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Archive for maio, 2012

Produção de shows: etapas, quando?, onde? e equipe

Foto: Guitar Study 1, por fmerenda, CC BY-SA 2.0

Um dos principais veículos para expor o trabalho de um artista é no palco, em contato com o público. E, tão importante quanto os sons saindo dos amplificadores, é o trabalho da equipe de produção por trás da realização do espetáculo. Uma dica para quem quer se aprofundar nessas funções é o livro “Aprenda a Organizar um Show”, do produtor Alê Barreto. Composto por 28 fascículos, a proposta é apresentar de forma bastante sintética tudo o que está envolvido na realização de um show – e não é pouca coisa!

Em primeiro lugar, o trabalho se divide em três etapas: pré-produção, produção e pós-produção. Algumas tarefas da primeira etapa são definir a data e o local, estabelecer o cronograma de atividades, contratar a equipe, identificar as necessidades, redigir os contratos e correr atrás das autorizações. A produção é uma etapa bastante tensa, pois os produtores devem ficar atentos a todos os detalhes – da bilheteria à passagem de som – para um show bem-sucedido. Por fim, na pós-produção, o profissional vai fazer o fechamento da bilheteria, os pagamentos, acompanhar a desmontagem, liberar a equipe e entregar o espaço.

“Saber quando produzir é um importante passo para a realização de um espetáculo”.

Alguns fatores precisam ser levados em conta na escolha da data: se há shows similares já marcados no mesmo dia, grandes eventos ou possibilidade de aproveitar datas comemorativas. Agendar shows para o início do mês – onde é provável que o público já tenha recebido pagamento e esteja em melhores condições financeiras de ir ao evento – também pode ser uma boa estratégia para maximizar a presença da audiência. Outro detalhe que demanda atenção é conferir a previsão do tempo para o caso de shows ao ar livre.

Definida a data, é muito importante escolher um local adequado. Ele deve ter a “cara” do público e da banda. É fundamental estimar o público esperado para escolher um local de tamanho apropriado. Por fim, é interessante checar informações sobre o acesso: há pontos de ônibus ou de táxi por perto? Esses transportes funcionarão até o fim do espetáculo? A casa de shows tem estacionamento? Na medida do possível, vale indicar em mapas quais os melhores trajetos para chegar.

A equipe

Nenhum produtor vai trabalhar sozinho. Então, é preciso estar atento à equipe escolhida para trabalhar com você. Quanto mais pessoas no grupo com uma formação técnica em produção executiva, menor a chance de algo dar errado. Outro ponto, que os seus contatos devem ter ciência, é que a equipe de produção precisa estar disponível para imprevistos. E por mim, ainda que alguém da equipe seja fã da banda, estar na produção significa que ele ou ela vai trabalhar para a realização do evento e não para curtir o show. Essas pessoas devem estar atentas às atividades que lhes foram designadas no cronograma.

* * *

Esses são apenas os pontos de partida. Você tem experiência com produção de shows? Conte pra gente nos comentários. Baixe o livro e visite o blog do Alê Barreto.

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Foto: Guitar Study 1, por fmerenda, CC BY-SA 2.0

No site da revista ARede: “Um negócio bem afinado”

Foto: Heavy Roc Music, por p_kirn, CC BY-SA 2.0

Projeto Estrombo, do Rio de Janeiro, articula agentes culturais para enfrentar profissionalmente os desafios tecnológicos da nova cadeia produtiva da música.

Por João Varella

Em 2003, quando decidiu gravar seu disco de estreia, a mineira Raquel Coutinho se isolou em uma fazenda para fazer pesquisas e experimentações. Em meio ao paraíso das montanhas da Serra do Cipó, em Minas Gerais, não tinha acesso a televisão e telefone, muito menos a internet. Em 2007, quando o álbum Olho d’água
ficou pronto, o mundo fonográfico era outro. O pouco poder que ainda restava às gravadoras parecia ter se esvaído completamente, levado pela popularização da banda larga e pelo download de músicas. Cento e quarenta caracteres bem escritos conseguiam fazer mais barulho que uma campanha publicitária milionária.

Artista com repertório de vastas influências musicais, Raquel não estava preparada para o novo cenário. Mudou-se para o Rio de Janeiro, onde se abriram portas surpreendentes: um amigo sugeriu que participasse do Estrombo, projeto do Sebrae-RJ que visa capacitar agentes culturais musicais a atuar com novos modelos de negócios e novos canais de distribuição baseados na internet e nas novas tecnologias. Com essa aproximação, Raquel teve a oportunidade de expôr seu trabalho em duas feiras internacionais, na Dinamarca e na França.

