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Seminário “Farol Digital” discutiu inclusão digital e cultural na FGV

Lan houses e Pontos de Cultura são espaços fundamentais para o desenvolvimento social, aliando inclusão digital e produção, distribuição e consumo de bens culturais. Buscando sistematizar os últimos avanços nessas questões e fomentar o surgimento de novas políticas públicas voltadas para o desenvolvimento desses espaços, o Seminário “Farol Digital: as lan houses e pontos de cultura como centros de inclusão social e cultural” reuniu na FGV RJ, em uma iniciativa dos projetos Estrombo, Open Business e FINEP, um grupo de especialistas para compor a mesa de discussões “Cultura Digital: novos espaços de inovação, criatividade e consumo”.

Mediada por Luiz Fernando Moncau, do Centro de Tecnologia e Sociedade da FGV, a conversa teve início com Alexandre Barbosa, do CETIC (Centro de Estudos sobre as Tecnologias da Informação e da Comunicação), que apresentou dados importantes sobre o acesso à internet no contexto brasileiro. Das 65 milhões de pessoas que usam internet no país (CGI – 2010), 35% acessam nas lan houses enquanto 25% dos domicílios brasileiros possuem internet. No Brasil, existem aproximadamente 100 mil lan houses, que geram grande impacto no seu entorno. Apesar do acesso estar concentrado na regiões Sul e Sudeste, é no Nordeste que encontramos o maior número de lans. Segundo ele, com o avanço da inclusão digital, a tendência é termos cidadãos mais treinados, mais preparados.

Uma reflexão importante trazida por Barbosa é que a inclusão digital não depende somente do acesso à tecnologia: ela precisa ser incorporada no dia a dia. “As empresas estão conectadas, mas não necessariamente incorporaram essa tecnologia em seus processos para inovar”, afirmou. Os desafios para a inclusão digital também estão nas escolas públicas, pois essa tecnologia não necessariamente está incorporada ao processo de aprendizagem.

No que diz respeito aos impactos na cultura, a lan house é percebida como mais que um elemento de inclusão, pois ela tem o poder de disseminar conteúdo. “As lan houses precisam se reposicionar como centros de inclusão educacional e cultural”, concluiu Barbosa.

Em seguida, Reinaldo Pamponet, fundador da Eletrocooperativa e da Rede ItsNoon, ressaltou o papel da lan house como um lugar de convivência e a importância disso na geração de novos negócios e empreendimentos. E, nesse caso, segundo Pamponet não adianta importar modelos; precisamos nos reconhecer e operar como brasileiros. “Importamos tecnologia, equipamentos e metodologia, mas criatividade não se importa com essa facilidade toda porque é um software que opera numa dinâmica cultural”, refletiu.

Para o palestrante seguinte, Mario Brandão, da ABCID (Associação Brasileira de Centros de Inclusão Digital), precisamos privilegiar o acesso à internet pelas classes D e E. Segundo Brandão, o encontro dessas pessoas com a tecnologia acontece principalmente nas lan houses, por ser economicamente vantajoso.

“Quando a pessoa fala ‘não tenho certidão, não tenho RG, mas tenho perfil no Orkut’, isso dá uma identidade pra ela, um posicionamento no mundo”, afirmou o presidente da ABCID. Existe uma luta que vem sendo vencida aos poucos, que é convencer o poder público de que a lan house não deve ser afastada das pessoas. A lei que proibia o funcionamento de lans a 1 km de centros de ensino foi revogada neste ano.

Encerrando sua participação, Mario completa dizendo que “a lan house é um espaço onde o analógico encontra o digital, onde a base da pirâmide encontra a tecnologia”.

Políticas públicas para inclusão cultural e digital

Da Secretaria de Estado de Cultura, Juliana Lopes e Adriano Belisário comentaram os últimos editais e projetos da Secretaria voltados para os Pontos de Cultura. De acordo com Juliana, os projetos são desenvolvidos tendo em vista três diretrizes: “a periferia é território de potência criativa; todas as ações são construídas em diálogo com a sociedade civil e reconhece-se os agentes culturais como protagonistas, não como meros receptores”.

