Tags

Archive for junho, 2012

Como é o trabalho de um compositor de música para games?

Um mercado que ainda precisa se desenvolver bastante no Brasil é o de trilha sonora para jogos eletrônicos. Ainda que seja um campo profissional restrito, alguns músicos se arriscam e investem numa produção bem diferente da que estamos acostumados. Uma dessas pessoas é o compositor Thiago Adamo. O artista e produtor já fez mais de 15 trilhas, para games diversos, e lançou dois CDs com música de games. Confira abaixo a entrevista que o Estrombo realizou com ele e deixe sua opinião nos comentários.

Estrombo: Como o trabalho de um compositor de música para games se diferencia do trabalho de outros compositores?

Thiago Adamo: Basicamente, quanto ao uso das peças musicais criadas. No cinema, a peça é criada com a finalidade de sonorizar apenas uma cena de duração fixa. Para games, normalmente, o compositor vai criar músicas que podem ser utilizadas em forma de loop em estágios ou fases que podem durar mais de uma hora, por exemplo. Essa diferença gera uma série de técnicas especificas na composição de trilhas para videogames.

Estrombo: Como você chega à conclusão de que determinada música é a ideal para um certo game?

T. A.: No começo de qualquer projeto existem reuniões para definição da estética que os desenvolvedores querem para o game. Porém, o mais comum é o envio de artes conceituais do jogo, gameplays, videos e o GDD (Game Design Document) documento que contém um mapa geral do jogo. Recebendo o GDD, existe um processo em que o compositor define a estética musical do projeto baseado no tipo de projeto, público-alvo etc. Definida a estética, criamos as primeiras partituras ou pré-produção das músicas. Com isso, validamos com o cliente se o rumo está certo. Depois, finalizamos a produção, fazemos a mixagem e masterização e enviamos ao cliente para aprovação final.

Estrombo: Existe um grande mercado no Brasil para compositores de trilhas sonoras para games?

T. A.: Não. Ainda são poucas as desenvolvedoras que sabem da importância em contratar um profissional realmente focado em música. Existe a ideia errada de que qualquer um pode compor música – e sabemos que isso não é verdade, pois existe muito estudo envolvido. Hoje, o mercado onde mais profissionais são contratados para trabalhar de forma séria é o mercado dos advergames.

Estrombo: Então, o que deve fazer o músico que quer investir na área?

T.A.: Estudar composição musical, produção musical e focar no entendimento da estética musical de games. Aqui no Brasil não existe nenhum curso especifico, mas lá fora temos diversos cursos e livros especificos para composição musical para games. Além disso, ele deve tentar se diferenciar dos demais, pois, como o mercado é bem limitado, só quem tem algum diferencial em relação ao estilo e à apresentação do material é que vai sobreviver.

Estrombo: Como fica a questão do direito autoral no caso das peças compostas para games?

T.A.: Depende muito do acordo feito entre a empresa e o compositor. Primeiramente, o compositor precisa registrar a peça em seu nome. Feito isso, ele pode transferir de forma restrita (como muitas bandas fazem) ou total (como muitos compositores fazem) os direitos da música para a produtora do jogo. Isso é feito através de um contrato ou um adendo no próprio registro da peça musical. A transferência restrita garante permissão para que a música seja utilizada somente no jogo. Caso a empresa queira vender a música ou fazer qualquer outro tipo de exposição, ele precisa assinar um novo contrato com o artista para cessão destes direitos. A transferência total tira completamente o direito de exposição da música do autor original, sendo uma espécie de sociedade onde o autor aceita um valor cheio ou royalties por exibição.

Estrombo: Quais programas e instrumentos você usa para compor?

T.A.: Eu uso o Ableton Live, Logic Pro. Também trabalho com duas controladoras: uma Akai MPK e uma APC 40. Eu tenho um estúdio completo, com mesa, placas de som…

Estrombo: Tem algum trabalho do qual você gostaria de falar um pouco sobre ele?

O Gears of Music, tributo ao som do game Gears of War, foi lançado de forma física como brinde junto com o jogo. Foi um trabalho curto, rápido e que eu pude me expressar tanto de forma artística como compositor de trilhas. Até hoje é meu grande orgulho, tendo mais de 30 mil downloads e espero fazer mais trabalhos desse tipo. Outro trabalhão de que me orgulho foi o Clash of Game Music, um CD com muitas composições originais minhas e que tem a faixa Falling – uma das minhas composições mais divulgadas pela Internet. Realmente, criar trilhas inspiradas com remixes e temas originais é um modelo que me agrada tanto artisticamente como musicalmente falando. Com certeza, farei mais trabalhos do tipo logo logo, como o Diabólica Sinfonia que vai sair em breve.

* * *

Acompanhe o Estrombo também nas nossas redes: Twitter, Facebook e YouTube.

Foto: Mixdown!, por spaceamoeba, CC BY-SA 2.0

Aplicativos musicais: o futuro do negócio da fonografia?

Já falamos algumas vezes aqui no Estrombo como aplicativos musicais vêm estimulando a criação de novos hábitos de consumo dos fãs e como algumas bandas utilizam a tecnologia para distribuir sua produção. Nessa mesma tendência, a Flurry, empresa de marketing especializada em tecnologia mobile, publicou uma pesquisa, onde foi apontado que o uso de apps musicais cresceu 72% entre outubro de 2011 e março de 2012.

