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Archive for maio, 2011

Plataformas digitais e geração de negócios em música: caso Melody Box

A tecnologia digital trouxe problemas e possibilidades para a cadeia produtiva da música. Uma dificuldade apontada pelos artistas, principalmente os independentes, está na promoção da música. Criada no Rio de Janeiro há 6 meses e com cerca de mil artistas cadastrados, a rede social musical Melody Box busca suprir essa carência criando um espaço que atende aos artistas, aos fãs e aos fomentadores de oportunidades, focando na geração de negócios para os profissionais que trabalham com música.

Reunindo influências de plataformas estrangeiras, como o SonicBids, a Melody Box valoriza a importância do fã na divulgação dos artistas, recompensando-os por esse trabalho com itens como camisetas exclusivas, CDs das bandas cadastradas e gadgets como iPods. Outro destaque é a área de negócios, que se divide em oportunidades e profissionais. Na primeira, são publicadas chamadas convocando os artistas para participarem programas de rádio, shows, coletâneas, entre outros. Na segunda, diversos profissionais e empresas oferecem seus serviços, que vão desde assessoria de imprensa a gravação e prensagem de discos.

Como forma de valorizar seus artistas e promover a rede social, foi organizada a primeira coletânea Melody Box, “Fora da Caixa Vol. 1”. Foram escolhidos 12 artistas, que para serem selecionados precisaram fazer uma campanha eficiente entre os fãs para ser parte do projeto – cada artista receberá uma quantia em dinheiro, além de cópias da coletânea e outros incentivos para divulgar sua música. Outra ação da plataforma aconteceu no dia 19 de maio último, o “MB Ao Vivo“, o primeiro evento offline realizado pela Melody Box. Artistas de destaque na rede social tiveram a chance de se apresentar em dois palcos montados no Circo Voador, no Rio de Janeiro. A ideia foi valorizar a experiência musical fora da internet, criando condições para os músicos se apresentarem e interagirem com o seu público incentivador.

A cadeia produtiva da música foi muito impactada pela tecnologia. A Melody Box usou esse impacto a seu favor e buscou se diferenciar no mercado por fazer a ligação entre três grupos de agentes fundamentais: músicos, fãs e demais profissionais e investidores. Uma conexão que torna viável para os artistas divulgarem sua produção, os fãs serem valorizados ao participar ativamente da carreira de seus artistas e para os profissionais e investidores gerarem negócios oferecendo seus serviços e criando oportunidades para os músicos.

Você gostaria de comentar algum caso interessante sobre o assunto?

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Novos canais de distribuição: o caso do Bagagem

Hoje, um dos maiores problemas enfrentados pelos músicos é como fazer circular sua produção. Explorando possibilidades trazidas com a tecnologia digital e indo além dos sites de redes sociais mais populares, o Projeto Axial desenvolveu seu próprio canal de distribuição: o aplicativo Bagagem.

O Axial é formado pelo trio Felipe Julián, Sandra Ximenes e Leonardo Muniz e, musicalmente, explora sonoridades variadas a partir de elementos eletrônicos. Defensores da cultura livre, suas músicas são licenciadas em Creative Commons, e já tocaram em palcos importantes no Brasil e fora do país.

O terceiro álbum, “SiMBiOSE” (2010), foi lançado pelo aplicativo Bagagem em vez de um CD convencional. Desenvolvido em parceria com um amigo programador, o software pode ser facilmente instalado em qualquer computador. O aplicativo devolve à música digital a visualidade do álbum “físico”, com imagens escolhidas pelos próprios artistas para acompanhar a execução das faixas, e traz informações relevantes, como a ficha técnica, o encarte, além de estar integrado com redes sociais como Twitter e Facebook. Os outros dois discos – “Axial” (2004) e “Senóide” (2007) – também podem ser acessados pelo canal.

