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Archive for agosto, 2011

Música em rede, na rede: filtros sociais e novas formas de propagação

A internet e as novas tecnologias digitais impactaram irreversivelmente a indústria da música. Enquanto métodos antigos patinam para conseguir alguma espécie de sustentação nesse cenário, começam a aparecer novas práticas, modelos de negócio e artistas tentando entender o momento atual e apostar em uma outra dinâmica para produzir, distribuir e consumir música. Por isso, o projeto Estrombo tem como um dos objetivos inspirar o surgimento de novos negócios que dialoguem com jogos eletrônicos, celulares e redes sociais, por exemplo.

No caso das redes sociais, o elemento fundamental é justamente a sua organização em rede que, cada vez mais, passa a ser melhor aproveitada para fins de divulgação. Nessas ferramentas, cada usuário cria sua própria rede de contatos ao realizar conexões com outros usuários. Assim, a informação propaga-se em velocidades e proporções muito maiores em comparação aos meios tradicionais, como o rádio e a televisão – ainda que, possivelmente, o alcance direto não seja maior.

Mas, se existe a probabilidade do alcance não ser maior, qual é a relevância do uso das redes sociais para a música? A questão é: “quem envia o quê para quem”. Aqui, entram os filtros sociais, a reputação dos usuários multiplicadores e as recomendações. Suponha que um amigo de gosto musical parecido com o seu publique o vídeo de determinada banda no perfil dele. Você vai prestar um outro tipo de atenção nesse conteúdo, certo? Se você gostar, pode compartilhar no seu perfil, colocando sua rede em contato com a banda; ou ainda, fazer com que alguns dos seus amigos se interessem pelo material e compartilhem novamente, realizando a propagação por outras redes.

Existem diversos casos de artistas que entendem que a divulgação nas redes sociais pode ser tão importante quanto a própria venda da música. Até porque, quanto mais pessoas conhecem as músicas, mais pessoas vão pagar por ela, comparecer aos shows, etc. O norueguês Thomas Dybdahl, por exemplo, usa uma música sua como moeda de troca. No site dele, você pode baixar a faixa gratuitamente, mas em contrapartida, precisa publicar o link no perfil do Facebook, no Twitter ou se inscrever no mailing dele. E vários outros artistas embarcam nessa proposição de uma nova moeda, social, baseada no valor da atenção e da recomendação – no Brasil temos exemplos como o do rapper Emicida.

A indústria da música ainda está entendendo como tirar proveito das novas tecnologias e, no atual cenário, diversos artistas e negócios exploram criativamente essas novas possibilidades.

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O Globo: “O novo jogo da música”

Eventos aproximam Brasil do bilionário mercado das trilhas sonoras para games

Por Leonardo Lichote

No princípio, eram quatro notas. Mas nenhum jogador do clássico “Space invaders” (1978), primeiro game a ter uma música de fundo contínua, deixava de notar a melodia ganhando rapidez conforme os alienígenas se aproximavam, adicionando tensão à experiência. Hoje, é mais difícil ainda não se dar conta da importância das trilhas sonoras dos jogos eletrônicos, que se afirma em termos financeiros – o mercado de games deve movimentar US$ 74 bilhões em 2011, segundo a empresa de tecnologia e consultoria Gartner Inc. – e artísticos – a canção “Baba yetu”, composta para “Civilization 4”, ganhou um Grammy este ano, o primeiro para uma música de game; e vários autores renomados de trilhas para cinema, como Danny Elfman e Clint Mansell (“Cisne negro”), trabalham também com jogos.

E, num momento de indefinição dos rumos da indústria fonográfica, vale notar que muitos garotos que amam os Beatles neste início de século XXI chegaram às suas canções via “Beatles: Rock band”, e que o Aerosmith ganhou com “Aerosmith: Guitar hero” mais dinheiro que com qualquer um de seus álbuns – que, aliás, tiveram um aumento de vendas de 40% com o lançamento do game.

Concertos, concurso e edital

No Brasil, os reflexos desse movimento estão em eventos como o Videogames Live (concertos com trilhas de jogos), que terá sua sexta edição brasileira em outubro, e no Game Music Brasil Festival (concurso para bandas e compositores voltado exclusivamente para o gênero, que está com as inscrições abertas no site www.gamemusicbrasil.com.br).