Criado em 2010, o Estrombo é inédito no mundo. Foi a primeira iniciativa de economia criativa – como são chamadas as atividades diretamente vinculadas a inovação, tecnologia e criatividade – a ser apoiada pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), por meio do Fundo Multilateral de Investimentos. O
investimento total é de US$ 2,1 milhões, sendo US$ 710 mil do BID, para um objetivo central: capacitar compositores, instrumentistas, cantores e produtores a aproveitar as tecnologias digitais para administrar seus próprios negócios.

O projeto tem tudo a ver com a palavra “estrombo”, que designa uma espécie grande de caramujo marinho. “A concha do estrombo funciona como uma caixa de ressonância, que concentra e amplifica os sons. A reverberação, que gera barulhos parecidos com o do mar, é a soma dos vários ecos produzidos”, compara Marília Faria, coordenadora do projeto. Ela refere-se a uma corrente em que a venda de discos e DVDs é apenas um elo, hoje talvez um dos mais frágeis. Comércio online de fonogramas digitais, shows, ringtones, trilhas para filmes e games, direitos autorais, venda por download são alguns elementos da nova música.

Essa ressonância empreendedora já envolveu Raquel e outras 2.400 pessoas, que receberam apoio para aprender a lidar com a nova realidade, em que a proatividade dos interessados é fundamental. Aos poucos, eles percebem que é possível gerar negócios formais a partir de financiamentos, investimentos, contratações, editais etc. A ideia por trás disso é: quem quer viver de música precisa tirar as ideias da cabeça e transformá-las em projetos e, dessa forma,
passar a administrar sua arte como uma “empresa” onde se trabalha para si próprio. E de forma articulada e coletiva. “As pessoas ficam se olhando, esperando. Agora o modelo pede que os novos talentos ajam”, analisa Marília.

Venda e Circulação

O produtor Daniel Domingues, frequentemente convidado a dar palestras nas oficinas do Estrombo, concorda com Marília. Ele recorda que em passado recente o músico via-se obrigado a pagar para as rádios tocarem a chamada música de trabalho, uma prática apelidada de jabaculê, ou apenas jabá. As gravadoras tinham
investimento seguro: para cada R$ 1 investido em marketing, o retorno era de R$ 10. “Com a internet, a coisa começou a mudar. O artista é obrigado a pensar em um projeto de circulação antes de sair um disco”, diz.

A queda do modelo de venda de discos afeta artistas de todos os portes. Um exemplo é Madonna, cujo álbum MDNA, lançado em março deste ano, vendeu apenas 46 mil cópias na segunda semana de circulação. Os números são bem diferentes daqueles de 1984, quando a cantora registrou venda de 1,2 milhão de discos na segunda semana do LP Like a Virgin, estabelecendo um padrão de venda de pelo menos 475 mil unidades no mesmo período.

A atual lógica de distribuição e comercialização é uma faca de dois gumes. Para Marília, a questão do direito autoral ainda não está bem resolvida. Por outro lado, lembra que “até um adolescente sozinho em casa pode compor, gravar e vender a própria música”. E a produção pode chegar além-mar e em novos formatos. O artista carioca Oswaldo G. Pereira, de 44 anos, é um caso típico: negocia sua música até mesmo para ringtones de celular. Nada mal para um músico que depois do primeiro CD, Olha Zé, de 1998, chegou a cogitar trocar as rodas de pagode pelas papeladas dos fóruns. “O caminho da música estava muito difícil”, recorda.

Na formatura do curso de Direito, Pereira fez uma apresentação de samba para os colegas. Depois, gravou outros dois álbuns e se uniu ao Estrombo. Conseguiu mostrar sua arte em feiras internacionais, apresenta-se na Europa e negocia com gravadoras internacionais, enfrentando o desafio dos contratos que parecem
escritos em chinês. Bem, um deles é literalmente em chinês. Aí a solução é pedir ajuda à assessoria de tradutores e juristas do próprio Estrombo, que tem uma equipe para isso.

Além do Sebrae e do BID, o Estrombo fez uma parceria com o Centro de Tecnologia e Sociedade da Fundação Getúlio Vargas (FGV), cujos professores ajudam na capacitação dos profissionais de música. Da união com o projeto Open Business, também da FGV, nasceu o programa Farol Digital, de capacitação para empreendedores de lan houses. A experiência está registrada no webdocumentário Farol Digital: a lan house como centro de inclusão social e cultural, dirigido por Lao de Andrade e que trata da importância desses espaços na inclusão digital, seja por meio de jogos, da educação ou da prestação de serviços de governo eletrônico.

