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Archive for julho, 2011

No Via Política: “Sistema Criativo da Música Brasileira”

Por Ana Terra

Criando novos modelos diferenciados de negócios e gestão para a música do Brasil, uma necessidade social.

Mesmo as camadas mais inteligentes dos povos não europeus acostumaram-se a enxergar-se e as suas comunidades como uma infra-humanidade, cujo destino era ocupar uma posição subalterna pelo simples fato de que a sua era inferior à da população europeia. – Darcy Ribeiro

Quando nos referimos aos países hegemônicos como primeiro mundo, e ao nosso como terceiro mundo estamos apenas reproduzindo a lógica da dominação que, junto com seus espelhinhos, trouxeram conceitos e preconceitos de tal forma introjetados que nem damos conta.

Quando nós mesmos, músicos, dizemos que a classe é desunida e desarticulada e por isso está na lamentável situação em que se encontra, estamos apenas reproduzindo esse discurso que poupa os reais responsáveis por essa situação: o poder público que direciona políticas através de editais e verbas privilegiando o poder econômico, e não o mercado de trabalho para o músico e as entidades de classe, que são omissas ou cooptadas.

Músicos eram considerados vagabundos, malandros, desocupados. Quando ironicamente passam a ser a alma da festa, entram pela porta dos fundos e comem na cozinha, locais dos trabalhos “subalternos”, desvalorizados em relação aos locais “nobres”. Nas casas com música ao vivo, ainda hoje essa situação se mantém porque são roubados pelos proprietários, que não lhes repassam integralmente o couvert artístico. Assim como trabalham de graça nas feiras e festivais de música, quando todos os outros profissionais são pagos, e o que é pior, com dinheiro público.

A baixa auto-estima do artista é fundamental para manter as coisas como estão. E a naturalização dos conceitos também. Como disse o filósofo Antonio Negri: “Todos os elementos de corrupção e exploração nos são impostos pelos regimes de produção linguística e comunicativa: destruí-los com palavras é tão urgente quanto fazê-los com ações.”

Tratar a arte como cadeia produtiva é o primeiro conceito a ser questionado. As análises e modelos da economia que são utilizados para as atividades industriais e comerciais, em geral, não são adequados às artes, por tratar-se de outra natureza de mercadoria e função social.

A arte da música não é um simples elo de uma cadeia produtiva. A arte da música é a razão de ser de todas as atividades do mundo da música. A obra de arte é um produto que não tem valor utilitário, mas valor simbólico, e o simbólico é um dos ingredientes da fórmula humana. É uma necessidade social. A produção da obra de arte não depende só de treinamento e vontade, mas de talento, vocação e dedicação. Para uma atividade diferenciada o modelo deve ser diferenciado.

Esta é uma proposta de modelo para se pensar a atividade musical a partir de sua origem, a criação. Pensando a música como sistema e não como cadeia.

Definições

MÚSICO PROFISSIONAL BRASILEIRO são compositores, letristas, instrumentistas, arranjadores, regentes e cantores nascidos no Brasil ou naturalizados, que recebem remuneração pelo seu trabalho.

SISTEMA CRIATIVO – O Sistema é criado a partir de um núcleo vital sem o qual ele não existe. Como o sistema solar.

NÚCLEO CRIATIVO – composto pelo músico profissional brasileiro. Sem o compositor não há obra. Sem o intérprete não há comunicação da obra

O NÚCLEO CRIATIVO é autopoiese. Poiesis em grego quer dizer poesia, criação, produção. Autopoética = autoprodutor. Todo músico é indiscutivelmente produtor musical porque produz a obra. Esta categoria vem sendo confundida com produtor industrial e comercial, que são de natureza técnica, não personalizada, que o artista pode ou não também ser, caso tenha acesso aos meios de produção e circulação.

Todas as atividades da economia da música derivam do NÚCLEO CRIATIVO. Os detentores dos meios de produção e circulação da obra musical organizados como pessoa jurídica, invertem as relações fazendo crer que são “produtores do artista” quando na verdade todo artista é naturalmente autoprodutor.

Para aquele que se dedica integralmente à produção da obra de arte na sociedade mercantilista, sua produção precisa tornar-se uma mercadoria para que dela advenha seu sustento.

Todo artista é pessoa física e é dessa condição que realiza como autor e/ou intérprete a produção da obra musical. O que ele pode fazer é contratar profissionais ou empresas especializados em indústria e comércio para obter mais ganhos com seu produto.

O Estado brasileiro privilegia a pessoa jurídica nos encargos sociais, obrigando a pessoa física tornar-se jurídica. Para essa realidade é necessária a criação de figura jurídica exclusiva para o NÚCLEO CRIATIVO similar ao MEI: microempreendedor individual.

