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Sincronização: novas plataformas para vender sua música

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Você já pensou no processo para sua música chegar a material audiovisual como filmes, comerciais e séries?

Esse processo recebe o nome de Sincronização de música (no inglês: music placement). O termo é a explicativa do processo de licenciamento de músicas para audiovisual. A sincronização como trilha sonora fonográfica é uma forma de negócio para o mercado de música que abrange bandas, djs e produtores musicais e uma importante inovação para quem tem a música como forma de trabalho.
Confira a entrevista com Luciana Pegorer,  diretora executiva da ABMI, para o Cultura e Mercado:
Cultura e Mercado – Quando e por que se identificou a necessidade de tratar desse tema em um evento no Brasil?
Luciana Pegorer – Este tema entrou com força no evento pela sua atualidade. Com as vendas de produtos físicos de música caindo, a circulação de música se tornando cada vez mais virtual e com o aquecimento do mercado audiovisual, licenciar músicas para a produção audiovisual e para a publicidade é um vetor atraente para os produtores de conteúdo musical. Nos EUA existem centenas de empresas especializadas em Music Placement. Estamos trazendo este ano ao evento cinco music supervisors que colocam música em filmes, jogos eletrônicos e séries de TV nos EUA. Eles virão compartilhar as suas experiências e serão expostos à nossa música e aos nossos artistas com o intuito de que venham a introduzir música brasileira em seu cardápio musical a ser oferecido para o mercado audiovisual americano.
Aqui no Brasil, só agora começa a aparecer a figura do Music Supervisor ou supervisor de música. No evento apresentaremos empresas startups que prestam este serviço e que desenvolveram plataformas muito interessantes que facilitam a busca por conteúdo musical para os produtores audiovisuais. A ABMI mesmo terá em seu novo website, que estará no ar nas próximas semanas, uma plataforma de licenciamento que facilita essa busca de conteúdo de música (dentro do catálogo de seus associados). A ordem agora é organizar, expor e facilitar a circulação e comercialização de conteúdo musical brasileiro. O evento pretende alertar os produtores, músicos, artistas, para esta realidade, ou seja, música tem valor para além de shows e da comercialização de álbuns ou faixas musicais.
CeM – O que mudou do ano passado para cá nesse mercado, no Brasil e no exterior?
LP – A queixa no exterior é que os valores de licença estão cada dia mais baixos e que há muito mais concorrência. Acredito que já seja reflexo da crise na indústria fonográfica, que passou a competir também no mercado de sincronização. Por aqui, estamos correndo para organizar os nossos catálogos musicais, nos adaptando à demanda crescente e à rapidez na concessão das licenças que esse mercado exige. Quando se fala em cinema, em que a produção demora de um a dois anos, há tempo para se trabalhar as licenças. Quando se trata de TV, ao contrário, às vezes é uma demanda que precisa ser atendida em poucos minutos. Daí a necessidade de se criar bibliotecas de áudio e plataformas com conteúdo pré-licenciado e de fácil acesso. Este movimento passou a existir no Brasil de um ano para cá.
CeM – O Brasil está acompanhando o mercado internacional quando se fala em sincronização?
LP – O Brasil para variar está muito atrasado. Mas já existem alguma iniciativas que contribuirão para o desenvolvimento desse mercado por aqui.
CeM – Uma das mesas do evento vai mostrar startups que contribuem para a sincronização e comercialização da música digital. O que elas têm feito de novo?
LP – Elas trazem a facilidade da licença que o mercado audiovisual precisa. De um lado facilitando a busca, de outro fornecendo conteúdo pré-liberado que gera agilidade nas negociações das licenças. Há um conteúdo grande de música produzida no Brasil, só que pulverizada entre milhares de detentores de direitos diferentes. A legislação autoral no Brasil é também complexa. Então, além de encontrar a música que melhor encaixa em uma cena ou em um anúncio, ainda tem que se buscar os donos dos direitos e conseguir as licenças. Não é um processo fácil. Essas novas plataformas buscam facilitar esse processo e aumentar o uso de música brasileira no audiovisual, especialmente a independente.
CeM – Geralmente vemos em comerciais e nas trilhas de filmes e programas de TV artistas mais conhecidos. Por que não há mais espaço para os outros?
LP – Se você está falando de uma peça publicitária, a marca vai sempre preferir uma música que agregue valor a ela, então fatalmente buscará artistas já consagrados. No caso de outros produtos audiovisuais, não vejo nenhum preconceito, mas é fato que artistas desconhecidos receberão menos por uma licença do que um artista consagrado, pelo simples motivo de equilíbrio de valor agregado.
CeM – Existem números sobre o mercado de sincronização – no Brasil e/ou no mundo?
LP – Não existem muitas fontes de números sobre esse mercado. Há uma pesquisa recente feita pelo Sync Summit, que é um evento dedicado a esse mercado, que acontece todos os anos em Los Angeles e Nova York e este ano teve ainda uma edição em Paris. A pesquisa é restrita ao mercado norte-americano. O CEO do Sync Summit estará conosco no Rio Music Buzz. No Brasil, a BM&A, que é o nosso bureau de exportação de música brasileira, realizou uma pesquisa também, ainda não publicada. Ainda não vi os resultados para saber o nível de abrangência. A pesquisa será divulgada no evento.
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