Tags

Archive for outubro, 2011

Formatos musicais: substituição ou reapropriação?

As novas tecnologias digitais de fato revolucionaram o mercado de música: aparelhos de gravação e reprodução, formatos de áudio digital como o mp3, e modelos de distribuição como lojas virtuais e serviços de streaming reduziram os custos e transformaram a cultura do consumo de música. Hoje, é difícil não pensar em mobilidade e quantidade quando falamos em coleções musicais.

Parecia que os modos de fazer da música digital se tornariam o padrão da indústria e dos diversos agentes envolvidos na produção, distribuição e consumo musical. No entanto, o CD continua sendo uma das principais mídias para registro e comércio de música e os formatos que eram tidos como ultrapassados, como o disco de vinil e a fita cassete ressurgem em nichos e modelos de negócios mais ou menos específicos — mostrando que, quando se trata de formatos musicais, não devemos pensar em “substituição”.

Em 2011, as vendas de discos de vinil aumentaram em 40%. Os principais responsáveis por esse aumento foram os lançamentos das bandas Radiohead, Beady Eye e da cantora Adele. É claro que esse aumento percentual não se compara com a quantidade de discos vendidos por ano em décadas anteriores. De toda forma, é importante refletirmos onde reside o apelo dos discos de vinil para determinado grupo de pessoas, considerando que a música digital possui uma série de vantagens, como permitir ser transportada facilmente para diferentes lugares em dispositivos portáteis e não ocupar espaço físico.

Outro formato que tem ressurgido como uma espécie de culto é a fita cassete. De acordo com artigo no hypebot, estima-se que, em alguns anos, o formato tenha uma importância simbólica parecida com a do vinil para os fãs das fitas. Além do mais, é importante ultrapassar o argumento simplório que aponta a “nostalgia” como única explicação para a retomada desses formatos. Sanity Muffin, um selo pequeno de Oakland, faz somente lançamentos em cassete. O criador do selo aponta que a fita é uma alternativa mais barata em relação ao CD e ao vinil. Além do mais, acaba sendo uma estratégia de marketing interessante, destacando o artista dos demais justamente pelo diferencial no uso do formato.

Dê a sua opinião sobre o assunto deixando um comentário pra gente.

Acompanhe o Estrombo também nas nossas redes: Twitter, Facebook e YouTube.

Com informações d’oglobo.com e do hypebot.com

Estrombo e Overmundo mapeiam o mercado de música do Estado do Rio

Base das ações do projeto Estrombo, a pesquisa “Análise de modelos de negócios praticados no mercado da música no estado do Rio de Janeiro”, desenvolvida pelo Instituto Overmundo como parte deste projeto, acaba de ganhar um hotsite para que o público possa acompanhar o andamento da pesquisa.

Esse estudo pretende identificar e analisar diversos tipos de modelos de negócio, formais e informais, em diferentes cenas musicais no âmbito da cadeia produtiva da música do estado. Segundo Oona Castro, diretora executiva do Instituto Overmundo, “nós só temos condições de pensar políticas a partir de diagnósticos. Nossa pesquisa pretende colocar holofotes sobre as transformações no mercado de música do Rio de Janeiro, principalmente as causadas pelas tecnologias digitais, e compreender que estratégias comerciais têm beneficiado mais a cadeia produtiva como um todo, do compositor ao público”.

Assim, a pesquisa vai de encontro aos objetivos principais do Estrombo, como o fomento de novos negócios a partir da identificação de gargalos e desafios enfrentados na cadeia produtiva da música do estado do Rio de Janeiro.

Olívia Bandeira, coordenadora da pesquisa no Instituto Overmundo, pondera que “o desafio maior deste tipo de pesquisa é identificar os atores que fazem parte de determinadas cenas ou circuitos musicais presentes no estado, pois são, em grande parte, mercados com grande nível de informalidade e para os quais não existem estatísticas oficiais. Por isso, a primeira fase da pesquisa, que teve início em julho de 2011, é qualitativa. Através da observação participante e de entrevistas em profundidade com agentes de algumas cenas e circuitos musicais, procuramos construir um mapa de parte da produção musical do estado e das diversas estratégias de negócios utilizadas por eles”.

Sobre considerar também o mercado informal, Oona argumenta que “a cultura é um setor caracterizado por uma grande informalidade nas relações contratuais. Não podemos abrir mão de estudar as atividades e os agentes informais se quisermos de fato dimensionar a cultura produzida no Brasil. Aqui, o negócio da música não é sinônimo apenas de indústria. Existem muitas pessoas que vivem do trabalho com música mas não aparecem na maior parte dos levantamentos, por não constarem nos dados oficiais”.

Sendo a inovação parte fundamental do projeto Estrombo, o estudo também voltará seu olhar também para as novas tecnologias de comunicação, como as redes sociais, para entender como os diversos agentes se utilizam dessas ferramentas para desenvolver relações de produção, circulação e consumo de música.

Atualmente, o hotsite hospeda um questionário voltado para gravadoras, para se aprofundar no funcionamento do setor e nas mudanças que vêm ocorrendo no mercado com o desenvolvimento das novas tecnologias digitais.

