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Luz no fim do túnel: serviços de streaming fazem diminuir a pirataria de músicas

Um estudo da NPD Group mostrou que a quantidade de downloads de músicas ilegais teve uma redução de 26% em 2012 em relação ao ano anterior. Além disso, 40% das pessoas entrevistadas que em 2011 baixavam músicas ilegamente abandonaram a prática no ano seguinte.

Segundo a pesquisa, o motivo citado por mais da metade das pessoas que pararam de baixar músicas foi o uso de serviços de streaming, como o Spotify. Concorrente do Rdio e do Deezer, o aplicativo funciona como um “Netflix de áudio”. Basta assinar o serviço e, mediante pagamento de uma taxa mensal de aproximadamente R$ 20, você tem direito de ouvir diversos álbuns, sem limite de tempo ou quantidade.

No entanto, é uma ilusão imaginar que as pessoas, majoritariamente, pagam pelo conteúdo que consomem na internet. Apesar do crescimento dos serviços legais e pagos de distribuição de conteúdo (como o Spotify e o Netflix), é notório que o usuário da internet como um todo tende a preferir as plataformas legais e gratuitas (como o YouTube) ou simplesmente ilegais e gratuitas (caso de sites como Grooveshark, para música, e de inúmeros outras plataformas que contam com conteúdo em streaming de filmes e séries).


Apesar de não mensurada nesse estudo em particular, a disponibilidade instantânea, via streaming, de conteúdo pirata, certamente contribuiu para que as pessoas baixassem menos torrents. Isso não significa que elas consomem menos conteúdo protegido por copyright, apenas que fazem menos downloads. Logo, é preciso ver os resultados com cautela.

De acordo com o estudo, outro motivo para o abandono do download ilegal de música é o medo de vírus e spywares que muitas vezes são distribuídos por sites que oferecem esses conteúdos atualmente. O fechamento de serviços favoritos de download (talvez o Megaupload?) foi a razão de 20% terem abandonado a prática de baixar músicas. 44% dos entrevistados também pararam de ripar CDs (copiá-los para o computador), prática comum na década de 2000. “Entre outros fatores, o aumento no uso de serviços de streaming legais e licenciados se provou uma alternativa para os fãs da música que antigamente usavam redes P2P para conseguir as canções”, disse Russ Crupnick , vice-presidente da NPD, esperançoso.

Caso você seja músico, e queira embarcar de vez nesta onda de streaming e disponibilizar suas músicas nestes canais, confira os artigos que preparamos ‘Como faço para ter minhas músicas em serviços de streaming?’ e também ‘Como inserir suas músicas na Itunes Store’.

Com informações dos sites Canal Tech, TechTudo e Olhar Digital.

O compartilhamento de música pode estimular vendas de discos?

Foto: Mixdown!, por spaceamoeba, CC BY-SA 2.0

Pesquisa recente da universidade North Carolina State mostrou que o compartilhamento de música via torrents não consegue provar a queda na arrecadação com a venda de discos. Os dados, levantados pelo economista Robert Hammond através de um servidor BitTorrent, forneceram a base para um mapeamento onde o pesquisador procurou buscar relações entre discos que “vazaram” na rede antes da hora e as unidades vendidas após o lançamento.

O estudo aponta dois dados interessantes. O primeiro, é que o disco “vazado” pode funcionar como uma propaganda, antecipando o lançamento oficial e aumentando o boca-a-boca, onde mais pessoas acabam sendo estimuladas por essas gravações. O segundo é que artistas maiores tendem a se beneficiar mais do vazamento do que os menos conhecidos.

É claro que as estratégias de lançamento de discos devem ser levadas a sério e contratempos como esses podem desestabilizar planos concebidos e executados ao longo de semanas ou meses. Mas e se o vazamento for parte da estratégia?

