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Archive for fevereiro, 2011

A importância da formalização na música

Um dos objetivos do Projeto Estrombo é identificar os gargalos e necessidades da cadeia produtiva da música no estado do Rio de Janeiro a partir de um mapeamento de todos os agentes nesse circuito. Essa ação é fundamental para ajudar a formalizar e profissionalizar os diversos setores envolvidos no negócio da música.

As tecnologias digitais abriram novos canais de distribuição e também criaram novas formas de se fazer negócio em torno da música. Hoje existem, de fato, formas diversas dos artistas administrarem sua careira de forma completamente independente. Aos poucos, eles percebem a importância de se profissionalizar — e isso passa diretamente pela formalização. Ela torna possível gerar negócios formais com a música a partir de financiamentos, investimentos, contratações, editais etc. A ideia por trás disso é: os músicos que querem viver de música precisam tirar as ideias da cabeça e transformá-las em projetos e, dessa forma, passar a administrar sua arte como uma “empresa” onde se trabalha para si próprio.

Uma das possibilidades de formalização reside na figura jurídica do Empreendedor Individual (EI), que possui algumas vantagens como: fazer parte do Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ) e, a partir disso, obter benefícios legais como a emissão de notas ficais como PJ (pessoa jurídica) e poder participar de editais de financiamento e patrocínio. Além disso, sendo EI, o pagamento dos tributos garante acesso a benefícios previdenciários (como aposentadoria) e vantagens em obtenção de serviços financeiros como abertura de contas e linhas de crédito com juros mais baixos.

Você pode buscar mais informações sobre esse tipo de formalização no site do SEBRAE/RJ e também no Portal do Empreendedor.

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Dica de leitura: Música LTDA. – o negócio da música para empreendedores, de Leonardo Salazar (disponível para download no Overmundo).

Música no ambiente digital: direitos autorais e novos modelos de negócio

MP3 is not a crime . Muitos já viram este slogan circulando em camisetas ou exposto em blogs engajados em debates acerca da cultura digital. De fato, MP3 não é um crime. Segundo a Wikipedia em inglês, MP3 é apenas o nome dado a uma tecnologia de compressão digital de áudio, utilizada para armazenar qualquer tipo de som. Arquivos de áudio comprimidos usando essa tecnologia seriam, então, arquivos no formato MP3.

Por trás desse slogan, entretanto, há muito mais. O que está em discussão não é a simples legalidade do procedimento tecnológico, mas sim o debate em torno dos hábitos de compartilhamento que surgiram com a evolução das tecnologias de informação e comunicação, em especial da internet.

Trata-se de um contexto extremamente distinto daquele que encontrávamos 20, 10, ou mesmo 5 anos atrás. A cada ano, caem os custos de aquisição de computadores pessoais, aumenta a velocidade de conexão à internet, apresentam-se tecnologias mais sofisticadas e eficientes de compartilhamento. Hoje o acesso à internet via celular também já é uma realidade. Segundo dados da Anatel, o Brasil conta hoje com mais de 175 milhões de celulares.

Através do avanço da tecnologia, abrem-se novas possibilidades de produzir, distribuir e consumir a informação e a música. Mudam também os hábitos dos consumidores.

Com a redução do preço dos computadores e de outras tecnologias, o consumidor deixou de se tornar um simples receptor para tornar-se também um produtor de conteúdo, não só através da criação de suas obras mas também pela modificação de obras alheias, dando origem a um novo tipo de cultura baseado no remix .

Esta mudança ocorreu com uma velocidade avassaladora, atingindo em cheio o modelo de negócio do entretenimento consolidado ao longo do século XX, e tornando rapidamente obsoleta a legislação ligada ao direito autoral. Enquanto a internet avança em sua fúria liberalizante, a lei mantém regras rígidas para a circulação de conteúdo. Como conciliar essas duas engrenagens que se movem em sentidos opostos?

A lei de direitos autorais no Brasil

A lei de direito autoral brasileira – Lei 9.610/98 – data de 1998. Quando aprovada, a internet operava comercialmente no Brasil há apenas 3 anos e a primeira loja a vender músicas na rede para brasileiros sequer existia: surgiria somente no ano 2000.