O Estrombo não é um mero exportador de cultura. Alguns projetos apoiados pelo Sebrae têm como proposta agitar o interior do Rio de Janeiro com festivais e apresentações. A trupe de cinco produtores do coletivo Ponte Plural atravessa as fronteiras da região metropolitana em busca de agentes culturais dispostos a promover eventos gratuitos ou a preços populares. Mais de 600 cidades já foram mapeadas pelo Zonte Plural, segundo Luiza Boitencourt, 29 anos, uma das coordenadoras da organização. “O foco é a música, mas nos festivais tentamos integrar outras artes, como poesia, arte individual, fotografias, quadros, dança e circo. A gente sempre procura agregar, para estimular todas as áreas”, revela. Um exemplo é a Banda Tereza, que faz parceria com a Ponte Plural em
projetos como a festa “Nunca fui a Barretos”, em 2010, em Niterói.

Além de trazer artistas locais, a Ponte Plural estimula o intercâmbio. Quando o projeto chegou à região serrana do Rio de Janeiro, era distante a relação entre agentes culturais de Nova Friburgo e Petrópolis, separadas 120 quilômetros. Entre as duas cidades está Teresópolis. O jeito foi articular os coletivos dos três municípios, que passaram a receber edições dos festivais Grito do Rock e Fora do Eixo, além de diversas oficinas.

A certeza de que esse tipo de iniciativa é firme fez Luiza largar a carreira de advogada e, a partir deste ano, se dedicar exclusivamente à Ponte Plural. Confirmando uma das características da economia criativa no Brasil, de atração de pessoas das mais diversas áreas do conhecimento, o coletivo é integrado por outro advogado, um jornalista, um cineasta e uma estudante de estudos de mídia, todos dispostos a enveredar de vez para a área da cultura e em busca dos recursos obtidos por editais e leis de incentivo.

Outra pessoa que mudou radicalmente a área de atuação para trabalhar com música é a empreendedora Lizete Fregonesi. Bióloga com doutorado em fisiologia, acabou trabalhando em grandes empresas da área de finanças e com seguros. Em 2008, entrou em contato com o Sebrae para dar nova guinada profissional: criou a FRG Cultural, empresa que agencia e produz artistas do Rio de Janeiro.

Quem estiver interessado em dar uma guinada na carreira em direção à música com ajuda do Estrombo pode se cadastrar no site oficial ou participar dos eventos.

Fonte: ARede nº 80 – maio de 2012

Foto: Heavy Roc Music, por p_kirn, CC BY-SA 2.0

Tecnologias móveis: desenvolvimento e segurança em workshop

mini studio - por tacoekkel - CC BY-SA 2-0

Celulares, tablets e players de mp3 conectados à internet são apenas alguns exemplos de dispositivos que têm estimulado a criação de novos negócios em música. Toda uma geração de consumidores passou a ter seus hábitos de escuta formados através de aplicativos e downloads em lojas virtuais integradas aos aparelhos. Apesar da propaganda promissora, pesquisadores de diferentes áreas já apontaram a necessidade de se refletir sobre o que abrimos mão nos novos modelos de consumo musical. Será que vale a pena ter a nossa privacidade invadida e monitorada para uso comercial de uma indústria?

No próximo dia 30, acontece simultaneamente no Rio de Janeiro e em Nova Iorque o Freebird, workshop que visa capacitar usuários de tecnologia móvel, de forma que eles sejam capazes de influenciar e colaborar com desenvolvedores de software de código-aberto. O foco aqui é reunir hackers, ativistas, desenvolvedores e usuários para debater sobre segurança e adquirir capacidades orientadas para a privacidade de seus dispositivos pessoais.

O evento é gratuito, mas o espaço é limitado. Inscreva-se no site para participar: https://guardianproject.info/freebird/signup/

O Freebird é um pré-evento para a RighttsCon – Conferência Tecnológica dos Direitos Humanos que acontecerá em 31 de maio e 1º de junho no Rio de Janeiro. Todos os participantes do workshop do dia 30 receberão passes para a conferência completa nos dias seguintes. O evento vai reunir executivos, analistas e empreendedores em mesas redondas e painéis para discutir como a indústria de tecnologia pode adminitrar as implicações de direitos humanos em seus produtos e desenvolvimentos.

