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Archive for setembro, 2011

Série de artigos na The Wire discute música compartilhada

A “The Wire”, conceituada revista inglesa sobre música independente, começou em maio uma série de artigos de opinião chamada “Collateral Damage” para discutir as consequências do compartilhamento de músicas. E as perspectivas são bem variadas.

O texto que deu origem à série é o “Epifanias”, de Kenneth Goldsmith, fundador da UbuWeb, site inovador fundado em 1996 que distribui obras de vanguarda. Problematizando o compartilhamento de arquivos, Kenneth argumenta sobre o Napster que, pela primeira vez, foi possível ver o quão eclético é o gosto musical dos usuários disseminadores de música nas redes, onde uma mesma pessoa possui coleções de músicas tão díspares quanto possível. Outro ponto levantado é o consumo do single em detrimento do álbum, pois não precisamos mais comprar o disco inteiro para escutar uma ou outra música – e, eventualmente, também não precisamos pagar por essas poucas faixas. Com o armazenamento em HDs e dispositivos portáteis como o celular ou o mp3 player, perde-se também os “objetos de fetiches”, como o LP ou o CD, que ficam e
mpoeirados nas prateleiras. Por fim, o autor comenta que o compartilhamento de arquivos em massa, parece ser muito mais sobre “quantidade”, pois o ato da “caça”, da busca de músicas, parece ter mais importância do que a própria música.

Em resposta a Kenneth Goldsmith, Chris Cutler, fundador da banda Henry Cow e diretor da gravadora ReR, lembra que “ações geram consequências”, pois “o ‘de graça’, sempre tem um ‘preço’”. Nessa direção, Chris reflete sobre os desdobramentos do compartilhamento de arquivos. Segundo seu artigo, fazer um álbum custa caro e esse dinheiro só seria recuperado através da venda. Essa questão é preocupante, principalmente para as pequenas gravadoras e bandas independentes, que promovem a diversidade e criatividade fonográfica justamente por estarem fora do mainstream. Sendo assim, o download e o upload indiscriminados podem tirar essas bandas e empresas do circuito.

Já David Keenan, da loja Volcanic Disco, argumenta que “a pirataria digital trata músicos, gravadoras e lojas de disco como se eles fossem servidores públicos. Isso é desrespeitoso”. Segundo ele, o compartilhamento de arquivos endossa um engajamento superficial com a cultura, pois não importa mais a profundidade da interação entre o indivíduo e uma obra de arte.

Em outro ponto de vista, o músico Bob Ostertag conta como ter liberado suas músicas gratuitamente em seu site foi vantajoso para sua carreira. As vendas de suas gravações nunca foram bastante expressivas e os royalties nem sempre chegavam a ele. Agora, mais pessoas ouvem sua música. Como uma contrapartida, ele pede doações em seu site, mas não obriga os usuários a pagarem. Outro ponto importante é que o músico descobriu que o público ainda quer comprar CDs em shows, onde a venda do disco está atrelada à experiência do show ao vivo.

Amanda Brown, sócia do selo independente Not Not Fun, defende que o som executado no computador parece “clínico”, desconectado do “calor” do LP, por exemplo, que é um aspecto crucial da questão “música-enquanto-arte”. Segundo ela, parece que nesse cenário são os computadores que fazem a música, sem o elemento humano em nenhum lugar da cadeia de criação. Portanto, escutar música no computador resultaria numa experiência estética menor. Amanda ainda reflete que quando álbuns são trocados por uma ou duas músicas-chave, quando a música é reduzida a status de “lixo eletrônico”, quando discografias inteiras são rapidamente consumidas e dispensadas, “o quão profundo será o entendimento e apreciação dessas criações”? Sobre o acesso gratuito às músicas, Amanda também preocupa-se com o mercado underground. Segundo ela, esse grupo de artistas precisa receber por sua produção, justamente porque isso é o que possibilita essas bandas manterem sua criação fora do mainstream.

Essa é uma discussão bastante complexa, que envolve uma série de fatores e, portanto, pluraliza os pontos de vista.

Como você se posiciona nessa debate?