É certo, portanto, que o legislador não poderia antever o compartilhamento em redes peer-to-peer (P2P), nem mesmo que a cópia digital seria feita em segundos sem perda relevante de qualidade. Jamais seria possível, em 1998, imaginar um regime jurídico para enquadrar provedores de serviço como o YouTube (criado em 2005), que se baseiam em conteúdo integralmente gerado por seus usuários.

Certas questões, portanto, estão abertas até hoje. Numa análise exclusivamente jurídica, o que se pode observar é que condutas que se tornaram triviais nos dias de hoje estão proibidas e muitas vezes criminalizadas pela nossa lei. O compartilhamento de obras protegidas por direito autoral é ilegal. Remixar um vídeo encontrado no YouTube, só com autorização expressa do seu autor. Colocar na rede aquele CD que não se encontra mais nas lojas também não pode.

A lei brasileira de direitos autorais estabelece que qualquer obra, imediatamente após a sua criação, está protegida pelo direito autoral independentemente de registro. Isso significa que qualquer uso (a não ser aqueles que encontram exceções previstas expressamente na própria lei) de qualquer obra depende de autorização do autor ou do titular dos direitos de autor. Dessa forma, todo o conteúdo que se encontra na rede presume-se protegido.

O problema não está, entretanto, na regra que confere proteção imediata às criações, mas na ausência de limitações e exceções ao direito de autor, que sejam compatíveis com a realidade tecnológica. Um exemplo é a proibição da cópia privada. No Brasil, só é permitida a cópia de pequenos trechos de obras para uso privado. Disso decorre que mesmo CDs adquiridos legalmente não podem ser convertidos em MP3 para uso pessoal.

Nesse sentido e contexto específico, o MP3 torna-se ilegal. Dessa forma, caem sob o rótulo de pirataria (violação dos direitos de autor) não só cópia em larga escala e com fins comerciais, mas também a prática do consumidor que reproduz com fins culturais, educacionais e sem intuito de lucro. Todos acabam na ilegalidade.

Seria razoável, portanto, flexibilizar a lei para manter como proibidas somente condutas mais graves e lesivas ao autor. Igualmente importante seria adequar os modelos de negócio da indústria que explora o mercado musical.

Ocorre que a indústria tradicional não parece disposta a aceitar mudanças que flexibilizem a lei. Afinal, da forma como está a regra atual, novos modelos de negócio que venham a surgir encontram extrema dificuldade em não violar a legislação e muitos deles acabam, por sua vez, na ilegalidade. A lei acaba servindo como um instrumento de proteção a modelos de negócio ultrapassados.

Apesar disso, há novas alternativas surgindo que mostram que a repressão ao compartilhamento não é a única alternativa viável para lucrar no mercado da música. É o que veremos no próximo item.

Novos modelos de negócio

A ruptura gerada pela ampliação do acesso aos meios digitais de produção e distribuição de música tirou das grandes gravadoras o tradicional papel de gatekeeper : na indústria fonográfica (não confundir com indústria musical), até o início dos anos 2000, as chamadas majors peneiravam sob critérios próprios quem da massa de artistas desejosos de gravar iria se tornar conhecido.

Conforme acontece hoje, investia-se em poucos artistas, mitigando o risco de insucesso nas vendas. Com a necessidade do suporte físico (fosse ele vinil, fita cassete ou CD) e a baixa qualidade de cópia, havia a escassez – para ouvir a música, o suporte físico era necessário. Entretanto, quando a música migra para o ambiente digital e passa a prescindir do suporte físico, a ideia de escassez deixa de fazer sentido.

Alie-se à tal ruptura a mudança na forma de consumo (música em vez de álbum, experimentação prévia à compra, cópia sem perda de qualidade) e a revolução gerada pela web 2.0 – na mídia tradicional, “emplacar” tendências e sucessos da música dependia bastante de uma influente assessoria de imprensa; na configuração atual, quem deseja conhecer novos artistas não mais se fia somente na grande mídia, mas sim em sistemas de recomendação baseados em reputação, redes sociais e blogs.

