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Sampling: criando obras derivadas com a produção de terceiros

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Lucignolo - LAB - flickr - renzo_giusti - 3092787756 - CC BY-SA 2-0

É muito comum que os músicos – e todos os artistas, em geral – sejam cobrados quanto à originalidade de seus trabalhos. Muitas vezes, o processo de criação envolve a maneira como o artista lida com suas referências, seja na melodia, no arranjo ou na letra. Em outra direção, a citação pode ser ainda mais explícita, como é o caso do sampling.

A prática do sampleamento tem sua origem com a música eletrônica. No início, os produtores pegavam trechos de músicas gravadas por terceiros e criavam uma obra completamente nova, repetindo esse trecho na faixa para fazer a base. Em alguns casos, o pedaço escolhido era tão retrabalhado que pouco se assemelhava à gravação original. Assim, o sample tornou-se elemento fundante de certos gêneros musicais e culturas como a da própria música eletrônica, do hip hop e, no Brasil, do funk carioca. Veja no vídeo abaixo uma sessão do DJ Sany Pitbull que traz uma série de referências para o funk.

Alguns músicos vão ainda mais além. É o caso do projeto Girl Talk, criado por Gregg Gillis, que usa trechos de músicas bastante conhecidas do universo pop para, através da técnica de mashup, criar suas faixas originais. O álbum “Night Ripper”, de 2006, usa quase em sua totalidade samples de mais de 100 gravações, indo de Britney Spears a Fleetwood Mac.

Quando se trata se sampleamento, é claro que não se deve deixar de lado a proteção legal das obras das quais são extraídos os trechos. Muitos compositores não se sentem à vontade em ter pedaços de suas músicas usadas em outras. Por outro lado, muitos daqueles que liberam suas canções querem receber pelo fragmento utilizado. E não há nada mais justo: afinal, os músicos devem receber por suas criações “primeiras”, sem as quais as obras derivadas não existiriam.

Todavia, ao paramos para pensar no processo de criação, o debate fica ainda mais complicado. Ainda que não intencionalmente, é fato que artistas fazem referências a uma série de obras, materializando suas influências na gravação. Por isso, no que diz respeito ao uso dos samples, o que está em questão aqui é o ponto: quais o limites para a originalidade musical hoje? Criar a partir da obra de terceiros é um processo menos autêntico do que fazer uma composição “do zero”? Como lidar com os diretos autorais (e os custos de transação para autorização dos autores) relacionados a cada música sampleada?

No próximo post, entenda melhor como lidar com os pequenos trechos na música.

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