Hoje, existem em torno de 3 mil Pontos de Cultura, ou seja, organizações da sociedade civil, como ONGs, que recebem aporte financeiro para desenvolver ações culturais. No último edital, 73 municípios do estado do Rio de Janeiro foram contemplados com Pontos de Cultura. “Acreditamos nos processos culturais para gerar desenvolvimento local, humano e social”, completa Juliana.

Para fechar o debate, Adriano Belisário falou sobre a definição de cultura digital praticada por eles na SEC/RJ. “Enquanto a inclusão digital representa a máquina que oferece o acesso; a cultura digital abrange as formas como as pessoas se apropriam dessas ferramentas”. Assim, eles procuram atuar em dois eixos: o da cultura livre, onde tem-se o conhecimento e a informação como bens comuns – sendo fundamentais os processos colaborativos – e o eixo da tecnologia aberta, filosofia que busca entender e praticar a tecnologia como algo que não deve ser mistificado.

Assim, as lan houses configuram-se não somente como espaço para downloads, mas para uploads: um centro de produção comunitário e coletivo.

Dando prosseguimento ao evento, a pesquisadora Joana Varon Ferraz, do CTS/FGV, lançou o livro “Lan houses e pontos de cultura: Estruturas para inovação na base da pirâmide social”, organizado por ela e Ronaldo Lemos (CTS/FGV). Com textos de Adriano Belisário (SEC/RJ), Graciela Hopstein (Nupef), Olivia Bandeira (Instituto Overmundo), Ronaldo Lemos (CTS/FGV), dentre outros, a obra discute o novo pensamento sobre o papel das lan houses, ressaltando a forte ligação que pode ser estabelecida entre elas e os Pontos de Cultura. Baixe aqui seu exemplar.

O documentário “Farol digital: a lan house como centro de inclusão social e cultural” foi exibido logo a seguir para os presentes. O filme de 13 minutos foi dirigido por Lao de Andrade e produzido pela Pindorama Filmes, mesma produtora que realizou os 10 vídeos sobre formalização do Farol Digital. No filme, conhecemos a história de alguns empreendedores e os desafios enfrentados na formalização de lan houses, além de um panorama geral sobre o acesso à internet no país e da importância das lans no processo de inclusão digital. Assista o documentário abaixo, licenciado em Creative Commons para livre uso e reuso.

Lan house e produção cultural em discussão na FGV

Acompanhe o evento ao vivo clicando aqui.

Como parte da campanha Farol Digital, na próxima segunda-feira, dia 19/12, acontece o seminário “Farol Digital: as lan houses e pontos de cultura como centro de inclusão social e cultural” que discutirá o papel das lan houses e dos Pontos de Cultura como espaços importantes na cadeia produtiva da cultura digital.

A mesa de discussão será composta por Reinaldo Pamponet, fundador da Eletrocooperativa, que contribui na formação de jovens em Salvador usando como meio a linguagem audiovisual; Mario Brandão, presidente da Associação Brasileira de Centros de Inclusão Digital (ABCID); Adriano Belisário e Juliana Lopes, do Núcleo de Cultura Digital da Secretaria de Estado de Cultura do Rio de Janeiro; Alexandre Costa, do Centro de Estudos sobre Tecnologias da Informação e da Comunicação (CETIC); e Eliane Costa, gerente de patrocínios da Petrobras e autora do livro Jangada Digital. A mediação ficará por conta de Luiz Moncau, professor da Escola de Direito da FGV.

No evento promovido pelo Centro de Tecnologia e Sociedade da FGV ainda serão lançados o livro “Pontos de Cultura e Lan Houses: estruturas para a inovação na base da pirâmide social” e o documentário “Farol Digital: A lan house como centro de inclusão digital e social”, dirigido por Lao de Andrade e produzido pela Pindorama Filmes, produtora também responsável pela produção de 10 vídeos sobre formalização e lan house do Farol Digital. Inscreva-se gratuitamente para o evento aqui.

Formalização

Aproximadamente 30% da população brasileira acessa a internet pelas lan houses espalhadas pelo país. Lado a lado com os Pontos de Cultura, elas podem se tornar verdadeiras plataformas de disseminação da cultura brasileira e terreno fértil para a criação de novos empreendimentos e negócios. Nessa direção, o objetivo do Farol Digital é capacitar empreendedores para realizar a formalização de suas lan houses.