- A ideia do festival é aproximar a indústria que desenvolve os jogos em todo o mundo dos artistas brasileiros – explica Sergio Murilo Carvalho, produtor do concurso e também do Videogames Live brasileiro. – O potencial é gigante, e o mercado está à espera dos artistas brasileiros.

Um exemplo é o compositor Pedro Bromfman, que fez a trilha sonora de “Tropa de elite” e foi convidado pela empresa americana RockStar, do jogo “Max Payne”.

Primeiro do gênero no Brasil, o concurso mostra um tanto da popularidade do gênero por aqui – e do quanto ele tem para crescer. Desde 20 de junho, quando as inscrições foram abertas (elas se encerram em 20 de setembro), quatro mil pessoas se cadastraram no site para inscrever seu trabalho ou para votar nos concorrentes das três categorias: trilha sonora (criar uma trilha para uma amostra do jogo “Critical mass”), banda (tocar uma trilha existente) e game indie (desenvolver um jogo completo, trilha incluída).

Se o Brasil ainda começa a entrar nesse mundo das trilhas para games, o Japão presta atenção nele desde os anos 1980 – no fim da década, já circulavam por lá fitas cassetes com músicas dos jogos mais populares então. Hoje, a prática é feita oficialmente, e com alcance mundial, via distribuidores como iTunes e Amazon, que vendem as trilhas.

- Acredito que um dia uma música vai ser composta para um jogo, será lançada e se tornará um hit antes mesmo de o jogo ser lançado – aposta Bob Rice, diretor da empresa americana Four Bars, que agencia diversos compositores de músicas de jogos.

As previsões de Rice ganham força quando se percebe que vários terrenos antes estranhos aos games começam a se abrir a eles. O Grammy terá, a partir de 2012, uma categoria na qual o termo “música de videogame” aparece. E a Secretaria Estadual de Cultura do Rio acaba de lançar um edital voltado para os jogos eletrônicos.

Para Cristopher Tin, o autor de “Baba yetu”, o preconceito contra o game como espaço de produção cultural não é mais uma realidade:

- Talvez houvesse certo estigma há dez anos. Mas acredito que nós, compositores de games, ajudamos a acabar com isso.

Os games funcionam também como plataforma para que músicas já existentes alcancem um público maior. Através do licenciamento de suas canções, artistas como os citados Beatles e Aerosmith, além de Linkin Park (“Medal of honor”), Gilberto Gil (“Fifa Soccer World Cup 2010”) e indies como a banda The Heavy e a cantora Lykke Li (ambos em “Batman: Arkham City”) projetam suas canções muito além de seus públicos. Num exemplo extremo do cruzamento das realidades, o compositor Tom Salta, autor de trilhas de games como “Prince of Persia: The forgotten sands”, entrou na área licenciando músicas que compôs pensando… em games.

- Comecei a fazer pesquisas e a frequentar todas as feiras de jogos. Concluí que a melhor alternativa seria criar um álbum solo de músicas que julgava perfeitas para games, TV e filmes. Assim nasceu o Atlas Plug, alter ego que usei para me estabelecer na indústria de trilhas para games. Passei a licenciar as músicas para games e logo consegui emplacar músicas em alguns – conta.

Estética para o gênero

A evidência de uma estética específica da música para game aparece ainda mais clara no chiptune, gênero que evoca os timbres eletrônicos gravados na memória de qualquer jogador de Atari.

- São músicas originais criadas a partir dos chips de consoles antigos de videogame – define Arthur Protasio, coordenador do CTS Game Studies, do Centro de Tecnologia e Sociedade da Fundação Getulio Vargas. – A banda Anamanaguchi, que fez a trilha do jogo “Scott Pilgrim vs. The world”, mistura rock com essa influência eletrônica da década de 1980. pessoas que não conhecem podem escutar e pensar que é “música de joguinho”, mas ficariam espantadas ao saber que a música não foi feita para um jogo e é apresentada em shows em diversos países. Há coletivos de chiptune presentes no mundo todo, inclusive no Brasil, e festivais do gênero reúnem centenas de milhares de pessoas.

A relação entre músicas e jogos, portanto, tem ainda muitas vidas antes do “game over”.

(Fonte: O Globo – Segundo Caderno. 15 de agosto de 2011).

