Blog

iTunes no Brasil: Música digital para quem?

Be Sociable, Share!

Há duas semanas, a iTunes Store começou a operar no Brasil comercializando músicas e vídeos digitais. Essa notícia foi bem recebida por empreendedores da música que, agora, possuem espaço na mais popular loja de bens digitais do mundo. Além da iTunes Store, o Rdio chegou também ao país, trazido pela operadora Oi. O serviço de streaming possui diversos planos de assinatura e pode ser utilizado no computador e no celular. Apesar desses dois produtos terem chegado somente no fim de 2011 às conexões nacionais, produtos como o Sonora, a UOL Megastore e o iMusica já vinham se consolidando há algum tempo nos lares e gadgets brasileiros.

De fato, o Brasil está vendo um aumento nas possibilidades do comércio de música digital, principalmente na categoria “streaming”, que se configurou como uma tendência importante ao longo do ano, desenvolvendo novos hábitos de consumo. Com planos de assinatura relativamente baratos para a quantidade de faixas oferecidas, esses serviços nos permitem acessar, na nuvem, bibliotecas musicais através de nossos computadores ou celulares.

Os serviços são bastante tentadores, mas quais os custos atrelados a essas novidades?

No caso do streaming, para ele ser bem aproveitado no computador, é necessário uma conexão de banda larga; no celular, é preciso contratar um plano de internet ou ter acesso constante a uma conexão via wi-fi. Apesar da banda larga ter ficado mais acessível nos últimos anos, a internet pelo celular continua cara e, normalmente, é feita mediante planos de fidelização de 1 ano mínimo de duração. E os bons smartphones que permitem a contratação desses planos também são caros para os padrões brasileiros.

Sobre a iTunes Store, o caso é ainda mais complexo. Por ser da Apple, todas as operações feitas pela loja virtual são voltados prioritariamente para usufruto em gadgets da mesma empresa, ou seja, iPods, iPhones, iPads etc. No site da Apple, o preço do último modelo de smartphone da empresa vendido no país – o iPhone 4S – varia de R$ 2,6 mil a R$ 3,4 mil. É possível comprá-lo pagando um pouco menos, desde que seja realizado contrato de fidelidade com uma das operadoras que vendem o aparelho. Além do mais, por enquanto, as músicas vendidas pela loja têm seu preço em dólar e precisam ser compradas com cartão de crédito internacional. No fim das contas, eventualmente pode sair mais barato comprar um CD e ripar as músicas para o computador – que, por incrível que pareça, ainda é prática ilegal – do que comprar em moeda estrangeira, pagar IOF, a anuidade do cartão de crédito e torcer para que o dólar não tenha uma alta repentina.

Em entrevista ao jornal O Globo, Felippe Llerena, diretor do iMusica, prevê que “num primeiro momento, o usuário da iTunes Store deve vir mais das classes A e B, proprietárias de iPhones. Mas hoje o consumo digital é basicamente feito pelas classes C e D, pelas compras através dos serviços de operadoras de celulares. Com a iTunes Store, o leque de ofertas será aberto a diferentes camadas da população. O consumo vai aumentar, solidificando a indústria.”

A venda de fonogramas através de plataformas digitais tem seu valor principalmente atrelado à sua conveniência e praticidade. Mesmo sendo um serviço para poucos, e tendo chegado ao Brasil com muitos anos de atraso devido à dificuldade de negociação com as majors – perdendo, assim, a oportunidade de criar hábitos de consumo legal de música em toda uma geração de consumidores – o iTunes pode ser percebido como mais uma boa ferramenta para distribuição de música online.

Você já utilizou os servicos de venda de música online? Como foi sua experiência?

Be Sociable, Share!

Posts relacionados

Deixe um comentário

Farol Digital

 

Siga o @estrombo

Facebook