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Archive for julho, 2012

Grandes nomes da música brasileira: entrevista com Mayrton Bahia – Parte 3

Foto: mini studio, por tacoekkel, CC BY-SA 2.0

Estrombo: Você acha que com o barateamento dos equipamentos de gravação, novos canais de distribuição e tecnologias, é mais fácil viver de música hoje?

M.B.: Eu acho que é mais fácil no sentido de dar visibilidade a pessoas que jamais teriam essa possibilidade se não fossem essas tecnologias. Claro que é mais difícil por outro lado, porque também tem muita gente com acesso à tecnologia.

Estrombo: Então, existe uma competição por atenção?

M.B.: Existe porque todo mundo tá querendo atenção. Aqueles que têm o que dizer, e aqueles que não tem muito o que dizer. É nessa hora que eu acho que precisa do produtor… não só do produtor, mas também de um bom diretor midiático, digamos assim. Ele vai descobrir também qual é a melhor mídia para o que você tá fazendo, o melhor nicho.

Estrombo: Nesse sentido, você acredita que a cadeia produtiva da música está mais diversificada, com novas funções que precisam ser incorporadas?

M.B.: Eu acho que hoje tem muitas viabilidade para as pessoas que jamais iriam ter essa chance. Na época que eu trabalhava em gravadora, recebia milhares de fitas cassete, CDs demo e a gente sabia que não tinha espaço pra todo mundo. Hoje tem. Agora, por outro lado, os artistas e as pessoas que estão junto com eles precisam desenvolver uma nova competência para não cair na rede na mesmice generalizada. Você tem condição hoje de alcançar o mundo inteiro, mas tem que começar pelo seu nicho, achar a tua turma e o seu perfil. E descobrir qual é maneira melhor de você trabalhar aquela tecnologia. Acho que o marketing e essa “era da farsa” que eu digo deu uma falsa sensação de que todo mundo é artista, no sentido de nivelar todo mundo. Por um lado é bom, mas por outro causou uma certa urgência. Então, as pessoas fazem qualquer coisa pra aparecer. Botar a cabeça de fora parece que ficou mais importante do que dizer alguma coisa. Já era difícil há um tempo atrás, precisava de um prazo médio a longo pra você estabelecer a carreira de um artista para ele se desenvolver e poder viver disso pela vida toda. Hoje, com esse excesso de canais de mídia, isso fica mais complexo ainda. Acho que precisa também de outras pessoas para afinar com o produtor musical e com o artista pra que ele consiga ter uma identidade. O risco que a gente corre hoje é a perda de identidade total.

Estrombo: Existe esse perigo do acesso ficar mais importante do que o próprio produto?

M.B.: Exatamente. Hoje, você tem muito mais acesso ao conhecimento e à tecnologia do que antes. Mas quando você pega um loop da internet, um groove já pronto, maravilhoso, tem milhares de pessoas no mundo inteiro usando esse groove. Se você não der a sua visão, não jogar quem é você nesse groove… você pode usar, mas ele por si só não basta. Essa é a diferença, entendeu? Você tem que se apropriar daquilo ali. Não é copiar ou roubar uma coisa do outro. Se apropriar é você tornar seu, interagir com aquilo e transformar numa parte sua; modificar e usar como um recurso pra você dizer quem é você. Esse é o truque da música pop: não é você inventar uma coisa que ninguém nunca ouviu, mas a maneira como você vê aquilo, como você se apropriou daquilo e o uso que você tá fazendo. Essas construção é que eu acho importante. Uma construção onde você tá usando a sua matéria-prima. Então hoje esse é o desafio da internet. Tá tudo lá. Toda a tecnologia, todos os plugins, todos os recursos tecnológicos, todos os grooves, músicas com pedaços prontos, você pega, junta… É como a vovó que faz bolo. A receita tá lá, você faz e fica uma merda. Outra pessoa faz e fica uma merda. Então, a vovó faz e fica maravilhoso, porque aquilo ali tem toda uma vivência, a quantidade que ela coloca de açúcar, o jeito que ela roda a colher de pau três vezes para um lado, três vezes para o outro, sei lá… É isso que eu to falando. A música é assim. A música pop é isso.

Foto: mini studio, por tacoekkel, CC BY-SA 2.0

Grandes nomes da música brasileira: entrevista com Mayrton Bahia – Parte 2

Foto: Guitar Study 1, por fmerenda, CC BY-SA 2.0

Estrombo: Muitas bandas se auto produzem hoje. Qual a vantagem de ter um produtor fora da banda coordenando tudo?

