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O Globo: “Música brasileira marca presença nos ‘games’”

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Trata-se de um mercado multimilionário em que qualquer tipo de inserção vale ouro em termos de publicidade e divulgação

Vampire Weekend, Caribou, Phoenix, The XX, Charlotte Gainsbourg, Groove Armada, Gorillaz, MGMT, Crystal Castles, Chromeo, Ladytron, Massive Attack, Mark Ronson (com Simon LeBon) e Scissor Sisters. Parece a programação de um grande festival de música, mas esses são apenas alguns dos artistas presentes na trilha sonora da versão 2011 de dois dos mais populares videogames do planeta: “Fifa football” (ou “Fifa soccer, nos EUA), da produtora americana EA Sports, e “Pro evolution soccer”, da japonesa Konami. Engrossando a lista, três nomes brasileiros também estão nesses jogos de futebol: Tulipa Ruiz, Zemaria (“Fifa 11″) e o veterano Azymuth (“PES”).

Ganhos indiretos
Todos esses artistas estão de olho num mercado multimilionário – a franquia “Fifa” já vendeu cem milhões de unidades desde 1996 – , em que qualquer tipo de inserção vale ouro em termos de publicidade e divulgação. Que o diga o grupo inglês Blur, cuja a música “Song 2″, lançada em 1997, se transformou num hit mundial depois de ter sido incluída na abertura do jogo “Fifa 98″.

- Para qualquer artista, participar da trilha de um videogames desses é muito importante – diz Marcelo Lobato, empresário de Marcelo D2, que teve a música “Profissão MC” incluída no jogo “Fifa 2005″. – Através desses jogos, você se comunica com uma garotada que muitas vezes não ouve rádio e nem vê tanta televisão assim. Com uma música inserida numa dessas trilhas, você passa, de certa forma, a fazer parte dessa turma.

“Fifa 11″ – onde toca “Efêmera, de Tulipa, e “The space ahead”, do grupo capixaba Zemaria – é um jogo campeão. Desde outubro, quando foi lançado, ele bateu todos os recordes de vendas com mais de 2,6 milhões de cópias gerando, só na Europa, mais de €100 milhões, superando em 29% as vendas da edição anterior do jogo.

Os artistas incluídos nas trilhas sonoras não abocanham. Longe disso. Mas, em termos indiretos, o ganho é enorme, como explica Benoni Hubmaier, diretor da gravadora e editora YB Music e um dos responsáveis pelo gol de placa que foi colocar Tulipa em “Fifa 11″. Afinal, para os brasileiros, esse é um mercado novo e de grande potencial.

- Não há u percentual de vendas e não se recebe um grande valor por essa inclusão. Mas a divulgação, principalmente para uma artista nova como a Tulipa, é enorme. É como ter uma música num filme de Hollywood, ou até mais, já que o jogo carrega a música com ele e é, obviamente, mais repetido pelo público do que um filme – diz Hubmaier.

A comparação com Hollywood procede, já que, para ter acesso à EA Sports, Hubmaier – que licenciou, em 2006, a música “Guerreiro” de Curumim, para o jogo “Fifa street II”, um spin-off da série original – precisou da ajuda de um agente internacional.

- Contamos com um agente nos Estados Unidos que trabalha com o que se chama de licença se sincronização, o que é pegar um fonograma e associá-lo a um produto, seja um jogo, peça publicitária ou filme – lembra Hubmaier. – Esse agente era fã do Curumim, que já conhecia através da gravadora dele nos EUA, a Quannum, e conseguiu cavar essa inclusão no jogo. A partir daí, sempre nos pedem novidades do catálogo da YB para avaliações. Isso é ótimo porque passamos a fazer parte de um grupo de provedores de conteúdo para EA Sports e outras empresas de games, cinema e televisão. Tanto que conseguimos colocar recentemente outra música do Curumim, “Caixa Preta”, num dos episódios de “CSI: NY”.

Na maior parte dos games atuais, o jogador tem a opção de criar a sua própria trilha sonora. Por causa dessa tendência, os jogos vêm com um número cada vez maior de músicas e artistas incluídos. É nesse emergente nincho de mercado que nomes como Tulipa, Curumim e D2 – tão apaixonados por games que chegou a compor a música “Loadeando” – tentam se inserir, enquanto as grandes gravadoras perdem o pouco fôlego que têm brigando de gato e rato com os downloads ilegais.

- Antes de licenciarmos o D2 para o jogo EA Sports, eu fui convidado para visitar a empresa, que tem sede na Vale do Silício, na Califórnia, e fiquei impressionado com toda a sua estrutura – afirma Lobato. – É o resultado de um mercado realmente muito forte e que não para de crescer. Torço para que nos convidem logo para participar de outra trilha.

(Fonte: O Globo “Segundo Caderno” – 11 de janeiro de 2011)

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(foto de The Stéfan CC-by-2.0)

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2 comentários

  1. O artista carioca Marcio Local também teve sua composição “Soul do Samba” incluída na trilha do Fifa Soccer 2010!

  2. [...] venda e circulação de música. E não estamos falando necessariamente dos jogos musicais (em outro post do blog do Estrombo, comentamos sobre a inclusão de músicas brasileiras no jogo Fifa… de 2011). A venda de música digital é um desafio: uma geração inteira de consumidores já se [...]

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