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Archive for abril, 2011

Crowdfunding: participação dos fãs na realização de projetos musicais

Todos que se envolvem com produção cultural sabem que conseguir verba para realizar determinado projeto é bastante difícil. O crowdfunding tem aparecido com certa frequência na mídia como uma forma eficiente de financiar projetos de forma coletiva. Ao invés de participar de editais, contar com grandes patrocinadores ou fazer contrato com empresas, realizadores tentam buscar investidores para seus projetos se articulando em redes sociais, recebendo micro-patrocínios.

Essa forma de financiamento também pode gerar bons negócios para a música

Através do movere.me, plataforma brasileira de crowdfunding, o grupo de samba “Sururu na Roda” busca investidores até o dia 25 de maio para a produção de seu novo álbum. Os fãs podem investir quantias pré-determinadas, recebendo uma espécie de recompensa que varia de acordo com o valor depositado. Por exemplo, as pessoas que investirem R$ 5, ganharão um agradecimento no site. Aqueles que contribuírem com R$ 10, receberão uma faixa do álbum por e-mail antes do lançamento oficial. Quem investir R$ 80 nesse projeto do “Sururu na Roda” ganha um encontro com o grupo para tomar um chope em um bar no Rio de Janeiro. Outras recompensas, ainda mais exclusivas, são: assistir a uma sessão de gravação do álbum novo (R$ 200,00), participar de um jantar com o grupo (R$ 400) e até mesmo ganhar um show acústico do “Sururu na Roda” (R$ 5.000,00 ou mais) para 50 convidados. Há também a possibilidade de investir sem receber as recompensas – somente pelo prazer de ver o projeto “sair do papel”.

Um outro caso que vem ganhando notoriedade nos últimos meses é o Queremos. A ideia dessa iniciativa é, através do crowdfunding, financiar a vinda de bandas ao Rio de Janeiro. Ao invés de esperar o investimento financeiro e a boa vontade de grandes produtores, os próprios fãs se articulam para comprar cotas que bancam os custos mínimos, tornando possível a realização do show. Nesse momento, começa a venda de ingressos para o público. Caso a venda de ingressos ultrapasse a quantia total necessária para a realização do evento, esse dinheiro que sobrou retorna para os investidores iniciais que, muitas vezes, acabam assistindo ao show de graça. No caso do Queremos, empresas também podem compram cotas, mas elas não recebem o dinheiro de volta. Até hoje, a iniciativa trouce grupos como The National, LCD Soundsystem, Miami Horror e Miike Snow.

Nos dois casos apresentados, se a quantia pedida não for atingida em prazo mínimo para a realização do projeto, o dinheiro volta para os investidores. Isso quer dizer que você só paga por algo que, de fato, vai acontecer.

Esses financiamentos coletivos na música não são exatamente uma novidade. O Sellaband é um empreendimento europeu, com escritórios em Munique e Amsterdã, que funciona desde 2006. Até hoje, o Sellaband já viabilizou sessões de gravação para 42 artistas, usando o investimento de fãs. Através do site, mas de U$ 3.000.000 já foram revertidos para bandas independentes. Essa mecânica permite que os artistas retenham a posse de seus trabalhos e tenham a liberdade de determinar quais incentivos eles oferecerão aos fãs que investem em sua carreira.

O financiamento coletivo permite que o público se envolva diretamente na produção da música. Cada vez mais os artistas sem o suporte de uma gravadora têm a possibilidade de conseguir incentivos para realizar seus projetos de forma autônoma, colaborativa e sustentável.

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Baixada Fluminense: Festival Espaço do Rock abre inscrição para bandas

O Espaço do Rock – Festival de Música Independente da Baixada Fluminense, abriu o processo seletivo para bandas interessadas em tocar na terceira edição do evento, que acontece em julho. Para fazer a inscrição, as bandas devem enviar músicas autorais em formato de áudio, release, mapa de palco e fotos. Até agora, mais de 100 grupos já se inscreveram.

Histórico e Novidades

Criado em 2007, com o objetivo de incentivar novas bandas da região e fomentar o cenário da música alternativa, o Espaço do Rock tem em sua programação exibição de filmes, workshops, exposição fotográfica, além da apresentação de diversas bandas. Realizado bienalmente no Espaço Cultural Sylvio Monteiro, em Nova Iguaçu, o festival já recebeu bandas como Mimesis, Vó Ruth e Raízes Que Tocam, que possuem grande reconhecimento na Baixada, e trouxe bandas como Medulla, The Feitos e Rockted, participantes dos principais festivais de música do país.

A terceira edição do festival, que desta vez conta com apoio da Secretaria de Cultura do Estado do Rio de Janeiro, também convoca as pessoas que querem participar da exposição fotográfica sobre as transformações do cenário alternativo na Baixada Fluminense. O próprio público poderá se envolver enviando fotografias de pessoas, bandas, lugares, que contem essa história. Além da imagem, deverá ser enviado uma descrição contendo data, local e informações sobre a atividade realizada.