M.B.: Às vezes não é vantagem. Tem bandas que estão tão afinadas com o que elas têm a dizer que pode ser até que o produtor atrapalhe. A vantagem é quando você encontra um produtor que condiz com o perfil que a banda quer trabalhar, com aquilo que a banda é. Se o produtor é experiente, ele sempre tem o que acrescentar naquilo que a banda quer fazer. Continua tendo muito campo pra produtor porque porque tem muita banda, tem muita gente fazendo música hoje. Se você é um produtor com experiência, vai economizar tempo dessas pessoas e vai poupá-los de uma série de tentativas e erros. Eles vão economizar dinheiro, tempo e os caras vão gastar mais energia naquilo que é mais eficaz.

Estrombo: Qual o melhor caminho para a banda escolher um produtor?

M.B.: Procura olhar o que o produtor já fez, vê se rola uma identificação com os trabalhos que ele realizou. Eu acho que a parte mais importante de uma produção é a pré-produção. Nessa etapa, banda e produtor se conhecem e muitas vezes o próprio produtor pode não querer trabalhar com aquela banda. Na pré-produção, você bota as pessoas pra ensaiar, testa e vê se alguma coisa que você observa tem repercussão na banda ou se há alguma coisa você acha que precisa mudar e se a banda tem a capacidade de fazer essa mudança. Por exemplo, tem produtor que às vezes quer mudar uma coisa na banda e chama outro músico – ignora a banda. Eu não trabalho assim. Ou eu trabalho com a banda como ela é e, dentro daquilo que ela é, acrescento e potencializo alguma coisa ou prefiro não fazer. Simplificando: seu som é sujo e você só conhece três acordes. O que você tá dizendo precisa de mais do que isso? O seu discurso, a maneira como você se apresenta no palco, como você se expressa, precisa de uma elaboração maior do que essa? Não precisa, tá condizente? Então vamos fazer. Agora é claro que, ao longo do tempo, essas pessoas vão evoluindo no sentido de pegar mais técnica no instrumento, de conseguir lidar com a mídia, que é uma outra escola. A gente não tem faculdade de artista, a pessoa aprende no tapa.

Estrombo: Nesse sentido, as gravadoras davam uma espécie de assessoria que hoje talvez não tenha mais?

M.B.: Total. Não tem mais. As gravadoras eram essa faculdade. E a gente convivia com os artistas o tempo todo. Eu ia no show, conversava. Existia uma construção de conhecimento fonográfico muito grande nessa sociedade que vivia dentro da gravadora. E a troca de informação era muito intensa. Por exemplo, na Odeon eu tinha três estúdios. Eu estava com o samba da Clara Nunes num estúdio, com 14 Bis no outro e com música popular no terceiro. Você podia ter, de repente, Nana Caymmi encontrando com Reginaldo Rossi, encontrando com Flávio Venturini. Legião encontrou com 14 Bis e fez uma música pra eles. A Nana encontrava com o pessoal do Clube da Esquina. Eu produzindo Elis Regina, tava o Lô Borges gravando no outro estúdio, fizemos uma música com o Lô Borges participando. Então era uma coisa muito intensa, muito viva.

Estrombo: É mais difícil vermos surgir hoje um grande astro da música brasileira?

M.B.: Eu acho mais difícil sim. Agora, não quero dizer que não vá acontecer. Acho que nós ainda estamos numa margem de transição muito grande. Ainda tá um pouco cedo pra gente poder concluir sobre isso. Antes, havia todo um incentivo. A gravadora deixava de pagar uma grana de ICM pra investir em produção nacional. Depois, quando começou a abertura política, a ditadura foi ficando mais branda, nós entramos na era do entretenimento. Então, as gravadoras falavam assim: “nós não somos uma empresa de cultura; nós somos uma empresa de entretenimento. Nosso negócio aqui não é fazer música cabeça. Já brigamos com censura, a música é pra entretenimento”. E começaram a investir pesado em música pra divertir, pra dançar, mais leves. Isso durou pouco e, logo em seguida, nos anos 90, a gente entrou na era do marketing. As gravadoras diziam: “nós não somos empresas de disco, nem de música. Nós somos empresas de marketing”. Não só as gravadoras, né? O marketing deu uma bombada em todas as áreas, o mundo ficou capitalista ao extremo, todo mundo correndo atrás do dinheiro… Não se preocupava. muito com a identidade do artista e com o que ele tinha pra dizer, mas como deve ser dito. E já é uma conclusão minha que, do meio dos anos 90 pra cá, início dos anos 2000, nós saímos da era do marketing e entramos na era da farsa. Acho que hoje a gente vive na era da farsa mesmo, descaradamente.

