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Archive for janeiro, 2011

O relacionamento artista-público nas redes sociais

guitarra

A tecnologia digital vem modificando as práticas do negócio da música em vários aspectos, do surgimento de novos canais de distribuição ao aparecimento de novos agentes e mediadores na cadeia produtiva. Grande parte dos artistas e produtores enxerga as novas tecnologias como fundamentais no processo, da criação à distribuição: elas têm se mostrado fundamentais para os profissionais independentes, que estão nos sites de redes sociais criando formas de fazer a música circular.

No entanto, ao mesmo tempo que a tecnologia cria oportunidades para a classe artística, também cria deveres, como a necessidade de construir e manter um relacionamento com o seu público e com os outros agentes da cadeia produtiva da música. Isso parece fácil, certo? Pelo contrário: demanda grande esforço dos músicos manter seus perfis em redes sociais e interagir com os fãs. Na rede, tudo precisa ser atualizado o tempo todo, respondido e comentado.

As grandes perguntas que o artista deve fazer ao criar um perfil num site de rede social são “para quê?” e “esse site é o melhor para o meu objetivo?”. Por exemplo, o MySpace pode até funcionar sem muita interação, mas se popularizou como um bom lugar para expor as músicas e divulgar datas de show; já o Twitter e o Facebook demandam constante atualização e interação. No caso do Facebook, você ainda precisa escolher se vale mais a pena manter a página, o perfil ou os dois. Isso para ficar só nos sites mais populares. O ponto a ser observado é: quando você oferece ao fã um lugar para ele interagir, é dever do artista participar dessa interação.

Um dos objetivos do projeto Estrombo é estimular formas inovadoras de integração da cadeia produtiva da música com novos canais de distribuição, dentre eles, as redes sociais. Por isso, queremos saber como você enxerga e trabalha essas possibilidades de comunicação no ambiente digital. Use o espaço de comentários abaixo ou o formulário de contato para participar desse debate. Inspire-se no blog do Estrombo e acompanhe as novidades também no Twitter, Facebook, YouTube e Flickr.

Discutindo os dados da indústria sobre a venda de música digital

Semana passada foi apresentado em Londres o relatório anual da Federação Internacional da Indústria Fonográfica (IFPI).

Dados desse relatório mostram que, apesar da grande quantidade de músicas adquiridas de forma ilegal, a venda de música na internet já representa 29% do mercado – um crescimento de 27% comparado com o relatório apresentado seis anos atrás. Até o fim de 2010, um catálogo de mais de 13 milhões de títulos encontrava-se distribuído por mais de 400 serviços que oferecem possibilidades diversas de consumo musical.

Uma previsão para um futuro próximo, feita pelo presidente da área digital da Sony Music, fala em uma maior popularização dos serviços que permitem o consumo na nuvem, feito via streaming: em vez das músicas serem baixadas para o computador e syncadas com o mp3 player, elas serão acessíveis mediante assinatura de um software ou serviço, como o Spotify – que hoje, por falta de acordo com as gravadoras quanto aos royalties, só está disponível na Espanha, Noruega, Finlândia, Suécia, França, Países Baixos e Reino Unido.

É fato que a tecnologia influencia o mercado. No caso da música, há diversos casos que mostram como a internet ajuda a eliminar os “atravessadores” que levam a música do artista para o público. Nesse sentido, há a possibilidade de contratar um serviço, como é o caso da ONErpm, Topspin, Reverb Nation; ou, ainda, lidar com essa comercialização de forma completamente independente, como fazem músicos que criam seus próprios selos musicais.

A questão é que hoje as possibilidades são vastas e é muito importante que todos os agentes da cadeia produtiva da música pesquisem e concluam qual a melhor opção para o seu negócio.

O projeto Estrombo destaca que a tecnologia não influenciou o mercado somente para os artistas. Vários outros agentes também estão envolvidos nesse contexto cheio de possibilidades e contratempos. Será que já estamos prontos para um comércio completamente feito via internet? E, quando esse momento chegar, eliminaremos os agentes físicos – de lojas e vendedores à fábricas de CDs e discos – desse processo? De toda forma, precisa-se sempre tomar decisões responsáveis visando um futuro produtivo para todos os elementos envolvidos nesse processo.