Com os avanços tecnológicos muita coisa mudou. Antes, o NÚCLEO CRIATIVO precisava de: editor da obra, gravadora, distribuidor, empresário, produtor, divulgador. Hoje, o compositor pode autorizar a gravação e receber seus direitos autorais diretamente, isto é, sem editar a obra. Os intérpretes podem gravar em estúdio caseiro ou alugar estúdio. A venda do fonograma pode ser direta. Os intérpretes podem ser seus próprios empresários, divulgadores e produtores.

O compositor produz a obra. O intérprete instrumentista e/ou vocal produz a comunicação da obra por meio de execução ao vivo e/ou gravação.

Uma forma mais justa e orgânica é possível para o mundo da música. Baseados na recente vertente chamada Economia Criativa, estamos criando novos modelos de negócios e gestão a partir da ótica do NÚCLEO CRIATIVO. E com os valores éticos de solidariedade, cooperação e justiça vamos construindo um novo mundo possível, a CASA do MÚSICO.

(Fonte: Via Política)

Evento no Sebrae/RJ explicará como funciona o crowdfunding

Crowdfunding. O nome pode parecer complicado, mas a ideia é simples: várias pessoas contribuem, com pequenas quantias, de maneira colaborativa, para viabilizar um projeto. Iniciativas de financiamento colaborativo já existem no exterior e começam a ganhar força no país. Para apresentar esta nova perspectiva em captação de recursos especificamente para projetos audiovisuais, o Sebrae/RJ realizará, na próxima segunda, dia 11, o seminário “Crowdfunding: financiamento colaborativo para projetos audiovisuais”.

O evento contará com a participação de Caio Cesaro, da Kinopus Audiovisual, empresa que estuda e implementa oportunidades de circulação de conteúdos culturais audiovisuais, e de Rodrigo Maia, representante da plataforma de financiamento colaborativo Catarse. Cesaro abordará os desafios de captação de recursos para projetos audiovisuais, apresentando iniciativas de crowdfunding como uma alternativa de financiamento de produtos e serviços audiovisuais. Já Maia explicará como funciona o Catarse, primeira plataforma de financiamento colaborativo do Brasil, que desde janeiro de 2011 já viabilizou, por meio do micropatrocínio, 41 projetos dos 97 que passaram pelo site.

A iniciativa faz parte do projeto Cadeia Produtiva do Audiovisual, destinada a profissionais ligados às áreas de produção, criação, indumentária, transporte, alimentação, áudio, cenotécnica e pesquisadores.

Serviço:

Seminário Crowdfunding: financiamento colaborativo para projetos audiovisuais

Data: 11 de julho, às 18h

Local: Auditório do Sebrae/RJ – Rua Santa Luzia 685 – 9º andar

Vagas limitadas.

Inscrições: 0800-570-0800


Curso gratuito: “Planejando para internacionalizar a música brasileira”

Conhecimento é fundamental para quem quer fazer shows ou ter seu fonograma licenciado no exterior.

Com este curso gratuito, você vai entender como é a parte prática e operacional da atuação internacional no meio musical com palestras de consultores especializados, além da participação de instituições como o Consulado Americano no Rio de Janeiro, o Banco do Brasil, a Apex, a BM&A, entre outras. Após este programa de qualificação, você vai ter a oportunidade real de conhecer pessoas com potencial para levar seu trabalho para fora do Brasil participando de ações, como Projetos Compradores, feiras e eventos no exterior.

Temas:

- Iniciando a internacionalização: Panorama e características do mercado.

- Preparando a empresa para o mercado internacional.

- Concretizando e operacionalizando. Questões técnicas, tributárias e contratuais.

- Plano de trabalho para internacionalização. Ações de marketing e promoção.

- Ações de BM&A e oportunidades no mercado internacional.

Data: 19, 20 e 21 de Julho.

Horário: 13h às 18h30

Local: IATEC – Rua Pedro I, nº 4 – 2º andar – Praça Tiradentes – Centro, Rio de Janeiro – RJ (em cima do Teatro Carlos Gomes)

Participe da seleção até o dia 18/7, através da Central de Atendimento do SEBRAE/RJ: 0800 570 0800 e informe o número da Agenda 67.667.

OBSERVAÇÃO: Como as vagas são limitadas o SEBRAE/RJ entrará em contato com os participantes selecionados para essa capacitação.

