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Archive for maio, 2011

Criatividade, negócios e empreendedorismo na palestra de David Parrish

Na última quarta-feira, 11 de maio, realizou-se a palestra “Criatividade & Negócios”, por David Parrish, no Centro de Referência do Artesanato Brasileiro. O consultor em indústrias criativas trouxe da Inglaterra, seu país de origem – e onde surgiu o conceito de economia criativa -, sua metáfora entre “T-Shirts” (camisetas) e “Suits” (ternos) para mostrar que criatividade e negócios não são conceitos tão distantes um do outro como se poderia supor.

O palestrante transmitiu à audiência a importância de trazer certa mentalidade empresarial para dentro das atividades e produções criativas. Parrish cita: “ideias não o fazem rico; o que o faz rico é a correta execução de ideias”. Por isso, um ponto bastante enfatizado por ele é a necessidade de se proteger a criatividade, uma preocupação que nem sempre está no foco dos “T-Shirts”, para usar a metáfora acima.

Parrish comentou ainda a diferença entre o trabalhador e o empreendedor criativo. Segundo ele, o primeiro é aquele que se envolve presencialmente e mergulha numa produção que se esgota ao fim do dia. Já o segundo cria e administra um sistema que não só lhe dá mais liberdade, como é capaz gerar dinheiro mesmo enquanto o empresário dorme. Ele exemplifica com o caso de um fotógrafo que vende as suas fotos abrindo mão de seu direito sobre elas. O fotógrafo empreendedor licencia sua obra e, ao fazer isso, mantêm sua posse, controla o direito ao uso e, mesmo que a taxa de licenciamento estipulada por ele seja baixa se comparada à venda, pode gerar uma renda maior a longo prazo. Nessa direção, David argumentou o quanto é importante pensar e desenvolver negócios que façam esse licenciamento da produção intelectual.

Ainda como exemplo de empreendimento criativo, o palestrante falou sobre o Creative Commons, que permite ao autor usar licenças mais flexíveis para sua obra, em vez dos extremos “todos os direitos reservados” e “nenhum direito reservado”. Também foi levantada a popularização das práticas de crowdsourcing, que reconhece em outras pessoas a capacidade de ter boas ideias, ajudando os empreendedores a desenvolver seus negócios. Mais um exemplo levantado por Parrish é o do crowdfunding, que vem se tornando uma maneira efetiva de realizar projetos culturais através de financiamentos coletivos e colaborativos.

Ao final, o consultor revelou sua fórmula de sucesso nos negócios ao sugerir duas perguntas para a audiência: “o que você pode fazer que ninguém mais pode?” e “quem é, e onde está, o público para comprar o seu serviço?”. Para terminar, ele ofereceu um conselho: “alcance a sua própria versão de sucesso”.

Para saber mais sobre David Parrish, acesse seu site oficial e baixe gratuitamente o livro “T-Shirts & Suits: A guide to the Business of Creativity”.

O uso criativo do Bluetooth na distribuição de música: casos Tocaê e cumbia villera

Em poucas palavras, o Bluetooth é uma forma de conexão sem fio entre aparelhos. Essa tecnologia permite, por exemplo, que um documento seja impresso sem a necessidade de conexão do cabo USB, que um arquivo seja transferido para o telefone celular, e o emparelhamento de celulares – permitindo a troca de arquivos entre os aparelhos conectados via Bluetooth. Entre muitos outros usos, ele também pode ser usado criativamente como um canal de distribuição para a música, viabilizando negócios que dialogam com a tecnologia.

Ronaldo Lemos comenta sobre o caso do cumbia villera, gênero musical muito popular nos demais países da América Latina que se desenvolveu nas periferias a partir da cumbia e estabelece bastante diálogo com as novas tecnologias. Nos shows e nas ruas, o uso do Bluetooth é fundamental para realizar a circulação das músicas:

Um dos principais músicos da cena, conhecido como El Cave (abreviação de El Cavernícola, homem das cavernas em bom português), disse em uma entrevista que seu objetivo “é gritar nos bailes: liga aí o celular! E todos com os celulares ligados, ao menos mil com Bluetooth, e então soltar o sinal e mandar todas as nossas músicas para a galera”.