Estrombo: E como isso aparece na música?

M.B.: Por exemplo, quando assisto alguns programas musicais na televisão. Tem algumas coisas muito boas, mas a pessoas estão muito mais preocupadas com a sua performance, com a sua imagem, do que com o próprio conteúdo das músicas. Vejo músicas fantásticas que, ao invés de serem potencializadas, são destruídas. A música tá servindo apenas como um degrau pro artista. A pose tá ganhando muito mais relevância do que o conteúdo. É claro que ainda tem alguns artistas que cantam uma coisa porque têm necessidade de dizer aquilo. Pra mim, isso é a base pra gente formar aqueles grandes nomes que a gente vê aqui.

Estrombo: Mas a construção da performance sempre teve um peso importante em uma carreira.

M.B.: As pessoas estão jogando muito pra plateia e também jogavam há um tempo atrás. Só que havia o que se dizer e se expunham muito para isso. A Cássia Eller, por exemplo, era uma pessoa extremamente tímida. Ela não falava muito sobre ela, jogava o cabelo no rosto, mas quando subia no palco ela se expunha totalmente. Ela precisava do palco pra gritar esse tipo de coisa pra todo mundo. É isso que eu sinto falta hoje. Eu sinto falta dessa coragem das pessoas chegarem publicamente e mostrar aquilo que elas realmente são. Isso pra mim é a matéria-prima pra você ter esses grandes artistas. Então por isso que eu digo que tá cedo. Nós estamos ainda nesse deslumbramento de que tudo o que você mostra, é; tudo o que você apresenta, é. Acho que vai chegar um momento que as pessoas vão ficar com o saco cheio disso. Acho que vai chegar num momento em que as pessoas vão ter a necessidade de mostrar o que elas realmente são. Acho que a gente tá vivendo uma época em que isso tá muito complicado com a mídia. Eu sinto que muitos artistas dão mais prioridade à embalagem. Eles vão lá, fazem aquele mise en scène todo e você não sabe quem são elas. Elas não colocam pedaços delas no que elas tão cantando, na maneira que elas tão cantando. É isso que eu sinto falta.

Foto: Guitar Study 1, por fmerenda, CC BY-SA 2.0

Grandes nomes da música brasileira: entrevista com Mayrton Bahia – Parte 1

Foto: Vinyl Heaven, por realsmiley, CC BY 2.0

Em mais de 30 anos na indústria fonográfica, Mayrton Bahia ajudou a construir a história da nossa música. Começou como técnico de som na gravadora Odeon e, assumindo o cargo de produtor musical, trabalhou com 14 Bis, Elis Regina, Legião Urbana, Ivan Lins, Wagner Tiso e navegou por diferentes estilos e personalidades. Na mesma empresa, foi gerente de produção e cuidou de um casting que, no auge do Brock anos 80, tinha Plebe Rude, Paralamas do Sucesso e Blitz, entre muitos outros.

Nos anos 90, recebeu carta branca do presidente da Polygram ao ser contratado como diretor artístico da gravadora. E lá, diz que conheceu o Brasil com a música sertaneja, através da dupla Chitãozinho e Xororó. Como o boa parte do seu elenco era popular e vendia bastante, pôde fazer apostas arriscadas ao lançar no mercado a cantora Cássia Eller e os irmãos Sandy & Junior.

Ligado em tecnologia, antes da sair da Polygram percebeu os desafios que a indústria fonográfica enfrentaria quando a Phillips vendeu a gravadora e lançou o CD gravável no mercado. Em 1993, criou o selo Radical Records, pois queria lançar tudo aquilo que as gravadoras não abraçavam, como o Rap e o Punk Rock, mesmo tendo algum tempo depois aberto para o pop rock nacional.

Conversando com o Estrombo, o produtor, que em 1999 criou o curso de Produção Fonográficada Universidade Estácio de Sá, enfatiza a importância de descobrir a identidade do artista, a matéria-prima sobre a qual os novos profissionais devem trabalhar. Confira a primeira parte da entrevista a seguir.

