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Archive for março, 2012

Músicos contam suas experiências com as redes sociais

Redes Sociais

As redes sociais são meios bastante utilizados por músicos para se relacionar com os fãs e disseminar conteúdo. Assim, elas se estabeleceram nos últimos anos como uma ferramenta importante para aproximar fãs de artistas e como um novo canal para a distribuição de músicas. Em post anterior, perguntamos como os artistas usavam as redes sociais. A cantora de MPB Lilian fez um comentário e o seu relato inspirou esse novo post, trazendo a sua experiência e a de outros músicos.

“Sou cantora, catarinense e estou há apenas 5 meses no Rio de Janeiro. As redes sociais são fundamentais hoje no meu trabalho, nos proporcionam uma interação que eu particularmente adoro.

Concordo com a questão levantada: “para quê?”. Eu participo das principais redes sociais, atualizo diariamente, tento articular e movimentar meu círculo de contatos, mas preciso ficar atenta às mudanças, às novas redes… Se não houver uma resposta para esta pergunta, melhor não ter! Já precisei fazer escolhas e até abandonar algumas dessas redes que pouco fazia uso… O MySpace foi a rede que abandonei primeiro, depois o perfil pessoal no Facebook, atualmente mantenho a página no Facebook, Twitter, YouTube e há poucos dias o Google+. Eu acredito que as redes sociais podem ser uma boa estratégia de formação de público. Mas, para isso há a necessidade constante de informação sobre as inovações do que envolve o uso das redes e muita interação.”

Lilian

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“As redes sociais estão em constante gangorra. Surgem com um buzz absurdo, depois caem. Amanhã, tudo pode mudar rs. Hoje, usamos o Facebook e o Twitter para interação direta com os fãs. O YouTube e o SoundCloud são “ferramentas” nessa interação, com os links dos vídeos e das nossas músicas.

O objetivo é o de toda banda: conseguir cada vez mais fãs online, e, o mais difícil, torná-los ‘offline’. Queremos que eles compareçam aos shows, comprem os nossos produtos e participem ativamente do projeto. E temos tido bons resultados. Em 2012, completaremos 10 anos de carreira e nos últimos 5 – época em que estamos mais ‘ativos’ na internet – já vencemos algumas votações online, conseguimos alguns prêmios etc. A ação mais legal foi a última, em que contamos com a colaboração de fãs, amigos e empresas para a gravação do nosso single, ’50 Graus’, que deve sair em março.”

Chris Gar, da banda Bleffe.

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“No universo da música, essa tecnologia passou a ser essencial tanto para aqueles que produzem e divulgam seus trabalhos musicais, quanto para os ouvintes. Plataformas como YouTube, Facebook, Twitter e MySpace tornaram-se indispensáveis na cadeia produtiva da música visto que demonstraram ser a maneira mais rápida e eficaz de se chegar ao público consumidor nos dias de hoje.

No meu caso, trabalhando profissionalmente como músico e escrevendo sobre música, é impensável não utilizar os benefícios gerados por essas inovações. Uso constantemente as redes sociais para diversos fins profissionais, entre eles:

- Postar as datas dos shows atuando como músico contratado;
- Manter-me em contato com os profissionais do meio musical;
- Divulgar as oficinas de percussão onde dou aula como as dos blocos Empolga às 9, Turbilhão Carioca e eventualmente Monobloco, além de manter um canal de relacionamento com os alunos e interessados;
- Compartilhar os artigos da coluna Mídias Musicais, no site Overdubbing;
- E promover meu livro Música e tecnologia: um novo tempo, apesar dos futuros, lançado pela Editora Azougue e disponível no meu site.”

Leo Morel

Conte a sua experiência nos comentários também e acompanhe o que o Estrombo já discutiu sobre o assunto.