Outro uso interessante do Bluetooth para distribuir música é feito pela iniciativa tocaê, desenvolvido no Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife (C.E.S.A.R.), de Silvio Meira. Ele funciona da seguinte maneira: o tocaê instala pontos de conexão em determinados estabelecimentos e, com o Bluetooth do aparelho ligado, o consumidor baixa o aplicativo, instala no celular e insere créditos pré-pagos para comprar músicas do catálogo.

Ainda que pouco explorada, é cada vez mais comum essa opção de conectividade em telefones celulares, fazendo das duas experiências comentadas acima bons exemplos de como o Bluetooth pode se tornar, efetivamente, um novo canal de distribuição que valoriza a experiência presencial. Tanto o uso do ponto de conexão em quiosques quanto a distribuição “ao vivo” feita pelo El Cave apontam maneiras como a tecnologia pode reconfigurar os canais mais tradicionais de acesso à música.

Participe desse debate e comente abaixo: você conhece mais algum caso que utiliza o Bluetooth como um canal de distribuição musical?

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Nesta semana, palestra gratuita com consultor de empreendedores criativos

Na próxima quarta-feira, 11/05/2011, acontece no Centro de Referência do Artesanato Brasileiro a palestra gratuita “Criatividade e Negócios”, com David Parrish.

Direto da Inglaterra, país onde foi desenvolvido o conceito de “economia criativa”, David Parrish é especialista e consultor nas indústrias criativas, ajudando a desenvolver negócios negócios na sua terra natal e no mundo inteiro através de apresentações, workshops e treinos.

Sua proposta de combinar as pessoas criativas com o pensamento corporativo fica clara em seu livro “T-shirts and suits: a guide to the business of creativity”, que pode ser baixado gratuitamente aqui. A discussão do livro continua no blog, nos eventos que ele participa, no grupo do Facebook com mais de 4 mil membros inscritos e, em breve, no aplicativo para iPhone.

Participe. A entrada é franca, mas sujeita à lotação da sala.

“Criatividade e Negócios” com David Parrish (haverá tradução simultânea).
Data: 11/05/2011, das 15h às 16h30
Local: Centro de Referência do Artesanato Brasileiro
Endereço: Praça Tiradentes, nº 71 – Veja aqui como chegar.
Inscrições: 0800 570 0800

Por que criar novos modelos de negócio para a música

O avanço das tecnologias digitais influenciou definitivamente as formas de produção, circulação e consumo de música. Apesar dos desafios da geração de renda, nunca se produziu e se consumiu tanta música quanto hoje – e são vários os canais por onde podemos acessá-la. No entanto, é importante perceber também que as mudanças trazidas com a tecnologia não se operam somente do lado do consumo; os meios de gravação têm ficado cada vez mais acessíveis e baratos, mudando a forma como se produz música.

Muitos músicos hoje conseguem montar seus estúdios, inclusive, dentro da própria casa. O que está em jogo aqui é capacitar tecnologicamente um espaço, concentrando em um computador softwares de produção e edição musical. É claro que ainda é preciso fazer um investimento, mas o acesso aos meios de produção é mais democrático do que há alguns anos. Além disso, a produção de cópias em CD também é mais fácil e, caso o artista abra mão dessa materialidade, pode escoar sua produção direto pela internet, em redes sociais e sites de compartilhamento.

E é aqui que surgem outros desafios. Uma vez que a música está pronta, como levá-la para os consumidores? Já comentamos aqui sobre o problema da escassez das casas de shows. E, no plano da internet, fica a pergunta: como fazer a música circular pela rede e chegar ao seu público? Existem várias formas de fazer isso; não há uma cartilha a ser seguida. Aqui no blog do Estrombo, temos apresentado e discutido modelos de negócio, novos canais de distribuição, empreendimentos e iniciativas criativas, como a do crowdfunding, que se sobressaem no cenário atual ao propor soluções viáveis e sustentáveis para a geração de renda com a música. Vale dar uma navegada nas tags aqui à direita que reúnem os temas sobre os quais falamos nos posts.