Estrombo: Afinal, o que é produção musical?

Mayrton Bahia: Grosso modo, o produtor musical é como se fosse aquele diretor de cinema. É o cara que fica responsável por tudo que está ligado à produção do fonograma. Não a produção fisica, mas o conteúdo musical. Então, ele dirige o cantor no estúdio, participa da escolha do repertório… Ele dirige o técnico que tá gravando, o engenheiro de som… Essas funções eram realizadas pelos diretores artisticos, que, desde os anos 90, com as mudanças nas gravadoras, virou mais um cara ligado ao faturamento direto da empresa. Ele era o grande visionário da gravadora, aquele cara que via o artista, vislumbrava uma carreira e decidia o repertório junto com ele. Essas funções se deslocaram para o produtor musical.

Estrombo: Qual seria a diferença entre o produtor musical e o produtor executivo?

M.B.: Essas nomenclaturas que também causam muita confusão. Tem muitos discos que você pega e está assim: “produzido por”. Quando está “produzido por”, é porque esse cara fez a produção musical e a produção executiva. A produção musical, em princípio, está mais ligada à parte artística, musical em si. E a executiva é o pagamento dos músicos, o orçamento, o cronograma da gravação, aluguel de equipamento, aluguel de estúdio. Toda a gestão econômica seria a produção executiva.

Estrombo: E você assumia as duas funções?

M.B.: Na minha vida toda, eu só fiz um disco que tinha produtor executivo – e odiei. Odiei o cara tentando me regular ali, dizendo o que eu posso e o que eu não posso fazer. Eu faço tudo. Tem que ter um plano de gravação, um organograma. Aí você coloca as semanas que vai gravar, o que vai gravar, quanto custa, pega a aprovação da gravadora. E você trabalha diretamente ligado ao diretor artístico, pois é ele que te contrata. Quando eu comecei nos anos 70, as gravadoras tinham produtores musicais contratados, mas isso acabou. Hoje, tem o diretor artístico que é um cara que cuida do casting da gravadora. E esse diretor artístico é o que contrata os produtores musical e executivo. E hoje é freelancer, todo mundo é produtor musical independente.

Estrombo: Você diria que é essa é uma das principais mudanças na produção musical dos anos 70 e 80 pra hoje?

M.B.: Sem dúvida. Quando eu entrei, já tinha produtor musical freelancer – embora eu tenha trabalhado muito tempo como produtor contratado, pegando samba, rock, MPB… Eu ficava 24 horas no estúdio. Mas a grande mudança foi o deslocamento da ação do diretor artístico. Eles eram as figuras-chave das gravadoras. Eram os caras que davam o a concepção artística da gravadora, a sua identidade. Eles eram os descobridores de talento e que cuidavam de todo o repertório, parte fundamental de qualquer carreira artística. Nesse período, as gravadoras arriscavam. Você podia pegar artistas sem ter certeza que ia vender. E as carreiras de grandes artistas que nós temos hoje foram criadas nessa concepção. As gravadoras “cresciam” o cara no estúdio. Não havia aquela pressão louca de venda. Até porque eles tinham o casting artístico de venda, com produtos mais comerciais. Hoje as gravadoras só pensam no mercado. Não existe mais esse investimento a médio, longo prazo. Eles querem resultado imediato.

Estrombo: Não é mais aquela aposta que vai desde o início.

M.B.: Nos anos 90, quando eu saí, já essa sentia dificuldade, pra onde a gente estava caminhando. Mas por outro lado, cabe hoje aos selos independentes essa pesquisa, esse investimento, o laboratório do artista. Lá, você vai desenvolver um perfil do artista, a personalidade dele…

Estrombo: Então, esse é um dos principais papeis dos selos independentes hoje?