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No Brasil Econômico: “Facebook, BID e Sebrae se unem pela música do Rio”

Por João Paulo Freitas

Projeto Estrombo, que conta ainda com apoio da FGV, busca novos modelos de negócio para artistas usando a força das redes sociais

O Sebrae e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) decidiram unir forças para ajudar a indústria da música do Rio de Janeiro a desenvolver novos modelos de negócios.

Para isso, a parceria destinou cerca de U$ 2,2 milhões ao Estrombo, projeto voltado ao desenvolvimento desse segmento da economia por meio do uso de novas tecnologias.

A motivação por trás da empreitada, que tem ainda como parceiros a Fundação Getúlio Vargas (FGV) e o Facebook, está na transformação da indústria musical. Antes fortemente baseada na venda de CDs, as empresas do setor, principalmente as gravadoras, têm sofrido com a troca cada vez mais intensa pelas músicas em formato digital e, claro, com a pirataria.

Por outro lado, a rede mundial tem possibilitado o surgimento de novos artistas.

Exemplos não faltam e vão da cantora brasileira Mallu Magalhães, que fez sucesso na internet aos 15 anos antes mesmo de gravar um CD, ao cantor americano Justin Bieber, descoberto após publicar algumas de suas apresentações no site de vídeos Youtube.

Segundo a diretora de Economia Criativa do Sebrae-RJ, Heliana Marinho, o Estrombo visa justamente incentivar novas formas de negócios no meio musical com a utilização da internet e seus diversos recursos, principalmente as chamadas redes sociais.

Lançado no final de 2010, o site do projeto é o local onde as informações relacionadas à iniciativa são concentradas. Além da difusão praticamente diária de informações digitais ligadas ao mundo da música, o projeto conta também com ações presenciais.

Nesse âmbito, a estratégia é oferecer desde capacitação até consultorias às pessoas envolvidas com a cadeia produtiva da música.

Outra frente de ação do projeto é a realização de estudos. “Essas pesquisas e estudos são importantes para que entendamos o funcionamento atual desse segmento, sempre da perspectiva do mercado. Não se trata de estudos sociológicos”, diz Heliana. Um dos estudos está sendo realizado com o Instituto Overmundo, que investigará quais modelos de negócios são utilizados atualmente em diversos cenários musicais, do hip hop ao rock.

Por sua vez, a FGV, uma parceira importante do projeto, está desenvolvendo capacitações on-line. O formato digital é importante por possibilitar a disseminação das capacitações até a periferia, onde o movimento musical costuma ser intenso.

“As lan houses são o grande local do acesso e da distribuição de informação pela internet. Então estamos construindo essa ponte também”, diz a diretora de economia criativa do Sebrae-RJ.

Até o meio deste ano, cerca de 2,3 mil pessoas vinculadas à cadeia produtiva da música passaram por alguns dos encontros realizados pelo Estrombo. Além disso, aproximadamente 12 mil interessados consultaram ou acompanham as ações do projeto por meios digitais.

Desafio

“Devido à crescente importância do capital intelectual, das aglomerações criativas, temos um novo desafio, que é saber como iniciar um processo de desenvolvimento envolvendo esses agrupamentos”, diz Luciano Schweizer, especialista do Fundo Multilateral de Investimentos (Fomin) e responsável técnico pela supervisão do Estrombo no BID.

Segundo ele, o apoio ao projeto significa um aprendizado para o banco. “Esperamos construir metodologias, análises e ferramentas para pensarmos em outras ações similares no futuro como iniciar um processo de desenvolvimento envolvendo agrupamentos”, diz Schweizer.

Ele acrescenta que o projeto, aprovado e assinado em 2009, é uma primeira aproximação do BID da seara da economia criativa com o objetivo de criar uma metodologia própria para esse segmento econômico.

Para Paula Martini, pesquisadora do Centro de Tecnologia e Sociedade (CTS) da FGV, as transformações do mercado musical não significam que a música está em crise, mas sim o modelo de negócio da indústria fonográfica.

