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Archive for abril, 2013

Fim da trama: acervo de música virtual sai do ar amanhã

Fim da trama: com quase 80 mil artistas cadastrados, acervo de música virtual foi tirado do ar. Saiba mais → http://glo.bo/11wu7zy

Vídeos ressurgem como uma boa forma de músicos aumentarem sua visibilidade

Houve um tempo em que o videoclipe pareceu estar à beira da morte. Não mais. Com a explosão do vídeo on-line, ele também encontrou um novo alento.

Em 2012, dos dez vídeos mais assistidos no YouTube Brasil, nove eram musicais. “As gravadoras são nossos principais parceiros comerciais”, diz Álvaro Paes de Barros, gerente de parcerias do site de compartilhamento de vídeos mais popular do mundo, com um bilhão de usuários e exibição média de 72 horas de conteúdo por minuto.

A ressuscitação do videoclipe é mais um capítulo na relação cheia de altos e baixos entre a indústria musical e a internet. A rede primeiro causou um terremoto no negócio das gravadoras, por meio dos serviços de compartilhamento de músicas. Depois, mostrou ser uma ferramenta preciosa de lançamento de novos talentos e de divulgação do trabalho de músicos em qualquer fase da carreira. Com o avanço da banda larga e o crescente acesso ao vídeo por meio da internet, era mesmo uma questão de tempo até que os clipes voltassem com força – ainda que não exatamente como em sua era dourada.

Sobre a relação da música com a internet Mr. Catra foi ainda mais longe, o funkeiro afirmou em entrevista para o portal R7 que “a internet acabou com a indústria do jabá.” Para quem não lembra, jabaculê ou jabá é um velho termo utilizado para denominar um suposto suborno das gravadoras a emissoras de rádio e TV pela execução de determinada música de um artista.

Cada vez mais a internet tem se tornado uma forte aliada de artistas anônimos que buscam o sucesso em seu meio de atuação. Uma simples postagem em sites especializados pode se tornar um sucesso mundial, como é o caso do sul coreano Psy. Ou, ainda, mais perto da gente, da artista Clarice Falcão, que se tornou conhecida quando resolveu colocar na internet o vídeo de uma de suas composições intitulada de “Oitavo Andar”.

Querem mais? Tem a Lily Allen, uma cantora totalmente independente, começou a fazer sucesso no site MySpace em 2005. Justin Bieber também foi reconhecido por seus talentos no youtube, e depois disto foi contratado por Scooter Braun e ainda começou a receber tweets de famosos que queriam fazer parcerias com o garoto que se tornou um grande sucesso mundial. De volta ao Brasil, temos Mallu Magalhães que contou também com sucesso pela internet, juntou um dinheiro gravando músicas que eram disponibilizadas no MySpace.

Além de Luan Santana – quem, quando criança, teve seu talento negado no programa de calouros do Raul Gil – que aos 14 anos de idade gravou um vídeo caseiro com os amigos e após postar no youtube, contou com muitos acessos.

E você, já postou o seu?

Tire proveito das oportunidades que a internet oferece: divulgue seu trabalho, lucre.

Negócio por acaso

A frustração acabou sendo a origem um de negócio inovador e muito bem sucedido. Há três anos, uns amigos cariocas queriam ver um show musical que só estava previsto para São Paulo. Fazendo conta daqui, outra dali, o grupo apostou no interesse de outros fãs para trazer os artistas para o Rio de Janeiro.

O obstáculo a ser vendido era levantar US$ 10 mil para bancar o cachê da banda e o espaço de apresentação. Com experiências profissionais diferentes, transitando entre o cinema e a música, o grupo tratou de acionar os amigos de cada área e viabilizaram o sonho.

O caso bem sucedido foi relatado na palestra Crowdfunding Queremos.com, uma das atividades do seminário ABMI Digital & SYNC, que acontece no Rio de Janeiro até este sábado (20).

Como levantaram muito mais dinheiro do que esperavam e conseguiram uma excelente receptividade, os amigos descobriram que tinham um negócio nas mãos e decidiram apostar as fichas neste novo modelo.

A ideia engenhosa consistia em calcular os custos de produção e conseguir um número mínimo de adesões para viabilizar a atração. Atingida a meta, o custo do ingresso baixava e os primeiros recebiam reembolso para garantir que não fossem penalizados por terem acreditado primeiro na proposta. Essa preocupação ética acabou rendendo um ganho colateral: o site Queremos.com ganhou credibilidade.

Hoje, com mais de 3 mil bandas cadastradas no site e um aplicativo chamado Eu Quero – espaço que os internautas sinalizam o que querem ver, os empresários conseguem de antemão viabilizar o interesse despertado e calcular previamente os custos. Nesta equação, eles levam em conta ainda fatores como o número de seguidores de cada um no twitter e a resposta nas redes sociais e, desta forma, podem oferecer preços mais baixos porque a procura já pode ser estimada.