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Como os gadgets estão influenciando a maneira como é feita a música


Um dos objetivos do projeto Estrombo é fortalecer o mercado para que este forneça soluções competitivas e inovadoras para integrar a música a novos canais de distribuição. Esses canais podem ser, dentre outros, os aplicativos para as redes sociais, os games e os aplicativos móveis para celulares e tablets.

Até pouco tempo atrás não se imaginava como a música estaria integrada ao celular senão pelo ringtone. Com o lançamento do iPhone, em 2007, logo começaram a surgir milhares de aplicativos disponíveis na Apple Store voltados para a música. Desde um simples afinador até emuladores de instrumentos musicais. E foi a partir disso que começaram aparecer novas formas para o uso do celular.

Um caso interessante é o da banda Atomic Tom: os integrantes tiveram seus instrumentos roubados e deram a volta por cima gravando, com a ajuda de iPhones ligados a um amplificador, um clipe no metrô de Nova York.

Outro exemplo de repercussão mundial devido aos aplicativos musicais é o da banda virtual Gorillaz, a primeira a gravar um álbum inteiro, intitulado “The Fall”, utilizando somente o iPad. O grupo disponibilizou para download o álbum gratuitamente no dia 25 de dezembro de 2010, como presente de natal aos fãs. A repercussão talvez não tivesse sido a mesma, caso a banda tive optado por gravar e distribuir o álbum de forma convencional.

E a inovação não para por aí. Três estudantes austríacos criaram o que eles denominaram de iBand. Com ajuda de iPhone e iPod, o trio cria músicas utilizando somente os aplicativos, sem ajuda dos tradicionais instrumentos musicais. O sucesso foi tanto que depois do lançamento do primeiro vídeo eles receberam diversos pedidos de entrevista, de cópias das músicas em mp3 e de informações sobre o software e equipamento utilizado.

Utilizar um iPhone como instrumento musical não significa criar uma música perfeita tecnicamente –é um método inovador mas ainda limitado. É difícil imaginar um músico deixando de lado sua bateria para dar lugar ao iPad, mas, se você também quer arriscar a produzir músicas com a ajuda desses tão cobiçados aparelhos, fica a dica: 100 aplicativos para você começar a montar a sua iBand.

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(foto de lounge77 CC-by-2.0)

O Globo: "Música brasileira marca presença nos 'games'"


Trata-se de um mercado multimilionário em que qualquer tipo de inserção vale ouro em termos de publicidade e divulgação

Vampire Weekend, Caribou, Phoenix, The XX, Charlotte Gainsbourg, Groove Armada, Gorillaz, MGMT, Crystal Castles, Chromeo, Ladytron, Massive Attack, Mark Ronson (com Simon LeBon) e Scissor Sisters. Parece a programação de um grande festival de música, mas esses são apenas alguns dos artistas presentes na trilha sonora da versão 2011 de dois dos mais populares videogames do planeta: “Fifa football” (ou “Fifa soccer, nos EUA), da produtora americana EA Sports, e “Pro evolution soccer”, da japonesa Konami. Engrossando a lista, três nomes brasileiros também estão nesses jogos de futebol: Tulipa Ruiz, Zemaria (“Fifa 11″) e o veterano Azymuth (“PES”).

Ganhos indiretos
Todos esses artistas estão de olho num mercado multimilionário – a franquia “Fifa” já vendeu cem milhões de unidades desde 1996 – , em que qualquer tipo de inserção vale ouro em termos de publicidade e divulgação. Que o diga o grupo inglês Blur, cuja a música “Song 2″, lançada em 1997, se transformou num hit mundial depois de ter sido incluída na abertura do jogo “Fifa 98″.

- Para qualquer artista, participar da trilha de um videogames desses é muito importante – diz Marcelo Lobato, empresário de Marcelo D2, que teve a música “Profissão MC” incluída no jogo “Fifa 2005″. – Através desses jogos, você se comunica com uma garotada que muitas vezes não ouve rádio e nem vê tanta televisão assim. Com uma música inserida numa dessas trilhas, você passa, de certa forma, a fazer parte dessa turma.

