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Como é o trabalho de um compositor de música para games?

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Um mercado que ainda precisa se desenvolver bastante no Brasil é o de trilha sonora para jogos eletrônicos. Ainda que seja um campo profissional restrito, alguns músicos se arriscam e investem numa produção bem diferente da que estamos acostumados. Uma dessas pessoas é o compositor Thiago Adamo. O artista e produtor já fez mais de 15 trilhas, para games diversos, e lançou dois CDs com música de games. Confira abaixo a entrevista que o Estrombo realizou com ele e deixe sua opinião nos comentários.

Estrombo: Como o trabalho de um compositor de música para games se diferencia do trabalho de outros compositores?

Thiago Adamo: Basicamente, quanto ao uso das peças musicais criadas. No cinema, a peça é criada com a finalidade de sonorizar apenas uma cena de duração fixa. Para games, normalmente, o compositor vai criar músicas que podem ser utilizadas em forma de loop em estágios ou fases que podem durar mais de uma hora, por exemplo. Essa diferença gera uma série de técnicas especificas na composição de trilhas para videogames.

Estrombo: Como você chega à conclusão de que determinada música é a ideal para um certo game?

T. A.: No começo de qualquer projeto existem reuniões para definição da estética que os desenvolvedores querem para o game. Porém, o mais comum é o envio de artes conceituais do jogo, gameplays, videos e o GDD (Game Design Document) documento que contém um mapa geral do jogo. Recebendo o GDD, existe um processo em que o compositor define a estética musical do projeto baseado no tipo de projeto, público-alvo etc. Definida a estética, criamos as primeiras partituras ou pré-produção das músicas. Com isso, validamos com o cliente se o rumo está certo. Depois, finalizamos a produção, fazemos a mixagem e masterização e enviamos ao cliente para aprovação final.

Estrombo: Existe um grande mercado no Brasil para compositores de trilhas sonoras para games?

T. A.: Não. Ainda são poucas as desenvolvedoras que sabem da importância em contratar um profissional realmente focado em música. Existe a ideia errada de que qualquer um pode compor música – e sabemos que isso não é verdade, pois existe muito estudo envolvido. Hoje, o mercado onde mais profissionais são contratados para trabalhar de forma séria é o mercado dos advergames.

Estrombo: Então, o que deve fazer o músico que quer investir na área?

T.A.: Estudar composição musical, produção musical e focar no entendimento da estética musical de games. Aqui no Brasil não existe nenhum curso especifico, mas lá fora temos diversos cursos e livros especificos para composição musical para games. Além disso, ele deve tentar se diferenciar dos demais, pois, como o mercado é bem limitado, só quem tem algum diferencial em relação ao estilo e à apresentação do material é que vai sobreviver.

Estrombo: Como fica a questão do direito autoral no caso das peças compostas para games?

T.A.: Depende muito do acordo feito entre a empresa e o compositor. Primeiramente, o compositor precisa registrar a peça em seu nome. Feito isso, ele pode transferir de forma restrita (como muitas bandas fazem) ou total (como muitos compositores fazem) os direitos da música para a produtora do jogo. Isso é feito através de um contrato ou um adendo no próprio registro da peça musical. A transferência restrita garante permissão para que a música seja utilizada somente no jogo. Caso a empresa queira vender a música ou fazer qualquer outro tipo de exposição, ele precisa assinar um novo contrato com o artista para cessão destes direitos. A transferência total tira completamente o direito de exposição da música do autor original, sendo uma espécie de sociedade onde o autor aceita um valor cheio ou royalties por exibição.

Estrombo: Quais programas e instrumentos você usa para compor?

T.A.: Eu uso o Ableton Live, Logic Pro. Também trabalho com duas controladoras: uma Akai MPK e uma APC 40. Eu tenho um estúdio completo, com mesa, placas de som…

Estrombo: Tem algum trabalho do qual você gostaria de falar um pouco sobre ele?

O Gears of Music, tributo ao som do game Gears of War, foi lançado de forma física como brinde junto com o jogo. Foi um trabalho curto, rápido e que eu pude me expressar tanto de forma artística como compositor de trilhas. Até hoje é meu grande orgulho, tendo mais de 30 mil downloads e espero fazer mais trabalhos desse tipo. Outro trabalhão de que me orgulho foi o Clash of Game Music, um CD com muitas composições originais minhas e que tem a faixa Falling – uma das minhas composições mais divulgadas pela Internet. Realmente, criar trilhas inspiradas com remixes e temas originais é um modelo que me agrada tanto artisticamente como musicalmente falando. Com certeza, farei mais trabalhos do tipo logo logo, como o Diabólica Sinfonia que vai sair em breve.

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Foto: Mixdown!, por spaceamoeba, CC BY-SA 2.0

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