O novo projeto de Björk e a formação de uma nova espécie de compositores

No Globo: “Projetos como ‘Biophilia’, de Björk, apontam para a formação de uma nova espécie de compositores”

Por Eduardo Almeida

RIO – “Biophilia”, o novo disco da inquieta Björk, nasceu como uma casa musical interativa, virou filme 3D e acabou se tornando um aplicativo para iPad com o ousado objetivo de criar uma experiência que une natureza, música e tecnologia. O projeto é mais um a se afastar do conceito tradicional de álbum, consagrado na segunda metade do século XX, mas em crise nesses tempos de mp3, iPods e torrents.

A ideia original, nascida das reflexões da artista em relação ao modo como tratamos o mundo em que vivemos, era criar uma casa onde cada cômodo representasse uma faixa do disco, com uma experiência imersiva única que ilustrasse a ligação entre música e natureza.

O projeto logo se mostrou inviável e a cantora saiu em busca de alternativas, encontrando no iPad a plataforma ideal para expressar suas ideias. Em entrevista ao site “Quietus” , ela conta que começou a mexer com telas sensíveis ao toque durante a turnê de “Volta”, seu disco de 2007. Ali surgiu o desejo de utilizar essa tecnologia para criar música, não apenas ouvir ou tocar.

Um gostinho da estética do aplicativo pode ser provado no site de Björk, onde um vídeo narrado por David Attenborough explica o projeto. Mas para aproveitar a experiência completa é preciso ter um iPad, o que gerou críticas por conta da escolha de uma plataforma fechada e cara. Arcade Fire e OK Go, por exemplo, também lançaram projetos baseados em novas tecnologias, mas escolheram o navegador Chrome, gratuito e disponível para qualquer computador, como plataforma. Björk pelo menos já disse que conta com os hackers para quebrar o sistema e abri-lo para todo mundo.

Criado em parceria com o programador e engenheiro Damian Taylor, “Biophilia” é visualmente estimulante. O usuário navega por uma galáxia 3D que gira com os toques no iPad. As estrelas abrem o universo de cada uma das canções, recheadas de elementos interativos. Estão lá animações, partitura da música, letra e outras surpresas.

Por enquanto é possível explorar as propriedades dos cristais ao som do primeiro single, “Crystalline”, que ganhou clipe do velho parceiro de Björk, Michel Gondry. Conforme as novas músicas forem liberadas, novos mini-aplicativos surgirão. Num deles será preciso enfrentar uma infecção viral – a música pára quando você mata o vírus, portanto só ouvirá a canção inteira quem deixar a célula morrer. Em outro, a replicação do DNA será usada para ilustrar o ritmo e arranjo de uma canção.

Na entrevista para a “Quietus”, Björk também chama atenção para uma mudança de mentalidade que considera importante. Ela aponta para o compositor do século XXI como uma nova espécie, muito diferente do artista auto-indulgente da era de ouro das gravadoras.

Desde que o Napster deu início ao ocaso da indústria fonográfica, no ano 2000, vários artistas buscaram formas alternativas de lançar seu trabalho, fugindo não só do formato “disco” consagrado pelos LPs e mantido pelos CDs, como também do próprio conceito de álbum, no que muitos apostam ser uma volta aos singles, mas ninguém na verdade sabe direito no que vai dar.

Aqui no Brasil nós tivemos a briga de Lobão com as gravadoras pela numeração dos discos e a iniciativa de lançar álbuns em revistas. Além disso, no mundo todo o número de artistas que disponilbizam suas músicas gratuitamente na internet cresce a cada dia. Abaixo, relembramos alguns casos de estratégias alternativas de lançamento de discos. Alguma delas se tornará o padrão no futuro? Ainda não dá para dizer.

PEARL JAM: Em 2000, no início da revolução digital, o Pearl Jam resolveu levar a frente um plano que batia de frente com as estratégias da indústria. A banda gravou os shows da turnê “Binaural” e lançou todos como discos, garantindo qualidade de som para os bons e velhos colecionadores de “bootlegs”. Foram 72 álbuns ao vivo lançados entre 2000 e 2001, que renderam à banda o recorde de mais discos a estrear ao mesmo tempo na Billboard 200, sete dos 23 da primeira perna da turnê americana em 2001.

LOBÃO: Em 1999 ele rompeu com a gravadora e lançou o álbum “Vida Doce” em bancas de jornais. Quatro anos depois lançou a revista “OutraCoisa”, que trazia encartados discos de novos nomes da música brasileira. A primeira edição teve o disco solo de estreia de BNegão (ex-Planet Hemp), “Enxugando Gelo”. Também passaram por lá Mombojó, Cachorro Grande, Skylab, Instituto, Carbona, Canastra… muita gente boa.