Confira as novidades da pesquisa “Análise de modelos de negócios praticados no mercado da música no estado do Rio de Janeiro” no hotsite e acompanhe o Estrombo nas nossas redes: Twitter, Facebook e YouTube.

Facebook cria mais um meio de interação para artista e público

Com 750 milhões de usuários no mundo, a rede social Facebook não poderia deixar de ser uma ferramenta importante para os músicos se comunicarem com seu público. No site, eles podem compartilhar sua produção, fazer campanhas de divulgação e interagir com os fãs, aproximando-se deles. Enquanto os perfis possuem um apelo mais pessoal, através das fanpages os artistas podem criar páginas personalizadas para seus projetos, incorporando aplicativos e funções que oferecem uma exposição mais profissional. Por isso, em teoria, bandas tiram mais proveito do site através das fanpages.

Complexificando essa diferença, o site de rede social implementou mais uma funcionalidade no seu sistema: o botão “assinar”/”subscribe” (inscrever-se) para perfis. A principal mudança é que, enquanto os perfis podem ter até 5 mil amigos, a página possui um número ilimitado de “curtidores”. Com a nova função, o limite de 5 mil amigos continua a valer para os perfis, mas agora, ele possui um número ilimitado de “assinantes” – em função similar à do Twitter, nesse sentido. Assim, os músicos também podem aproveitar seus perfis pessoais para se comunicar com os fãs sem correr o risco de estourar o limite permitido de amigos. Por mostrar um lado mais pessoal dos artistas, os perfis têm bastante apelo para os fãs, que se interessam não somente pelas músicas, como pela vida das pessoas que estão por trás delas.

Assim, o Facebook se fortalece no cenário fonográfico atual como um centralizador de conteúdo midiático que pode ser explorado de diversas formas. Enquanto algumas bandas vão preferir utilizar a fanpage, outras vão explorar os perfis; e outras ainda vão fazer uma combinação dos dois, diferenciando o conteúdo publicado em um e outro.

O que você achou dessa nova função?

Acompanhe o Estrombo também nas nossas redes: Twitter, Facebook e YouTube.

Esta matéria foi inspirada por artigo do Mashable, que mostra cinco artistas com um grande número de inscritos em seus perfis

No Overmundo: “Cooperação criativa”, pelo músico Makely Ka

No Overmundo, Makely Ka, compositor e presidente da COMUM – Cooperativa de Música de Minas, publicou um artigo sobre o movimento cooperativista musical, uma tentativa de sistematizar o que é natural e orgânico nas trajetórias musicais de diversos artistas, profissionais e empreendedores da música.

O impacto da tecnologia na cadeia produtiva da música criou oportunidades para que movimentos locais fossem melhor organizados. Se antes, duas cabeças pensavam melhor do que uma, hoje, muitas cabeças fazem suas próprias revoluções. E uma delas está na retomada do lema do punk “faça você mesmo”. Assim, um grupo de pessoas, se bem articuladas, podem criar seus próprios sistemas na cadeia produtiva da música, estimulando a produção dos músicos e levando essa produção para o público. Outros profissionais de outras áreas também podem se juntar, agregando complexidade a essas formações.

O ponto a perceber é que as tecnologias digitas criaram um problema para música, mas somente dependendo de onde se vê; olhando por outro lado, vemos que, apesar das dificuldades, há bem mais possibilidades de criação e intervenção na cultura. Confira o texto abaixo e mande seus comentários.

Cooperação Criativa

Por Makely Ka

O movimento cooperativista musical é uma filosofia que surgiu da prática e reflexão a partir do ativismo dos autoprodutores no sistema contra-industrial.

As cooperativas de música dilatam o conceito de cooperativismo não só no campo da sustentabilidade e dos novos modelos de negócio, mas também, e principalmente, nas esferas da economia criativa, da comunicação em rede e da representatividade coletiva. Mais do que isso, deslocam o foco da produção para a criação, mudando o perfil clássico do cooperativismo baseado nas cooperativas de trabalho para as cooperativas de criação, estendendo os princípios do cooperativismo para um sentindo amplo de cultura.

Isso porque células criativas da música se apropriaram dos ideais do cooperativismo e o adequaram às suas necessidades e desejos, assim como às novas demandas, vislumbres e possibilidades da tecnologia.

A música é um dos setores da indústria que mais sofreu o impacto das novas tecnologias e seus criadores foram dos primeiros a apresentar alternativas viáveis para a conversão do aparato tecnológico em ferramenta ativa na revolução de costumes, usos e hábitos pelos quais passamos. Vírus transformador ao invés de panacéia futurista, a apropriação das tecnologias inovadoras assumiu um caráter subversivo capaz de desestabilizar conceitos enraizados no modo de produção, consumo e fruição de cultura herdados da revolução industrial, do fordismo, do copyright e do próprio conceito iluminista de criação. Diante de um monolito de dúvidas a única certeza possível é a experimentação, a busca de alternativas inusitadas, emboram muitas vezes simples e rarefeitas como nuvens.

