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Archive for novembro, 2011

Licenciamento flexível e os novos canais de distribuição de música

Dentre as mudanças que acontecem na cadeia produtiva da música em decorrência de avanços tecnológicos, uma consiste nas novas maneiras de licenciar os usos da produção. Através de licenças públicas como a Creative Commons, por exemplo, o artista pode estipular e comunicar previamente os usos permitidos à coletividade, de acordo com sua vontade.

Flexibilidades como esta mostram-se bem-vindas quando consideramos os novos canais de distribuição baseados na internet. Se um dos problemas apontados pela indústria fonográfica é o tráfego irrestrito e fora de controle de músicas protegidas por direitos autorais, com licenças como a Creative Commons, os artistas podem liberar determinados usos e dispor suas condições para outros usos de suas músicas (como o uso para fins comerciais, por exemplo), se beneficiando do tráfego de bens culturais digitais na rede. Hoje, são milhões os livros, imagens e obras musicais que circulam livremente pela internet através dessas licenças. Um desses trabalhos é o álbum Metá-Metá, de Juçara Marçal, Thiago França e Kiko Dinucci, que vem ganhando resenhas bastante positivas ao longo do ano. Confira a entrevista abaixo com Kiko Dinucci.

Por que optar pela licença Creative Commons?

Optei pela CC por ser uma alternativa a mais, é lógico que não sou fã de ter que haver um modelo internacional pra liberar a minha obra para ser ouvida por qualquer um, mas é a melhor opção em contrapartida dos gastos dos modelos antigos de direitos autorais. Foi importante botar o selo no site, deixou as pessoas à vontade para baixar e compartilhar, para os blogs espalharem a minha arte. Minha arte foi nitidamente espalhada, meu público aumentou com isso. Fiz um show em Brasília na semana passada e a maioria do público cantava as músicas, vendi CD depois do show muito mais do que venderia em lojas, pra mim está tudo certo. A música grátis é o meu veículo, é minha rádio. Atiro minha garrafinha no mar e alguém sempre acha e lê o recado que eu deixei lá dentro.

Foi também por esse motivo, aumentar a circulação da música, que o Metá-Metá se associou ao aplicativo Bagagem?

O que mais me chamou a atenção no Bagagem era a opção de um novo formato digital, que de certa maneira recuperava as estética visual das capas dos discos e encartes. Quando o CD ganhou popularidade, era horrível ver capas como a “Sargent Pepper’s” apenas diminuídas, o CD demorou pra desenvolver a sua linguagem visual. A música digital também passa por essa crise. Achei sedutor de ter coisas visuais em volta da música, não como clipe e sim como continuação do disco. Os nossos amigos do Axial já estavam lá e ficamos fascinados com tudo e resolvemos aderir ao Bagagem. O aplicativo ajudou muito na divulgação do trabalho também, porque não era somente um disco MP3 pra baixar, tinha todo um universo lá dentro, outros grupos e tal.

Você acredita que esses novos canais de circulação e formas de licenciamento livre estão renovando a maneira de fazer negócio com música?

Tenho certeza disso, pelo menos pra mim, um artista independente, que estou acostumado a fazer por mim mesmo, sem atravessadores. Mas acredito que tudo está se renovando no mercado. As coisas “no mundo” estão mudando, muda quem quer. Na Europa, por exemplo, eles não estão acostumados em disponibilizar cultura na rede, gratuita, eles pagam para consumir cultura. A cultura livre aqui no Brasil não é 100% livre também, mesmo eu licenciando minha obra dessa maneira, você terá que pagar a rede, o provedor etc. O fato de minha obra circular livremente na rede foi o que me tirou do anonimato, tenho certeza disso. Se o único modelo fosse o dos anos 90 pra trás eu não teria gravado nenhum disco ainda. Pra mim, o licenciamento livre significa a minha única alternativa de sobrevivência, claro que gostaria de ganhar por downloads, ter cachês maiores, mas no meio de tanta crise e transformações econômicas eu estou conseguindo sobreviver. Não sei até quando, mas o movimento a favor da minha arte é crescente, lento, mas crescente.

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Como mencionado pelo músico, o aplicativo Bagagem, concebido por Felipe Julian do Projeto Axial, atualiza os aspectos visuais dos formatos musicais físicos para as redes digitais. A obra do Axial também é distribuída sob licença Creative Commons e, na semana passada, o mais recente álbum da banda ganhou também uma versão física: o livro-cd Simbiose. Felipe explica o novo lançamento como “uma certa necessidade de retorno aos objetos, como compensação à virtualização das coisas”: “O objetivo foi criar uma experiência sensorial, onde os dois produtos são independentes, mas também complementares”, contextualiza o músico. E completa ao afirmar que o CD deve ser também uma experiência artística e não um objeto descartável. Por enquanto, o livro-cd Simbiose é vendido somente pela recém-inaugurada loja online do Projeto Axial.

