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Na Folha de São Paulo: “Ministério da Cultura quer foco em Economia Criativa”

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Inspirado em Barcelona e no Reino Unido, ministério estuda gerar núcleos criativos em áreas urbanas degradada; um exemplo de patrimônio com potencial de se transformar em cidade criativa é o centro de São Luís

A terceira maior indústria do mundo, atrás de petróleo e de armamentos, tem como principal insumo a criatividade.

Da moda ao design, passando por cinema e literatura e incluindo a produção de software, a chamada indústria criativa movimenta mais de R$ 380 bilhões no Brasil, segundo estimativa da Firjan (Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro).

O setor ganha neste ano maior relevância institucional, com a criação, no Ministério da Cultura, da Secretaria da Economia Criativa.

O conceito vem dos anos 90: indústrias criativas são aquelas com potencial de geração de riqueza e emprego por meio da utilização de propriedade intelectual.

Do conceito surgiram experiências de cidades ou núcleos criativos, como forma de transformação de áreas degradadas e de desenvolvimento sustentável.

Caso de Glasgow, que uniu todas as disciplinas em uma só escola no meio de uma área degradada e violenta. Por meio do envolvimento dos alunos – designers, estilistas e artistas – com a comunidade, a área foi recuperada.

A criação de núcleos e redes de cidades criativas é uma das prioridades da nova pasta, revelou à Folha de S. Paulo a secretária de Economia Criativa, Cláudia Leitão.

Ela diz que quer se aproximar do Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), órgão do próprio Ministério da Cultura, para estimular a geração de núcleos criativos.

“Temos que promover uma ocupação de prédios históricos que seja inclusiva e que gere riqueza”, diz Leitão, ex-secretária de Cultura do Ceará e professora da Universidade Federal do Ceará.

“Temos muito o que aprender com as experiências de fora, da Austrália, de Barcelona.”

Contraexemplo

Já o exemplo do que não fazer vem de Salvador. “A reforma do Pelourinho tinha enganos graves. Foi feita a partir de uma visão do turismo, de exclusão. Temos de incluir a população local.”

Outro exemplo de patrimônio com potencial de se transformar em cidade criativa é o centro de São Luís.

“O Maranhão precisa tornar a diversidade um ativo para a sua economia. Precisa ir muito além do título de Patrimônio da Humanidade.”

Interessada no tema desde o início dos anos 2000, Leitão foi para Brisbane, na Austrália, estudar com os grandes pensadores da área.

“Esse é um conceito novo, que precisa ser compreendido pela sociedade”, diz Leitão. “Você tem ainda uma visão negativa, que nasce com a Escola de Frankfurt, com uma visão apocalíptica da indústria cultural.”

Segundo ela, o Brasil precisa empreender mais na área e exportar a diversidade cultural, do mamulengo ao software e à arquitetura.

“A criatividade é um insumo que não acaba e a economia criativa pode ser uma grande estratégia de desenvolvimento com distribuição de renda.”

Atraso

O tema chega ao Brasil com atraso de 17 anos. Em 1994, a Austrália foi o primeiro país a apontar a necessidade de desenhar políticas públicas para estimular a economia movida a cultura e criatividade.

Mas o termo indústria criativa só ganhou visibilidade internacional em 1997, quando o governo britânico do trabalhista Tony Blair criou a Força-Tarefa das Indústrias Criativas.

(Folha de São Paulo)

(Fonte: Jornal Pequeno – 15 de fevereiro de 2011)

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