Hoje, no ambiente digital, um artista não necessita de quantia excepcional para realizar de forma autônoma os processos que antes cabiam às gravadoras: produção, promoção e distribuição. Softwares e plataformas que realizam cada uma dessas etapas podem ser encontrados gratuitamente na internet. Como resultado, milhões de artistas que em outros tempos não chegariam à público, têm hoje tal oportunidade.

Nesse ponto, surgiram dois novos desafios: como se destacar no meio de tantos outros artistas igualmente empoderados e como ser remunerado em tempos de compartilhamento livre?

Entra em cena o conceito de economia da atenção , segundo o qual esta seria um bem escasso e, por isso, valioso, em tempos de profusão de informação. Para os artistas, isso se traduz na necessidade de maior proximidade com seus fãs através de interação genuína, personalizada e feita de forma criativa, principalmente via redes sociais (como MySpace, Facebook, SoundCloud, TramaVirtual, ReverbNation, Orkut, Oi Novo Som, Indaba e BeatPortal) e plataformas de informação como o microblog Twitter e blogs.

O valor, pois, desloca-se do fonograma (e prioritariamente de seus suportes) e passa a residir na relação entre artista e fã: a experiência, o contexto. Muitos artistas já perceberam isso e contabilizam como vantajosa a disponibilização online gratuita de suas músicas em troca do estreitamento do canal de acesso a seu público, Mas como sustentar a produção artística?

Ganhando dinheiro com música na economia do grátis

A economia do grátis, ou freeconomics , é um conceito criado por Chris Anderson, editor da revista de tecnologia Wired e autor da teoria da cauda longa. O principal argumento de Anderson é o fato de os custos de armazenamento, distribuição e divulgação no mundo digital estarem rapidamente tendendo para o zero. Anderson propõe a capitalização, pela indústria do entretenimento, da irreversível realidade do compartilhamento de arquivos online.

Esta teria sido uma opção no início dos anos 2000, quando se popularizou o compartilhamento através de programas baseados em redes peer-to-peer , como o Napster. Entretanto, o caminho escolhido pela indústria foi outro: em 2001, a Recording Industry Association of America (RIAA) venceu batalha judicial contra o Napster sob acusação de violação da lei de direito autoral. O Napster fechou, enfurecendo os consumidores de música, mas imediatamente outros softwares P2P surgiram (como Limewire, eMule, Audiogalaxy e Soulseek) e a indústria fonográfica perdeu a oportunidade de aprender a lucrar com essa nova realidade.

Alternativas

Ao disponibilizar gratuitamente online suas gravações, o desenvolvimento de produtos e serviços premium como forma de obter lucro pode ser uma fonte alternativa de renda. É preciso inovar na criação e apresentação de produtos: ingressos de shows, peças de merchandising (como camisas, adesivos, bonés, buttons), edições físicas especiais de CDs, arquivo digital sem compressão para fins de remix, comercialização de faixas em sites de venda de música para quem deseje pagar pelo fonograma, acesso exclusivo a áreas (físicas e virtuais) e conteúdos, dentre tantos outros quanto o artista elabore, são alternativas.

Há que se citar ainda como importante forma de remuneração, ao lado das apresentações ao vivo, a sincronização e o licenciamento de música para obras audiovisuais e games. Websites como o Jamendo, Magnatune, BeatPick e YouLicense se propõem a atuar como canal de licenciamento para peças publicitárias, filmes e novelas, por exemplo.

Vários artistas vêm experimentando soluções criativas para engajamento com seus fãs. Amanda Palmer, líder do duo norte-americano Dresden Dolls, por exemplo, em novembro de 2009 levantou 19 mil dólares em 10 horas de atividades realizadas em conjunto com seus fãs via Twitter: criação colaborativa de camiseta temática que fazia referência àquele momento específico, leilão online de objetos pessoais e profissionais e apresentação em estúdio somente para convidados. O limite é a criatividade e o grau de engajamento com os fãs.

