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Archive for março, 2011

Aplicativos mobile: bandas brasileiras que investem na tecnologia

Já comentamos algumas vezes aqui no Estrombo como o consumo musical via aplicativos móveis vem crescendo no últimos meses. Este novo canal de distribuição já vem sendo usado por bandas brasileiras para fazer a música circular.

Neste post, para analisar a realidade dos apps hoje, apresentamos casos independentes e ligados à indústria fonográfica: Projeto Axial, Móveis Coloniais de Acaju, Ultraje a Rigor e Restart.

Projeto Axial

Desde o lançamento do primeiro álbum, o Axial dialoga com as novas tecnologias fazendo o licenciamento via Creative Commons e liberando o download das músicas gratuitamente. O segundo trabalho da banda, Senóide (2007), também pode ser adquirido gratuitamente. O lançamento do álbum seguinte, Simbiose, veio em forma de aplicativo. O Bagagem pode ser baixado neste link e compila os três lançamentos do Axial. Vale a pena baixar o aplicativo – é gratuito – para ver como as músicas são apresentadas. É um forma muito interessante de agregar elementos gráficos à música digital.

Móveis Coloniais de Acaju

A banda de Brasília que, além de ter construído nos últimos anos um papel importante no cenário independente, também marca presença forte na web. Eles lançaram o último álbum C_MPL_TE também em forma de aplicativo, que pode ser acessado pela iTunes Store e instalado no iPhone e iPod Touch. O app contem todas as músicas do disco, cifras, vídeos, além de ser integrado com Twitter e agenda de shows.

Ultraje a Rigor

A veterana Ultraje a rigor também entrou no mercado dos aplicativos. Depois do app ser instalado no seu aparelho, é possível acessar a discografia inteira da banda em streaming, seguir no Twitter o Roger, vocalista do Ultraje, assistir a vídeos exclusivos da banda, navegar pelas galerias de fotos e sincronizar a agenda da banda com o seu calendário. Além disso, também possui integração com o Facebook e o site oficial da banda.

Restart

Outra banda que também possui o seu próprio aplicativo é a Restart. Depois de instalado no seu iPhone ou iPod Touch, é possível acessar as músicas da banda, ver os vídeos, acompanhar galerias de fotos e outros extras.

Os aplicativos são interessantes pois incorporam outros elementos à música digital a um preço mais acessível que o álbum. Assim como os quatro exemplos comentados, muitos deles são gratuitos. Por outro lado, a desvantagem não está necessariamente no aplicativo, mas no suporte. Enquanto o do Projeto Axial pode ser baixado em computadores, a maioria deles são acessíveis somente nos aparelhos da Apple iPod Touch e iPhone que, por causa da carga tributária aplicada a esse tipo de produto no Brasil, ainda são caros para o padrão brasileiro.

De toda forma, como vínhamos discutindo, os apps, se não apresentam a solução, apontam um caminho interessante para trabalhar a música gravada. Apesar de não gerar renda diretamente – já que a maioria é gratuita ou vendida a preços relativamente baixos – eles dialogam com os interesses do público e incorporam à cadeira produtiva da música desenvolvedores de software, programadores e também os consumidores que compartilham e ouvem música em suportes digitais.

Veja aqui nesse link, outros exemplos de aplicativos, dessa vez usados por artistas internacionais.

Leitura Recomendada: The álbum is dead, long live the app (Wired)

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Novos modelos de negócio nas redes sociais: aluguel de filmes no Facebook

O Facebook é a rede social que mais cresce no mundo, tendo hoje mais de 500 milhões de usuários ativos. Diferentemente de outras que se popularizaram nos últimos anos, os desenvolvedores da ferramenta vêm testando maneiras de rentabilizar o conteúdo que é compartilhado lá através dos aplicativos – que são principalmente produzidos por terceiros. Há dois anos, a empresa vem testando a monetização na rede pelo uso dos “Facebook credits”, créditos que os usuários compram para gastar em aplicativos e jogos como o Farmville e Mafia Wars.

Na semana passada, a Warner Movies fez um acordo com a rede social para oferecer o serviço de aluguel do filme “Batman – O Cavaleiros das Trevas”, um dos maiores sucessos recentes do estúdio. Através de um aplicativo, o filme pode ser alugado por 30 créditos do Facebook, o que equivale a US$ 3.

O que isso representa para a indústria do entretenimento?

A Warner Movies não é a primeira empresa a oferecer o aluguel de filmes na rede: plataformas grandes como a Netflix, iTunes e Hulu, que operam seus serviços fora do Brasil, possuem grandes catálogos e ainda não estão ameaçadas por essa iniciativa. Porém, é importante perceber como o estúdio aliou a experiência do entretenimento à rede social. Através do serviço oferecido, ele opera no Facebook uma verdade que todos já sabem: o consumo de bens culturais é, acima de tudo, social.

As redes sociais são comprovadamente um canal importante para a distribuição desses produtos. Nelas, é possível não só produzir informação, como também pode-se disponibilizar filmes e músicas. Iniciativas como a da Warner reforçam essa característica testando na rede social modelos de negócio para rentabilizar bens culturais.

