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Archive for junho, 2011

No Overdubbing: “É preciso saber viver (de música)”

Por Leo Morel

Gravadoras em crise, queda na venda de CDs e download de músicas na internet. Desde o final do século passado, o mercado musical não é mais o mesmo. E o que os músicos estão fazendo para sobreviver no século XXI?

O processo de evolução tecnológica gerou significativas alterações na cadeia produtiva da música, ocasionando o declínio de um modelo de negócio que foi hegemônico durante grande parte do século passado baseado na ascensão da indústria fonográfica. Se, até então, a maioria dos artistas da música popular dependia de tais agentes como investidores para desenvolver suas carreiras, como atuar nos dias de hoje em um cenário em que esse artista é cada vez mais responsável pela gestão e financiamento de seu trabalho? De que forma uma banda cria condições para financiar seu trabalho e tirar seu sustento nos dias de hoje?

Primeiramente, é importante observar que o mercado musical tem diversos nichos e diferentes formas de inserção. O produtor musical e instrutor de cursos gerenciais Leonardo Salazar, em seu livro Música Ltda: o negócio da música para empreendedores (http://www.musicaltda.com.br/), classifica esses estágios, agrupando os músicos da seguinte maneira:

- Músico amador: aquele que exerce uma atividade profissional fora da área musical para se sustentar, sendo a música uma atividade “extra”, podendo tirar ou não remuneração dela.

- Semiprofissional: aquele que ganha remuneração com a música, mas necessita de outra atividade econômica para tirar seus rendimentos a fim de equilibrar seu orçamento.

- Profissional: aquele que vive exclusivamente de música, sendo essa sua principal fonte de renda.

Muitos exercem a profissão da música sem necessariamente viver exclusivamente dela. O compositor Guinga, por exemplo, dividiu durante muito tempo sua carreira musical com a de dentista e Vinícius de Moraes foi diplomata. Também é comum um músico utilizar seus rendimentos adquiridos fora do âmbito musical para investir em sua carreira artística.

Atualmente, são bastante variadas as possibilidades de trabalho na área musical, muitos atuam em diferentes nichos do mercado para tirar seu sustento e são raros aqueles que vivem exclusivamente de uma única atividade profissional. Grande parte dos músicos busca desenvolver diferentes especializações para aumentar suas oportunidades de trabalho. Um instrumentista pode, por exemplo, ter seu repertório autoral próprio, acompanhar outros artistas como contratado, realizar gravações e dar aulas. Para um técnico de som, por exemplo, existe a possibilidade de trabalhar com sonorização em casas de show e também gravar bandas em estúdios. As combinações podem variar de acordo com a aptidão e aspiração de cada um. O produtor Salazar aponta em seu livro algumas destas possibilidades profissionais do setor musical atualmente:

- Banda autoral;
- Banda tributo, ou cover;
- Banda, ou orquestra de baile;
- Sonorização para eventos:
- Montagem de estrutura;
- Empresariamento artístico (management);
- Agenciamento (booking);
- Produção executiva (show, ou disco);
- Produção de turnê (tour manager);
- Técnica (som, luz, palco);
- Direção artística (disco ou show);
- Casa de show, teatro, boate, bar (música ao vivo);
- Produção fonográfica (gravadora);
- Edição musical (editorial);
- Distribuição de discos (distribuidora);
- Comércio de discos, DVD e afins;
- Comércio de instrumentos, equipamentos e acessórios;
- Fabricação e reparo de instrumentos, equipamento e acessórios;
- Composição (autor);
- Instrumentista, ou intérprete (tocando/cantando/gravando para terceiros);
- Cantor independente (voz e violão);
- Arranjador;
- Maestro;
- Trilha sonora (publicidade, jogos, teatro, cinema, moda);
- Dj (rádio, show, festa, boate);
- Sinfônica (emprego público);
- Ensino (licenciatura);
- Estúdio de ensaio;
- Estúdio de gravação;
- Estúdio móvel;
- Mixagem;
- Masterização;
- Replicação de mídia (vinil, CD, DVD);
- Organização de eventos (festivais, concursos, prêmios, shows);
- Marketing cultural (elaboração e captação de projetos musicais);
- Design (capas de disco e material gráfico);
- Web (programação ou design para o setor);
- Assessoria de imprensa (especializada em música);
- Produtora de vídeo (clipes, documentários, DVDs);
- Tecnologia da informação (produtos para o setor).