“A música em si nunca esteve tão bem. O impacto da tecnologia na indústria da música foi positivo. Como ocorre em todos os momentos de ruptura, estamos vendo os papeis se rearranjarem”, afirma. “No momento atual, a boa ideia ultrapassa a criação artística. Ela também precisa estar presente na atuação comercial do produto cultural”, diz.

(Fonte: Brasil Econômico)

Programa de treinamento sobre gestão de ativos de propriedade intelectual

As indústrias criativas são aquelas que crescem sustentavelmente por meio do uso da propriedade intelectual (PI). No caso da música, um entendimento sólido das questões ligadas à PI fornece ao artista e editores de gravadoras e selos meios de proteger sua criação, através do registro da marca, além de gerar riqueza e estimular a circulação das músicas fazendo o licenciamento da obra.

Entre os dias 19 e 23 de setembro, acontece o “Programa Regional de Treinamento sobre Gestão de Ativos de Propriedade Intelectual com foco em Micro, Pequenas e Médias Empresas: Formação de Instrutores”, promovido pelo INPI e pela Organização Mundial de Propriedade Intelectual, e conta com apoio do SEBRAE.

Inscreva-se até 10 de setembro por aqui.

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Convocação para o Womex 2011

O SEBRAE está organizando uma delegação do Rio de Janeiro para visitar a Womex, o principal evento de World Music que acontecerá no final de outubro na Dinamarca. Os integrantes terão todo o apoio necessário para a efetivação de negócios durante a feira – ingresso, stand para o grupo, intérpretes, agendamento de reuniões, consultorias para a confecção do material a ser levado, entre outros.

Participe e tenha a oportunidade de ver sua música tocando no exterior.

Mais informações: 0800 570 0800

Baixe aqui:

Ficha de pré-inscrição

Informações

Programa

Cotação

Mobilizando fãs para divulgar um trabalho musical: casos e técnicas

Os músicos sempre precisaram de seus fãs para fortalecer sua carreira. O que talvez seja um pouco diferente hoje é a percepção desse grupo de pessoas como importantes influenciadores em suas próprias redes e comunidades. Nessa direção, há diversos casos de músicos que mobilizam seus fãs, contando diretamente com eles para divulgar seu trabalho.

Claro que os métodos variam dependendo do objetivo, do próprio artista e da gravadora, que pode dar mais ou menos liberdade para o fomento desse tipo de prática. A norte-americana Amanda Palmer, por exemplo, pede diretamente aos seus fãs que a ajudem na divulgação de seus shows. Através do fórum online “The Shadowbox”, a cantora enviou recentemente a seguinte mensagem: “Camaradas!!! Chegou a hora novamente… precisamos da sua ajuda para promover os shows que vêm por aí. Nós mesmos seremos a mídia e, além do mais, a melhor maneira que eu tenho para promover é ATRAVÉS DE VOCÊS. Vá aquecer a impressora do seu escritório”. Nessa dinâmica, os fãs estão tão interessados quanto a própria artista na realização e no sucesso dos shows. Consequentemente, ela tem mais estímulo para prosseguir sua carreira e os fãs terão mais músicas dela para ouvir.

Em uma ação que lembra a discussão que publicamos aqui no blog do Estrombo, St. Vincent, heterônimo de Annie Clark, fez no mês passado uma campanha de mobilização através do Twitter para o lançamento do próximo álbum, “Strange Mercy”, que sai no mês que vem. No dia 19 de julho, usando o método tweet-to-unlock, a cantora publicou em sua conta a mensagem: PLEASE RT #strangemercy to help reveal all at strangemercy.com. À medida que a quantidade de tweets com a hashtag aumentava, mais conteúdo era publicado no site. A ação terminou três dias depois, com o lançamento em mp3 do single “Surgeon”, que os fãs puderam baixar gratuitamente.

Com a indústria da música e os modelos tradicionais em declínio, os artistas precisam recorrer a outros mecanismos para fazer sua música circular. Um das formas de fazer isso acontecer é justamente recorrer àquela comunidade que mais reconhece o valor do relacionamento e investe nele. A ideia é tentar entender o momento atual e criar um sistema onde ambas as partes se beneficiem disso.

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