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No Correio Braziliense: “Composição globalizada”

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All be tuned

A brasiliense Taynah Reis venceu uma seleção acirrada para participar de uma das mais tradicionais feiras de música internacional com o projeto de um aplicativo para que artistas componham, on-line, mesmo que de lados opostos do mundo

Por Gláucia Chaves e Nana Queiroz

Taynah Reis, 24 anos, não é exatamente o que as pessoas visualizam quando imaginam uma nerd da informática. De salto alto, jaqueta de couro branca e um sorriso pra lá de charmoso, ela embala o intelecto de uma autodidata em programação. Aos 14 anos, ensinou a si mesma a linguagem dos computadores. De lá pra cá, tentou balancear a rotina entre essa habilidade e outra paixão: a música. Formou-se em balé, passou a cantar. “Hoje, levo uma vida tripla. De dia, ganho o sustento em uma ONG, como programadora e estudo economia na Universidade de Brasília (UnB). À noite e aos fins de semana, sustento a alma fazendo shows como cantora de música eletrônica”, conta.

Levar uma rotina de três eixos é um trabalho duro – duro demais. Por isso, há dois anos, Taynah passou a buscar maneiras de juntar todas essas aptidões em uma coisa só. Começou a nascer, então, o All be tuned (algo como “todos sintonizados”), um aplicativo que pretende dar a músicos a oportunidade de compor juntos, mesmo que a partir de lados opostos do mundo. “Essa vida de artista em Brasília é complicada. As gravadoras, os estúdios e o pessoal de produção ficam quase todos em São Paulo, e a viagem pra lá é cara. Comecei a observar, então, que havia a demanda por um meio de fazer tudo isso on-line, de maneira interativa”, relata ela.

Ideia no papel, Taynah inscreveu o projeto na Midem – Connected by Music, uma das mais tradicionais feiras do mercado musical internacional. “Neste ano, fizemos um chamado por ideias tecnológicas. Queríamos dar a artistas, gravadoras e produtores a oportunidade de expor seus projetos em Cannes, na França”, explica Olivia Hervy, uma das organizadoras do evento. O plano de Taynah agradou tanto que ela venceu uma seleção para apresentar-se, no início deste ano, diante de uma plateia das mais qualificadas, com rerpesentantes de mais de 90 países. Além disso, uma equipe de 30 programadores de sucesso trablhou por 24 horas no desenvolvimento de sugestões para o All be tuned. “O evento me abriu grandes oportunidades de parcerias e patrocínios. Agora, resta botar a mão na massa”, diz Taynah. “Em um mês e meio, espero estar pronta para apresentá-lo ao mundo.”

O projeto

O conceito do All be tuned está baseado em uma convicção que data da época da criação da rede social MySpace: em tempos de internet, o caminho para os artistas não passa mais, necessariamente, pelas gravadoras. Segundo Taynah, hoje, é possível fazer música de qualidade em estúdios caseiros e, às vezes, com bem poucas ferramentas à mão. “Esses dias gravei uma canção usando apenas um iPhone. Disponibilizei-a na internet e, apenas um dia depois, ela já tinha alcançado 2 mil acessos”, exemplifica a brasiliense. Sites como YouTube, MySpace e demais redes sociais já substituíram, inclusive, o trabalho dos publicitários, criando espaços para que músicos possam se autopromover. Recentemente, o SoundCloud (considerado por muitos a melhor e mais atual encarnação do MySpace) permitiu até mesmo que artistas criem, gravem e editem on-line.

Taynah quer dar o próximo passo. Ela pretende “interativisar” o processo de composição musical. “Se, durante a criação de uma música, eu puder contar com uma ajudinha de outro lado do mundo, por que recusá-la? E se, no processo, eu puder agregar, ainda, valores de outras culturas à minha produção?”, provoca. O All be tuned terá vários formatos. Será uma rede social na internet e um aplicativo em smartphones e tablets. Em todas as plataformas, porém, seu funcionamento será o mesmo.

Tudo começa com o artista e sua ideia. Ele adiciona no All be tuned um áudio ou vídeo com uma prévia de sua música e expressa seus desejos quanto a ela – por exemplo, especificando que instrumentos devem executá-la e se a voz para cantá-la deve ser feminina ou masculina, grave ou aguda. Depois, estabelece quanto pode pagar por cada um desses componentes. Nessa etapa, os valores podem ser módicos, como R$ 1 ou R$ 2, já que, no futuro, cada um dos participantes terá sua fatia do lucro obtido na venda. Os interessados enviam, para o dono do projeto, arquivos – também em som ou vídeo – com amostras de seu trabalho. O artista decide, então, quem “contratará”, compra o arquivo produzido por cada um deles e monta a composição.

Começa a venda. O autor da música diz o seu preçø e o lucro é repartido entre todos os envolvidos, com a maior porcentagem ficando para o dono da ideia. Caso o projeto vire hit, gravadoras podem participar de um leilão para comercializar aquela canção, ou o músico pode optar por vendê-la a uma gravadora parceira do site. “Essa é uma maneira de centralizar o lucro nos artistas e não em quem está comercializando o que eles produzem”, defende Taynah.

David Haynes, diretor do SoundCloud, que esteve presente na apresentação de Taynah, diz que o All be tuned virá em boa hora para o mundo da música. “É uma ótima ideia. Estamos todos muito ansiosos para ver a web facilitando a criatividade e novas formas de colaboração on-line. Na Midem, conhecemos várias pessoas que trabalham em aplicativos nesse sentido.”

Para materializar o All be tuned, a programadora diz estar, agora, em contato com possíveis parceiros e patrocinadores. Ela acredita que seus contatos com a Petrobras, o Ministério da Cultura e o Sebrae estão entre os mais promissores. Os próximos passos contam ainda com escalas em feiras de tecnologia e música na Grécia, Reino Unido e Estados Unidos.

Fonte: Correio Braziliense

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