BM&A te leva para a BAFIM 2011, na Argentina

A BAFIM acontece em Buenos Aires desde 2006 e já se firmou como a principal feira de negócios e tendências da América Latina. O evento reúne, em um mesmo espaço, uma grande variedade de empresas da indústria musical, desde pequenos selos até importantes gravadoras, além de novos artistas e bandas consagradas e mais de 100 mil visitantes por ano. A partir de 2008 a BAFIM passou a fazer parte do convênio entre BM&A e a Prefeitura de Buenos Aires, o que garante um espaço privilegiado ao material do Brasil e a participação de ao menos três bandas brasileiras selecionadas na programação oficial de shows.

Para a BAFIM 2011, a BM&A está preparando um CD virtual com os últimos destaques da música nacional. Vale lembrar que, na última edição da BAFIM, em 2009, a participação brasileira contou com 15 empresas e três artistas: Andreia Dias (São Paulo), Dona Zefinha (Ceará) e Zé da Guiomar (Minas Gerais). Além disso, realizamos uma palestra com quatro convidados internacionais que participaram do projeto Comprador & Imagem: Pedro Autuori, Aya Ohio, Brian Keigher e Alex Robinson.

Novidades na BAFIM deste ano

Nesta edição a abertura do evento, no dia 15 de setembro, contará com uma festa permeada por música brasileira. A noite será no Niceto Club e a organização acaba de anunciar que está aberta a seleção para bandas do Brasil. Basta se cadastrar através do site Toque No Brasil, no seguinte link: http://tnb.art.br/oportunidades/bafim/ até dia 15 de Julho.

SOBRE A BAFIM

A BAFIM 2011 acompanha as mudanças da indústria latinoamericana e responde ao que há de mais novo no âmbito de eventos internacionais. A feira reúne profissionais de todas as áreas do mercado fonográfico e conta com palestras, conferências e reuniões de negócios durante o dia, além de shows durante a noite. Além disso será possível visitar as salas de música com artistas nacionais e internacionais como nos conta Diana Glusberry, diretora artística do Niceto Club em Buenos Aires e uma das curadoras da noite brasileira. Diana fala ainda que a receptividade do público argentino à música brasileira tem sido muito boa: “O público argentino ama a música brasileira e é muito aberto a conhecer novos sons.”

Para conhecer o site oficial da BAFIM 2011, clique aqui.

Fonte: BM&A

Música, relacionamento e geração de novos negócios

Apesar dos desafios impostos pela tecnologia à indústria fonográfica, o cenário musical hoje passa por um período efervescente, tanto no âmbito da produção quanto do consumo de música. Isso se deve à abertura de determinados processos que, antes, eram mais ou menos concentrados nas mãos de poucos agentes, e ao acesso mais fácil a tecnologias de gravação e distribuição de música. Hoje, podemos realizar gravações com qualidade razoável a custos relativamente baixos e a hospedagem gratuita na internet torna a distribuição menos onerosa e, potencialmente, global.

É verdade que, apesar de apontar para um futuro sustentável para a música, essa constatação não resolve uma série de questões. O acesso a meios de comunicação ou veículos de grande alcance e a distribuição física ainda são problemas enfrentados por quem almeja uma carreira na música. Possuir uma trajetória bem-sucedida não significa gravar uma faixa e publicar em sites de redes sociais. Hoje, mais do que nunca, faz-se necessário atentar para detalhes que dizem respeito à própria profissionalização dos músicos, como a importância criar estratégias de circulação para a música. Afinal, ter em mãos sites de rede social para hospedar faixas não é uma garantia de que elas chegarão ao seu público.

Gerar novos negócios para a música implica trafegar habilmente pelas possibilidades do contexto atual e reconhecer suas carências e oportunidades. A maioria das bandas grandes, com canais abertos em circuitos mainstream, concentram suas ações para a venda de fonogramas, sejam CDs ou mp3s. Sua circulação acontece por grandes canais, tentando sempre buscar o maior público comprador possível. Para aqueles que circulam mais pelas fronteiras do indie, talvez existam outros elementos em jogo que, em grau de prioridade, vêm antes da venda da música, como a construção de uma base de fãs e a criação de laços mais próximos com o público.

Numa realidade onde novidades substituíveis são crescentes e a competição pela atenção do público cada vez maior, vão se destacar os artistas que desenvolvem e apostam em modelos de negócio que dialogam com o cenário onde estão inseridas. O Estrombo é um projeto pensado para ajudar a desenvolver a cadeia produtiva da música através do uso de tecnologias de ponta, como sites de redes sociais, aplicativos mobile e games, pois esses meios têm ganhado destaque no mercado de música, possibilitando formas inovadoras de trabalhar a música – seja com o foco das ações na venda, no relacionamento com o público ou nessas duas esferas simultaneamente.

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