Especulações à parte, o que o estudo mostra de uma maneira geral é que a suposição do compartilhamento de música como prejudicador da indústria fonográfica é muito mais complexa do que se supunha. O próprio BitTorrent, por exemplo, faz parcerias com artistas usando o seu sistema para oferecer músicas ao público. É o caso da banda Counting Crows, que disponibilizou conteúdo exclusivo do novo álbum através de torrent.

O que está em jogo aqui é entender os torrents como canais de circulação e distribuição de música. Usado estrategicamente, o mecanismo pode ser usado para espalhar a música pelas redes e, claro, estimular novos negócios em música. Em vez de apenas vislumbrar o lado da pirataria, pode-se tentar enxergar o potencial produtivo de ferramentas e práticas propagandeadas como negativas pela indústria tradicional.

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Foto: Mixdown!, por spaceamoeba, CC BY-SA 2.0

Direitos autorais na música: buscando o equilíbrio entre a lei e a prática social

Apesar de ter ganho espaço nas conversas ultimamente, o debate sobre a revisão da legislação de diretos autorais frente às novas práticas de consumo no meio digital ainda precisa caminhar um longo percurso. A questão principal é que as regras que dominaram ao longo do século XX não atendem às demandas da realidade atual. No caso da música, se antes as gravadoras e editoras controlavam as etapas de produção, distribuição e venda de fonogramas, hoje esse processo é mais aberto e, de certa maneira, fora de seu controle – e, em muitos casos, totalmente controlado pelo artista. E aí começam os desafios para a indústria tradicional.

Um dos principais é o uso considerado “indevido”, por parte dos consumidores, como o uso de músicas sem autorização em materiais diversos – de remixes e mash-ups a trilhas sonoras de vídeos – e o compartilhamento por redes peer-to-peer. Com o crescimento dessa atividade nos últimos anos, afinal nunca se reusou tanto as obras alheias como recurso criativo, a única resposta possível para a indústria tradicional (desde o episódio do Napster, uma década atrás), parecia ser a da coerção: interrompam o funcionamento dos softwares! processem criminalmente usuários e desenvolvedores!

Se, por um lado, paira no ar o sentimento de que “não há mais jeito”, pois os consumidores continuarão compartilhando música e usando-a da maneira que lhes convier, por outro, os detentores dos direitos sobre as composições e os fonogramas precisam recuperar pelo menos parte do rendimento investido na produção das músicas. Afinal, esse dinheiro pagaria os custos de manufatura, hospedagem, gravação e os próprios funcionários envolvidos na criação e na distribuição do material.

Ainda não há uma resposta consolidada. O que há são novos (e criativos) modelos de negócio surgindo a cada dia, explorando a rede e as novas tecnologias digitais, como celulares e jogos eletrônicos, para gerar receita. Algumas empresas, ainda insistindo na tentativa de reaver os lucros de outrora, preferem partir para a repressão a dar o braço a torcer e tentar descobrir como fazer novos negócios com música. Outras, vão justamente testar modelos diferentes e buscar a inovação, investindo em tecnologia e parcerias com outros agentes, como as comunidades de fãs, blogueiros e provedores de internet.

Sobre o assunto – e novas formas criativas de lidar com os negócios na música -, vale assistir ao programa Mod MTV sobre pirataria, apresentado por Ronaldo Lemos, coordenador do Estrombo na FGV. Nele há uma entrevista com a banda Metric, com o pesquisador Joe Karaganis (coordenador da pesquisa internacional sobre pirataria do SSRC), Amanda Palmer (artista sobre a qual também já falamos aqui no blog do Estrombo) e mais.

Enquanto não alcançamos modelos ideais de negócio, o que precisa mudar no direito autoral para beneficiar tanto gravadoras, quanto artistas, distribuidores e consumidores?

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Dica: Ouça o podcast #05 do Bagagem com Sérgio Branco, do CTS-FGV, sobre direito autoral.