Com criatividade e um pouco de flexibilização, é possível lucrar sem criminalizar o consumidor. MP3, de fato, não precisa ser um crime.

Por Luiz Fernando Moncau e Paula Martini

(Artigo originalmente publicado na revista eletrônica de jornalismo científico “Com Ciência”)

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Economia criativa no Globo: "Tempo de criar"

Na rota da economia criativa, país começa a entender como a cultura pode valorizar bens e serviços

Um livro de biologia é um material didático. Já usar um game para ensinar a disciplina é uma manifestação da economia criativa. A diferença entre uma coisa e outra é o motor de um movimento que acaba de receber reforço no país, com a criação da Secretaria da Economia Criativa, pelo Ministério da Cultura: a habilidade de usar a criatividade e o conhecimento para produzir bens e serviços inovadores, capazes de gerar renda e empregos.

O exemplo acima é uma entre inúmeras possibilidades de negócios economicamente criativos. Idealizado há 13 anos na Inglaterra, mas ainda desconhecido no Brasil, o modelo vem sendo apropriado por empreendedores de diferentes segmentos de negócios — como moda, design, arquitetura, audiovisual, educação e novas mídias — que já entenderam como a arte e a cultura podem agregar valor a bens e serviços.

Rio ganhará incubadoras

Segundo estudo da Firjan, a cadeia da indústria criativa já representa 17,8% do PIB do Estado do Rio (cerca de R$ 54,6 bilhões) e emprega 82 mil pessoas. Números que, para Marcos André, coordenador de Economia Criativa da Secretaria de Estado de Cultura do Rio, revelam o potencial fluminense de transformar boas ideias em inovação. Parte delas, inclusive, está sendo avaliada pelo projeto Rio Criativo, que acaba de encerrar seu primeiro edital. De 124 planos de negócios recebidos, 24 serão desenvolvidos em duas incubadoras (uma no Porto e outra na Baixada, que serão inauguradas em maio) e quatro receberão consultoria virtual.

— Isso é só o início. Ainda há muito a ser feito, como identificar as vocações das cidades, organizar suas cadeias produtivas e pensar em políticas de fomento — diz André.

As irmãs Alessandra e Vanessa Wagner, da Zóia — que produz acessórios artesanais com design moderno — integram o time que contribui para essa roda girar. Após três anos incubada no Instituto Gênesis, da PUC-Rio, a empresa migrou para um escritório cinco vezes maior, no Centro, crescendo 20% no ano passado. Tudo porque acredita na criatividade como vantagem competitiva.

— A ideia é criar acessórios com linguagem própria, modelados um a um — diz Alessandra. — Brincamos que não fazemos joias nem bijuterias. Criamos zóias.

Expansão inibida por carência de qualificação e informação. Segmento criativo sofre com falta de incentivo e de políticas de fomento.

Apesar de o modelo de economia criativa estar ganhando projeção no país, especialistas afirmam que ao menos dois gargalos dificultam o seu desenvolvimento: falta de informação e carência de formação. O primeiro foi comprovado por enquete, no ar no site do Boa Chance, que pede para os leitores definirem economia criativa em 140 caracteres. A maioria associou o termo a sustentabilidade, meio ambiente e reaproveitamento do lixo.

Mas algumas pessoas já se apropriaram do conceito. No nosso Twitter (@boachance), onde a pergunta também foi postada, entretanto, a jornalista Fernanda Con’Andra respondeu que economia criativa significa “inteligência em novos modelos de negócios, novos processos, novas tecnologias, criatividade e inovações”. E buscamos também definições de especialistas, como as que estão em frases na capa do caderno.

