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Distribuição digital de música: como funciona um mediador

Foto: Die Felsen im Studio, por scytale, CC BY 2.0

Uma das vantagens advindas da virada tecnológica na cultura da música é a possibilidade de bandas e selos comercializarem sua produção sem grandes complicações. Existem no mercado diversas opções de empresas que fazem a mediação entre o produtor do conteúdo e as lojas digitais. Exemplos do mercado nacional e internacional são CD Baby, iMusica e o ONErpm.

No caso deste último, o serviço de distribuição de música é voltado para bandas e selos independentes, levando essa produção para os vendedores mais populares do mercado (iTunes, UOL Megastore, Spotify etc.). As vantagens levantadas pelo serviço são: selecionar territórios onde a música será comercializada, as lojas que farão isso e os preços das faixas. Neste caso, o criador fica com 90% dos royalties, que podem ser coletados via PayPal. Existe ainda a possibilidade do artista ou do selo licenciar suas obras em Creative Commons. Algumas estratégias também podem ser realizadas diretamente pela plataforma, como a troca de faixas gratuitas por endereços de e-mail – assim, o artista coleta assinaturas para o seu mailing e fideliza sua clientela. O serviço também afirma facilitar o licenciamento de música para cinema, TV e publicidade, aumentando a esfera de circulação da obra. Por fim, os direitos ficam retidos com o artista.

A distribuição é uma das maiores questões enfrentadas por músicos e empreendedores atualmente. Enquanto as gravadoras possuem estruturas de distribuição física bem amarrados, os pequenos e médios selos, empresários e artistas usualmente possuem menos recursos para dar conta de um mercado tão vasto. A distribuição digital elimina a barreira geográfica levando a música para qualquer lugar, à distância de alguns cliques. E as opções de personalização como as oferecidas por empresas especializadas podem ser vantajosas, uma vez que os criadores podem estipular exatamente por quanto e onde a sua música será vendida, além de desenvolver estratégias próprias de divulgação que atenda às suas necessidades e do público.

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Foto: Die Felsen im Studio, por scytale, CC BY 2.0

Pensar “fora da caixa” para fazer negócios pela internet

Foto: Guitar Study 1, por fmerenda, CC BY-SA 2.0

A música não surgiu no mundo como algo a ser trocado por dinheiro. Somente com o desenvolvimento de uma série de tecnologias que a música passou a ser entendida como uma mercadoria. O mercado de partituras, por exemplo, é o ponto de início da indústria fonográfica, que só com a chegada dos discos e aparelhos de reprodução aprtesentou contornos do que conhecemos hoje. Foram muitas décadas de evolução tecnológica até chegarmos ao momento atual.

Mudanças na produção, distribuição e no consumo

Hoje, o negócio da música está sendo reinventado de todos os lados. Na produção, bandas e artistas encontram no crowdfunding, nas parcerias com empresas e em editais públicos, formas de criar a sua música sem depender necessariamente da chancela de uma gravadora. Já os novos canais de distribuição incentivam tanto bandas quanto selos e empreendedores a explorarem mídias sociais, aplicativos móveis e lojas online, sem precisar competir com outros produtos nas prateleiras das lojas. O papel do fã também é severamente ressignificado nesse cenário. Os consumidores não são “apenas” fãs, pois desempenham papéis de críticos, produtores, financiadores e distribuidores de material musical.

Gerar novos negócios com música envolve levar todos esses fatores em consideração para pensar “fora da caixa”. Mesmo que não exista uma fórmula de sucesso, uma série de estratégias podem trazer visibilidade para o seu produto na internet (e fora dela), facilitando a realização de negócios: utilização de vídeos de divulgação, competições criativas entre os fãs, produção colaborativa, interação em mídias sociais, distribuição online por empresas terceirizadas são algumas amplamente utilizadas.

Como você gera novos negócios de forma criativa?

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Foto: Guitar Study 1, por fmerenda, CC BY-SA 2.0

“Seminário Arte & Negócios” no CineMúsica 2011

A 5ª edição do Festival CineMúsica acontece entre 7 e 11 de setembro, em Conservatória. O evento promove o encontro entre cinema e música e em 2011, vai girar em torno do tema Sertanejo. A programação é gratuita e serão exibidos mais de 50 filmes.