Parte do desafio em desenvolver novos negócios está em conhecer como é e quem faz parte do mercado fonográfico atual. Para isso, é importante o mapeamento da cadeia produtiva da música e, também, que os profissionais da área estejam articulados e atentos para as possibilidades de geração de negócios. E há cada vez mais possibilidades a serem exploradas.

Toque no Brasil: geração de oportunidades para a circulação de música

Na atual configuração do mercado, onde a experiência do ao vivo é produto cada vez mais valorizado, é fundamental desenvolver negócios que viabilizem a circulação da música. Unindo interação e profissionalização, o Toque no Brasil (TNB) é um site de oportunidades para o mercado musical. Desde o seu início, em outubro do ano passado, ele vem experimentando um crescimento considerável. Começou com uma versão beta, limitada, que procurava explorar os principais pontos do projeto: agenciamento de shows — e oportunidades semelhantes — para artistas. No mês passado, o TNB inaugurou sua versão 2.0. Agora, é uma rede social, dando mais liberdade aos usuários através de um perfil customizável, interação com outros membros, compartilhamento de músicas, fotos, vídeos, sempre pensando na circulação da música e melhor aproveitamento das oportunidades, que podem ser desde apresentações ao vivo a participação em campanhas publicitárias e concursos.

Alguns parceiros importantes como Circuito Fora do Eixo, ABRAFIN, Casas Associadas e BM&A (Brazil Music Exchange) já se juntaram ao empreendimento e a plataforma segue crescendo. Até hoje, mais de 6.000 usuários se cadastraram em mais de 220 oportunidades abertas na rede. No total, mais de 2.500 bandas foram convocadas para oportunidades de trabalho.

Um dos idealizadoras, Caio Tendolini, afirma que o próximo passo é manter a evolução do site e fechar mais parcerias, agregando mais serviços aos usuários, buscando aproximação com plataformas de crowdfunding, lojas virtuais, venda de ingressos online, entre outros. Estão nos planos uma consolidação em território nacional e expansão para a América Latina.

Caio considera que o TNB é consequência natural da evolução do mercado da música no Brasil e no mundo. Em diálogo com as mudanças no mercado de música e com as oportunidades surgidas com o desenvolvimento tecnológico, o que está em jogo é o acesso a investimentos diretos e criação de redes que podem ser aproveitadas por qualquer artista: “A sustentabilidade desse mercado começa a depender cada vez mais de oportunidades de trabalho, em detrimento da venda de produtos. Ao mesmo tempo, a noção de estrela se enfraquece e o artista valorizado é aquele que entende e inova no uso da internet para se conectar com seu público. O TNB vem, então, para sanar alguns gargalos desse mercado musical reformulado”, diz Tendolini.

Nem sempre é fácil conduzir um projeto desse porte. Caio aponta os desafios de apresentar aos usuários a inovação do TNB e a gama de possibilidades oferecidas: “Dentro dessa dificuldade estão inseridas outras, como o acesso ainda restrito à internet no Brasil, e a consequente falta de prática de uso, mas estatísticas mostram que temos um grande potencial que já está se desenvolvendo.” Uma das soluções apontadas pelo empreendedor é a capacitação dos usuários para usar a internet como ferramenta de trabalho e geração de negócios.

“Estamos na era digital, onde não apenas podemos nos aproveitar da internet, como vemos que quem não o faz, fica para trás. Com a internet conseguimos romper a lógica industrial de competição e abrir a cabeça para a colaboração. Saímos do ‘do it yourself’ para o ‘do it together’: existe possibilidade de ganho para todos, de maneira colaborativa, mas para isso precisamos rever nossa mentalidade. Aí está o conceito do TNB, que é como aproveitar-se do ‘livre acesso’ à internet para potencializar sua carreira na música, a partir de cenários de colaboração e compartilhamento de práticas.”

Você conhece ou é usuário do TNB? Conte a sua experiência aqui nos comentários.

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