Assim, são muitas as opções disponíveis no mercado da música para se trabalhar e vale ressaltar que uma opção não exclui a outra, pois um músico pode administrar sua carreira realizando diferentes funções de acordo com sua agenda e aspirações profissionais. Na verdade, nos dias de hoje a realidade impõem o músico a “se virar nos trinta”, ele faz de tudo um pouco, sendo uma verdadeira metamorfose ambulante. Além de tocar, ele se vê obrigado e ter noções de áreas que fogem do universo musical como gestão e marketing, por exemplo. Para tal, existem algumas publicações no Brasil que podem auxiliar a lidar com essas questões e a entender melhor esse novo mundo da música. Em breve pretendo tratar disso por aqui (por ora, outra dica legal também é acompanhar aqui no Overdubbing a coluna do Fernando Moura sobre o dia-a-dia dos trabalhos na música).

(Fonte: Overdubbing – música do analógico ao digital)

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Banda Kaiser Chiefs permite ao fã montar seu álbum e compartilha lucro

Na semana passada, a banda inglesa Kaiser Chiefs lançou o seu último álbum “The future is medieval” através da ação “crie o seu álbum”, permitindo que os fãs adquiram versões personalizadas do novo trabalho. A dinâmica funciona da seguinte maneira: acessando o site da banda, pode-se escolher 10 entre as 20 faixas disponíveis para compor o álbum. Depois, é só fazer o desenho da capa e pagar £7,50 (em torno de R$ 20,00) para fazer o download de “The future is medieval”. Além disso, cada versão ganha a sua própria página e o criador ganha £1 para cada vez que o álbum montado por ele é vendido para outra pessoa.

Hoje, um dos grandes desafios para a indústria fonográfica é como gerar renda com a venda de música – afinal, na internet, é cada vez mais fácil adquirir músicas de forma gratuita, seja legal ou ilegalmente. Isso traz algumas consequências. Uma delas, por exemplo, é o deslocamento do valor do fonograma para outros elementos, como o relacionamento com os fãs e os shows ao vivo. Outra, é que surge a necessidade de se explorar novas formas de fazer negócio com música que dialoguem com a realidade atual do mercado fonográfico.

De certa maneira, a ação comandada pelo Kaiser Chiefs articulou essas duas tendências ao relacionar a venda da música com o engajamento dos fãs – e diz muito sobre o atual mercado de música. Destacamos dois pontos: o primeiro aponta diretamente para a importância do fã no cenário fonográfico atual. No “create your album”, eles têm exercem o poder de manipular e criar suas próprias versões de “The future is medieval”. Eles fazem isso colocando as músicas que querem na ordem que desejam, reconfigurando, inclusive, a noção mais tradicional de álbum que foi construída ao longo das últimas décadas. Ou seja, aqui, o álbum não é uma obra fechada, uma vez que elementos centrais como a arte da capa, a ordem das faixas e o próprio conteúdo são “a gosto do freguês”. Outro ponto importante, que deve ser observado mais atentamente, é que nessa ação, os compradores não estão pagando somente pelas músicas. O que parece ser mais interessante aqui é participar da experiência de co-criação e sentir-se parte do processo de produção do álbum. E isso vai repercutir também na própria distribuição, pois os fãs-criadores vão querer que sua versão do trabalho novo do Kaiser Chiefs circule, principalmente porque há a comissão de £1 por cópia vendida.

Apesar das dificuldades enfrentadas pela indústria fonográfica, o caso de “The future is medieval” mostra que ainda há margem para pensarmos em formas inovadoras de vender música e a necessidade de articular a questão comercial com um contexto maior, por exemplo, a importância de reconhecer o potencial criativo dos fãs.