Durante o festival, acontece também o “Seminário Arte & Negócios: diálogos sobre economia criativa no cinema e música”. Confira abaixo os horários e dias das mesas de debate.

Seminário Arte & Negócios: Diálogos sobre a economia criativa no cinema e na musica.

Abertura com Heliana Marinho – Gerente de Desenvolvimento da Economia Criativa, SEBRAE/RJ

Seminário, Quinta-feira 10h – centímetro.

MESA 01- PLATAFORMAS DE DISTRIBUIÇÃO NA WEB.
Liana Brauer. Gerente de novos negócios do Oi novo Som , multiplataforma que dá acesso para artistas independentes a novos formatos de distribuição e divulgação de seu conteúdo.
Álvaro Augusto. Gerente de Projetos em Cultura da RNP, Rede nacional de ensino e pesquisa. Que em parceria com MInC tem desenvolvido para produtores e pesquisadores uma plataforma digital capaz de suportar o desenvolvimento de projetos experimentais de softwares e hardwares.

Seminário, Sexta-feira 10h – centímetro.

MESA 02- NOVOS MODELOS DE NEGÓCIOS NA DISTRIBUIÇÃO
Felippe Llerena. Diretor Executivo do iMusica , empresa atuante no mercado de distribuição digital (web & mobile) com operações em 16 países.
Marco Aurélio Marcondes. Coordenador de distribuição do “Tropa de Elite 2”, pela Zazen Diretor Executivo da Mobz empresa de distribuição de conteúdo, mídia, games, óperas, shows, ao vivo em salas de exibição.

Seminário, Sábado 10h – centímetro.

Mesa 03 – A EXPANSÃO DA CULTURA PARTICIPATÓRIA NO CIBERESPAÇO
Fabrício Ofuji. Produtor executivo da Móveis Coloniais de Acaju, banda que grava ao vivo e com a participação publico seus clipes .É ainda organizador do livro “Olhares da rede”que se dedica a pensar novos modelos de negócios para a música.
Rosane Svartman. Diretora do filme “Desenrola” e “Tainá- A origem” , projetos que tem trabalhado com a participação do público do roteiro ao lançamento do filme.

Banda Kaiser Chiefs permite ao fã montar seu álbum e compartilha lucro

Na semana passada, a banda inglesa Kaiser Chiefs lançou o seu último álbum “The future is medieval” através da ação “crie o seu álbum”, permitindo que os fãs adquiram versões personalizadas do novo trabalho. A dinâmica funciona da seguinte maneira: acessando o site da banda, pode-se escolher 10 entre as 20 faixas disponíveis para compor o álbum. Depois, é só fazer o desenho da capa e pagar £7,50 (em torno de R$ 20,00) para fazer o download de “The future is medieval”. Além disso, cada versão ganha a sua própria página e o criador ganha £1 para cada vez que o álbum montado por ele é vendido para outra pessoa.

Hoje, um dos grandes desafios para a indústria fonográfica é como gerar renda com a venda de música – afinal, na internet, é cada vez mais fácil adquirir músicas de forma gratuita, seja legal ou ilegalmente. Isso traz algumas consequências. Uma delas, por exemplo, é o deslocamento do valor do fonograma para outros elementos, como o relacionamento com os fãs e os shows ao vivo. Outra, é que surge a necessidade de se explorar novas formas de fazer negócio com música que dialoguem com a realidade atual do mercado fonográfico.