Entre nessa discussão. Baixe o Bagagem e conheça mais sobre as licenças Creative Commons.

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Música na internet: regulação local x acesso global

Os desafios enfrentados atualmente pela indústria fonográfica são parte de um problema mundial. O acesso a redes de compartilhamento de arquivos em escala global e o anonimato na internet abalaram modelos de negócio mais tradicionais implementados pelos grandes agentes da música. Assim, a aliança entre as tecnologias da informação e a cadeia produtiva da música propiciou que o problema se alastrasse pelo globo, transformando consumidores em distribuidores de música.

Não somente como alternativa para contornar a situação, como também se aproveitando criativamente do momento para criar novas formas de consumo musical, desenvolvedores criam softwares e maneiras de comercializar a música online legalmente. No caso do consumo musical por aplicativos, vêm se destacando aqueles que utilizam mecânicas de gamificação e de redes sociais para expandir conteúdo e transpor os hábitos de escuta online para dinâmicas mais sociais, públicas e, principalmente, legais. E aqui aparece outro problema.

Apesar do compartilhamento de arquivos ser uma questão global, com músicas transitando irrestritamente por computadores conectados pelo mundo inteiro, as soluções criativas que propõem um outro consumo musical são, muitas vezes, locais. Operada pela Apple, a iTunes Store, maior loja de música digital do mundo, vende somente alguns aplicativos na filial brasileira; músicas e a maior parte dos games, por exemplo, estão fora do catálogo disponível para o Brasil. O Turntable.fm, aplicativo integrado ao Facebook, permite “discotecar” com os amigos da rede social, mas está disponível somente nos Estados Unidos. E ele não é o único. A Pandora, uma das mais populares rádios online do mundo, também tem seu acesso restrito devido a direitos autorais. É o caso também do Spotify, que se tornou rapidamente um dos serviços de streaming mais populares do mercado. Mesmo com acordos sendo feitos com as grandes gravadoras, seu consumo também é limitado a poucos países. No Brasil, também temos exemplos de serviços oferecidos localmente, como o Sonora, operado pelo Terra.

Esses casos exemplificam a dificuldade em se avançar com políticas públicas que façam a regulamentação da distribuição, venda e consumo de música digital. Apesar da internet ser um instrumento de uso global, os produtos que circulam pela rede mundial de computadores são regulamentados localmente, bem como os serviços responsáveis por oferecer uma outra experiência de consumo para bens culturais, como músicas e filmes.

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Campanha “Farol Digital” para a formalização de lan houses

Aproximadamente 30% da população brasileira acessa a internet pelas lan houses espalhadas pelo país. Durante alguns anos, elas eram percebidas somente como um espaço de entretenimento, desviando a atenção de crianças e adolescentes que preferiam passar mais tempo na frente do computador do que nas salas de aula. Essa concepção estimulou a criação da lei que proibia o funcionamento das lan houses no raio de 1 quilômetro de escolas. Hoje, a lei já foi devidamente revogada graças à luta de associações que perceberam esses espaços como fundamentais para inclusão digital, seja na oferta de cursos de informática, seja na prestação de serviços de governo eletrônico e como pontos importantes de produção e circulação de cultura, inclusive para a cadeia produtiva da música.

Nessa direção, a campanha Farol Digital chega num momento bastante oportuno. O objetivo é capacitar empreendedores para realizar a formalização de suas lan houses. A campanha compreende 10 vídeos que serão publicados ao longo das próximas semanas e um webdocumentário que será lançado no seminário “Farol Digital: a lan house como centro de inclusão social e cultural”.

Saiba mais sobre a campanha no site do Farol Digital e compartilhe essa ideia.

Segunda revolução da música digital chega ao Brasil

Baixar música da internet é coisa do século passado. O mercado brasileiro começa a viver a segunda revolução da música online, em que os downloads dão lugar a serviços de streaming, que oferecem ao cliente acesso ilimitado a um portfólio de áudio por uma assinatura mensal.

Os arquivos ficam armazenados “na nuvem”, em servidores de internet em algum lugar, sem que as pessoas tenham de baixá-los. O serviço de streaming movimentou US$ 532 milhões no mundo todo em 2011, um volume equivalente a cerca de 8% do mercado de música online, segundo estimativas da consultoria Gartner. Mas, até 2015, o streaming vai mais que quadruplicar. Os serviços de assinatura devem faturar US$ 2,2 bilhões e responder por cerca de 30% do faturamento do setor, que deve chegar a US$ 7,7 bilhões.