Os interessados devem enviar o material para Rua Alberto Baptista de Moraes, n° 23, Centro – São João de Meriti/RJ ou encaminhar por email para festivalespacodorock@gmail.com.

Para saber mais, acesse as redes do festival: Site, Facebook e Twitter ou acesse a chamada no portal “Toque no Brasil”.

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Economia Criativa: saindo do século XIX e entrando no século XXI

Por Lala Deheinzelin

Eis aqui uma notícia que deveria estar em manchete nos jornais, trazida por Wang Xingquan, da Shanghai Academy of Social Sciences: neste ano, e como conseqüência da crise financeira, a Economia Criativa passou a ser a estratégia número 1 de desenvolvimento da China! Sábia decisão: por se tratar de economia baseada em recursos que não apenas não se esgotam, mas se renovam e multiplicam com o uso, a Economia Criativa é uma das únicas soluções possíveis para um futuro sustentável. Afinal, os recursos naturais são finitos, mas cultura, conhecimento e criatividade são recursos infinitos (ainda mais se aliados aos infinitos bits das novas tecnologias).

Enquanto isso, por aqui, nota-se que a Economia Criativa começa a estar na pauta de candidatos e governos, o que me deixa feliz, já que sou pioneira do tema no Brasil. Pena que avance tão pouco e que ainda seguimos modelos importados que não se aplicam ao nosso cenário. Seguem algumas sugestões de estratégias na esfera pública para que a Economia Criativa cumpra seu papel como motor de desenvolvimento sustentável.

Convergência: Planejamento e gestão devem ser feitos de forma integrada, unindo várias pastas, como Planejamento, Ciência e Tecnologia, Relações Interiores, Cultura e outros. Para isso são necessários instrumentos de governança, instâncias de tomada de decisão e gestão como Agência de Desenvolvimento, ou Agência de Sustentabilidade que “orquestram” a ação integrada (e tem um plano de longo prazo e técnico, que não pode ser mudado com novos governos).

Para nos orientarmos necessitamos duas coordenadas que se cruzam e nos localizam. Seguem alguns pares interessantes.

Visão sistêmica: hardware + software: Considerar não apenas a parte “hardware” (estrutural, recursos materiais, tangível, ecossistema ambiental) mas principalmente a parte “software” (processos, recursos humanos, intangível, ecossistema sócio cultural). Exemplo: os processos de restauro e revitalização geralmente contemplam apenas o estrutural, as obras arquitetônicas. E tendem a fracassar pois não tem o “software”: a parte humana, os processos ligados à educação, geração de conteúdo e de renda, mudança de mentalidade. Neste sentido, são assustadoras as perspectivas em relação ao que está sendo pensado para Copa do Mundo e Olimpíadas – “hardwares” caríssimos que tendem a deixar pouco além de enormes dívidas.

Setorial + territorial: tradicionalmente a Economia Criativa é organizada e fomentada em setores (audiovisual, moda, artes plásticas etc). Problema 1: está cada vez mais claro que a chave está no local, no território, é aí onde o desenvolvimento pode acontecer. Problema 2: o futuro está na economia de nicho, onde muitos e diversos produzem para muitos e diversos. Ocorre que o “blend” que diferencia e gera valor de cada criativo, coletivo, empresa ou município é uma mistura de setores. Problema 3: o futuro não é setorial, pois os limites entre as linguagens e área serão cada vez mais difusos. Problema 4: metade dos municípios do Brasil tem até 10.000 habitantes, fica difícil pensar em estratégias setoriais quando a escala é pequena.

Produção + circulação/promoção: as políticas geralmente dão apoio a produtos (e não a processos) ou seja à produção. Mas o maior investimento deveria ser feito nos pontos de gargalo de todas as áreas da Economia Criativa: circulação (ser distribuído) e promoção (ser visível e desejado). Garantir a circulação e visibilidade resulta em produção (vide o caso do Circuito Fora do Eixo).

Transdisciplinar, multifuncional: Esse é o conceito que deveria orientar tanto a formação de novos profissionais pois precisaremos muito de profissionais “modem” que dominem várias disciplinas, conectando linguagens e áreas diferentes, quanto a criação de espaços públicos, que devem ser pequenos, adaptáveis, multifuncionais o que permite otimizar recursos, espaço e tempo.

Formular política que atenda a estes quesitos é possível e já foi feito. Por exemplo aquela criada por Célio Turino: os Pontos de Cultura/Programa Cultura Viva, um dos conceitos mais em sintonia com o futuro que conheço e que espero que tenha continuidade.

Agora resta aos nossos líderes não perder o bonde da história, o que acontecerá se continuarmos com políticas e economia ainda com cara de “milagre brasileiro”, anos 70, indústria de commodities…

Vamos avançar para o século XXI?