O número indica que mais e mais pessoas com smartphones e tablets vêm aderindo ao consumo musical por aplicativos, seja através de serviços de streaming ou até mesmo através de jogos despretensiosos como é o caso do Song Pop – uma competição que você faz entre seus amigos para ver quem consegue acertar o maior número de músicas no menor tempo possível.

Ainda que os dispositivos sejam caros para os padrões brasileiros e o desenvolvimento dos programas não seja tarefa simples, já existe uma série de bandas por aqui investindo nos seus apps próprios. Em outra direção, existem aplicativos como o Shuffer.fm ou o Exfm, que disponibiliza músicas através de fontes publicadas em blogs, quase fazendo uma curadoria. E além disso, há também reprodução musical, como o Vinyl Tap que tenta recriar no iPad a experiência de escuta musical do toca-discos, ou como o Spotify – ainda não disponível no Brasil – ou o Rdio que, através da contratação de uma assinatura, dá acesso a uma biblioteca potencialmente infinita de músicas.

Os exemplos são vários. Quais os seus aplicativos musicais preferidos?

Acompanhe o Estrombo também nas redes sociais: Twitter, Facebook e YouTube.

Foto: Heavy Roc Music, por p_kirn, CC BY-SA 2.0

Descobertas musicais na rede através de sites e aplicativos

Muitos serviços na internet permitem consumir música sem precisar fazer download, tornando-se ferramentas interessantes para (re)descobertas musicais. Se, por um lado, bandas novas produzem música mais facilmente e transitam por blogs, sites e redes sociais para circular suas músicas, por outro, bandas já consolidadas no mercado musical – ou mesmo meio sumidas – continuam presentes na nuvem, à distância de um clique.

O exfm é um desses serviços. Lançado no ano passado, ele trazia a novidade por meio de uma extensão para o navegador Google Chrome, cuja função era “captar” as músicas que o usuário topava pela rede e armazená-las, criando bibliotecas e playlists a partir das páginas visitadas – hoje, ele está disponível também para Firefox e Safari. O exfm também funciona numa página própria e conta com um aplicativo para dispositivos Android e iOS, ambos lançados poucos meses depois da estreia oficial como extensão. No site, a navegação lembra outros mais conhecidos, como o Grooveshark. E a mecânica continua relacionada à ideia original: o banco de faixas é alimentado a partir de músicas publicadas por blogs e sites, que tornam-se fontes para o streaming na página. Por fim, o exfm abraça a lógica social da internet – o usuário pode curtir faixas, criar playlists e compartilhá-las com seus contatos no próprio site e em redes sociais. Como já falamos em post anterior, iniciativas como o exfm apontam para os novos tipos de filtros que vêm se articulando pela internet, como percebemos nos sites Hype Machine e Shuffler.fm.

Como a navegação do exfm lembra a do Grooveshark, vale um adendo. Este vem enfrentando sérios problemas jurídicos, uma vez que, ao invés de reproduzir o áudio a partir de fontes em blogs e outras páginas, ele mesmo armazena as músicas, enviadas diretamente pelo usuário. Ainda que existam opções premium – que deveriam gerar renda para distribuir o dinheiro referente aos direitos autorais – o Grooveshark está sendo processado pelas principais gravadoras, principalmente após perder o apoio da EMI, a única que mantinha acordo com o site. Mesmo com esse contratempo, há o investimento em novas funcionalidades, como as estatísticas de acesso, para que os artistas visualizem como a sua música circula no programa. Independente disso, o serviço de streaming ainda é um dos principais de acesso gratuito à música na internet, dando a entender que o público não parece se importar muito com as questões legais envolvendo o site.

Por isso, vale refletir: tudo é válido nos novos hábitos de consumo de música pela internet?

Acompanhe o Estrombo também nas redes sociais: Twitter, Facebook e YouTube.

A dica do exfm veio do Urbe

Foto: Teh Jukebox, por mxcl, CC BY-SA 2.0

Curso: “Planejando para internacionalizar a música brasileira”

Fulo de Araca - flickr - 55953988atN00 - 3514118176 - CC BY 2-0

Conhecimento é fundamental para quem quer fazer shows ou ter seu fonograma licenciado no exterior.

Este curso é direcionado para que gestores de pequenas empresas tenham a oportunidade de conhecer como é a parte prática e operacional da atuação do mercado da música no exterior. Após este programa de qualificação, você vai ter a oportunidade real de conhecer pessoas com potencial para levar seu trabalho para fora do Brasil participando de ações, tais como: Projetos Compradores, feiras e eventos no exterior, entre outros.

Temas:

  • Planejando para internacionalizar
  • Vendas online no mercado internacional
  • Pesquisa sobre o mercado da música no mundo
  • Marketing – construção da marca no Mercado Internacional
  • Plano de Negócios
  • Direito Autoral
  • Demandas do mercado internacional
  • Ações de BM&A e oportunidades no mercado internacional
  • Casos de sucesso

Dias:

02/7 – 14h às 18h

03/7 – 10h30 às 18h30

04/7 – 14h às 19h

Local: Centro de Referência do Artesanato Brasileiro (CRAB) – Praça Tiradentes, 71 – Praça Tiradentes – RJ.

As inscrições para o curso estão encerradas.

Foto: Fulô de Araçá, CC BY 2.0

Farol Digital

 

Siga o @estrombo

Facebook