Nesse contexto de transformações estruturais é natural a renovação conceitual. Contra industria surge como um meme pós-industrial num momento de esgarçamento de conceitos como independente, indie, alternativo, marginal.

O autoprodutor é o não-especialista por definição. Ele compõe, produz, divulga, distribui e consome, não necessariamente nessa ordem. A necessidade premente em desatar tantos nós quanto possíveis da ‘cadeia’ fizeram dele um profissional genérico que levou às últimas conseqüências a máxima anarquista “faça-você-mesmo”! O autoprodutor portanto é o operário da contra-indústria que encontrou no cooperativismo a força coletiva para instaurar uma nova realidade. A negatividade implícita no termo significa menos a transformação vertiginosa dos aspectos técnico-formais do que a recusa do modelo consolidado de divisão do trabalho e atribuição de tarefas no sistema de produção em escala industrial. Essa é a principal mudança paradigmática que trás a reboque todas as outras.

O cooperativismo encontra nessa contra-indústria um novo modelo de divisão de trabalho sem no entanto abrir mão dos avanços tecnológicos e das conquistas e soluções encontradas pela própria indústria. Essa nova divisão do trabalho se estrutura em redes colaborativas onde a gestão das atividades é individual, orgânica e ao mesmo tempo coletiva. Contra-indústria é, no plano sintático, um oxímoro, e essa contradição perdura até o momento em que se percebe que ela se constitui como uma síntese dialética da revolução industrial. A idéia de redes e de rizoma aqui torna-se fundamental para compreender a forma como se dá o processo de produção contra-industrial.

Nada como uma crise para alimentar a imaginação, aproximar opostos em busca de saídas comuns e alimentar a colônia para que seja possível proliferar o germe da solidariedade. Um dos germes são os Bancos de Serviços, com código genético herdado dos Bancos de Horas e utilizando a unidade hora/aula – princípio pedagógico-social – fomentando a troca de serviços, saberes e experiências e buscando a auto-sustentabilidade para as atividades promovidas pelos cooperados.

Além de viabilizar uma forma inovadora e pioneira de gestão coletiva das carreiras baseada na economia solidária e no comércio justo e auto-sustentável, as cooperativas de música ocupam uma lacuna gigantesca na organização e representação política do setor musical, utilizando elementos da democracia experimental, do cyberativismo e da comunicação em redes para mobilizar o setor e estabelecer interlocução com governos e instituições.

Subvertendo o pragmatismo mercantilista que reduziu empresas jurídicas a emissores de nota fiscal, alimentando um mercado paralelo na sombra da legalidade, as cooperativas de música elevam também a outro patamar a discussão acerca de questões trabalhistas e previdenciárias, no âmbito da regulamentação profissional e dos encargos tributários bem como as questões educacionais, valorizando a troca de informação desierarquizada e o reconhecimento de saberes intuitivos.

O grande desafio das cooperativas de música agora é integrar todos os estados numa rede rizomática capaz de dar vazão a essa produção latente, criando circuitos para o fluxo de artistas, pesquisadores, técnicos, pensadores, jornalistas e produtos. Essa plataforma aponta para a consolidação de uma grande malha formada por todas as cooperativas de cultura, dando outra dimensão para o cooperativismo e inaugurando um novo momento no modo de fazer e consumir cultura no país.

Makely Ka é compositor e presidente da COMUM – Cooperativa de Música de Minas

[Fonte: Overmundo]

Música sem autorização no YouTube: bom ou ruim para bandas? Caso Blink-182

É frequente o YouTube retirar do ar (ou tirar o áudio) de vídeos que usem músicas sem permissão. A banda de rock Blink-182, ao voltar à atividade depois de oito anos sem lançar material inédito, decidiu fazer diferente. Para celebrar o retorno, os músicos fizeram uma parceria com a AT&T para lançar “The Blink-182 Film Festival You Didn’t Know You Entered”:

Como aparece acima, a proposta foi procurar no YouTube por pessoas que usavam a música da banda sem permissão em seus próprios vídeos. Assim, fizeram essa montagem e o anúncio dos vencedores do “festival”.

Esse caso mostra uma mudança de mentalidade brutal na forma de lidar com material protegido usado por outras pessoas. Ao invés de iniciar uma ação para retirar esses vídeos da plataforma de vídeos, o Blink-182 recompensou seus fãs fazendo-os participarem de uma experiência única de aproximação com a banda. Isso demonstra como os artistas hoje acabam deslocando o valor do fonograma para o relacionamento. Não que vender música não seja mais importante. Pelo contrário, é fundamental para que o artista gere renda com sua produção e continue criando e vivendo de sua arte. Mas o que parece estar em jogo aqui é entender como as novas tecnologias da comunicação podem criar novas categorias de valor para a música — por exemplo, a importância do fortalecimento de laços entre artistas e seu público.

O que você achou desse caso? Quer comentar outro parecido? Escreva abaixo e participe da discussão.

Acompanhe o Estrombo também nas nossas redes: Twitter, Facebook e YouTube.

Farol Digital

 

Siga o @estrombo

Facebook