Programação:

18h – Abertura

18h30 – Mesa – Cultura Digital: Novos Espaços de Inovação, Criatividade e Consumo

  • Reinaldo Pamponet (Eletrocooperativa)
  • Adriano Belisário e Juliana Lopes (Secretaria de Estado de Cultura)
  • Alexandre Barbosa (CETIC)
  • Mario Brandão (ABCID)
  • Eliane Costa (Petrobras)
  • Moderador: Luiz Moncau (FGV Direito Rio)

20h –Lançamento do Livro “Pontos de Cultura e Lan Houses: estruturas para a inovação na base da pirâmide social”

  • Joana Ferraz (FGV Direito Rio)

20h15 – Encerramento e Exibição do Documentário “Farol Digital: A lan house como centro de inclusão digital e social”

Serviço:
Seminário Farol Digital
Data e hora: 19/12/2011 às 18h
Local: Escola de Direito da FGV
Endereço: Praia de Botafogo, 190 – hall do 12° andar
Inscrições gratuitas no link

* Atendendo às diretrizes da FGV, não será permitida a entrada de pessoas trajando bermudas e/ou chinelos

No Brasil Econômico: “Facebook, BID e Sebrae se unem pela música do Rio”

Por João Paulo Freitas

Projeto Estrombo, que conta ainda com apoio da FGV, busca novos modelos de negócio para artistas usando a força das redes sociais

O Sebrae e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) decidiram unir forças para ajudar a indústria da música do Rio de Janeiro a desenvolver novos modelos de negócios.

Para isso, a parceria destinou cerca de U$ 2,2 milhões ao Estrombo, projeto voltado ao desenvolvimento desse segmento da economia por meio do uso de novas tecnologias.

A motivação por trás da empreitada, que tem ainda como parceiros a Fundação Getúlio Vargas (FGV) e o Facebook, está na transformação da indústria musical. Antes fortemente baseada na venda de CDs, as empresas do setor, principalmente as gravadoras, têm sofrido com a troca cada vez mais intensa pelas músicas em formato digital e, claro, com a pirataria.

Por outro lado, a rede mundial tem possibilitado o surgimento de novos artistas.

Exemplos não faltam e vão da cantora brasileira Mallu Magalhães, que fez sucesso na internet aos 15 anos antes mesmo de gravar um CD, ao cantor americano Justin Bieber, descoberto após publicar algumas de suas apresentações no site de vídeos Youtube.

Segundo a diretora de Economia Criativa do Sebrae-RJ, Heliana Marinho, o Estrombo visa justamente incentivar novas formas de negócios no meio musical com a utilização da internet e seus diversos recursos, principalmente as chamadas redes sociais.

Lançado no final de 2010, o site do projeto é o local onde as informações relacionadas à iniciativa são concentradas. Além da difusão praticamente diária de informações digitais ligadas ao mundo da música, o projeto conta também com ações presenciais.

Nesse âmbito, a estratégia é oferecer desde capacitação até consultorias às pessoas envolvidas com a cadeia produtiva da música.

Outra frente de ação do projeto é a realização de estudos. “Essas pesquisas e estudos são importantes para que entendamos o funcionamento atual desse segmento, sempre da perspectiva do mercado. Não se trata de estudos sociológicos”, diz Heliana. Um dos estudos está sendo realizado com o Instituto Overmundo, que investigará quais modelos de negócios são utilizados atualmente em diversos cenários musicais, do hip hop ao rock.

Por sua vez, a FGV, uma parceira importante do projeto, está desenvolvendo capacitações on-line. O formato digital é importante por possibilitar a disseminação das capacitações até a periferia, onde o movimento musical costuma ser intenso.

“As lan houses são o grande local do acesso e da distribuição de informação pela internet. Então estamos construindo essa ponte também”, diz a diretora de economia criativa do Sebrae-RJ.

Até o meio deste ano, cerca de 2,3 mil pessoas vinculadas à cadeia produtiva da música passaram por alguns dos encontros realizados pelo Estrombo. Além disso, aproximadamente 12 mil interessados consultaram ou acompanham as ações do projeto por meios digitais.

Desafio

“Devido à crescente importância do capital intelectual, das aglomerações criativas, temos um novo desafio, que é saber como iniciar um processo de desenvolvimento envolvendo esses agrupamentos”, diz Luciano Schweizer, especialista do Fundo Multilateral de Investimentos (Fomin) e responsável técnico pela supervisão do Estrombo no BID.