O Brasil ainda está atrasado nesse processo. Enquanto no mundo todo os serviços digitais correspondem a 29% do faturamento do mercado fonográfico, no Brasil eles somaram apenas 15% em 2010, segundo a Associação Brasileira de Produtores de Disco (ABPD). “O potencial é altíssimo. Principalmente pelo aumento do número de usuários de internet e pelo o fato de que os maiores serviços de download e streaming de música em escala mundial ainda não iniciaram as operações aqui”, diz o presidente da ABPD, Paulo Rosa.

O pioneiro no streaming de áudio no Brasil é o Sonora, lançado há quase cinco anos pelo grupo Terra e que hoje detém 40% do mercado de música digital no País. O negócio cresceu 40% neste ano e deve se expandir mais 30% em 2012, segundo o diretor-geral do Terra, Paulo Castro. O Sonora tem 5,5 milhões de visitantes únicos por mês e 450 mil assinantes – que pagam uma mensalidade média de R$ 20.

Mas o Sonora deverá enfrentar concorrentes de peso no mercado brasileiro. Grandes players internacionais estudam o lançamento dos serviços no Brasil, muitos deles em parceria com empresas de telefonia móvel. A Oi saiu na frente e lançou neste mês a primeira parceria com uma empresa estrangeira de música digital, a americana Rdio. Os clientes terão acesso a um portfólio de 12 milhões de músicas a um custo de até R$ 14,90. “A oferta é aberta inclusive para clientes de outras operadoras, mas será um diferencial para a Oi. Poderemos fazer promoções que envolvam esse produto”, disse o gerente de serviços de valor agregado da Oi, Gustavo Alvim.

A GVT também utiliza o streaming de música como um diferencial para oferecer aos clientes. Há pouco mais de um ano, a operadora lançou o serviço Power Music Club, que oferece um portfólio de 700 mil canções e 10 mil vídeos musicais de graça para os assinantes de internet rápida. Dos cerca de 1,5 milhão de clientes da banda larga da GVT, 100 mil são usuários do Power Music Club. A GVT pertence ao grupo francês Vivendi, que também é dono da gravadora Universal Music.

*Com informações da Agência Estado

Fonte: Cultura e Mercado

Google Music: há vantagens no fim dos intermediários?

O Google lançou oficialmente semana passada o Google Music, serviço de distribuição de música. Esse novo produto compete diretamente com as grandes lojas de música digital como a iTunes e a Amazon na oferta de downloads pagos e, por enquanto, está disponível somente nos Estados Unidos, sem previsão de expansão para outras praças. No início do ano, o Google já navegava pelo mercado de música digital com a versão beta, onde os usuários faziam o upload das músicas e as armazenavam na “nuvem”, podendo ouvir no computador ou em aparelhos móveis, funcionalidade que continua ativa na versão atual do produto.

A principal diferença do Google Music para a concorrência é o chamado Artist Hub, que permite aos músicos fazer diretamente o upload de suas faixas para a plataforma e comercializá-las, retendo 70% das vendas, sem passar por filtros burocráticos como o TuneCore e CD Baby – que regulam a entrada de músicas de determinados artistas no iTunes. Essa relação é bastante vantajosa para os músicos independentes que, sem selo ou gravadora, precisam explorar demasiadamente os novos canais de distribuição oferecendo ao público o máximo de portas abertas para que sua música seja encontrada.

Os novos filtros

Aqui aparece um outro problema. Devido aos desenvolvimentos tecnológicos, a produção de bens culturais vem num crescente nos últimos anos. Com as plataformas de armazenamento de conteúdo, músicas, filmes e textos podem ser publicados a custo praticamente zero. No caso da música, para que elas cheguem aos consumidores, são necessários filtros de diversas naturezas: a crítica musical, as redes sociais, as ferramentas de recomendação, entre outros. Um dos filtros são os aspectos técnicos, que determinariam a “qualidade” técnica da música.

Assim, vale refletir sobre o papel dos intermediários, e se é de fato vantajoso para todos os artistas independentes abrir mão deles e comercializar diretamente para o público. Essa relação pode não só colocar esse grupo de artista em competição desigual com outros produtos mais bem acabados e agenciados, como aumentar a quantidade do chamado “lixo” na rede – aquele material que é armazenado mas que é pouco acessado, ou mesmo descartado. Qual é a sua opinião?

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Farol Digital

 

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