” de um trabalho consiste em recitar, expor, tocar, dançar ou encenar a obra, diretamente ou por meio de qualquer dispositivo ou processo.

- Uma obra musical não é recitada, exposta ou tocada quando uma gravação (eletrônica ou de outra ordem) é entregue a um potencial ouvinte – decidiu o tribunal de recursos.

Verrilli apoia essa interpretação, e afirma que o download em si não constitui execução da obra, e que esta não é executada durante a transferência.

Fonte: O Globo.

E em sua opinião: o ato de baixar uma música da internet pode ser considerado uma execução pública da obra? Comente aqui no blog ou em nossas redes – Facebook e Twitter.

Terra lança aplicativo do Sonora para Facebook

“Descubra qual o seu tipo de rock”. É assim que se apresenta o aplicativo do portal Terra “Let’s Rock Sonora”, que estreou recentemente no Facebook. O usuário escolhe os artistas que mais gosta dentre uma lista pré-determinada e o app calcula em qual período do rock o seu gosto musical melhor se encaixa. Por exemplo, o “Let’s Rock” calcula, ao final, se você é 60% rock anos 80, ou 90% rock anos 2000. Depois, o usuário pode ouvir uma rádio do Sonora moderadamente personalizada com base nas respostas. Apesar do visual caprichado, a mecânica do app é relativamente simples, mas cumpre muito bem o seu objetivo: divulgar o portal Sonora na rede social.

Dois pontos merecem ser comentados. O primeiro é uma estratégia conhecida como gameficação, ou seja, a atribuição de dinâmicas dos games para engajar o público. Afinal, o que parece ser mais interessante: receber um e-mail do Terra pedindo para você conhecer o Sonora ou responder um quiz que apresenta o serviço de uma forma mais leve e joga o usuário direto para as músicas, o principal produto? A tendência de aplicar mecânicas desse tipo é bastante vantajosa nas redes sociais, principalmente o Facebook, que permite a integração dos aplicativos com as redes de contatos dos usuários, facilitando o compartilhamento do próprio serviço.

O outro ponto diz respeito ao crescimento da relevância dos usos do Facebook para a música. São diversos os aplicativos e serviços que têm oferecido uma oportunidade de turbinar o consumo e a divulgação de música na rede social, como o ONErpm e o RootMusic/BandPage, cada um com suas especificidades. Isso confirma também a tendência do Facebook estar se transformando num agregador de mídia, oferecendo, por exemplo, o aluguel de filmes em streaming direto na plataforma.

Como você usa o Facebook e outras redes sociais para divulgar sua produção?

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