M.B.: O que acontece: é muito difícil você desenvolver uma carreira já lançando doze músicas. Se o perfil do artista ainda não está desenvolvido, maduro, tem o risco de queimar. Antigamente, esse laboratório envolvia o single. Você lançava duas músicas e elas nem sempre aconteciam. Então, no início da carreira, você não vende o artista, você vende a música. Esse era o investimento a longo prazo. Quem é esse artista? Qual é o tipo de música onde ele vai se expressar melhor? Que tipo de arranjo, que tipo de sonoridade vai ser mais adequada pro que ele tem a dizer? Será que esse cara realmente tem alguma coisa a dizer ou ele é só um produto da mídia? Tinha essa separação: aquele que era o cara do mercado imediato, que está ali apenas pra suprir o que o mercado já quer; mas tem aquele que tem uma necessidade maior de se expressar. Que só consegue, de repente, dizer o que ele realmente quer dizer, em determinado estilo de música, com determinado tipo de sonoridade. São artistas complicadíssimos e foram sempre os que eu preferi trabalhar. Eu sempre escolhi os mais complicados. Na época eu me identificava mais com isso. Então com esses artistas, você lança uma, duas músicas, às vezes não dava certo. E ia assim até descobrir qual era a identidade dele. Sua identidade sonora mesmo, musical.

Estrombo: Mas sempre lidando com o mercado, né?

M.B.: Sim, claro. Mas tinha mais tempo pra chegar no mercado. Você tinha tempo pra errar, experimentar. Nesses singles, às vezes o cara acertava uma música, depois outra, aí fazíamos um LP com as músicas que ele acertou. Depois, um segundo LP. Pra você investir num artista novo, tem que estar preparado para ter um prejuízo durante quatro, cinco anos. Você precisa buscar uma identidade, por mais construída que ela seja. Você vai construir baseado numa matéria-prima que existe. Como que eu vou transformar isso, viabilizar isso da maneira mais autêntica possível? São trabalhos complicados.

Estrombo: E quando o artista começa a vender?

M.B.: Chega no momento em que o público não está comprando mais a música, mas sim o artista. Quando chega nesse crossover da carreira deles, o cara começa a virar um grande artista. E todos aqueles discos que deram prejuízo na carreira dele começam a vender também. O cara morre e continua tocando no rádio, continua vendendo. Isso não tem mais nas gravadoras. Agora, os selos independentes estão aí pra isso, pra fazer esse laboratório.

Foto: Vinyl Heaven, por realsmiley, CC BY 2.0

Música brasileira agrada compradores estrangeiros

Foto: Mixdown!, por spaceamoeba, CC BY-SA 2.0

Rodada de negócios reúne executivos de grandes empresas e profissionais fluminenses

Por Regina Mamede

Um encontro de meia hora com cada um dos oito compradores americanos foi o tempo destinado aos 27 profissionais de música no Rio de Janeiro. A Rodada de Negócios que aconteceu nesta quarta-feira (18) fechou o Projeto Encounters – Comprador & Imagem.

A negociação com executivos de empresas do porte da Microsoft, Apple e Getty Images – um banco de dados de imagem digital – é mais uma das ações do projeto Estrombo, do Sebrae/RJ em parceria com o Brasil Música & Artes (Brasil Music Exchange – BM&A), e apoio do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e Fundação Getúlio Vargas (FGV).

“Decidi vir ao Brasil para ver as pessoas que estão por trás da música. A qualidade é muito boa e todos fazem uma produção que acompanha as influências globais, mas com a característica brasileira”, definiu o diretor do Departamento de Música da Microsoft, Kyle Hopkins. “Estar aqui é o primeiro passo para estabelecer relações de negócios. Achei o cenário muito promissor”, reforçou o vice-presidente da Music Dealers, Kavi Ohri, empresa de sincronização de músicas que podem ser usadas em comerciais e filmes.

Os 27 profissionais que participaram da rodada de negócios foram escolhidos entre 50 candidatos. A seleção foi resultado de um pitching – modalidade de encontro em que os interessados fazem a defesa do projeto, que aconteceu nesta terça (17). Achei um formato interessante, sobretudo, porque são todos dos Estados Unidos, o que facilita a interação entre eles. No meu caso, entendi melhor como funciona a sincronização, quando a música pode ser usada em comerciais ou jogos eletrônicos”, avaliou Carlos Mills, dono da gravadora carioca Mills Records, que participou do evento pela primeira vez.

Para David McLoughlin, da BM&A, “a música brasileira é reconhecida pela sua qualidade e isso ninguém discute. O que propomos é que empresários e artistas encarem essa produção criativa como um negócio, desde o registro da música à confecção de um cartão de visita que permita conexão com o celular e possa mostrar a canção na hora para o comprador”.