[Fonte: Mercado Ético. Publicado em 19/01/2011]

Mashup ao vivo: inovação no modelo de apresentação de DJs

Lucio K no Juicy Beats Festival 2010, em Berlim

O remix, ou o reuso de músicas, se tornou onipresente com a facilidade de acesso às ferramentas de produção. E um tipo de remix que faz muito sucesso é o chamado mashup, onde faixas (voz, batida, instrumentos) de músicas são separados e depois misturados com faixas de outras músicas gerando uma nova obra. Em uma apresentação, o DJ de mashups solta na pista suas músicas previamente preparadas, geralmente feitas em home studio.

Mas o DJ e produtor Lucio K escolheu uma outra forma de fazer seus mashups, uma inovação tipicamente carioca: mashups ao vivo. Recentemente, ele tem ganho destaque na cena com seu projeto. Com centenas de trechos a cappella e instrumentais, ele improvisa e tece uma colcha de retalhos com a música pop na própria cabine de DJ. Apesar ter se firmado no mercado como DJ de música brasileira e black, ele escolheu a música pop para esse projeto, pois, segundo ele, “as pessoas reconhecem com mais facilidade as referências e entendem mais rápido o conceito do trabalho”.

Lucio K aponta o papel das tecnologias digitais na profissão de DJ: “Sempre fui evoluindo meu trabalho de acordo com a tecnologia. Hoje posso fazê-las ao vivo, de uma forma muito dinâmica. Alguns artistas me inspiraram, como Girl Talk e Sany Pitbull, e a ideia foi dar um passo além, criar algo diferente. O resultado ficou ótimo, nenhum outro DJ do mundo faz dessa forma, ao vivo, com esse nível de improviso, usando estilos musicais tão diferentes.”

O público tem recebido muito bem o projeto, que se configura como um novo modelo de apresentações ao vivo. “Por ser algo bastante inovador e pelo resultado sair redondinho, algumas pessoas mais distraídas demoram a perceber como é feito, pedaço por pedaço, acham que já está pronto e eu apenas toco na hora, como os DJs mais convencionais de mashup”.

O trabalho de Lucio K como DJ e produtor sempre foi muito autoral, tentando explorar estilos e criar combinações entre eles e fugir do padrão. Lucio considera “essencial divulgar esse trabalho mais autoral pra outros países, pela internet, e também sair do Brasil de vez em quando. Quando eu toco em lugares como Europa, África ou Ásia, percebo melhor o valor do que eu faço, pela curiosidade, aceitação, surpresa do público. É como se eu fizesse um produto nacional, mas usando combustível importado! (risos) Agora, com os mashups ao vivo, estou também testando a recepção fora do Brasil. Vou passar um mês me apresentando nos EUA agora em maio, e já estou desenvolvendo – visando mais o público europeu, que cobra elementos brasileiros – uma apresentação meio-a-meio: só instrumentais brasileiros e a cappellas do mundo inteiro”.

Para saber mais sobre Lucio K e seus projetos, acesse seu site.

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Games e Economia Criativa: debate no File Games Rio 2011

Nesta quarta-feira, 13 de abril, o Oi Futuro do Flamengo sediará, dentro do File Games Rio 2011, a mesa redonda “Economia Criativa: um ‘software’ para os ‘hardwares’ do desenvolvimento”, onde profissionais de destaque debaterão a Economia Criativa como o motor de novas oportunidades e desenvolvimento sustentável no século XXI.

Indústrias que têm como elementos chaves os bens culturais, o conhecimento e a criatividade são as que mais crescem nos últimos anos. A pergunta que dará o tom à discussão é: “como avançar no design de processos, instrumentos e formas de governança que de fato tenham esses recursos intangíveis como elemento central?”

Heliana Marinho, coordenadora do projeto Estrombo (Sebrae/RJ), participará da mesa redonda ao lado de outros gestores de cultura: Claudia Leitão (Ministério da Cultura), Edgar Andrade (Federação Nacional da Economia Criativa), Marcos André Carvalho (Secretaria de Cultura do Estado do Rio de Janeiro), Maria Arlete Gonçalves (Oi Futuro), Mario Borghini (Instituto Pereira Passos e Prefeitura Municipal do Rio de Janeiro). A coordenação do simpósio será feita por Lala Deheinzelin (Enthusiasmo Cultural).

File Games Rio 2011

Entre os dias 12 de abril e 8 de maio acontece a segunda edição do File Games Rio. O Oi Futuro do Flamengo receberá jogos e obras de arte que remetem aos jogos eletrônicos através de instalações, performances, animações, além dos próprios games, desenvolvidos para diversas plataformas e suportes.

Serviço:
Mesa redonda Economia Criativa
13 de abril de 2011 – 17h – 19h
Endereço: Oi Futuro – Rua 2 de dezembro, Flamengo
Vagas limitadas. Inscrição gratuita no link

Farol Digital

 

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