Quando a legislação precisa acompanhar a prática cultural

Quando a legislação precisa acompanhar a prática cultural

Nas últimas semanas, as redes sociais foram inundadas de manifestações sobre a cobrança, pelo Ecad, de uma taxa mensal dos blogs que fazem embed (incorporam) vídeos do YouTube em seus posts. O caso em destaque foi o do Caligrafitti, blog que recebeu uma cobrança de mais de R$ 350 por utilizar vídeos musicais do YouTube e do Vimeo em alguns posts. Os editores do blog, que possui de mil a mil e quinhentos acessos diários, contam que ficaram surpresos com a notificação. Amparados pela legislação, a explicação do escritório é que “o YouTube paga, pois é um transmissor, mas os blogs são retransmissores e também têm de pagar”.

Esse caso mostra a urgência de se pensar novos modelos de arrecadação. A argumentação do Ecad ignora aspectos muito importantes no que diz respeito à circulação de música na internet. A questão é que hoje todos somos retransmissores de conteúdo: imaginem se todos tivéssemos que pagar uma taxa mensal por compartilhar um vídeo do YouTube no Facebook? Retransmissões – ou compartilhamentos, por assim dizer – sem fins lucrativos são bem diferentes de uma estação de rádio comercial ou de uma loja, por isso não deveriam ser taxados da mesma forma.

Também é importante destacar a pouca transparência no repasse dessa taxa para os compositores. Como garantir que o dinheiro coletado desses blogs seja corretamente repassado para os detentores do direito autoral das músicas contidas nos vídeos publicados?

Depois desse caso ecoar por diversos veículos, inclusive alguns de grande circulação internacional, como a revista Forbes, o Ecad voltou atrás e retirou a cobrança dos blogs, admitindo um “erro operacional” e que pessoas físicas não são alvo do órgão. Além do mais, vale observar que o streaming é feito pelo YouTube, que hospeda o vídeo e faz o repasse ao Ecad. Mesmo que os blogs incorporem o conteúdo, o streaming continua sendo feito pelo YouTube, pois é lá que o material permanece hospedado.

O compartilhamento é um dos elementos centrais na cultura da música hoje. Para o bem ou para o mal, é assim que muitos artistas aumentam seu público, com fãs atuando como disseminadores nas redes sociais. Em post anterior, comentamos também sobre a importância dos blogs na apresentação de novas bandas para o público. Arriscamos dizer que a maior parte dos autores desses blogs desenvolve o trabalho sem obter lucro diretamente; seu estímulo principal é gostar de falar sobre música.

A legislação precisa acompanhar o ritmo da tecnologia e da cultura. De fato, é fundamental que os autores e artistas recebam por seu trabalho, mas os tempos são outros e aplicar as regras desenvolvidas para um momento anterior parece pouco lógico, eficiente e justo.

Leia aqui o post no blog Caligraffiti com mais informações sobre o caso.

Com informações do jornal O Globo.

Por que é importante para os artistas estarem nas redes sociais?

Artistas e Redes Sociais

O uso das redes sociais deve ser entendido como uma estratégia de marketing com impacto direto na exposição da música no ambiente virtual. Ao criar um perfil no Facebook, no Twitter ou mesmo um blog no Tumblr, o artista cria mais canais de exposição e melhora o seu ranking nos resultados em ferramentas de busca como o Google. Assim, quando procuramos pelo nome da banda, da música, ou mesmo por tags relacionadas, a chance de chegarmos à rede social ou website de determinado artista é maior. Esse tipo de ferramenta também se configura como uma oportunidade para que os artistas interajam com seus fãs e aumentem a chance de vender seus produtos sem as limitações das prateleiras das lojas físicas.

Dentre os principais sites sociais, alguns vêm se destacando como fundamentais para bandas. São eles: Facebook, YouTube, Soundcloud e Twitter. Outros, como Tumblr e Foursquare, também têm sido apropriados por músicos. A questão é que existem várias opções de ferramentas disponíveis online. Sua banda pode criar perfis em quantos quiser, nem que seja para deixar registrado o nome, um link direto para o site e garantir os nomes de usuário. No entanto, é fundamental manter viva a experiência e o relacionamento com o usuário nos principais canais frequentados pelo público.