RADIOHEAD: Em 2003 a banda completou seu contrato de seis álbuns com a EMI, com o lançamento de “Hail to the thief”. Ao terminar de gravar seu disco seguinte, “In rainbows”, o grupo precisou decidir como lançá-lo para o público. Acabaram disponbilizando todas as dez músicas em mp3 num arquivo zip que podia ser baixado no site da banda com um detalhe: o comprador pagava quanto quisesse.

As “vendas” começaram no dia 10 de outubro de 2007 e duraram até 10 de dezembro do mesmo ano. Em outubro de 2008, a Warner revelou que a maioria das pessoas não pagou nada pelo disco, mas ainda assim a pré-venda deu mais dinheiro que o total de vendas de “Hail to the thief”.

O disco seguinte do Radiohead, “King of Limbs”, ficou disponível para audição na internet por alguns dias, mas a venda foi mais tradicional. A banda incluiu apenas um jonal nas versões em CD e vinil, brincadeira que o Jethro Tull já havia feito com o disco “Thick as a brick”, em 1972.

WHITE STRIPES: Em 2007 o White Stripes já era uma banda consagrada e se preparava para lançar seu sexto álbum, “Icky thump”. Além do CD e do LP, a banda pôs à venda uma edição limitada de pendrives com 512 MB e o disco incluído. Foram duas versões, nos formatos de bonecos de Jack e Meg, com 3.333 unidades cada. Esse episódio guarda uma lição importante. As músicas no formato digital foram mixadas num volume muito alto, gerando um efeito de distorção que desagradou muitos fãs.

ARCADE FIRE: Em agosto de 2010 a banda lançou um clipe interativo, que se passa no endereço escolhido pelo espectador. A brincadeira só funciona no Google Chrome e usa o Maps para geolocalização. A ideia é que cada pessoa coloque um endereço onde passou a infância para criar o clima da música “We used To wait”.

OK GO: Em 2011 foi a vez dos moderninhos do OK Go brincarem com o Chrome. No caso deles, é claro, uma dança engraçadinha. www.allisnotlo.st/

CAETANO VELOSO: Curioso notar que dois dos mais consagrados medalhões da música brasileira se envolveram em projetos inovadores nos últimos anos. Após o sucesso de “Cê”, em vez de voltar para o estúdio para gravar o disco seguinte, Caetano seguiu nos palcos e montou o novo trabalho em público, nos shows “Obra em progresso”. O resultado foi o álbum “Zii e Zie”, lançado em abril de 2009, mas legal mesmo foi a reaproximação do artista com o público em uma série de shows antológicos.

CHICO BUARQUE: Em 2011 foi a vez de Chico Buarque debutar na internet. Para lançar seu álbum “Chico” ele montou um site onde liberava músicas, cenas de bastidores, dava entrevistas, palinhas de músicas novas etc. Chico dividiu com o mundo sua perplexidade com os trolls, virou meme e descobriu que na internet ninguém é unamidade (no mundo real também não, mas lá as pessoas comuns têm menos voz, né?).

MORE HAZARDS, MORE HEROES: Conhece o More Hazards, More Heroes? Pois não conhece por que não quer. O disco de estreia deles, “The good kind”, está inteirinho na internet. Eles criaram um site bacana que tem até um disquinho que roda enquanto você ouve a música. Tem lá ainda uma minibio (eles são um duo inspirado em “Kings of Convenience com um jeito sulista de Sam Beam e um gostinho de Sufjan Stevens”) e as letras para quem quiser acompanhar. O disco ainda precisa estourar, mas o design do site vem sendo muito elogiado internet afora.

KAISER CHIEFS: O Kaiser Chiefs lançou em junho seu quarto álbum, “The future is medieval”, ousando na busca de novas formas de se vender música na internet. Em vez de oferecer um disco com conteúdo pré-determinado, a banda inglesa oferece 20 canções das quais o internauta pode escolher 10 e montar seu próprio álbum, que poderá ser vendido com parte da renda dividida entre o fã e os músicos.