A versão beta do Bagagem foi lançada em novembro de 2010 e baixada mais de mil vezes em menos de um mês. Hoje, o aplicativo já está na sua versão 2.0 e disponibiliza também álbuns de outros artistas que aderiram à ideia, como Chico Correa com o álbum “Chico Correa & the Electronic Band” e o Jampa Sessions, uma jam session gravada para Dada Radio por Chico Correa em parceria com os músicos Fernando TRZ (Cérebro Eletrônico) Gil Duarte (Asimov) e Felipe Julián (Projeto Axial), entre outros. Também faz parte do Bagagem o álbum “Metá Metá”, da dupla Kiko Dinucci e Juçara Marçal, e o projeto de vídeo remixes “Caixa Prego”, produzido pelo coletivo audiovisual Embolex.

Refletindo o engajamento necessário nesse momento de profundas transformações no mercado musical, o Axial organizou o “Bagagem Ao Vivo” que levou para o SESC Pinheiros, entre os dias 18 e 21 de maio, painéis de debate em torno dos temas: circulação de produtos culturais, liberdade intelectual, liberdade de apropriação, redes colaborativas, novas tecnologias, autogestão de carreira e direito autoral. O “Bagagem Ao Vivo” encerrou-se no dia 22 com um show, onde o coletivo Bagagem foi oficialmente lançado.

Sobre esse evento, em entrevista para o Link, Felipe Julián diz: “o que eu gostaria com esse encontro é que a classe musical se politizasse e se animasse a criar novos modelos de distribuição de música menos dependentes de intermediários”.

Um dos objetivos do Estrombo é capacitar agentes da cadeia produtiva para desenvolver e explorar novos canais de distribuição através de redes sociais, celulares e games musicais. Acompanhe-nos também nas nossas redes: Twitter, Facebook, YouTube, Flickr.

Seminário de capacitação da ABMI em Teresópolis

No 27 e 28 de maio, em Teresópolis, acontece o seminário de capacitação da Associação Brasileira da Música Independente (ABMI). Veja abaixo o folder, a programação de cada dia e como se inscrever gratuitamente.

PROGRAMAÇÃO

27/5 – sexta-feira – Centro Cultural Feso Pró-Arte

13h30/14h45
Tema: Sociedades Autorais e o funcionamento do ECAD
Palestrante: Chico Ribeiro (UBC)

14h45/16h00
Tema: Empreendedor individual
Palestrante: Alexandre Moraes (Sebrae)

16h30/18h00
Tema: Direitos Autorais
Palestrante: Deborah Sztajnberg (Debs Consultoria)

28/5 – sábado – Casa de Cultura Adolpho Bloch

13h30/14h45
Tema: Modelos de distribuição física e digital
Palestrantes: James Lima (OneRPM) e Mauro Scalabrin/Adriana Ramos (Microservice S&D)

14h45/16h00
Tema: Distribuição de música pelo celular
Palestrante: Felippe Llerena (iMusica)

16h30/17h30
Tema: Sindicatos dos Músicos
Palestrante: Álan Magalhães (SindiMusi RJ)

INSCRIÇÕES: (21) 2644-5770 das 14 às 19h

ENDEREÇOS:

Centro Cultural Feso Pró-Arte

Rua Gonçalo de Castro, 85 – Alto – Teresópolis

Tel: (21) 2644-5750

Casa de Cultura Adolpho Bloch

Praça Juscelino Kubitschek, 500 – Bairro de Fátima – Teresópolis

Tel: (21) 2644-4092

Explorando novos modelos de negócio: caso Teatro Mágico

Até poucos anos atrás, o produto CD movia a indústria fonográfica. Com a pirataria e o compartilhamento online de mp3, esse objeto tornou-se mais um item de colecionador do que uma condição para se ouvir a música das suas bandas preferidas. Pela facilidade do acesso por diversos canais (legais ou não), a venda de CDs virou um desafio para a indústria e para o modelo de negócios tradicional – por que pagar por algo facilmente obtido de graça na internet? Por essa razão dentre outras, o valor desse objeto foi deslocado para outros elementos.