É uma tecnologia que demanda e gera tecnologia de ponta, não polui, paga os melhores salários e tem como matéria-prima um recurso infinitamente renovável, ainda mais no Brasil: criatividade.
Ana de Hollanda, ministra da cultura

Todo espaço onde há mais dúvidas do que certezas, risco do que segurança, é movido a criatividade. Para mim, economia criativa são as perguntas, em oposição à indústria das respostas que caracterizou o século XX.
Silvio Meira, cientista-chefe do C.E.S.A.R

A nova moeda da economia é o conhecimento. E a vantagem competitiva, neste cenário, é a inovação, fruto da criatividade que desenvolve novos negócios, processos e tecnologias.
Jean Paul Jacob, pesquisador emérito da IBM

- Há uma dificuldade de conceituação. E de definir quais setores são criativos ou não, já que o movimento é recente. Muita gente ainda não sabe que está inserida nesse sistema e que pode se beneficiar dele – diz José Alberto Aranha, diretor do Instituto Gênesis, da PUC-Rio, que trabalha o desenvolvimento de empreendedores.

Para driblar a falta de conhecimento sobre o assunto, o Polo de Economia Criativa (PEC), na Gávea, acaba de ganhar um comitê formado por profissionais de diferentes áreas, como moda, design, teatro, música, cinema e gastronomia. A ideia é refletir sobre o futuro da economia criativa e elaborar ações estratégicas para transformar habilidades individuais em negócios sustentáveis, além de produzir material de pesquisa sobre as demandas do setor. O estabelecimento, criado em setembro, também oferece cursos para desenvolver a capacidade empreendedora.

— Queremos estabelecer uma rede de cooperação que estimule o intercâmbio de conhecimento, ideias e tecnologias, tornando o nosso mercado interno mais competitivo, inovador e multidisciplinar – explica Adriana Dias, idealizadora do projeto ao lado de Leonardo Edde, da Urca Filmes.

Quanto ao segundo gargalo, o da carência de formação, o projeto Rio Criativo já começou a criar soluções para amenizar o problema. De 27 de setembro a 14 de janeiro, ofereceu cursos sobre empreendedorismo, cultura e inovação a 2.780 candidatos à incubação. O objetivo, agora, é continuar dando subsídios para que talentos possam tirar suas ideias do papel.

— As incubadoras terão balcões de atendimento para tirar dúvidas do público em geral. Também vamos organizar debates e rodadas de negócio para abrir a cabeça das pessoas. Queremos que elas comecem a pensar nos segmentos que vão movimentar a economia do estado após o boom do petróleo, como turismo cultural, produção de eventos e educação. Afinal, a matéria-prima se esgota, mas a criatividade não — diz Marcos André, da coordenação de Economia Criativa da Secretaria de Estado e Cultura, criada no ano passado.

Com investimento de R$ 2 milhões do Ministério da Cultura, as incubadoras — que oferecerão estrutura para empresários sediarem empreendimentos por até 18 meses — têm chamado a atenção de outros estados pelo seu pioneirismo. Os governos de Pernambuco, Bahia e Santa Catarina já entraram em contato com a secretaria, interessados em reproduzir o modelo. Para Cezar Vasquez, diretor-superintendente do Sebrae do Rio, a iniciativa é um passo importante para a elaboração de uma estratégia focada na identificação de talentos e transformação de ideias em inovação:

— A criatividade e o imaterial passaram a ser elementos decisivos do processo produtivo. E o Rio é o estado brasileiro que mais concentra pessoas trabalhando em setores criativos. Temos vocação natural para a diversidade, para a criação de fluxos entre diferentes áreas e formação de redes. Mas ainda faltam ações e políticas públicas de articulação.

Uma das contribuições do Sebrae para a expansão da economia criativa no Rio é o lançamento do projeto Estrombo, em dezembro, para desenvolver a indústria da música no estado. Feita em parceria com o Fundo Multilateral de Investimentos do Banco Interamericano de Desenvolvimento (Fomin/BID), a Fundação Getúlio Vargas (FGV) e o Facebook, a iniciativa capacita, formaliza e apoia, por três anos, pessoas e empreendimentos ligados à música para trabalharem com novas tecnologias, como canais de distribuição digitais.

— A cadeia produtiva da música ainda carece de profissionalização e formalização para atingir seu potencial de gerar renda e emprego — diz Vasquez, frisando que o Estrombo é o primeiro projeto de economia criativa apoiado pelo BID no mundo e que servirá de modelo para outros latino-americanos.