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O movimento cultural do funk e a articulação dos profissionais

O funk carioca é um dos principais exemplos de música que vem “de baixo para cima”, ou seja, primeiro se tornando popular nas periferias, circulando nas pistas e palcos dos bailes para depois atingir outros meios como o rádio e a televisão. Desde o final dos anos 90, o gênero musical se fortalece, principalmente no Rio de Janeiro, além de ganhar reconhecimento também internacionalmente. Percebendo esse potencial e a necessidade de articulação entre os diversos agentes do funk, alguns artistas e profissionais se organizaram e criaram a Associação dos Profissionais e Amigos do Funk (APAFunk). Ela foi fundada por funkeiros, MC’s e DJ’s com o objetivo de informar e conscientizar os músicos e demais agentes de seus direitos, visando também a formalização e profissionalização.

A primeira vitória da associação foi o reconhecimento do funk como movimento cultural e do funkeiro como agente cultural popular. É claro que a luta ainda é muito maior – parte dessa batalha constante é registrada no site da APAFunk, que publica textos sobre leis e outros projetos que informam e trazem a público as discussões atuais sobre o movimento.

Outra ação importante, feita em parceria com outros grupos, foi a cartilha “Liberta o pancadão – o manual de direitos do MC”, com uma série de informações sobre a história do funk, sua força, além de esclarecer os artistas e profissionais sobre assuntos que podem passar despercebidos, como direitos autorais, a importância de registrar, proteger e garantir a autoria da obra, como dar entrada nesse processo, entre outros. E ressalta como o compartilhamento de músicas e as rádios comunitárias podem ser benéficas para os artistas e autores. Com isso, a cartilha sugere a formação de cooperativas, pois agir em conjunto é mais fácil do que tentar fazer tudo sozinho.

A APAFunk é um bom exemplo de como músicos e demais profissionais podem se articular para fortalecer a cena e sua cadeia produtiva. Esses agentes culturais perceberam a força do funk e a necessidade de informar os demais artistas do movimento como expandir suas fronteiras através de direitos e possibilidades garantidas a qualquer músico.

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Cursos: "Determinação Empreendedora" e "Aprender a Empreender"

O SindMusi, em parceria com o SEBRAE/RJ, oferece os cursos: “Determinação Empreendedora” e “Aprender a Empreender”. Sócios SindMusi não pagam e não associados pagam a taxa de R$ 15. As vagas são limitadas.

Público alvo: micro e pequenas empresas e empreendedores da Cadeia Produtiva da Música do estado do Rio de Janeiro.

Confira abaixo as datas e horários dos cursos.

1. Determinação Empreendedora

Dias: 07, 08, 14, 15, 21 e 22 de junho (terças e quartas)

Horário: das 14h às 18h

2. Aprender a Empreender

Dias: 20, 27 de junho e 04, 11, 18 e 25 de julho

Horário: das 14h às 18h

Para fazer a inscrição basta entrar no site http://www.sindmusi.com.br/, fazer o download do formulário e enviar preenchido para o email sindmusi@sindmusi.org.br.

Sindicato dos Músicos Profissionais do Estado do RJ
Rua Alvaro Alvim, 24 – sala 405 – Centro – RJ

Cursos: “Determinação Empreendedora” e “Aprender a Empreender”

O SindMusi, em parceria com o SEBRAE/RJ, oferece os cursos: “Determinação Empreendedora” e “Aprender a Empreender”. Sócios SindMusi não pagam e não associados pagam a taxa de R$ 15. As vagas são limitadas.

Público alvo: micro e pequenas empresas e empreendedores da Cadeia Produtiva da Música do estado do Rio de Janeiro.

Confira abaixo as datas e horários dos cursos.

1. Determinação Empreendedora

Dias: 07, 08, 14, 15, 21 e 22 de junho (terças e quartas)

Horário: das 14h às 18h

2. Aprender a Empreender

Dias: 20, 27 de junho e 04, 11, 18 e 25 de julho

Horário: das 14h às 18h

Para fazer a inscrição basta entrar no site http://www.sindmusi.com.br/, fazer o download do formulário e enviar preenchido para o email sindmusi@sindmusi.org.br.

Sindicato dos Músicos Profissionais do Estado do RJ
Rua Alvaro Alvim, 24 – sala 405 – Centro – RJ

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