Blogs

Como já falamos em outro post, esses veículos são cruciais na cultura digital para fazer a mediação de novas músicas e artistas com o público. Por isso, é importante contar com eles para fazer a divulgação, criticar o seu trabalho ou fazer concursos através do fornecimento de material exclusivo. Para chegar aos blogueiros, não é aconselhável fazer spam. Ao contrário, pesquise para saber o gosto musical daqueles que você lê. Assim, você já estará mirando na direção certa. E caso distribuir músicas gratuitamente seja parte da sua estratégia de marketing, não faça ofertas “exclusivas” para mais de um blog.

Por fim, é importante ressaltar que criar perfis em redes sociais não vende música diretamente, mas pode aumentar a exposição do produto e oportunidade de negócios, além de chamar atenção do público – e na sociedade da informação, essas moedas podem ser ainda mais valiosas.

No próximo post, músicos vão falar de suas experiências nas redes sociais.

Post inspirado na entrevista de Ariel Hyatt com Corey Denis no Music Think Tank

Veja o que já falamos sobre redes sociais aqui e acompanhe o Estrombo também no Twitter, no Facebook e no YouTube.

Novos hábitos de consumo musical e a “Jukebox Celestial”

Jukebox Celestial

A Jukebox Celestial é uma metáfora para a música na nuvem, expressão que vem sendo bastante utilizada atualmente. O termo traduz a ideia de um grande acervo de músicas que pode ser acessado de qualquer lugar, por qualquer meio digital. Se antes isso era apenas um sonho, hoje já é realidade concreta: lojas virtuais e serviços de streaming confirmam que a Jukebox Celestial já acontece. Apesar da novidade incorporar novos hábitos de consumo musical, existem diversos pontos que ainda precisam ser questionados. Em 2006, os autores Patrick Burkart e Tom McCourt levantaram alguns desses problemas no livro “Ownership and control of the Celestial Jukebox” (“Propriedade e controle da Jokebox Celestial”, sem edição no Brasil).

Primeiro, é preciso destacar que duas tecnologias principais constituem a espinha dorsal da Jukebox Celestial: o Customer Relationship Management (CRM) e o Digital Rights Management (DRM). O CRM, bastante utilizado no marketing, analisa perfis dos usuários para direcionar/recomendar conteúdo e gerar relatórios com o objetivo de aprimorar estratégias de mercado. Já o DRM exige que o consumidor acesse o conteúdo exclusivamente nos termos do fornecedor, aceitando e “assinando” acordos de licenciamento, termos de serviço, entre outros.

A crítica principal dos autores é que essas tecnologias se combinam para ampliar o oligopólio da distribuição de conteúdo no ambiente online, “estabelecendo novos limites para a propriedade intelectual, novas restrições de acesso e uso, e novas ameaças à privacidade individual”.

As companhias dominantes no mercado, ao terem seu status ameaçado com o desenvolvimento de novas tecnologias, precisam combater ou incorporá-las em seu modo de produção – do contrário, estarão arruinadas. No caso da música, o mp3 e as redes peer-to-peer (p2p) são os principais exemplos de agentes confrontadores que abalaram modelos de negócios mais tradicionais. As gravadoras lidaram com esse obstáculo de diversas maneiras, até mesmo abrindo processos contra usuários e programas. Outras estratégias e táticas foram empregadas na luta contra o p2p, como a publicação na rede de arquivos de mp3 defeituosos que só tocavam um trecho da música repetidamente, ou apresentavam ruídos ao longo da execução. Por um lado, a Jukebox Celestial é uma tentativa de criar canais legítimos para o consumo de música na internet. Por outro, é uma tentativa da indústria de controlar a sua audiência online.

Segundo os autores, “o CRM é baseado em sistemas de personalização, cujo objetivo é solidificar a lealdade do consumidor ao criar uma ‘experiência’ online ajustada às suas preferências”. É claro que existe uma falha grande aí: os gostos não são objetivos e, por isso, não podem ser matematizados. Nossas preferências são fluidas e o fato de gostar de tal banda, não necessariamente indica que gostaríamos de outra pertencente ao mesmo gênero, por exemplo. Sobre os sistemas de filtros, falamos anteriormente aqui no blog.