De certa maneira, a ação comandada pelo Kaiser Chiefs articulou essas duas tendências ao relacionar a venda da música com o engajamento dos fãs – e diz muito sobre o atual mercado de música. Destacamos dois pontos: o primeiro aponta diretamente para a importância do fã no cenário fonográfico atual. No “create your album”, eles têm exercem o poder de manipular e criar suas próprias versões de “The future is medieval”. Eles fazem isso colocando as músicas que querem na ordem que desejam, reconfigurando, inclusive, a noção mais tradicional de álbum que foi construída ao longo das últimas décadas. Ou seja, aqui, o álbum não é uma obra fechada, uma vez que elementos centrais como a arte da capa, a ordem das faixas e o próprio conteúdo são “a gosto do freguês”. Outro ponto importante, que deve ser observado mais atentamente, é que nessa ação, os compradores não estão pagando somente pelas músicas. O que parece ser mais interessante aqui é participar da experiência de co-criação e sentir-se parte do processo de produção do álbum. E isso vai repercutir também na própria distribuição, pois os fãs-criadores vão querer que sua versão do trabalho novo do Kaiser Chiefs circule, principalmente porque há a comissão de £1 por cópia vendida.

Apesar das dificuldades enfrentadas pela indústria fonográfica, o caso de “The future is medieval” mostra que ainda há margem para pensarmos em formas inovadoras de vender música e a necessidade de articular a questão comercial com um contexto maior, por exemplo, a importância de reconhecer o potencial criativo dos fãs.

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Novos canais de distribuição: o caso do Bagagem

Hoje, um dos maiores problemas enfrentados pelos músicos é como fazer circular sua produção. Explorando possibilidades trazidas com a tecnologia digital e indo além dos sites de redes sociais mais populares, o Projeto Axial desenvolveu seu próprio canal de distribuição: o aplicativo Bagagem.

O Axial é formado pelo trio Felipe Julián, Sandra Ximenes e Leonardo Muniz e, musicalmente, explora sonoridades variadas a partir de elementos eletrônicos. Defensores da cultura livre, suas músicas são licenciadas em Creative Commons, e já tocaram em palcos importantes no Brasil e fora do país.

O terceiro álbum, “SiMBiOSE” (2010), foi lançado pelo aplicativo Bagagem em vez de um CD convencional. Desenvolvido em parceria com um amigo programador, o software pode ser facilmente instalado em qualquer computador. O aplicativo devolve à música digital a visualidade do álbum “físico”, com imagens escolhidas pelos próprios artistas para acompanhar a execução das faixas, e traz informações relevantes, como a ficha técnica, o encarte, além de estar integrado com redes sociais como Twitter e Facebook. Os outros dois discos – “Axial” (2004) e “Senóide” (2007) – também podem ser acessados pelo canal.

A versão beta do Bagagem foi lançada em novembro de 2010 e baixada mais de mil vezes em menos de um mês. Hoje, o aplicativo já está na sua versão 2.0 e disponibiliza também álbuns de outros artistas que aderiram à ideia, como Chico Correa com o álbum “Chico Correa & the Electronic Band” e o Jampa Sessions, uma jam session gravada para Dada Radio por Chico Correa em parceria com os músicos Fernando TRZ (Cérebro Eletrônico) Gil Duarte (Asimov) e Felipe Julián (Projeto Axial), entre outros. Também faz parte do Bagagem o álbum “Metá Metá”, da dupla Kiko Dinucci e Juçara Marçal, e o projeto de vídeo remixes “Caixa Prego”, produzido pelo coletivo audiovisual Embolex.

Refletindo o engajamento necessário nesse momento de profundas transformações no mercado musical, o Axial organizou o “Bagagem Ao Vivo” que levou para o SESC Pinheiros, entre os dias 18 e 21 de maio, painéis de debate em torno dos temas: circulação de produtos culturais, liberdade intelectual, liberdade de apropriação, redes colaborativas, novas tecnologias, autogestão de carreira e direito autoral. O “Bagagem Ao Vivo” encerrou-se no dia 22 com um show, onde o coletivo Bagagem foi oficialmente lançado.

Sobre esse evento, em entrevista para o Link, Felipe Julián diz: “o que eu gostaria com esse encontro é que a classe musical se politizasse e se animasse a criar novos modelos de distribuição de música menos dependentes de intermediários”.

Um dos objetivos do Estrombo é capacitar agentes da cadeia produtiva para desenvolver e explorar novos canais de distribuição através de redes sociais, celulares e games musicais. Acompanhe-nos também nas nossas redes: Twitter, Facebook, YouTube, Flickr.

Farol Digital

 

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