Com o nome We Demand, os empresários estão investindo agora operam no mercado americano onde já realizaram três shows de sucesso. “Estamos começando uma nova etapa, porque lá não temos os mesmos contatos, mas o princípio continua o mesmo: oferecer shows para quem gosta a um preço justo. Ganhamos menos que outros produtores, mas esta é a nossa ética de trabalho”, resumiu um dos sócios, Bruno Natal

Conteúdo musical amplificado

A música brasileira tem uma qualidade indiscutível e uma característica que aumenta muito o seu valor: a diversidade. A avaliação foi um consenso, bem como a dificuldade de aumentar a presença deste conteúdo nas diferentes plataformas. Este foi o ponto de partida entre os especialistas que participaram do “Sincronização em Ficção”, debate do Seminário ABMI Digital & SYNC, que aconteceu no Rio de Janeiro entre 18 e 20 de abril.

A transformação do audiovisual em uma indústria sustentável depende da superação de uma corrida de obstáculos. Da adaptação do mercado à nova legislação à dificuldade de encontrar profissionais especializados em segmentos específicos, como games, à falta de uma tabela média de preços.


“A música costuma ser um dos últimos itens do orçamento de uma produção e os valores não tem qualquer lógica. Muitas vezes, a variação de preço chega a 500%. Mas estou otimista, porque acho que o mercado está mudando e se profissionalizando”, avaliou o diretor da Associação Brasileira dos Produtores Independentes (ABPI), Leonardo Dourado.

O gerente executivo da Abragames, Gerson de Souza, também se queixou da variação de preços, sobretudo, no caso dos jogos eletrônicos em que não é possível q”uantificar o tempo em que a peça será executada devido à própria dinâmica da atividade. “Já existe um padrão de valores no exterior que pode ser aproveitado como ponto de partida e para diferentes trabalhos”, sugeriu.

A criação de uma plataforma específica que promova uma maior interação entre as pontas deste mercado, facilitando a troca de informações; um banco de dados com conteúdo disponível e direitos autorais já garantidos; além de preços adequados à realidade nacional foram outras propostas colocadas pelos debatedores.

“A música não deve ser vista como ilustração de uma cena, mas como um conteúdo cultural pleno e é assim que ela deve ser tratada”, acentuou o diretor da TV Brasil, Ricardo Vilas.

Criar um espaço nobre e exclusivo para a música brasileira, com uma programação enriquecida com entrevistas e documentários são as propostas do Music Box Brazil, primeiro canal dedicado exclusivamente à música brasileira criado no Tecnopuc (RS), e criado já com foco na distribuição de conteúdo para diferentes plataformas como tablets, telefones e TV.

“Nós temos a melhor música do mundo e é uma conquista enorme participar da abertura de um canal que abrigue de artistas consagrados aos independentes e ainda dar oportunidade aos talentos regionais, fora do eixo mais tradicional de produção”, reforçou Márcio Mazeron, da Musica In Box Brazil.

Novas unidades de negócios para a música

Uma serenata enviada por e-mail, campanha de uma marca para os Dia dos Namorados, ou um ovo de Páscoa com um código que dava acesso a músicas, investimento de um fabricante de chocolate que queria chegar ao público adolescente. Estes foram alguns dos casos apresentados de novas possibilidades de negócios abertas pelo mundo digital, que foram apresentados na palestra Music Branding, no Seminário ABMI Digital & SYNC, realizado também pelo Sebrae/RJ e BID, que aconteceu no Rio de Janeiro, entre 18 e 20 de abril.

“Hoje, trabalhamos com toda uma dimensão nova de negócios. Pessoalmente, acredito que um artista já deve começar sua carreira pensando nessas possibilidades”, avalia o gerente comercial da imusica, Ulises Gasparini, empresa com escritórios em toda a América Latina, que trabalhou nessas campanhas.

Licenciamento de conteúdos para lojas digitais e criação de plataformas para clientes que queiram usar a música para reforçar a marca ou como modelo de negócio no caso de uma operadora de celular, que usa a música como uma das fontes comerciais, como é o caso do ringtone, são algumas das expertises da imusica.

Para melhor otimizar as mudanças, as empresas que atuam nessa área também estabelecem parcerias, estratégia adotada pela imusica e a Pleim, empresa brasileira que atua em mais de cem países, para complementar a atuação dos setores em que cada uma atua.

Henrique Portugal, sócio e diretor de operações, mostrou um pouco da história da banda Skank, da qual é tecladista, para explicar porque decidiu entrar também no mundo dos negócios. “Sou do tempo em que os pais nos pediam para programar o videocassete. Hoje, precisamos dos nossos filhos para saber o que os jovens estão ouvindo e como chegar a eles”, brincou.

Mas Portugal deixa claro que as mudanças foram tão imperativas, que foi natural se aliar a Pleim, primeiro como artista e depois como executivo. “A música será digital por uma questão de sustentabilidade e praticidade e o conceito está mudando de posse para uso, mas isso é bom para o artista? Foi isso que me motivou a procurar a empresa”.

O modelo adotado pela Pleim, que atua em mais de cem países, inclui negócios diversos como licenciamento, desenvolvimento de produtos e crowfunding. “Não se trata apenas de divulgar a música e vender ingressos, mas explorar todas as possibilidades. Deixamos bem claro que o dinheiro da música é do artista, fato importante para que essa modelagem funcione”, adverte Portugal.

Vincular a marca a uma forte lembrança emocional é uma velha estratégia comercial, mas com o mundo digital, na avaliação dos especialistas, o jogo está apenas começando. “Ainda estamos muito longe de esgotar este modelo”, reforça Gasparini, da imusica.

Farol Digital

 

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