Segundo estudo da Firjan, as oportunidades crescentes de negócios na indústria criativa têm incentivado alunos a optarem por carreiras relacionadas à área. Em 2006, de um total de 737 mil formandos no país, 90 mil eram de 118 cursos relacionados ao setor. No Rio, a proporção foi ainda maior: 13,3% dos 74 mil formandos optaram por carreiras criativas.

É o caso das empresárias Bárbara Cruz, formada em desenho industrial e moda; Eduarda Araújo, também graduada em desenho industrial; e Joana Contino, que tem diploma de jornalista. Juntas, elas comandam a Santas, na Gávea , que vende roupas e acessórios com toques artesanais, fibras naturais e temas inspirados na cultura popular.

— Somos parte desse movimento: investimos em peças exclusivas, que fogem da moda da estação — resume Joana.

(Fonte: O Globo: Boa Chance – 6 de fevereiro de 2011)

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Economia criativa no Globo: “Tempo de criar”

Na rota da economia criativa, país começa a entender como a cultura pode valorizar bens e serviços

Um livro de biologia é um material didático. Já usar um game para ensinar a disciplina é uma manifestação da economia criativa. A diferença entre uma coisa e outra é o motor de um movimento que acaba de receber reforço no país, com a criação da Secretaria da Economia Criativa, pelo Ministério da Cultura: a habilidade de usar a criatividade e o conhecimento para produzir bens e serviços inovadores, capazes de gerar renda e empregos.

O exemplo acima é uma entre inúmeras possibilidades de negócios economicamente criativos. Idealizado há 13 anos na Inglaterra, mas ainda desconhecido no Brasil, o modelo vem sendo apropriado por empreendedores de diferentes segmentos de negócios — como moda, design, arquitetura, audiovisual, educação e novas mídias — que já entenderam como a arte e a cultura podem agregar valor a bens e serviços.

Rio ganhará incubadoras

Segundo estudo da Firjan, a cadeia da indústria criativa já representa 17,8% do PIB do Estado do Rio (cerca de R$ 54,6 bilhões) e emprega 82 mil pessoas. Números que, para Marcos André, coordenador de Economia Criativa da Secretaria de Estado de Cultura do Rio, revelam o potencial fluminense de transformar boas ideias em inovação. Parte delas, inclusive, está sendo avaliada pelo projeto Rio Criativo, que acaba de encerrar seu primeiro edital. De 124 planos de negócios recebidos, 24 serão desenvolvidos em duas incubadoras (uma no Porto e outra na Baixada, que serão inauguradas em maio) e quatro receberão consultoria virtual.

— Isso é só o início. Ainda há muito a ser feito, como identificar as vocações das cidades, organizar suas cadeias produtivas e pensar em políticas de fomento — diz André.

As irmãs Alessandra e Vanessa Wagner, da Zóia — que produz acessórios artesanais com design moderno — integram o time que contribui para essa roda girar. Após três anos incubada no Instituto Gênesis, da PUC-Rio, a empresa migrou para um escritório cinco vezes maior, no Centro, crescendo 20% no ano passado. Tudo porque acredita na criatividade como vantagem competitiva.

— A ideia é criar acessórios com linguagem própria, modelados um a um — diz Alessandra. — Brincamos que não fazemos joias nem bijuterias. Criamos zóias.

Expansão inibida por carência de qualificação e informação. Segmento criativo sofre com falta de incentivo e de políticas de fomento.

Apesar de o modelo de economia criativa estar ganhando projeção no país, especialistas afirmam que ao menos dois gargalos dificultam o seu desenvolvimento: falta de informação e carência de formação. O primeiro foi comprovado por enquete, no ar no site do Boa Chance, que pede para os leitores definirem economia criativa em 140 caracteres. A maioria associou o termo a sustentabilidade, meio ambiente e reaproveitamento do lixo.