“A iniciativa é importante para que os empresários da cadeia produtiva da música conheçam as novas tecnologias e identifiquem as oportunidades de negócios ligadas à comercialização e distribuição da música”, arrematou a gestora do Estrombo, Marília Sant´Anna, do Sebrae/RJ.

Fonte: Agência Sebrae RJ

Foto: Mixdown!, por spaceamoeba, CC BY-SA 2.0

Seminário reúne convidados internacionais no Rio

Foto: Guitar Study 1, por fmerenda, CC BY-SA 2.0

Ontem teve início o “Projeto Encounters – Comprador & Imagem”, do Brasil Music Exchange, promovido pelo Centro Cultural Midrash, pelo Sebrae e pela BM&A, no Rio de Janeiro. O seminário com os convidados internacionais deu a largada para as sequências de mesas-redondas e pitchings, onde os empresários e artistas brasileiros apresentaram seus produtos com o objetivo de fechar parcerias e negócios.

Tracy Maddux, diretor executivo da CD Baby, foi o primeiro a apresentar sua empresa. Um dos maiores distribuidores de música digital voltado para músicos independentes, o CD Baby oferece diversas ferramentas e firma parcerias com empresas como iTunes, Soundcloud e Facebook para que os músicos tenham a melhor exposição possível do seu produto. Algumas vantagens da plataforma dirigida por Tracy é o grande número de usuários, a distribuição ser auto-administrada por artistas e bandas e o alcance global. Além disso, acrescentou que o CD Baby pode ser um excelente espaço de divulgação dos artistas iniciantes. Músicos de grandes gravadoras, como Jack Johnson e Regina Spektor, começaram suas carreiras usando a plataforma.

Em seguida, foi a vez de Kyle Hopkins falar um pouco do seu trabalho como supervisor de música da Microsoft. O público assistiu alguns vídeos de projetos coordenados por Kyle, que explicou a importância da sua função: “Fazer supervisão musical é encontrar a melhor música para o momento certo”. E são de vários tipos os trabalhos supervisionados por ele, de games e softwares a campanhas de marketing.

Kavi Ohri apresentou a Music Dealers, empresa de licenciamento que conecta diferentes músicas de diversos artistas independentes com as várias oportunidades de uso de suas faixas por grandes marcas. O empresário falou que essa é uma época muito empolgante, em especial para a música independente do Brasil.

Depois, Matt McDonald contou um pouco sobre a sua função na CMJ Network. Sua atividade principal é montar o showcase de artistas na Maratona de Música CMJ, mas também supervisiona vários eventos e iniciativas de licenciamento musical na CMJ.

Melinda Lee veio representando o Getty Images Music, departamento especializado em música de uma das maiores empresas de licenciamento de conteúdo do mundo. A Getty Images Music media o licenciamento de músicas para filmes, programas de televisão e, até mesmo, livros. O site tem milhares de visitantes por mês, sendo que muitos deles são criadores de conteúdo procurando música para inserir em suas produções. Ela resumiu de forma bem direta sua presença no evento: “Estou aqui para procurar música boa do Brasil”. E deu uma boa dica para os artistas interessados na plataforma: é importante oferecer cortes de 30, 60 e 90 segundos das faixas para serem usados em campanhas publicitárias e também disponibilizar versões instrumentais, pois são demandas constantes de seus clientes.

A próxima a se falar foi Leticia Montalvo, que tem uma intensa relação com a música brasileira. Em 1993, ela fundou a empresa Tempest Entertainment e, na apresentação, comentou alguns futuros projetos, entre os quais, um que visa destacar no cenário internacional a música feita no Brasil.

A empresa Cyper PR foi fundada por Ariel Hyatt para orientar e criar planos de mídias sociais para artistas independentes. Já que cuidar de uma carreira musical dá bastante trabalho, a ideia é ajudar os músicos a desenvolverem suas histórias em redes como o Facebook, YouTube, Twitter e Pinterest, atraindo mais fãs e oportunidades de negócios.

Por fim, Robert Singerman, que tem uma relação de mais de trinta anos com o mercado fonográfico, encerrou a primeira parte do “Projeto Encounters” falando de alguns dos seus projetos, como LyricFind e o 88tc88. O empresário destacou a importância das letras de música, um dos termos mais pesquisados no Google.

Após as apresentações, público e convidados se reuniram para trocar ideias e desenhar planos para criar novos negócios em música.

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Foto: Guitar Study 1, por fmerenda, CC BY-SA 2.0

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