Segundo ele, o apoio ao projeto significa um aprendizado para o banco. “Esperamos construir metodologias, análises e ferramentas para pensarmos em outras ações similares no futuro como iniciar um processo de desenvolvimento envolvendo agrupamentos”, diz Schweizer.

Ele acrescenta que o projeto, aprovado e assinado em 2009, é uma primeira aproximação do BID da seara da economia criativa com o objetivo de criar uma metodologia própria para esse segmento econômico.

Para Paula Martini, pesquisadora do Centro de Tecnologia e Sociedade (CTS) da FGV, as transformações do mercado musical não significam que a música está em crise, mas sim o modelo de negócio da indústria fonográfica.

“A música em si nunca esteve tão bem. O impacto da tecnologia na indústria da música foi positivo. Como ocorre em todos os momentos de ruptura, estamos vendo os papeis se rearranjarem”, afirma. “No momento atual, a boa ideia ultrapassa a criação artística. Ela também precisa estar presente na atuação comercial do produto cultural”, diz.

(Fonte: Brasil Econômico)

Lessig e Gil comandam debate sobre música, internet e políticas públicas

O debate “Música: a fronteira do futuro – criatividade, tecnologia e políticas públicas” reuniu um time de peso no último dia 24, no Auditório Ibirapuera, para discutir cultura, tecnologia e política. Em tempos de polêmica no ECAD, no Ministério da Cultura e a necessidade de atualização da legislação de direitos autorais, uma conversa como essa faz-se fundamental, pois não somente expõe problemas, como aponta caminhos possíveis para a cadeia produtiva da música e da cultura como um todo. O evento foi realizado pelo Centro de Estudos do Auditório Ibirapuera em parceria com a Casa da Cultura Digital, o Centro de Tecnologia e Sociedade da Fundação Getúlio Vargas (CTS-FGV), co-gestor do Estrombo e o Instituto Overmundo, parceiro do Estrombo.

Depois da abertura com o vídeo Remixofagia, o professor de direito em Harvard e criador do Creative Commons, Lawrence Lessig, discursou sobre direito autoral e democracia baseada na abertura e no compartilhamento. Colocando o Brasil como um expoente importante no cenário mundial, principalmente com os avanços na gestão do Ministro da Cultura Gilberto Gil à frente do MinC, Lessig fez um apelo: “vocês no Brasil precisam pegar e nos mostrar o que pode ser feito dessa revolução. Vamos deixar o Brasil liderar essa luta novamente.”

Adiante, os participantes da mesa expuseram à plateia seus argumentos sobre as liberdades e cerceamentos que vêm ocorrendo na internet. Essa discussão cresceu bastante nos últimos meses e, atualmente, estamos em um momento crítico para debatermos essas questões, levantadas pelos palestrantes Sergio Amadeu, Ivana Bentes, Gilberto Gil, Danilo Miranda, Claudio Prado e a deputada Manuela D’Ávila.

Ronaldo Lemos, diretor do Creative Commons Brasil e coordenador do Estrombo no CTS-FGV, ponderou que “os princípios da internet como descentralização, transparência, inovação e acesso sem barreiras tem o potencial de influenciar as instituições: a política, o estado e a criação de leis”. É essa a luta que vemos tomar força nos últimos anos.

A indústria da música está diretamente relacionada aos pontos debatidos, justamente porque foi a primeira que sentiu grandes abalos com o compartilhamento de arquivos e novas formas de acesso, produção e distribuição que dispensam as vias tradicionais e legitimadas pelo mercado. Numa tentativa de frear uma situação inevitável, empresas moveram ações judiciais contra consumidores e desenvolvedores de softwares ao invés de reverem seu modelo de negócios, inoperante no momento atual. Por isso, o debate se faz necessário para encontrarmos o meio do caminho: como levar a música para esse novo cenário, sem abrir mão das nossas liberdades?

Assista o vídeo do evento aqui.

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* Com informações de Aline Carvalho.