Mas algumas pessoas já se apropriaram do conceito. No nosso Twitter (@boachance), onde a pergunta também foi postada, entretanto, a jornalista Fernanda Con’Andra respondeu que economia criativa significa “inteligência em novos modelos de negócios, novos processos, novas tecnologias, criatividade e inovações”. E buscamos também definições de especialistas, como as que estão em frases na capa do caderno.

É uma tecnologia que demanda e gera tecnologia de ponta, não polui, paga os melhores salários e tem como matéria-prima um recurso infinitamente renovável, ainda mais no Brasil: criatividade.
Ana de Hollanda, ministra da cultura

Todo espaço onde há mais dúvidas do que certezas, risco do que segurança, é movido a criatividade. Para mim, economia criativa são as perguntas, em oposição à indústria das respostas que caracterizou o século XX.
Silvio Meira, cientista-chefe do C.E.S.A.R

A nova moeda da economia é o conhecimento. E a vantagem competitiva, neste cenário, é a inovação, fruto da criatividade que desenvolve novos negócios, processos e tecnologias.
Jean Paul Jacob, pesquisador emérito da IBM

- Há uma dificuldade de conceituação. E de definir quais setores são criativos ou não, já que o movimento é recente. Muita gente ainda não sabe que está inserida nesse sistema e que pode se beneficiar dele – diz José Alberto Aranha, diretor do Instituto Gênesis, da PUC-Rio, que trabalha o desenvolvimento de empreendedores.

Para driblar a falta de conhecimento sobre o assunto, o Polo de Economia Criativa (PEC), na Gávea, acaba de ganhar um comitê formado por profissionais de diferentes áreas, como moda, design, teatro, música, cinema e gastronomia. A ideia é refletir sobre o futuro da economia criativa e elaborar ações estratégicas para transformar habilidades individuais em negócios sustentáveis, além de produzir material de pesquisa sobre as demandas do setor. O estabelecimento, criado em setembro, também oferece cursos para desenvolver a capacidade empreendedora.

— Queremos estabelecer uma rede de cooperação que estimule o intercâmbio de conhecimento, ideias e tecnologias, tornando o nosso mercado interno mais competitivo, inovador e multidisciplinar – explica Adriana Dias, idealizadora do projeto ao lado de Leonardo Edde, da Urca Filmes.

Quanto ao segundo gargalo, o da carência de formação, o projeto Rio Criativo já começou a criar soluções para amenizar o problema. De 27 de setembro a 14 de janeiro, ofereceu cursos sobre empreendedorismo, cultura e inovação a 2.780 candidatos à incubação. O objetivo, agora, é continuar dando subsídios para que talentos possam tirar suas ideias do papel.

— As incubadoras terão balcões de atendimento para tirar dúvidas do público em geral. Também vamos organizar debates e rodadas de negócio para abrir a cabeça das pessoas. Queremos que elas comecem a pensar nos segmentos que vão movimentar a economia do estado após o boom do petróleo, como turismo cultural, produção de eventos e educação. Afinal, a matéria-prima se esgota, mas a criatividade não — diz Marcos André, da coordenação de Economia Criativa da Secretaria de Estado e Cultura, criada no ano passado.

Com investimento de R$ 2 milhões do Ministério da Cultura, as incubadoras — que oferecerão estrutura para empresários sediarem empreendimentos por até 18 meses — têm chamado a atenção de outros estados pelo seu pioneirismo. Os governos de Pernambuco, Bahia e Santa Catarina já entraram em contato com a secretaria, interessados em reproduzir o modelo. Para Cezar Vasquez, diretor-superintendente do Sebrae do Rio, a iniciativa é um passo importante para a elaboração de uma estratégia focada na identificação de talentos e transformação de ideias em inovação:

— A criatividade e o imaterial passaram a ser elementos decisivos do processo produtivo. E o Rio é o estado brasileiro que mais concentra pessoas trabalhando em setores criativos. Temos vocação natural para a diversidade, para a criação de fluxos entre diferentes áreas e formação de redes. Mas ainda faltam ações e políticas públicas de articulação.