Lessig e Gil comandam debate sobre música, internet e políticas públicas

O debate “Música: a fronteira do futuro – criatividade, tecnologia e políticas públicas” reuniu um time de peso no último dia 24, no Auditório Ibirapuera, para discutir cultura, tecnologia e política. Em tempos de polêmica no ECAD, no Ministério da Cultura e a necessidade de atualização da legislação de direitos autorais, uma conversa como essa faz-se fundamental, pois não somente expõe problemas, como aponta caminhos possíveis para a cadeia produtiva da música e da cultura como um todo. O evento foi realizado pelo Centro de Estudos do Auditório Ibirapuera em parceria com a Casa da Cultura Digital, o Centro de Tecnologia e Sociedade da Fundação Getúlio Vargas (CTS-FGV), co-gestor do Estrombo e o Instituto Overmundo, parceiro do Estrombo.

Depois da abertura com o vídeo Remixofagia, o professor de direito em Harvard e criador do Creative Commons, Lawrence Lessig, discursou sobre direito autoral e democracia baseada na abertura e no compartilhamento. Colocando o Brasil como um expoente importante no cenário mundial, principalmente com os avanços na gestão do Ministro da Cultura Gilberto Gil à frente do MinC, Lessig fez um apelo: “vocês no Brasil precisam pegar e nos mostrar o que pode ser feito dessa revolução. Vamos deixar o Brasil liderar essa luta novamente.”

Adiante, os participantes da mesa expuseram à plateia seus argumentos sobre as liberdades e cerceamentos que vêm ocorrendo na internet. Essa discussão cresceu bastante nos últimos meses e, atualmente, estamos em um momento crítico para debatermos essas questões, levantadas pelos palestrantes Sergio Amadeu, Ivana Bentes, Gilberto Gil, Danilo Miranda, Claudio Prado e a deputada Manuela D’Ávila.

Ronaldo Lemos, diretor do Creative Commons Brasil e coordenador do Estrombo no CTS-FGV, ponderou que “os princípios da internet como descentralização, transparência, inovação e acesso sem barreiras tem o potencial de influenciar as instituições: a política, o estado e a criação de leis”. É essa a luta que vemos tomar força nos últimos anos.

A indústria da música está diretamente relacionada aos pontos debatidos, justamente porque foi a primeira que sentiu grandes abalos com o compartilhamento de arquivos e novas formas de acesso, produção e distribuição que dispensam as vias tradicionais e legitimadas pelo mercado. Numa tentativa de frear uma situação inevitável, empresas moveram ações judiciais contra consumidores e desenvolvedores de softwares ao invés de reverem seu modelo de negócios, inoperante no momento atual. Por isso, o debate se faz necessário para encontrarmos o meio do caminho: como levar a música para esse novo cenário, sem abrir mão das nossas liberdades?

Assista o vídeo do evento aqui.

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* Com informações de Aline Carvalho.

Relatório: “Pirataria de mídias nas economias emergentes”

À medida que a tecnologia digital fica mais barata e acessível, observa-se também o crescimento de pressões pelo endurecimento da legislação para a proteção de direitos autorais. O debate sobre o assunto é o tema da hora no Brasil e no mundo.

Nesta semana, foi lançado o relatório internacional “Media Piracy in Emerging Economies”, o primeiro estudo independente focado na relação econômica e social dos países emergentes com a pirataria. O extenso documento, elaborado pelo SSRC – Social Science Research Council, conta com estudos de caso que investigam a pirataria midiática – músicas, filmes e softwares – em seis mercados emergentes: África do Sul, Rússia, Brasil, México, Bolívia e Índia. São resultados de 3 anos de trabalho desenvolvidos por 35 pesquisadores nestes países.

O relatório está disponível para download neste link. O ex-ministro da Cultura Gilberto Gil observa que “este notável estudo deveria ser leitura obrigatória para qualquer pessoa preocupada com os direitos autorais e sua aplicação, ou com os desafios da globalização cultural”.