Economia criativa no Globo: “Tempo de criar”

Na rota da economia criativa, país começa a entender como a cultura pode valorizar bens e serviços

Um livro de biologia é um material didático. Já usar um game para ensinar a disciplina é uma manifestação da economia criativa. A diferença entre uma coisa e outra é o motor de um movimento que acaba de receber reforço no país, com a criação da Secretaria da Economia Criativa, pelo Ministério da Cultura: a habilidade de usar a criatividade e o conhecimento para produzir bens e serviços inovadores, capazes de gerar renda e empregos.

O exemplo acima é uma entre inúmeras possibilidades de negócios economicamente criativos. Idealizado há 13 anos na Inglaterra, mas ainda desconhecido no Brasil, o modelo vem sendo apropriado por empreendedores de diferentes segmentos de negócios — como moda, design, arquitetura, audiovisual, educação e novas mídias — que já entenderam como a arte e a cultura podem agregar valor a bens e serviços.

Rio ganhará incubadoras

Segundo estudo da Firjan, a cadeia da indústria criativa já representa 17,8% do PIB do Estado do Rio (cerca de R$ 54,6 bilhões) e emprega 82 mil pessoas. Números que, para Marcos André, coordenador de Economia Criativa da Secretaria de Estado de Cultura do Rio, revelam o potencial fluminense de transformar boas ideias em inovação. Parte delas, inclusive, está sendo avaliada pelo projeto Rio Criativo, que acaba de encerrar seu primeiro edital. De 124 planos de negócios recebidos, 24 serão desenvolvidos em duas incubadoras (uma no Porto e outra na Baixada, que serão inauguradas em maio) e quatro receberão consultoria virtual.

— Isso é só o início. Ainda há muito a ser feito, como identificar as vocações das cidades, organizar suas cadeias produtivas e pensar em políticas de fomento — diz André.

As irmãs Alessandra e Vanessa Wagner, da Zóia — que produz acessórios artesanais com design moderno — integram o time que contribui para essa roda girar. Após três anos incubada no Instituto Gênesis, da PUC-Rio, a empresa migrou para um escritório cinco vezes maior, no Centro, crescendo 20% no ano passado. Tudo porque acredita na criatividade como vantagem competitiva.

— A ideia é criar acessórios com linguagem própria, modelados um a um — diz Alessandra. — Brincamos que não fazemos joias nem bijuterias. Criamos zóias.

Expansão inibida por carência de qualificação e informação. Segmento criativo sofre com falta de incentivo e de políticas de fomento.

Apesar de o modelo de economia criativa estar ganhando projeção no país, especialistas afirmam que ao menos dois gargalos dificultam o seu desenvolvimento: falta de informação e carência de formação. O primeiro foi comprovado por enquete, no ar no site do Boa Chance, que pede para os leitores definirem economia criativa em 140 caracteres. A maioria associou o termo a sustentabilidade, meio ambiente e reaproveitamento do lixo.

Mas algumas pessoas já se apropriaram do conceito. No nosso Twitter (@boachance), onde a pergunta também foi postada, entretanto, a jornalista Fernanda Con’Andra respondeu que economia criativa significa “inteligência em novos modelos de negócios, novos processos, novas tecnologias, criatividade e inovações”. E buscamos também definições de especialistas, como as que estão em frases na capa do caderno.

É uma tecnologia que demanda e gera tecnologia de ponta, não polui, paga os melhores salários e tem como matéria-prima um recurso infinitamente renovável, ainda mais no Brasil: criatividade.
Ana de Hollanda, ministra da cultura

Todo espaço onde há mais dúvidas do que certezas, risco do que segurança, é movido a criatividade. Para mim, economia criativa são as perguntas, em oposição à indústria das respostas que caracterizou o século XX.
Silvio Meira, cientista-chefe do C.E.S.A.R

A nova moeda da economia é o conhecimento. E a vantagem competitiva, neste cenário, é a inovação, fruto da criatividade que desenvolve novos negócios, processos e tecnologias.
Jean Paul Jacob, pesquisador emérito da IBM

- Há uma dificuldade de conceituação. E de definir quais setores são criativos ou não, já que o movimento é recente. Muita gente ainda não sabe que está inserida nesse sistema e que pode se beneficiar dele – diz José Alberto Aranha, diretor do Instituto Gênesis, da PUC-Rio, que trabalha o desenvolvimento de empreendedores.