Um desses deslocamentos aponta para a experiência do show ao vivo. Além de ser uma das principais fontes de renda, cria a oportunidade para os artistas entrarem em contato com seus fãs e também venderem suas músicas, uma boa estratégia de negócios aproveitada por algumas bandas. Um caso de sucesso nessa empreitada é a trupe do Teatro Mágico. O projeto conduzido por Fernando Anitelli é independente e usa essa condição para driblar criativamente as dificuldades do mercado fonográfico. Assim, experimentam modelos de negócios alternativos e dispensam os atravessadores tradicionais. Suas músicas são licenciadas em Creative Commons e o público pode baixá-las gratuita e legalmente, o que seria pouco possível caso o Teatro Mágico estivesse vinculado a uma grande gravadora. O público que quer comprar os discos pode acessar o site oficial ou ir até os estandes montados nos shows, onde os CDs são vendidos a R$ 5,00 (acabamento mais simples) e a R$ 10,00 (acabamento mais elaborado). E os números mostram a força do Teatro Mágico e a efetividade das suas estratégias: a venda dos discos ultrapassou as 190 mil cópias, e, do DVD, 40 mil. No Trama Virtual, suas músicas já foram baixadas mais de um milhão de vezes, colocando-o no topo da lista das bandas mais baixadas.

Outro ponto importante: o Teatro Mágico entende o valor do relacionamento com os fãs e cria mecanismos para que essa relação seja aprofundada. Ainda que isso não se traduza em uma fonte de renda direta, o grupo investe tempo e disposição nas redes sociais, estabelecendo diálogo com o seu público, que, por sua vez, comparece aos shows, compra os discos e compartilha a experiência junto com a banda.

O Teatro Mágico é um caso interessante de desenvolvimento e exploração de novos sistemas de geração de negócios para a música. Você conhece algum outro parecido? Conte pra gente nos comentários.

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(foto de pernasproar – Arlise Cardoso – CC BY-NC 2.0)

Circulação de música através de vídeos online

As novas mídias viabilizam o consumo e o acesso a um enorme acervo de músicas e, nos últimos anos, diversas ferramentas e plataformas se tornaram canais importantes para a circulação musical. Até pouco tempo atrás, o MySpace era imbatível. Ainda que hoje ele sofra com a concorrência de outras redes sociais, muitas bandas já o usaram (e ainda usam) para disponibilizar suas músicas, publicar informações sobre shows e interagir com o público. Quando se trata da venda de música online, a liderança vai para a iTunes Store nos Estados Unidos.

No entanto, surpreendemente, quando falamos de música digital, o campeão em termos de fluxo de usuários e consumo de conteúdo é o YouTube, popular plataforma de vídeos operado pelo Google. O consumo de música cresceu tanto nessa rede que os desenvolvedores criaram o youtube.com/music para criar listas com os videoclipes mais acessados. Uma pesquisa do NPD Group apontou que quase metade dos adultos ouve música online de graça, e, desses ouvintes, 58% usam o YouTube para isso.

A partir desses dados, trazemos duas provocações. A primeira delas diz respeito a uma tendência que vem crescendo com força nos últimos meses: o consumo de música via streaming, ou seja, na nuvem, sem download – já comentamos aqui sobre algumas ferramentas e aplicativos mobile que oferecem o serviço. Esse tipo de consumo musical também se manifesta no YouTube. Mesmo que a ferramenta ainda não gere uma renda considerável para artistas e gravadoras, o site pode ser um bom canal de divulgação para a música.

Outra ideia é interessante é: o público também quer “ver” a música. Atualmente, os meios de produção para a realização de vídeos já são bem mais baratos e acessíveis, e as janelas de exibição como o YouTube são gratuitas e de alcance global. Aproveite que o seu público também está nessa rede e ofereça conteúdo audiovisual: videoclipes, registros de shows ou gravações acústicas e intimistas – as possibilidades são várias. Depois, dispare esse material pelas suas redes e faça com que ele chegue aos seus ouvintes.

Para encerrar essa primeira discussão, queremos saber: como você usa o YouTube para potencializar a circulação da sua música?

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Farol Digital

 

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