Uma das contribuições do Sebrae para a expansão da economia criativa no Rio é o lançamento do projeto Estrombo, em dezembro, para desenvolver a indústria da música no estado. Feita em parceria com o Fundo Multilateral de Investimentos do Banco Interamericano de Desenvolvimento (Fomin/BID), a Fundação Getúlio Vargas (FGV) e o Facebook, a iniciativa capacita, formaliza e apoia, por três anos, pessoas e empreendimentos ligados à música para trabalharem com novas tecnologias, como canais de distribuição digitais.

— A cadeia produtiva da música ainda carece de profissionalização e formalização para atingir seu potencial de gerar renda e emprego — diz Vasquez, frisando que o Estrombo é o primeiro projeto de economia criativa apoiado pelo BID no mundo e que servirá de modelo para outros latino-americanos.

Segundo estudo da Firjan, as oportunidades crescentes de negócios na indústria criativa têm incentivado alunos a optarem por carreiras relacionadas à área. Em 2006, de um total de 737 mil formandos no país, 90 mil eram de 118 cursos relacionados ao setor. No Rio, a proporção foi ainda maior: 13,3% dos 74 mil formandos optaram por carreiras criativas.

É o caso das empresárias Bárbara Cruz, formada em desenho industrial e moda; Eduarda Araújo, também graduada em desenho industrial; e Joana Contino, que tem diploma de jornalista. Juntas, elas comandam a Santas, na Gávea , que vende roupas e acessórios com toques artesanais, fibras naturais e temas inspirados na cultura popular.

— Somos parte desse movimento: investimos em peças exclusivas, que fogem da moda da estação — resume Joana.

(Fonte: O Globo: Boa Chance – 6 de fevereiro de 2011)

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Consumo de música na internet: novas práticas e novos modelos de negócio

Apesar do discurso de crise, o ambiente digital está repleto de possibilidades para a indústria da música. Para conhecer melhor esse terreno, deve-se sempre buscar dados sobre o público – afinal, é ele quem consome a música que é disponibilizada na rede. Recentemente, a Nielsen Consultoria apresentou um relatório sobre o consumo de música e hábitos de escuta musical a partir de questionários feitos com 26.644 pessoas em 53 países. O relatório (que pode ser baixado gratuitamente neste link) apresenta dados interessantes para todas as pontas da cadeia produtiva que pensam como ampliar o alcance da música na internet.

Hoje o consumo musical é fragmentado e, apesar de gerar mais oportunidades, se torna também mais complexo. Isso quer dizer que o público também é segmentado, pois nem todos dividem os mesmos hábitos e consomem música da mesma forma: hoje existem diversas maneiras de levar a música ao consumidor e todas elas são igualmente importantes. Porque o público não é homogêneo: há fãs que preferem ouvir música no mp3 player, outros preferem o CD, outros usam o YouTube. Por isso, o produto deve ser oferecido por diferentes vias, dentro das possibilidades.

Um dado interessante da pesquisa é a constatação do aumento do consumo de música através de vídeos. Portanto, é importante dar atenção ao audiovisual e prestar atenção à qualidade do áudio. Fãs gostam de ver os seus artistas preferidos além de ouvi-los. E não estamos falando somente de videoclipes: registros de shows, entrevistas e webdiários também entram nessa leva. Em outra direção, vale considerar a possibilidade de oferecer algumas músicas gratuitamente via download; isso pode se tornar uma estratégia promocional eficiente, gerando interesse e fidelização do público. Pra finalizar, esteja presente nas redes sociais – certamente é onde o seu público está. Em textos anteriores, comentamos o potencial de reverberação da comunicação nas redes sociais. Apesar de demandar tempo e dedicação, é a forma mais fácil e barata de interagir com o público.

É importante pensar de forma estratégica. A tecnologia digital criou diversos canais para o consumo de música, mas a música não circula sozinha. O Projeto Estrombo foi criado para mapear os gargalos da cadeia produtiva da música do Rio de Janeiro e gerar conhecimento em torno dessas questões através de capacitação, formalização e desenvolvimento de mercados para a música como games, celular e redes sociais. Acompanhe-nos também nas nossas redes: Twitter, Facebook, YouTube e Flickr.

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