“Fifa 11″ – onde toca “Efêmera, de Tulipa, e “The space ahead”, do grupo capixaba Zemaria – é um jogo campeão. Desde outubro, quando foi lançado, ele bateu todos os recordes de vendas com mais de 2,6 milhões de cópias gerando, só na Europa, mais de €100 milhões, superando em 29% as vendas da edição anterior do jogo.

Os artistas incluídos nas trilhas sonoras não abocanham. Longe disso. Mas, em termos indiretos, o ganho é enorme, como explica Benoni Hubmaier, diretor da gravadora e editora YB Music e um dos responsáveis pelo gol de placa que foi colocar Tulipa em “Fifa 11″. Afinal, para os brasileiros, esse é um mercado novo e de grande potencial.

- Não há u percentual de vendas e não se recebe um grande valor por essa inclusão. Mas a divulgação, principalmente para uma artista nova como a Tulipa, é enorme. É como ter uma música num filme de Hollywood, ou até mais, já que o jogo carrega a música com ele e é, obviamente, mais repetido pelo público do que um filme – diz Hubmaier.

A comparação com Hollywood procede, já que, para ter acesso à EA Sports, Hubmaier – que licenciou, em 2006, a música “Guerreiro” de Curumim, para o jogo “Fifa street II”, um spin-off da série original – precisou da ajuda de um agente internacional.

- Contamos com um agente nos Estados Unidos que trabalha com o que se chama de licença se sincronização, o que é pegar um fonograma e associá-lo a um produto, seja um jogo, peça publicitária ou filme – lembra Hubmaier. – Esse agente era fã do Curumim, que já conhecia através da gravadora dele nos EUA, a Quannum, e conseguiu cavar essa inclusão no jogo. A partir daí, sempre nos pedem novidades do catálogo da YB para avaliações. Isso é ótimo porque passamos a fazer parte de um grupo de provedores de conteúdo para EA Sports e outras empresas de games, cinema e televisão. Tanto que conseguimos colocar recentemente outra música do Curumim, “Caixa Preta”, num dos episódios de “CSI: NY”.

Na maior parte dos games atuais, o jogador tem a opção de criar a sua própria trilha sonora. Por causa dessa tendência, os jogos vêm com um número cada vez maior de músicas e artistas incluídos. É nesse emergente nincho de mercado que nomes como Tulipa, Curumim e D2 – tão apaixonados por games que chegou a compor a música “Loadeando” – tentam se inserir, enquanto as grandes gravadoras perdem o pouco fôlego que têm brigando de gato e rato com os downloads ilegais.

- Antes de licenciarmos o D2 para o jogo EA Sports, eu fui convidado para visitar a empresa, que tem sede na Vale do Silício, na Califórnia, e fiquei impressionado com toda a sua estrutura – afirma Lobato. – É o resultado de um mercado realmente muito forte e que não para de crescer. Torço para que nos convidem logo para participar de outra trilha.

(Fonte: O Globo “Segundo Caderno” – 11 de janeiro de 2011)

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(foto de The Stéfan CC-by-2.0)

O Globo: “Música brasileira marca presença nos ‘games’”


Trata-se de um mercado multimilionário em que qualquer tipo de inserção vale ouro em termos de publicidade e divulgação

Vampire Weekend, Caribou, Phoenix, The XX, Charlotte Gainsbourg, Groove Armada, Gorillaz, MGMT, Crystal Castles, Chromeo, Ladytron, Massive Attack, Mark Ronson (com Simon LeBon) e Scissor Sisters. Parece a programação de um grande festival de música, mas esses são apenas alguns dos artistas presentes na trilha sonora da versão 2011 de dois dos mais populares videogames do planeta: “Fifa football” (ou “Fifa soccer, nos EUA), da produtora americana EA Sports, e “Pro evolution soccer”, da japonesa Konami. Engrossando a lista, três nomes brasileiros também estão nesses jogos de futebol: Tulipa Ruiz, Zemaria (“Fifa 11″) e o veterano Azymuth (“PES”).