Para participar do “futuro medieval” dos Kaiser Chiefs, é preciso visitar o site kaiserchiefs.com e escolher as músicas – há uma prévia de cerca de um minuto de cada uma. Depois, basta criar a arte da capa e pagar £ 7,50 (cerca de R$ 20) pelo download, via PayPal. O disco pode então ser compartilhado com outras pessoas e o fã recebe £1 a cada vez que sua versão for vendida.

(Fonte: O Globo Online)

Aplicativos para bandas: usando o celular como canal de distribuição

Hoje, tão importante quanto fazer música de qualidade, é levar sua produção para o público. Na internet, isso pode ser feito sem grandes custos e há uma quantidade crescente de serviços – de redes sociais a softwares – que permitem ao artista escolher qual é mais eficiente para seu objetivo. Entre essas ofertas, os aplicativos, também chamados apps, vêm ganhando bastante espaço quando se trata do celular como um novo canal de distribuição.

O site BandApp, por exemplo, permite que músicos criem gratuitamente seus próprios aplicativos para smartphones (iPhone e Android). Eles são armazenados no site e podem ser acessados através de QR Code ou por uma URL específica – www.bandapp.com/nomedasuabanda – que, ao ser inserida no navegador do celular, leva para a instalação do app. Outro serviço oferecido é a venda de músicas pela loja virtual deles, que retém uma percentagem das vendas realizadas.

Os apps chegaram com força na discussão sobre o futuro da música digital e o BandApp é um dos serviços que ampliam a familiaridade das bandas com esse recurso. Essa iniciativa aproveita o momento atual do mercado de música e a ascensão dos aplicativos móveis para lucrar com isso e oferecer aos artistas, inclusive aqueles com menos recursos financeiros, uma maneira de entrar nesse cenário e comercializar suas músicas.

Além de serem um novo meio de distribuição, os aplicativos mobile também atualizam a noção de álbum, por oferecerem as músicas digitais num pacote fechado, com tracklist e apelo visual e oferecem uma outra experiência para o consumo de música, passando pelas novas tecnologias da comunicação e da informação.

É claro que não devemos esquecer que esse item não resolve o problema da promoção, principalmente para os músicos independentes. Criar o seu próprio aplicativo não implica obter sucesso fonográfico: outras estratégias de circulação e divulgação devem ser implementadas. Mas isso é conversa para outro post.

O que você achou do BandApp? Conhece algum outro que oferece esse tipo de serviço? Diga pra gente nos comentários.

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No Mod MTV: "Música na internet: novas formas de consumo…"

Por Paula Martini

Gostar de uma música no rádio, comprar o álbum e detestar as outras doze. Qualquer pessoa que consumiu música na era pré-internet viu isso acontecer. As mídias tradicionais apostavam no tamanho-único para vestir todos os gostos – e nem havia uma cabine para experimentarmos antes de comprar. É como se a venda (mesmo que frustrada) dos fonogramas valesse mais que a construção de um relacionamento entre artista e público. De fato, era mais fácil e rentável.

Com as tecnologias digitais e a internet, o valor na música se deslocou: passou do fonograma para a experiência e engajamento dos fãs nos processos onde eles antes eram consumidores passivos.

Nas redes sociais, um artista pode acessar seu público mais precisamente – afinal, ali estão as informações sobre nossas preferências. Ao mesmo tempo, ele também precisa ser encontrado em meio a tantos outros artistas. E aí entra a parte boa: hoje, os filtros que dizem o que devemos conhecer não são mais as velhas mídias de massa. São os que percebem os nichos.

Os filtros sociais e os algoritmos, se bem combinados, podem ajudar dos dois lados: ao artista, que quer ser ouvido, e ao fã, que quer conhecer música boa. Filtros sociais sempre existiram e não necessariamente têm a ver com tecnologia (embora ela amplie o alcance): são as recomendações de pessoas e veículos que julgamos confiáveis. Já os filtros algorítmicos cruzam informações de desconhecidos e raciocinam com base no “se você gosta disto, pode gostar daquilo”.

Mas devemos ter sempre em mente que dados pessoais são moeda valiosa, e que as plataformas e sites só podem acessar nossas informações (preferências, inclusive) se nós o permitimos ao aceitar seus termos de uso. Até porque, em grande parte das plataformas, nós não somos o cliente, mas sim o produto.

Fonte: Blog do Mod MTV : “Música na internet: novas formas de consumo, novos valores, novos filtros”

Farol Digital

 

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