Algumas conclusões interessantes

A primeira delas pode parecer óbvia, mas é uma questão central para investigar a pirataria digital: os preços estão muito altos. A combinação entre os altos preços cobrados para o acesso a bens midiáticos, renda baixa e tecnologias digitais baratas é o principal ingrediente para a pirataria global apontado pelo estudo. Outra conclusão apontada no documento é que as companhas “anti-pirataria” falharam sistematicamente. Nessa mesma direção, conclui-se ainda que a repressão legal via processos cíveis e criminais não funcionou – de acordo com o estudo, mais de uma década de ações não resultou em qualquer impacto no fornecimento e consumo de bens piratas nos países emergentes.

“O dilema do consumidor”

O relatório pode ser baixado no site do Social Science Research Council, que criou uma licença especialmente para o lançamento desse documento. A licença chama-se Consumer’s Dilemma (“Dilema do Consumidor”) e oferece caminhos criativos para a aquisição do estudo. Primeiro, eles mapeiam o endereço de IP e os visitantes de países desenvolvidos são convidados a pagar US$ 8 para fazer o download; todos os outros endereços de IP, do Brasil inclusive, têm acesso gratuito. A outra possibilidade de aquisição é através da licença para “leitores comerciais”, que custa US$ 2000. E também é possível comprar a versão física – livro impresso sob demanda – que custa US$ 28.

Essa licença já sofreu algumas críticas, mas o coordenador do projeto Joe Karaganis argumenta nos seguintes termos: se você mora em um desses países listados como ‘alta-renda’ e quer ler o relatório, mas acredita que pagar US$ 8 é inviável, você certamente encontrará formas de adquiri-lo sem pagar. E, se você cair nos termos da licença “comercial”, também pode fazer como no caso anterior. A questão é que, em ambos os casos, o leitor encara um dilema: pagar o preço que deve ser pago, adquirir por canais “piratas” ou não se dar ao trabalho.

O argumento é que o “dilema”, na verdade, reflete os problemas discutidos nas pesquisas. É fato que os moradores de países de alta renda raramente são confrontados com a ideia de adquirir algo por canais piratas, já que os bens culturais em questão são feitos para eles, por eles e têm seus preços estipulados por eles – o que coloca os países emergentes em uma posição de desvantagem. O fator “alto preço” aqui é o catalisador principal do aumento da pirataria e redução do mercado legal de produtos midiáticos.

A licença “Consumer’s Dilema” é uma forma bem-humorada de reverter essa equação, mesmo que seja somente uma “encenação”. A simples escolha – pagar ou adquirir ilegalmente – pode resultar em penalidades cíveis e criminais, mesmo que estes exemplos sejam raros e arbitrários – e nesse caso, isso não acontecerá. Por isso, uma encenação do que acontece na vida real.

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No Brasil, o estudo foi conduzido pelo Instituto Overmundo e o Centro de Tecnologia e Sociedade da Fundação Getulio Vargas. Os pesquisadores envolvidos no país são: Pedro N. Mizukami, Oona Castro, Luiz Fernando Moncau e Ronaldo Lemos. A lista de colaboradores conta com Susana Abrantes, Olívia Bandeira, Thiago Camelo, Alex Dent, Joe Karaganis, Eduardo Magrani, Sabrina Pato, Elizete Ignácio dos Santos, Marcelo Simas e Pedro Souza.

A densidade dos dados apresentados ajudam a entender a relação entre direitos autorais e tecnologias digitais e, no caso dos países emergentes, o problema da produção e distribuição de bens midiáticos em um mercado legal e formalizado. Parte da experiência de pensar e criar novos modelos de negócio e canais de distribuição – proposta do Estrombo – passa pela necessidade de aprofundamento nesse tipo de pesquisa para, assim, criar modelos negócio que sejam realmente sustentáveis e condizentes com a realidade local.

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