Ganhos indiretos
Todos esses artistas estão de olho num mercado multimilionário – a franquia “Fifa” já vendeu cem milhões de unidades desde 1996 – , em que qualquer tipo de inserção vale ouro em termos de publicidade e divulgação. Que o diga o grupo inglês Blur, cuja a música “Song 2″, lançada em 1997, se transformou num hit mundial depois de ter sido incluída na abertura do jogo “Fifa 98″.

- Para qualquer artista, participar da trilha de um videogames desses é muito importante – diz Marcelo Lobato, empresário de Marcelo D2, que teve a música “Profissão MC” incluída no jogo “Fifa 2005″. – Através desses jogos, você se comunica com uma garotada que muitas vezes não ouve rádio e nem vê tanta televisão assim. Com uma música inserida numa dessas trilhas, você passa, de certa forma, a fazer parte dessa turma.

“Fifa 11″ – onde toca “Efêmera, de Tulipa, e “The space ahead”, do grupo capixaba Zemaria – é um jogo campeão. Desde outubro, quando foi lançado, ele bateu todos os recordes de vendas com mais de 2,6 milhões de cópias gerando, só na Europa, mais de €100 milhões, superando em 29% as vendas da edição anterior do jogo.

Os artistas incluídos nas trilhas sonoras não abocanham. Longe disso. Mas, em termos indiretos, o ganho é enorme, como explica Benoni Hubmaier, diretor da gravadora e editora YB Music e um dos responsáveis pelo gol de placa que foi colocar Tulipa em “Fifa 11″. Afinal, para os brasileiros, esse é um mercado novo e de grande potencial.

- Não há u percentual de vendas e não se recebe um grande valor por essa inclusão. Mas a divulgação, principalmente para uma artista nova como a Tulipa, é enorme. É como ter uma música num filme de Hollywood, ou até mais, já que o jogo carrega a música com ele e é, obviamente, mais repetido pelo público do que um filme – diz Hubmaier.

A comparação com Hollywood procede, já que, para ter acesso à EA Sports, Hubmaier – que licenciou, em 2006, a música “Guerreiro” de Curumim, para o jogo “Fifa street II”, um spin-off da série original – precisou da ajuda de um agente internacional.

- Contamos com um agente nos Estados Unidos que trabalha com o que se chama de licença se sincronização, o que é pegar um fonograma e associá-lo a um produto, seja um jogo, peça publicitária ou filme – lembra Hubmaier. – Esse agente era fã do Curumim, que já conhecia através da gravadora dele nos EUA, a Quannum, e conseguiu cavar essa inclusão no jogo. A partir daí, sempre nos pedem novidades do catálogo da YB para avaliações. Isso é ótimo porque passamos a fazer parte de um grupo de provedores de conteúdo para EA Sports e outras empresas de games, cinema e televisão. Tanto que conseguimos colocar recentemente outra música do Curumim, “Caixa Preta”, num dos episódios de “CSI: NY”.

Na maior parte dos games atuais, o jogador tem a opção de criar a sua própria trilha sonora. Por causa dessa tendência, os jogos vêm com um número cada vez maior de músicas e artistas incluídos. É nesse emergente nincho de mercado que nomes como Tulipa, Curumim e D2 – tão apaixonados por games que chegou a compor a música “Loadeando” – tentam se inserir, enquanto as grandes gravadoras perdem o pouco fôlego que têm brigando de gato e rato com os downloads ilegais.

- Antes de licenciarmos o D2 para o jogo EA Sports, eu fui convidado para visitar a empresa, que tem sede na Vale do Silício, na Califórnia, e fiquei impressionado com toda a sua estrutura – afirma Lobato. – É o resultado de um mercado realmente muito forte e que não para de crescer. Torço para que nos convidem logo para participar de outra trilha.

(Fonte: O Globo “Segundo Caderno” – 11 de janeiro de 2011)

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(foto de The Stéfan CC-by-2.0)

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