Metadados, controle e acesso aos bens culturais

De toda forma, a base da Jukebox Celestial é o DRM. Afinal, se a indústria do entretenimento quer comercializar no ambiente online, ela precisa conseguir restringir os usos e acesso aos produtos. O problema é que os direitos do consumidor nem sempre são considerados nessas tecnologias. Existem três modelos principais de tecnologias DRM:

  • Acesso ao conteúdo através de senhas, códigos e chaves;
  • Desenvolvimento de algoritmos para marcas d’água ou etiquetas eletrônicas que são inseridas diretamente nos arquivos;
  • Restrição de usos: gravar, copiar, colar, imprimir ou limitar essas funções a um só computador.

Assim, Burkart e McCourt apontam que o DRM é desastroso para os consumidores. Por exemplo, restringir o acesso para inscritos, só impede que mais pessoas entrem em contato com o produto e tenham vontade de comprá-lo.

Como argumento final, os autores destacam que a Jukebox Celestial é o resultado de anos de pesquisa corporativa que favorece os interesses das empresas sobre os dos cidadãos. As tecnologias de CRM e DRM nos sujeita a constante vigilância e manipulação, onde agentes online demandam informações pessoais e empurram propaganda; nossa propriedade e privacidade são expostas. A Jukebox Celestial nega o uso justo a cidadãos, conhecimento técnico e liberdade de expressão a pesquisadores, e liberdade criativa para artistas.

Essa reflexão pondera o outro lado da euforia por trás dos novos serviços de música na nuvem e lojas online que começam também a chegar ao Brasil. Apesar da necessidade e urgência de criarmos novos negócios para a música, estamos mesmo dispostos a abrir mão da nossa privacidade para participarmos disso?

Facebook, música e novos negócios em redes sociais

Música e redes sociais

O fato do tema “redes sociais e música” aparecer com bastante frequência no blog do Estrombo tem como objetivo apontar a necessidade de explorar as possibilidades advindas dos novos meios de comunicação. Hoje, a maior rede social do mundo é o Facebook. Ainda que não seja direcionada especificamente para a música, existe uma série de formas de usar o site para esse fim. Na verdade, o Facebook está, aos poucos, se tornando um polo importante para o consumo de mídia no ambiente digital, seja música, filmes ou até jornais online.

Na rede, as bandas podem aparecer como perfis pessoais ou páginas. As páginas, além de poderem ser customizadas “a gosto do freguês”, podem receber diversos aplicativos desenvolvidos por terceiros para otimizar o marketing musical no site.

Mas mais importante que deixar a página com a “sua cara”, é criar estratégias para estimular o engajamento, por exemplo, através de promoções ou métodos menos ortodoxos, como liberar conteúdo à medida que determinado é curtido ou compartilhado por um número pré-estabelecido de pessoas. No caso específico do Facebook, é possível mensurar as ações através da ferramenta de análise. Assim, bandas podem medir o impacto de sua comunicação e buscar novos direcionamentos tendo como base os resultados atingidos. E, claro, tão importante quanto falar nas redes sociais, é saber ouvir o que seu público tem a dizer.

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A forma de se fazer negócio com música vem mudando ao longo da última década. Claro que modelos mais tradicionais ainda permanecem eficientes em diversos casos. No entanto, vemos hoje uma explosão de novas possibilidades para o mercado musical. A valorização de novas moedas é uma delas. Na economia da atenção, por exemplo, é fundamental que bandas sejam encontradas e conectem-se com seu público no oceano de novas bandas e artistas surgindo a cada momento. Uma forma de se fazer isso é o uso estratégico das redes sociais. Por isso, seu uso deve ser planejado, monitorado e analisado para consolidar a presença online do artista e abrir portas para novos saltos profissionais.

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