Para driblar a falta de conhecimento sobre o assunto, o Polo de Economia Criativa (PEC), na Gávea, acaba de ganhar um comitê formado por profissionais de diferentes áreas, como moda, design, teatro, música, cinema e gastronomia. A ideia é refletir sobre o futuro da economia criativa e elaborar ações estratégicas para transformar habilidades individuais em negócios sustentáveis, além de produzir material de pesquisa sobre as demandas do setor. O estabelecimento, criado em setembro, também oferece cursos para desenvolver a capacidade empreendedora.

— Queremos estabelecer uma rede de cooperação que estimule o intercâmbio de conhecimento, ideias e tecnologias, tornando o nosso mercado interno mais competitivo, inovador e multidisciplinar – explica Adriana Dias, idealizadora do projeto ao lado de Leonardo Edde, da Urca Filmes.

Quanto ao segundo gargalo, o da carência de formação, o projeto Rio Criativo já começou a criar soluções para amenizar o problema. De 27 de setembro a 14 de janeiro, ofereceu cursos sobre empreendedorismo, cultura e inovação a 2.780 candidatos à incubação. O objetivo, agora, é continuar dando subsídios para que talentos possam tirar suas ideias do papel.

— As incubadoras terão balcões de atendimento para tirar dúvidas do público em geral. Também vamos organizar debates e rodadas de negócio para abrir a cabeça das pessoas. Queremos que elas comecem a pensar nos segmentos que vão movimentar a economia do estado após o boom do petróleo, como turismo cultural, produção de eventos e educação. Afinal, a matéria-prima se esgota, mas a criatividade não — diz Marcos André, da coordenação de Economia Criativa da Secretaria de Estado e Cultura, criada no ano passado.

Com investimento de R$ 2 milhões do Ministério da Cultura, as incubadoras — que oferecerão estrutura para empresários sediarem empreendimentos por até 18 meses — têm chamado a atenção de outros estados pelo seu pioneirismo. Os governos de Pernambuco, Bahia e Santa Catarina já entraram em contato com a secretaria, interessados em reproduzir o modelo. Para Cezar Vasquez, diretor-superintendente do Sebrae do Rio, a iniciativa é um passo importante para a elaboração de uma estratégia focada na identificação de talentos e transformação de ideias em inovação:

— A criatividade e o imaterial passaram a ser elementos decisivos do processo produtivo. E o Rio é o estado brasileiro que mais concentra pessoas trabalhando em setores criativos. Temos vocação natural para a diversidade, para a criação de fluxos entre diferentes áreas e formação de redes. Mas ainda faltam ações e políticas públicas de articulação.

Uma das contribuições do Sebrae para a expansão da economia criativa no Rio é o lançamento do projeto Estrombo, em dezembro, para desenvolver a indústria da música no estado. Feita em parceria com o Fundo Multilateral de Investimentos do Banco Interamericano de Desenvolvimento (Fomin/BID), a Fundação Getúlio Vargas (FGV) e o Facebook, a iniciativa capacita, formaliza e apoia, por três anos, pessoas e empreendimentos ligados à música para trabalharem com novas tecnologias, como canais de distribuição digitais.

— A cadeia produtiva da música ainda carece de profissionalização e formalização para atingir seu potencial de gerar renda e emprego — diz Vasquez, frisando que o Estrombo é o primeiro projeto de economia criativa apoiado pelo BID no mundo e que servirá de modelo para outros latino-americanos.

Segundo estudo da Firjan, as oportunidades crescentes de negócios na indústria criativa têm incentivado alunos a optarem por carreiras relacionadas à área. Em 2006, de um total de 737 mil formandos no país, 90 mil eram de 118 cursos relacionados ao setor. No Rio, a proporção foi ainda maior: 13,3% dos 74 mil formandos optaram por carreiras criativas.

É o caso das empresárias Bárbara Cruz, formada em desenho industrial e moda; Eduarda Araújo, também graduada em desenho industrial; e Joana Contino, que tem diploma de jornalista. Juntas, elas comandam a Santas, na Gávea , que vende roupas e acessórios com toques artesanais, fibras naturais e temas inspirados na cultura popular.

— Somos parte desse movimento: investimos em peças exclusivas, que fogem da moda da estação — resume Joana.

(Fonte: O Globo: Boa Chance – 6 de fevereiro de 2011)

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