Uma das propostas do Estrombo é capacitar a cadeia produtiva da música do estado do Rio de Janeiro para pensar e desenvolver modelos de negócio que integrem o mercado de música a tecnologias como as redes sociais através de aplicativos. Participe desse debate: como podemos usá-las para gerar negócios?

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Artista como marca: como fazer o branding da sua banda na web

Em linhas gerais, branding é o trabalho de gerenciamento de uma marca junto ao mercado. Normalmente, é visto como função de agências de publicidade, mas, na verdade, o branding vai além da simples propaganda: trata-se de uma série de ações e estratégias para construir a marca da melhor forma possível. É um trabalho constante, onde é preciso estar sempre em contato com seu público-alvo.

No mercado de música, entendemos o branding como a importância do artista se perceber e se posicionar no mercado como uma marca, seja contratando uma equipe especializada, seja se aventurando sozinho, no melhor estilo do it yourself. Nesse caso, é fundamental estar bem atento às questões de criação e fortalecimento da marca. Apesar de não existir somente um caminho a ser seguido, é preciso observar alguns elementos como: manter a confiança do seu público, a coerência nas suas ações, falas e imagem, e monitorar o que é publicado sobre você na internet.

A confiança é conquistada em interações constantes e respeitando a opinião do seu público, afinal ele é o principal responsável por fazer com que você tenha uma carreira seja bem-sucedida. Uma boa forma de desenvolver laços – e atrair mais gente – é realizar promoções, interagir (respondendo comentários, menções) e incentivar a participação em processos criativos (release, músicas, setlist de shows, remixes, mashups, entre outros).

Outro elemento importante no branding é a coerência. Dois fatores são fundamentais: a linguagem usada para construir a marca (a sua abordagem será mais pessoal ou mais “assessoria de imprensa”?) e a identidade visual, que deve estar integrada entre todos os seus sites e perfis em redes sociais (do Twitter ao YouTube), através de uma logomarca, elementos gráficos, padronização de cores e fontes usadas (quando há possibilidade de escolha).

A etapa final para um branding bem-sucedido é o monitoramento, onde observa-se o que é falado e publicado sobre a sua banda na internet. Dependendo do seu tempo, é possível fazê-lo de maneira mais detalhada usando o Google Analytics (que oferece relatório completo sobre o tráfego no seu site), o HootSuite (excelente ferramenta de publicação e monitoramento para Twitter), os dados de acesso na página do Facebook e o Google Alerta (que envia para o seu e-mail notícias contendo o termo escolhido para criar o alerta; por exemplo, o nome da sua banda). Essas são apenas algumas ferramentas; se preferir, procure outras mais adequadas às suas necessidades.

Para finalizar, uma boa dica para fazer o seu branding é pesquisar bandas que você admira e observar como elas interagem nas redes sociais e como eles integram a identidade visual às ferramentas que usam – no mundo da publicidade, chama-se essa pesquisa de benchmarking.

Pense no branding como uma etapa importante do processo de circulação da sua produção; a partir dele, você fortalece laços com o seu público e atrai mais fãs para a sua música.

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Relatório: “Pirataria de mídias nas economias emergentes”

À medida que a tecnologia digital fica mais barata e acessível, observa-se também o crescimento de pressões pelo endurecimento da legislação para a proteção de direitos autorais. O debate sobre o assunto é o tema da hora no Brasil e no mundo.

Nesta semana, foi lançado o relatório internacional “Media Piracy in Emerging Economies”, o primeiro estudo independente focado na relação econômica e social dos países emergentes com a pirataria. O extenso documento, elaborado pelo SSRC – Social Science Research Council, conta com estudos de caso que investigam a pirataria midiática – músicas, filmes e softwares – em seis mercados emergentes: África do Sul, Rússia, Brasil, México, Bolívia e Índia. São resultados de 3 anos de trabalho desenvolvidos por 35 pesquisadores nestes países.

O relatório está disponível para download neste link. O ex-ministro da Cultura Gilberto Gil observa que “este notável estudo deveria ser leitura obrigatória para qualquer pessoa preocupada com os direitos autorais e sua aplicação, ou com os desafios da globalização cultural”.

Algumas conclusões interessantes

A primeira delas pode parecer óbvia, mas é uma questão central para investigar a pirataria digital: os preços estão muito altos. A combinação entre os altos preços cobrados para o acesso a bens midiáticos, renda baixa e tecnologias digitais baratas é o principal ingrediente para a pirataria global apontado pelo estudo. Outra conclusão apontada no documento é que as companhas “anti-pirataria” falharam sistematicamente. Nessa mesma direção, conclui-se ainda que a repressão legal via processos cíveis e criminais não funcionou – de acordo com o estudo, mais de uma década de ações não resultou em qualquer impacto no fornecimento e consumo de bens piratas nos países emergentes.