Serviço:

Workshop Freebird
Data: 30/05/2012
Local: FGV – RJ
Endereço: Praia de Botafogo, 190 – Rio de Janeiro/RJ

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Foto: mini studio, por tacoekkel, CC BY-SA 2.0

Envolvendo o público na criação: videoclipes, crowdfunding e letras

Foto: Die Felsen im Studio, por scytale, CC BY 2.0

Atualmente, são muitos os artistas que investem em estratégias colaborativas para criar conteúdo. Cada vez mais, os fãs deixam de ser apenas ouvintes para participarem ativamente na construção das obras de seus ídolos. E as modalidades de participação são as mais variadas.

A banda Móveis Coloniais de Acaju está com uma chamada aberta para que os fãs enviem fotos através do Instagram para compor o próximo videoclipe. Os usuários podem enviar fotos até o dia 20 de maio e acompanhar o material já coletado no site #instaMóveis, onde também se encontram as instruções do concurso.

O crowdfunding, ou financiamento coletivo, é outra estratégia que vem sendo utilizada por músicos para atrair a participação dos fãs. A cantora Amanda Palmer, de quem já falamos aqui, em seu novo projeto já arrecadou mais de US$ 700 mil na plataforma Kickstarter para o próximo disco – e olha que o projeto pedia “apenas” US$ 100 mil. No Brasil, bandas tradicionais do cenário independente também recorrem ao financiamento coletivo. É o caso do Autoramas, que conseguiu arrecadar a quantia necessária para a gravação de seu último disco, “Música Crocante”, pela plataforma Embolacha, especializada em projetos musicais.

Outra forma de integrar o público é diretamente na criação da música. Está em andamento o “IV Concurso de Composição” promovido por Leoni. No site, o artista disponibilizou a “demo” com a melodia da canção e os aspirantes a autor são convidados a enviar sugestões de letras. O vencedor se tornará parceiro de Leoni numa canção que será lançada como single gratuito no site e estará à venda no iTunes, além de ser enviada para rádios de todo o país. Também trazendo os fãs para a esfera do produção, a trupe do Teatro Mágico compôs a música “O que se perde quando os olhos piscam” incorporando sugestões enviadas pelos fãs, num processo que foi transmitido ao vivo, via Twitcam.

Esses são apenas alguns exemplos de como artistas e fãs estão andando de mãos dadas na cultura digital. Você conhece outros casos? Compartilhe com a gente nos comentários.

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Foto: Die Felsen im Studio, por scytale, CC BY 2.0

O compartilhamento de música pode estimular vendas de discos?

Foto: Mixdown!, por spaceamoeba, CC BY-SA 2.0

Pesquisa recente da universidade North Carolina State mostrou que o compartilhamento de música via torrents não consegue provar a queda na arrecadação com a venda de discos. Os dados, levantados pelo economista Robert Hammond através de um servidor BitTorrent, forneceram a base para um mapeamento onde o pesquisador procurou buscar relações entre discos que “vazaram” na rede antes da hora e as unidades vendidas após o lançamento.

O estudo aponta dois dados interessantes. O primeiro, é que o disco “vazado” pode funcionar como uma propaganda, antecipando o lançamento oficial e aumentando o boca-a-boca, onde mais pessoas acabam sendo estimuladas por essas gravações. O segundo é que artistas maiores tendem a se beneficiar mais do vazamento do que os menos conhecidos.

É claro que as estratégias de lançamento de discos devem ser levadas a sério e contratempos como esses podem desestabilizar planos concebidos e executados ao longo de semanas ou meses. Mas e se o vazamento for parte da estratégia?

Especulações à parte, o que o estudo mostra de uma maneira geral é que a suposição do compartilhamento de música como prejudicador da indústria fonográfica é muito mais complexa do que se supunha. O próprio BitTorrent, por exemplo, faz parcerias com artistas usando o seu sistema para oferecer músicas ao público. É o caso da banda Counting Crows, que disponibilizou conteúdo exclusivo do novo álbum através de torrent.

O que está em jogo aqui é entender os torrents como canais de circulação e distribuição de música. Usado estrategicamente, o mecanismo pode ser usado para espalhar a música pelas redes e, claro, estimular novos negócios em música. Em vez de apenas vislumbrar o lado da pirataria, pode-se tentar enxergar o potencial produtivo de ferramentas e práticas propagandeadas como negativas pela indústria tradicional.

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Foto: Mixdown!, por spaceamoeba, CC BY-SA 2.0

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