“O dilema do consumidor”

O relatório pode ser baixado no site do Social Science Research Council, que criou uma licença especialmente para o lançamento desse documento. A licença chama-se Consumer’s Dilemma (“Dilema do Consumidor”) e oferece caminhos criativos para a aquisição do estudo. Primeiro, eles mapeiam o endereço de IP e os visitantes de países desenvolvidos são convidados a pagar US$ 8 para fazer o download; todos os outros endereços de IP, do Brasil inclusive, têm acesso gratuito. A outra possibilidade de aquisição é através da licença para “leitores comerciais”, que custa US$ 2000. E também é possível comprar a versão física – livro impresso sob demanda – que custa US$ 28.

Essa licença já sofreu algumas críticas, mas o coordenador do projeto Joe Karaganis argumenta nos seguintes termos: se você mora em um desses países listados como ‘alta-renda’ e quer ler o relatório, mas acredita que pagar US$ 8 é inviável, você certamente encontrará formas de adquiri-lo sem pagar. E, se você cair nos termos da licença “comercial”, também pode fazer como no caso anterior. A questão é que, em ambos os casos, o leitor encara um dilema: pagar o preço que deve ser pago, adquirir por canais “piratas” ou não se dar ao trabalho.

O argumento é que o “dilema”, na verdade, reflete os problemas discutidos nas pesquisas. É fato que os moradores de países de alta renda raramente são confrontados com a ideia de adquirir algo por canais piratas, já que os bens culturais em questão são feitos para eles, por eles e têm seus preços estipulados por eles – o que coloca os países emergentes em uma posição de desvantagem. O fator “alto preço” aqui é o catalisador principal do aumento da pirataria e redução do mercado legal de produtos midiáticos.

A licença “Consumer’s Dilema” é uma forma bem-humorada de reverter essa equação, mesmo que seja somente uma “encenação”. A simples escolha – pagar ou adquirir ilegalmente – pode resultar em penalidades cíveis e criminais, mesmo que estes exemplos sejam raros e arbitrários – e nesse caso, isso não acontecerá. Por isso, uma encenação do que acontece na vida real.

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No Brasil, o estudo foi conduzido pelo Instituto Overmundo e o Centro de Tecnologia e Sociedade da Fundação Getulio Vargas. Os pesquisadores envolvidos no país são: Pedro N. Mizukami, Oona Castro, Luiz Fernando Moncau e Ronaldo Lemos. A lista de colaboradores conta com Susana Abrantes, Olívia Bandeira, Thiago Camelo, Alex Dent, Joe Karaganis, Eduardo Magrani, Sabrina Pato, Elizete Ignácio dos Santos, Marcelo Simas e Pedro Souza.

A densidade dos dados apresentados ajudam a entender a relação entre direitos autorais e tecnologias digitais e, no caso dos países emergentes, o problema da produção e distribuição de bens midiáticos em um mercado legal e formalizado. Parte da experiência de pensar e criar novos modelos de negócio e canais de distribuição – proposta do Estrombo – passa pela necessidade de aprofundamento nesse tipo de pesquisa para, assim, criar modelos negócio que sejam realmente sustentáveis e condizentes com a realidade local.

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Empreendedorismo nas novas mídias: as redes sociais

Aqui no site do Estrombo vemos as formas como a tecnologia digital alterou profundamente a indústria da música, criando novos canais de distribuição de onde surgem oportunidades de geração de negócios.

As redes sociais já comprovaram sua funcionalidade como um canal de interação entre artistas e fãs, empresas e consumidores, mas – talvez por ainda estarmos presos na lógica de um modelo de negócios do passado – em termos gerais ainda falta uma certa visão empreendedora que enxergue essas novas mídias como oportunidade de gerar negócios.

O argumento é o seguinte: você dificilmente encontrará meios de sobreviver somente de música com a venda de fonogramas, principalmente se for iniciante; então, é preciso perceber o valor existente em outros elementos relacionados à sua produção musical. Eles podem não gerar renda de forma direta, mas irão trazer algum retorno. Essa regra vale tanto para artistas quanto para selos, estúdios, DJs, produtores e demais membros da cadeia produtiva da música. Num cenário onde o fonograma teve seu valor deslocado, é fundamental valorizar o relacionamento.

Como ser um empreendedor nas novas mídias?

É preciso, mais do que nunca, ter capacidade de inovação. Não há nada de errado em usar estratégias que já deram certo; mas pense que você poderá ser reconhecido e tido como referência a partir do que fizer de diferente – é uma forma de conseguir mais atenção para a sua música ou para o seu negócio.

Nas redes sociais, interaja com o seu público, faça promoções, dê músicas de graça se julgar adequado, entretenha e, principalmente, fortaleça laços com os fãs – são eles que acompanharão sua carreira ao longo dos anos e é principalmente por causa deles que você conseguirá viver de música.

Ainda é um cenário de experimentação, mas é fundamental desenvolver projetos, participar de feiras de negócios e buscar sempre maneiras de desenvolver essas possibilidades de empreendimento. A partir do conceito de economia criativa, a proposta é mostrar que há economia por trás de cada ideia e de cada projeto, onde milhões de pessoas se envolvem diariamente, muitas vezes de maneira informal ou desarticulada.

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